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Concluding remarks

In document Why competence in teleworking matters (sider 106-128)

Do ponto de vista analítico, nesta etapa, respeitando-se a lógica da análise sequencial, para cada dado biográfico são colocados os trechos da entrevista em que o narrador é mais específico sobre o dado que está sendo focalizado. Desta forma, atentando para os indícios

contidos em cada vivência, é possível ainda detectar estruturas de significado latentes bem como passagens que não foram compreendidas e recolher alguns detalhes que não foram observados nos estágios anteriores (ROSENTHAL, 2004, 2014b).

No quadro 8 disposto a seguir verifica-se, a título de exemplo, como se dá a contraposição entre dados biográficos e narrativas a partir da tabela de contraste de Noeli. Para cada segmento identificado são mostrados os códigos que o associam ao número da página da transcrição da entrevista em que este foi recortado e os números seguintes indicam respectivamente a primeira e a última linha em que o trecho se encontra na página.

Quadro 8 - Contraste entre dados biográficos e narrativas

(Continua)

Dado biográfico Trechos da vida narrada

1975 – Sai de casa e vai de muda para Porto Alegre

1/ 26- 28 - e eu fiquei até os 16 anos (.) daí eu vim pra Porto Alegre e eu não conhecia a cidade eu não sabia com

16 anos o que era luz elétrica (.) eu não conhecia nada da cidade eu nunca tinha saído do interior até que quando eu vim é que eu vim de noite de lá de ônibus de noite (1)

1/ 29- 36 - quando eu tava chegando perto de Lajeado ali que começou a acender as luzes da cidade né // E: Uh-

hum// eu disse assim meu Deus quanta estrela que desceu pra terra né (.) porque era as luzes da cidade (1) pra mim era as estrelas tu vê com 16 anos né chegando na rodoviária de Lajeado aquilo ali pra mim parecia (.) eu digo vai ter festa né // E: Uh-hum// era um povaréu que eu não sabia de onde é que tinha saído (.) quando @eu cheguei na capital@ um monte de gente e depois dali (.) eu vim com o dinheiro da vinda da passagem vim com duas mudas de roupa vim sozinha

19/ 2-3- são coisas que tu vai lembrando de tudo que aconteceu na tua vida (.) coisas que aconteceram do dia que

eu vim embora (1) de como eu vim

13/ 39-14/1 - eu queria que ele me mandasse embora // E: Uh-hum// eu não queria mais ficar em casa

14/ 9- 10 - ai eu disse assim eu vou embora de casa eu não quero mais (1) mas ir pra onde não tinha pra onde ir eu

não conhecia nada né

(Conclusão)

Dado biográfico Trechos da vida narrada

1975 – Sai de casa e vai de muda para Porto Alegre

15/ 20-25 - daí eu cheguei em casa de noite e pedi pra ele (2) pai (.) eu mas isso fazia uma semana que a gente

tinha brigado né //E: Uh-hum// posso ir pra Porto Alegre com a Sirlei daí ele disse assim o que tu vai fazer lá eu disse ué (.) o que eu não faço aqui né (1) ai ele não disse nada não disse nem que eu ia nem que eu não ia né (.) se deixava ou não

15/ 31-16/21 - ele chegou né e eu disse assim pra ele pai eu vou ir pra Porto Alegre com a Sirlei eu vou ir (1) eu

vou trabalhar em casa de família lá eu vou estud- ele disse assim (.) mas o que que tu vai fazer lá tu não tem tudo o que tu quer em casa (.) tenho mas não é isso que eu quero eu não quero casar me encher de filho como todas gurias fazem (.) eu quero estudar eu quero arrumar um emprego eu quero trabalhar

//E: Uh-hum// daí ele disse assim tá minha filha (1) se tu quiser ir tu vai (2) mas a hora que tu quiser voltar se não der certo lá e tu quiser voltar tu sabe que as portas aqui de casa tão sempre abertas pra ti e começou a chorar @1@ eu nunca tinha visto o pai chorando né (.) ai me desarmou né //E: Uh-hum// aí fiquei mais uma semana esperando pra vim né e toda aquela coragem foi se desmontando ((rindo)) foi se indo né eu ach=acho que não vou @querer mais ir@ aí passou né aí a semana e eu naquele ai meu deus né (.) ai meu deus ai ela vinha na segunda embora na outra segunda de manhã tava chuviscando era ju- era inverno né e daí a mãe disse assim pra ele tem que mandar comprar uma muda de roupa pra Nô ir (1) ela não tem roupa pra ir (1) as roupa que eu tinha era só as roupa surrada de trabalhar na lavoura né daí eu queria ir que=eu queria escolher a roupa que eu queria comprar né (1) ele não deixou mandou a minha irmã buscar a roupa pra mim e me mandou ir roçar potreira (1) daí eu fui rocei a potreira até as 4 da tarde que a minh- no chuvisqueiro tudo né //E: Uh-hum// e aí quando a minha prima apontou daí eu fui= fui casa só troquei de roupa né @nem banho tomei né@ (1) lavei os pé ((gesticula as mãos rapidamente)) e daí fomo embora né daí (.) bah daí quando foi pra sair assim a minha mãe ficou chorando assim aquela coisa aquela cena deus o livre né e ele foi comigo até lá no ônibus tudo ficou na parada tudo comigo (.) me beijou me abraçou me abraçou né chorou de novo disse pra mim minha filha vai e se não der certo tu volta tu sabe que sempre a casa vai tar aí //E: Uh-hum// eu vim fiquei até o final do mês aqui vim dia 6.

Fonte: elaborado pela autora com base na coleta de dados (2014)

Realizando-se esta dinâmica em todos os trechos da entrevista que correspondem aos dados biográficos obtém-se um entendimento sobre os padrões discursivos – conteúdo e forma- utilizados pela biografada. Tendo presentes tanto a hipótese gerada a partir dos dados biográficos quanto àquela para sua intenção de apresentação, é que se torna possível a produção do texto final a respeito das interpretações e linhas de ação adotadas à época dos acontecimentos pela entrevistada.

Na continuidade deste processo, é oferecido o texto final para a reconstrução da vida vivenciada de Noeli.

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