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ou não uma potência nuclear esteve presente ao longo de décadas na relação entre os EUA e o Japão. Logo a seguir ao primeiro teste nuclear da República Popular da China em 1964 o então PM japonês Eisaku Sato declarou ao Presidente Lyndon Johnson que se a China, sob liderança do PC chinês, viesse a dispor de armas nucleares o Japão também as deveria possuir, embora reconhecendo que devido ao trauma de Hiroshima e Nagasaki a opinião pública japonesa se poderia opor. Considerava no entanto que tal oposição poderia ser ultrapassada, através de um paciente trabalho de educação colectiva. Durante o governo Sato a questão nuclear continuou a ser discutida, formulando-se até o conceito de que as armas nucleares tácticas poderiam ser

50 A exportação de capitais do Japão contribuiu decisivamente para o primeiro grande ciclo imobiliário Global de

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concebidas como armas defensivas e, por isso aceites no quadro da Constituição japonesa. Um relatório realizado para o governo por uma comissão presidida por Yaushiro Nakasone (futuro PM) considerava no entanto que, se bem que a posse de armas nucleares de potência reduzida para fins defensivos pudesse ser conforme à Constituição, os riscos de reacção internacional adversa ou mesmo de uma guerra, aconselhavam naquele momento a adoptar uma politica de não aquisição desse tipo de armas. Os EUA reagiram negativamente às hesitações do Governo Sato, opondo-se frontalmente á aquisição de armas nucleares pelo Japão e pressionando as autoridades japonesas a subscrever sem demoras o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Em 1967, e face ás pressões dos EUA e á sua própria opinião pública, Sato anunciou a adopção dos “Três Principios Não Nucleraes”, segundo os quais o Japão não iria fabricar, adquirir ou permitir armas nucleares no seu território, princípios que seriam adoptados pelo Parlamento. Meses depois, em Fevereiro de 1968, Sato considerando que essa formulação seria demasiado constrangedora, apresentou ao Parlamento os “Quatro Pilares da Política Nuclear”: promoção do uso pacífico da energia atómica; participação nos esforços de desarmamento nuclear global; aceitação da dependência do Japão da dissuasão alargada dos EUA, com base no tratado de Segurança nipo-americano de 1960; e respeito pelos “Três princípios Não Nucleares”, se a segurança nacional do Japão estivesse garantidas pelos outros três pilares.

Em 1969 uma avaliação realizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros concluiu que o Japão, mesmo subscrevendo o Tratado de Não Proliferação Nuclear deveria alcançar e manter as condições económicas e tecnológicas que lhe permitissem vir a desenvolver e produzir armas nucleares, no caso de tal vir a ser necessário para a sua segurança. O Japão assinou finalmente o Tratado de Não Proliferação Nuclear em 1970, mas a sua ratificação no Parlamento arrastou-se até 1976, e deu-se só depois da Alemanha o ter também ratificado e de os EUA se terem comprometido a não interferir com os planos japoneses de se dotar de uma capacidade de reprocessamento de resíduos radioactivos das centrais nucleares construídas no âmbito do seu programa nuclear civil. Em 1974 Eisaku Sato recebeu o Prémio Nobel da Paz, em reconhecimento pelo seu papel crucial na assinatura pelo Japão do TNP. Nesse mesmo ano de 1974 o PM japonês Tsutomu Hata declarava aos jornalistas: “…é certo que o Japão dispõe da capacidade de possuir armas nucleares, mas não as fabricou”.

O Japão foi durante a década de 70 construindo novas centrais nucleares para a produção de electricidade, construiu a sua própria instalação de enriquecimento do urânio para fabrico do combustível nuclear utilizado nas centrais - mas também susceptível de obter o urânio enriquecido em grau susceptível de ser utilizado em armas nucleares - e lançou-se no que

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poderíamos designar como “programa plutónio” que incluiu a instalação de um reactor nuclear experimental do tipo fast breeder alimentado a plutónio e a decisão de instalar uma unidade experimental de reprocessamento dos resíduos nucleares das centrais existentes por forma a

extrair plutónio desses resíduos51. A produção de plutónio passou assim a estar no centro do

programa nuclear do Japão, não obstante o plutónio recuperado do combustível utilizado nas centrais nucleares para fins comerciais ser distinto do plutónio mais frequentemente utilizado em

armas nucleares, com exigências de pureza muito superiores52. O programa nuclear japonês nas

suas múltiplas facetas, estava ao serviço do que poderíamos designar como sendo a estratégia de colocar o Japão no limiar da capacidade de produção de armas nucleares num prazo que alguns autores consideravam de um ano, sem se declarar potência nuclear e sem se retirar do Tratado de Não Proliferação. Simultaneamente desenvolveu a sua indústria espacial e de mísseis, em que se incluiu o lançador M-V de três andares, com propulsão a combustível sólido, semelhante no seu desenho ao ICBM LGM-118 Peacekeeper dos EUA e foi adquirindo experiência na área espacial com lançadores reutilizáveis (projectos OREX e HOPE X). A decisão de instalar um a unidade experimental de reprocessamento de resíduos nucleares em Tokai foi recebida com intenso desagrado pela administração do Presidente Carter, envolvida numa campanha de reforço do Tratado de Não Proliferação Nuclear a nível internacional e de desincentivo ao desenvolvimento de reactores de uso civil utilizando plutónio como combustível. Com efeito a Administração Carter discordava do compromisso assumido em 1976 pelos EUA relativamente à não interferência nos projectos de reprocessamento independente do combustível residual das suas centrais nucleares, que o Japão viesse a decidir.

A chegada da Administração Reagan, para quem o Japão era visto como um aliado fundamental na sua politica de confronto com a URSS, alterou de novo a postura dos EUA, que deixaram de se opor a essas instalações e procuraram por várias vias reforçar a colaboração com o Japão na área das tecnologias da defesa. Nomeadamente: a) Convidando o Japão a participar, se bem que mais simbolicamente do que de forma estruturada, no desenvolvimento das tecnologias da “Guerra das Estrelas”, que deveria marcar uma mudança de paradigma ao tornar as armas nucleares ofensivas menos atraentes para quem as detivesse sem dispor das armas de defesa antibalística; b) Chegando em 1987/8 a um acordo com o Japão para o desenvolvimento

51 Para além do reprocessamento realizado na Europa, nomeadamente em instalações da França, que tal como o

Japão apostara nessa altura nos reactores fast breeder.

52 Embora os próprios EUA tenham chegado a utilizar plutónio menos “puro” em armas nucleares como aconteceu

durante a Administração Carter na sua campanha contra o “plutonium fuel cycle” (ou seja o ciclo nuclear do plutónio) por ela considerado um grande risco em termos de proliferação nuclear.

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conjunto de um novo avião militar, o caça FSX, tendo como prime contractor a Mitsubishi Heavy Industries e tendo como subcontratantes principais a Lockheed Martin Tactical Aircraft

Systems e as japonesas Kawasaki Heavy Industries e a Fuji Heavy Industries; o FSX foi concebido a partir do F16 norte-americano, mas com a grande novidade de toda aviónica ter sido desenvolvida e fabricada por empresas japonesas.

CAPITULO 9 – A CHINA. ABERTURA AO EXTERIOR, NOVO MODELO