A análise das demonstrações contábeis é determinante para a eficiência da empresa, auxiliando os administradores a realizarem um planejamento consistente, para a tomada de decisões. O mais importante é a interpretação do valor desses resultados para localizar pontos fortes e fracos, e neste último caso, pode tomar medidas corretivas (SANVICENTE, 1987, p. 165).
Segundo Ferreira (2004) os processos mais utilizados na análise das demonstrações contábeis são:
1. Análise vertical; 2. Análise horizontal;
Sendo que o foco deste trabalha concentra-se na análise através de índices financeiros.
“A análise de índices envolve métodos de cálculo e interpretação de índices financeiros visando analisar e acompanhar o desempenho da empresa” (GITMAN, 2004, p.42). Os elementos básicos dessa análise são a demonstração de resultados e o balanço patrimonial. A análise de índices não inclui somente o cálculo de determinado índice. O mais importante, além desse cálculo é a interpretação do valor desse índice.
De acordo com Groppelli (2004), outro ponto importante é que os índices financeiros servem de comparação das médias dos concorrentes dos setores, ou das melhores cias. Do setor, onde monitorando as variações desses índices, os administradores podem identificar pontos fortes ou fracos, e assim fazer um plano para tomar as medidas corretivas apropriadas.
Os índices financeiros podem ser divididos, por uma questão de conveniência em categorias, neste trabalho fora dividido em cinco categorias: liquidez, atividade, estrutura de capital ou endividamento, rentabilidade e valor de mercado.
a) Indicadores de liquidez:
Os indicadores de liquidez são obtidos pelo confronto das fontes com as aplicações de recursos de giro, tendo a finalidade básica de analisar situação financeira, no aspecto da existência ou não de uma margem de folga entre as aplicações de recursos no giro e as fontes de recursos de terceiros.
A palavra liquidez em finanças significa a disponibilidade em moeda corrente para fazer pagamentos. Decorre de líquido e liquidação. Liquidar significa extinguir obrigação. “Esta capacidade de pagamento pode ser avaliado num longo prazo, num curo prazo ou em prazo imediato” (MARION, 2002, p. 456).
Portanto, os índices de liquidez querem medir se os bens e direitos da empresa (ativos) são suficientes para a liquidação das dívidas.
Segundo Padoveze (2004), os indicadores identificados como sendo os principais desta categoria foram: liquidez geral, liquidez corrente, liquidez seca, liquidez imediata.
b) Indicadores de atividade:
Os índices de atividade são importantes para a empresa saber quantos dias, demora em média para receber, suas vendas, para pagar suas compras e para renovar o seu estoque.
“Por intermédio desses índices, pode-se apurar o número de renovações, durante o exercício, do capital médio aplicado em determinado elemento patrimonial” (FERREIRA, 2004, p. 8).
“Para fins de análise, quanto maior for a velocidade de recebimento de vendas e de renovação de estoque, melhor. Por outro lado, quanto mais lento for o pagamento das compras, desde que não corresponda a atrasos, melhor” (MARION, 2002, p. 467).
Segundo Gitman (2004), os principais índices de atividade são: giro do estoque ou rotatividade do estoque, prazo médio de recebimento, prazo médio de pagamento, giro do ativo total.
c) Indicadores da estrutura de capita ou endividamento:
A análise da estrutura de capital compreende o estudo das fontes de financiamento utilizadas pelas empresas. O estudo destes indicadores permite compreender as decisões financeiras da empresa em relação à obtenção e aplicação de recursos financeiros, indicando a relação da dependência da empresa em função dos recursos de terceiros.
“O índice de endividamento indica o volume de dinheiro de terceiros usado para gerar lucros” (GITMAN, 2004, p. 49). Em geral, contadores ou analistas devem-se preocuparem mais com as dívidas a longo prazo, porque elas comprometem a empresa com uma série de pagamentos por muitos anos. Quanto maior o grau de endividamento, maior é os compromissos da empresa com relação aos seus credores.
Os recursos financeiros utilizados para gerar lucros em uma empresa, entram através dos Capitais de Terceiros (Passivo Circulante e Exigível a Longo Prazo) e Capital Próprio (Patrimônio Líquido). Segundo Marion (2002) esses dois capitais são as origens que por sua vez, serão transformados em aplicações no Ativo para geração de lucro.
“São os indicadores de endividamento que nos informam se a empresa utiliza mais de recursos de terceiros ou de recursos dos proprietários” (MARION, 2002, p. 464).
É importante observar que uma participação de Capital de Terceiros exagerada em relação ao Capital Próprio torna a empresa vulnerável a qualquer crise. Por isso, que as instituições financeiras não concedem financiamentos para as empresas que apresentarem esta situação desfavorável. E a maioria das empresas que vão a falência, apresentam um alto índice de endividamento em relação ao seu Patrimônio Líquido.
Destacam-se como principais índices de endividamento: endividamento geral, participação de capital de terceiros, composição do endividamento, grau de imobilização do Patrimônio Líquido, imobilização do ativo permanente, imobilização dos recursos não correntes e índice de cobertura de juros.
d) Indicadores de rentabilidade:
Os indicadores de rentabilidade visam mostrar o êxito econômico da empresa por meio da comparação dos resultados obtidos, em cada etapa do processo produtivo, com os recursos gerados ou consumidos no processo.
“Objetiva mensurar o retorno do capital investido e identificar os fatores que conduziram a essa rentabilidade” (PADOVEZE, 2004, p. 101). Essas medições, através desse índice permitem aos interessados avaliar os lucros da empresa em relação a certo nível de vendas, ativos ou volume de capital investido. Sem lucros, uma empresa não poderia atrair capital externo.
Os principais indicadores identificados para medir rentabilidade são: rentabilidade sobre o patrimônio líquido, rentabilidade sobre o ativo; margem bruta, margem operacional, margem líquida, LAJIRDA (Earnings before interest, taxes depreciation and amortization - EBITDA), NOPAT (Net operating after taxes).
e) Índice de valor de mercado:
Para as empresas constituídas como sociedade por ações, é possível construir indicadores de avaliação do preço das ações e de sua rentabilidade. De modo geral, essa análise é aplicada para as ações de sociedade de capital aberto, ou seja, aquelas que têm suas ações negociadas nas bolsas de valores do país ou do exterior.
Os principais indicadores de mercado são: valor patrimonial da ação, índice preço/lucro e lucro por ação (EPS earnings per share) sendo o último de maior relevância, o qual será utilizado no desenvolvimento deste estudo.
O valor patrimonial de uma ação representa a parcela do capital próprio(patrimônio líquido) da empresa que compete a cada ação emitida. “Esse indicador tem por objetivo atribuir um valor para cada ação” (PADOVEZE, 2004, p. 161).
A fórmula é:
VPA = PATRIMONIO LÍQUIDO / Nº DE AÇÕES EMITIDAS (1)
“O parâmetro básico de avaliação, sempre da ótica do investidor, é quanto menor, melhor. Isso porque o investidor quer sempre que o valor investido retorne o mais rápido possível em suas mãos” (PADOVEZE, 2004, p. 165).
É composto assim:
P/L = VALOR DE MERCADO DA AÇÂO / LUCRO POR AÇÂO (2)
O lucro por ação (LPA) é apurado basicamente pela relação entre o lucro (prejuízo) líquido do exercício com o nº de ações emitidas pela empresa.
É calculado através da expressão:
LPA (EPS) = LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO / Nº MEDIO PONDERADO DE AÇÕES (3)
Este indicador será melhor explorado no capítulo referenciado a metodologia.