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7.5.1. Recordando Traços Distintivos da Estrutura Sectorial da Econonia dos EUA no Inicio da década de 80 - A compreensão das transformações experimentadas pela economia dos

EUA na década de 80 é facilitada se se tiver em consideração um conjunto de características geoeconómicas estruturais. Assim: (i) Os EUA eram uma grande economia continental, que dispunha no seu território de extensa base produtiva de bens primários – energia, minérios e alimentos - sendo um importante exportador mundial de produtos agrícolas/alimentares e de produtos derivados da floresta, mas dependendo actualmente da importação de petróleo e de minerais estratégicos. Dispunha de extenso território com linhas de comunicação predominantemente interiores ou costeiras, que realizavam a articulação espacial das zonas produtoras de bens primários com as regiões industriais; (ii) A sua base manufactureira assegurava-lhes a posição dominante a nível mundial em sectores como: as indústrias da defesa e do espaço; as indústrias da aeronáutica e da electrónica para a mobilidade (aviónica e equipamento de teledetecção); as indústrias dos equipamentos para a terciarização (informática, burótica e comunicações) e dos respectivos componentes electrónicos; as indústrias da saúde, quer de base química, como a indústria farmacêutica, quer de base eléctrica e electrónica, como a do equipamento médico; as indústrias mecânicas e químicas associadas à extracção e transformação de bens primários em materiais industriais; as indústrias associadas aos símbolos das marcas de grande consumo (agro-alimentar, higiene e cosmética); (iii) Os EUA eram, por outro lado, uma economia fortemente exportadora de serviços (incluindo serviços de transporte aéreo e de telecomunicações), e produtora de conhecimentos e inovação criativa (audiovisual, “software”, “engineering”, patentes e “royalties”) e fortemente importadora de bens manufacturados pelos países em desenvolvimento da Ásia e da América Latina, constituindo os EUA o principal mercado que suportou a industrialização virada para a exportação dos países dessas regiões; (iv) Os EUA eram uma economia multinacionalizada, detendo importantes posições nas reservas mundiais do energia e de minérios e assegurando uma parte da produção industrial sob seu controlo empresarial, fora das suas fronteiras. Os principais destinos tradicionais do seu investimento externo eram os países da CE, o Canadá e a América Latina.

Durante a década de 70 a economia dos EUA beneficiou do investimento feito a nível mundial na base de bens primários e na energia, de cujos equipamentos é um grande produtor mundial, tendo sido sob direcção dos bancos americanos que se procedeu à reciclagem dos petrodólares dos países da OPEP para os sectores primários dos EUA e da América Latina. A baixa do dólar ajudou, por sua vez, a reforçar a competitividade dos produtos americanos. Na

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década de 80 a economia dos EUA beneficiou da procura interna nas áreas da Defesa e da Saúde e da tendência mundial para a terciarização das economias, para a informatização do terciário e para a automação das fases de concepção e desenho nos sectores manufactureiros. A grande indústria americana passou gradualmente a ter como principais accionistas os investidores institucionais - fundos de pensão e companhias de seguros - e manteve a tradição de se basear no auto financiamento e no mercado do capitais para financiar a sua expansão. No início da década o topo da indústria era ocupado por grandes empresas civis de âmbito sectorial (petróleos, automóvel, química, material eléctrico, indústrias alimentares, farmácia, informática, telecomunicações, etc.) e por um conjunto de conglomerados na área da defesa. A década de 80 assistiu a uma mudança da inserção geoeconómica dos EUA a nível mundial, com uma quebra acentuada das relações comerciais com a América Latina (facto a que não foram estranhas as dificuldades económicas dos países que se haviam endividado na década anterior) e com um intensificar das relações comerciais e de investimento com a Ásia/Pacífico, fortemente geradoras de deficits comerciais.

7.5.2. Os Novos Sectores na Liderança do Crescimento - Assistiu-se nesta década a uma

reestruturação empresarial que se concretizou : a) Num processo de destruição de capital, traduzido no encerramento de empresas ou actividades parciais de empresas que não revelaram condiçoes para competir no novo enquadramento de desinflação, valorização do dólar e de taxas de juro reais a níveis historicamente elevados; b) Num processo de reorganização maciça da propriedade das empresas que sobreviveram a esse processo de extinção, evidenciada pela vaga de takeovers hostis e de LBO, obedecendo a um principio orientador de facilitar a criação de empresas concentradas num core business e com dimensão, condições de rendibilidade e potencial de inovação para liderarem os seus sectores a nível mundial. Assistiu-se igualmente a uma convergência das despesas públicas e de investimento privado em torno de sectores em que os EUA detinham a liderança tecnológica mundial e em torno de inovações que se tornariam dominantes a nível mundial criando por isso um fluxo de exportações futuras de bens, serviços e receitas de royalties, essa convergência concretizou-se: 1) No maior programa de rearmamento em tempo de paz da história dos EUA , concentrado nos sectores em que os EUA detinham a liderança tecnológica mundial - aeronáutica, espaço, electrónica da defesa, teledetecção e computorização - mas permitindo a reactivação de outros sectores como a construção naval; empresas como a LOCKHEED, NORTHROP, ROCKWELL, MCDONNEL DOUGLAS, GENERAL DYNAMICS, RAYTHEON, BOEING, LITTON, TEXTRON foram nomes que se

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destacaram entre os grandes contractors do Pentágono; 2) Na massificação do processo de informatização da economia, com destaque para o sector dos serviços e para a componente terciária dos sectores industriais (projecto, engenharia e design) com a difusão dos minicomputadores para fins científicos e de engenharia e com a inovação radical que representou a combinação do microprocessador, do package software e do computador pessoal e seus periféricos (monitores e impressoras), empresas como a DIGITAL, a HP, a INTEL, a AMD, a

TEXAS Instuments, a IBM, a APPLE, a DELL, a COMPAQ a MICROSOFT, a NOVELL etc,

foram nomes que lideraram as valorizações nos mercados bolsistas durante a década. As novas formas de financiamento através dos mercados de capitais, com destaque para as junk bonds e obrigações convertíveis em acções, permitiram o financiamento de ambos os processos.

CAPITULO 8 – O JAPÃO: PROCURANDO UMA ASCENSÃO NA “REDE”

A resposta do Japão aos choques petrolíferos da década de 70 diferiu da que foi encontrada por vários países europeus que procuraram, por um lado compensar os maiores gastos com a importação de petróleo com as exportações para os produtores da OPEP e, por outro, criar uma base regional de coordenação monetária. O Japão, pelo seu lado, inseriu-se no quadro definido

pelos EUA imediatamente a seguir ao primeiro choque petrolífero45, já referido anteriormente, e

que incluiu duas componentes: 1) Uma negociação com a Arábia Saudita consagrando o uso exclusivo do dólar nas transacções internacionais de petróleo e obtendo o acordo para que a reciclagem dos petrodólares fosse realizada através das instituições bancárias actuando nas praças financeiras de Londres e de Nova Iorque; 2) Uma negociação com o Japão pela qual este não procuraria internacionalizar o yen, exportando para os EUA em dólares e podendo contar com uma abertura do mercado dos EUA.

Em termos estruturais, o Japão respondeu aos choques petrolíferos: a) Reforçando a exportação para os EUA de um conjunto de pólos de competitividade; b) reformulando a sua oferta competitiva de forma a compensar o menor dinamismo de sectores intensivos em capital e em energia com novos sectores intensivos em conhecimento e inovação tecnológica, assentes na miniaturização electrónica; e c) Introduzindo nos processos e nos produtos das indústrias, sobretudo das exportadoras, uma exigência de eficiência energética como factor de competitividade nos mercados externos. Simultaneamente o Japão durante a década de 80 prosseguiu o objectivo de controlar todas as tecnologias chave e de dispor da base industrial necessária para o fabrico de armas nucleares, sem ostensivamente por em causa o respeito formal

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pelo Tratado de Não proliferação Nuclear (TNP) de que era signatário. Procurou ainda explorar as oportunidades de colaboração com os EUA para ampliar as suas próprias indústrias de defesa, incluindo na aeronáutica e no espaço.

8.1 O Japão e o seu Sector Exportador: Pólos de Competitividade e Conglomerados