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concerned by the custom of having a child as soon as possible after

“... o trabalho sofre um ´subdimensionamento´ profundo, assimilado a uma atividade de simples ´execução´, despojado de suas habilidades, de seus ajustes. A situação do trabalho deixa de ser um lugar de exigência social, individual, um espaço de valores em jogo que se refere permanentemente aos julgamentos e escolhas de seus protagonistas.”. (Schwartz, 1996: 115)

Na década de oitenta, começou a se definir um grupo, na Universidade de Provence, na França, constituído por um lingüista, Daniel Faïta, um sociólogo, Bernard Vouillon, e um filósofo, Yves Schwartz. A proposta deles era a análise pluridisciplinar da situação de trabalho. Referendado na ergonomia, o grupo Analyse Pluridisciplinaire des Situations de Travail (APST) apresentou uma série de concepções sobre a atividade de trabalho, interessando-se

particularmente pelos estudos e reflexões que associam linguagem como prática linguageira e o trabalho como atividade socialmente situada e remunerada, compartilhando uma visão de mundo em que a apreensão e compreensão do real passa necessariamente por processos inter-relacionais, inseridos em uma esfera da atividade social, assumindo a impossibilidade de pensar o trabalho sem considerar o discurso do seu protagonista direto: o trabalhador nas relações construídas com o outro (Vieira, 2002: 103).

No final da década de noventa, o movimento APST se desdobrou em outros dois grupos: um, de vertente filosófica, a ergologia (Schwartz), e outro, filiado à psicologia do trabalho, a Clínica da Atividade (Clot). Ambas as disciplinas têm como propedêutica a ergonomia; analisam a atividade humana em situação de trabalho; e conferem importância fundamental à linguagem usada em tal situação, o que tem implicações teóricas e influencia os caminhos metodológicos de construção dos instrumentos e das formas de analisar as relações entre atividade e discurso.

A disciplina ergológica reflete sobre como se entrelaçam o corpo, o psiquismo e as

têm escala de medida, o ético, o histórico e o político (Schwartz, 1997: 1), tudo isso mostrando que o trabalho não é jamais uma realidade simples: ele questiona da mesma maneira os que tentam produzir sua análise e os seus protagonistas diretos. Embora as condições sejam sempre singulares, aquelas variáveis constituem jogos de reciprocidades entre o dizer e o fazer, o tempo todo renormalizados. A atividade de trabalho implica sempre uma gestão complexa, dispendiosa em energia, e que exige arbitragens de valores e microdecisões, na dialética do que é antecipado pelos saberes e de como as normas antecedentes são re-singularizadas, isto é, como ocorrem as renormalizações dos prescritos, de acordo com as circunstâncias pessoais do trabalhador, ser vivo enigmático e complexo.

Devido a sua variabilidade, suas histórias e suas regulações, o trabalho é lugar de debate e um espaço de possíveis sempre a negociar, onde existe uso do trabalhador, convocado em todo o seu ser industrioso52.

O trabalho sempre envolve uso de si por si – já que os trabalhadores renormalizam prescrições e criam estratégias singulares para enfrentar os desafios do seu meio. Isso causa uma tensão contraditória, com demanda específica e incontornável feita a um sujeito que dispõe de um capital pessoal único. E há uso de si pelos outros - por ser o trabalho, em parte, heterodeterminado por meio de normas, prescrições e valores constituídos historicamente. (Schwartz, 2000: 34).

As micro-escolhas, no interior das coerções materiais e sociais do trabalho, fazem aparecer de qual ponto o “si” é convocado: o trabalho é sempre um dramático uso de si

mesmo.

A ergologia leva em conta que, na atividade de trabalho sempre há, por parte do trabalhador, uma dupla antecipação: a primeira, em função de normas, regras e prescrições das disciplinas profissionais (Medicina, Enfermagem, Administração Hospitalar, etc.), e a segunda, em função das renormalizações e do uso de si que médicos, enfermeiras e administradores fazem, para exercer sua atividade de trabalho. Nessa situação, a linguagem é “atividade na atividade”, enraizada na complexidade ergonômica e nas relações sociais, e convoca um “dispositivo de três pólos” (Schwartz, 2004):

52 O vivente, em sendo vivo, está sendo industrioso. São capacidades e recursos infinitamente mais vastos do

1º) pólo dos saberes instituídos (ou saberes acadêmicos, ou saberes da

organização), que se refere a prescrições e normas antecedentes, ao saber descontextualizado, anterior à atividade de trabalho: primeira antecipação;

2º) pólo dos saberes investidos na atividade, que são as forças de convocação, os “saberes anônimos da experiência”, a prática renormalizadora individual: segunda

antecipação;

3º) pólo ético (ou filosófico, ou epistemológico), que é lugar de exigências e de

humildade (Schwartz, 1997: 31), onde estão os valores individuais, que não podem ser

graduados. Para que a atividade profissional do dentista (pólo do saber instituído) se exerça

satisfatoriamente, sem que haja desrespeito ao paciente, ou desatenção aos seus problemas de saúde e aos seus sentimentos (pólo ético), e sem que haja desperdício de energia, estresse, descontentamento e desgaste do dentista, há “uso” de si não somente por si mesmo (com capacidades singularmente adquiridas e tendência a usar de si para recompor, de modo infinitesimal, um mundo que lhe seja mais conveniente – pólo do saber investido na

atividade), como também há uso de si pelos outros (explicitado nos confrontos, conflitos e antagonismos de relações e interações sociais), o que influencia a sua atividade de trabalho individual. Levando em conta ainda o pólo econômico e o político-social, o equilíbrio

dinâmico entre tantos pólos contraditórios é vivido em todos os graus entre o formal e o informal (Schwartz, 2000: 42), considerando-se a não-homogeneidade fundamental que caracteriza a execução de práticas idênticas, a variabilidade das reações fisiológicas e psicológicas durante o desenvolvimento de um procedimento clínico, as interrupções, etc.

Tudo isso vai se refletir e refratar na interação linguageira dentista-paciente.

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