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O ensino da língua para os filhos de imigrantes tem a finalidade de manter a identidade cultural e diminuir a distância entre gerações, influindo na capacidade de comunicação entre os membros de uma família. Portanto, investir nele é natural na fase inicial de co- lônias de imigrantes. Como vimos, as primeiras iniciativas de ensino da língua coreana aconteceram dentro das igrejas: elas possuíam instalações fixas, ociosas fora dos dias de culto, que podiam ser oferecidas para atividades didáticas.

Em 1983, fundou-se a Escola Coreana de São Paulo com o intento de laicizar e pro- fissionalizar o ensino da língua coreana. Aos sábados, alugavam-se salas de aula das escolas públicas para ensinar crianças e adolescentes: a primeira escola ficava no bairro do Cambuci, depois, mudou-se para o Brás e, mais tarde, para a Aclimação. Com a qua- lidade de ensino satisfatória, chegaram a ter cerca de 600 alunos em 1989. Foi quando houve a tentativa do governo coreano de unificar a educação da língua coreana no Brasil, sendo repudiada porque contrariava os interesses das igrejas, que faziam dela instru- mento para evangelizar os jovens e manter o número de fiéis (CHOI, 1991, p. 150 – 151).

No entanto, as negociações por parte de alguns empresários da colônia com o governo coreano continuaram para viabilizar a fundação de uma escola coreana no Brasil que trouxesse uma educação coreana mais completa, não só as aulas da língua coreana, mas também um currículo de ensino completo e bilíngue, aprovado pelos governos de ambos os países. O fruto desse esforço é a inauguração do Colégio Polilogos na Rua Solon, Bom Retiro, no ano de 1998, no prédio novo de três andares e de 10.000 m2 cons- truídos para abrigar desde o berçário até o último ano do colegial. Segundo um membro da ABEC que participou ativamente na construção da escola, sua inauguração represen- tou a realização de sonho de muitas pessoas.

Na época em que terminou de construir era sonho meu, sonho de muita gente. É um dos únicos imóveis monumentais da colônia co- reana. Tirando as igrejas, é o único.49

49. Trecho da entrevista 1-4 (ver APÊNDICE 1).

A escola começou com 125 alunos até a quarta série e foi ampliando o número de vagas aos poucos: em 2004, teve a sua primeira turma do terceiro ano do Ensino Médio, alcan- çando o número total de 291 alunos matriculados. Entretanto, a escola nunca esteve plena- mente ocupada: seu espaço é subutilizado e as salas de aula do terceiro andar nunca foram abertas. Conciliar a preservação da cultura e a assimilação através da educação revelou-se uma tarefa mais difícil e menos atrativa do que parecia ser. Mesmo que o governo coreano reconhecesse o diploma, faltava interesse por parte dos alunos em continuar a educação superior na Coreia, fazendo com que a obrigatoriedade de cumprir a extensa grade curri- cular para contemplar as exigências dos dois países fosse mais um empecilho do que uma vantagem. Em 2013, tomou-se a decisão de cancelar os cursos dos últimos anos do Ensino Fundamental e todo o Ensino Médio, diante das dificuldades financeiras de manter a escola que demandava alto custo fixo e que sofria de má gestão dos recursos.

Hoje, o Colégio Polilogos se dedica exclusivamente à educação de crianças até a quinta série do Ensino Fundamental. Reduziram o número de docentes e de vagas ofe- recidas, passando a apresentar uma boa taxa de ocupação. Como a escola funciona até as quatro e meia da tarde e fica próxima ao polo têxtil, muitos casais jovens que trabalham no bairro deixam suas crianças pequenas lá – eles mesmos já não falam coreano e têm dificuldade para comunicar-se com os professores, mas gostariam que seus filhos fos- sem alfabetizados em coreano. Apesar da melhoria, problemas econômicos persistem, pois manter o espaço ocioso continua sendo custoso, e o funcionamento da escola con- tinua dependendo das doações dos membros da colônia, que estão cada vez mais incré- dulos em relação ao potencial futuro da escola.

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Enquanto uma instituição laica tem o objetivo de alcançar toda a coletividade sem a distinção das religiões, fazendo prevalecer outros interesses, a colônia coreana de São Paulo é uma sociedade profundamente dividida pela religião. Ainda mais, há uma grande diversidade socioeconômica e membros que apresentam diferentes graus de assimilação cultural, dificultando ainda mais a formação de interesses comuns. Na somatória dos fatores, podemos entender porque empreender obras coletivas da colônia, conciliar as diferenças e defender direitos da coletividade são sempre tarefas árduas.

FIGURA 4.32

Igreja Ministério Apostólico Jesus para as Nações durante o culto dominical. Há serviço de tradução simultânea para coreano do sermão proferido em português. Fotos de Marcelo Lee, 2016.

FIGURA 4.33

Quadra do antigo movimento juvenil Hashomer Hatzair em 2011 (logo antes do fecha- mento) e hoje, no almoço de domingo da igreja após o culto. Foto da autora de 2016 e foto extraída da página do Hashomer Hatzair São Paulo, disponível em:

< https://www.facebook.com/photo.php?fbid=110910762321361&set=a.110910548988049.19228.100002073122900&type=3&thea- ter>, acesso em fevereiro de 2016.

FIGURA 4.34

Equipamentos coletivos de grande porte: Igreja Missionária Oriental de São Paulo (IMOSP), localizada no trecho final da Rua Mamoré, e Igreja do Evangelho Pleno Coreana, localizada à Rua João Kopke. Fotos da autora, 2015.

FIGURA 4.35

Colégio Polilogos durante a construção e logo após a inauguração. Fonte: Colégio Polilogos.

FIGURA 4.36

Espaços internos do colégio. Fonte: Colégio Polilogos.

FIGURA 4.37

FIGURA 4.38

Paróquia Pessoal Coreana São Kim Degun, o terreno antes da construção e após o término da obra da fundação. Fonte: PARÓQUIA PESSOAL COREANA SÃO KIM DEGUN, História de 50 anos da Paróquia Pessoal Coreana Kim Degun. Instituto de História da Igreja Católica (Coreia do Sul). Dang Jin, 2015.

FIGURA 4.39

Dia da inauguração da igreja em maio de 2004. Fonte: PARÓQUIA PESSOAL COREANA SÃO KIM DEGUN, História de 50 anos da Paróquia Pessoal Coreana Kim Degun. Instituto de História da Igreja Católica (Coreia do Sul). Dang Jin, 2015.

FIGURA 4.40

Instalações da igreja da Paróquia Pessoal Coreana São Kim Degun. Fonte: folheto do evento comemorativo de inauguração da igreja. Acervo pessoal de Joong Hyeon Cho.

1 7 8 10 9 3 4 2 5 6

1. Capela-mor: para 1.000 pessoas 2. Capela menor: para 90 pessoas 3. Casa sacerdotal

4. Casa das freiras

5. Jardim de infância: 8 salas de aula, refeitório, playground, jardim - para 90 crianças

6. Escola Degun: 15 salas de aula para 345 estudantes, sala de música, biblioteca e 2 salas de administração - total para 500 pessoas

7. Auditório: para 250 pessoas 8. Salão de festa: para 500 pessoas,

com cozinha industrial 9. Estacionamento: 100 vagas 10. Casa dos idosos

LEGENDA

Área do terreno: 6.000 m2 Área construída: 8.260 m2

FIGURA 4.41

Mistura de tradições: festa junina e jogos tradicionais coreanos. Fonte: PARÓQUIA PESSOAL COREANA SÃO KIM DEGUN, História de 50 anos da Paróquia Pessoal Coreana Kim Degun. Instituto de História da Igreja Católica (Coreia do Sul). Dang Jin, 2015.

FIGURA 4.42

Evento anual para a terceira idade. Fonte: PARÓQUIA PESSOAL COREANA SÃO KIM DEGUN, História de 50 anos da Paróquia Pessoal Coreana Kim Degun. Instituto de História da Igreja Católica (Coreia do Sul). Dang Jin, 2015.

FIGURA 4.43

Diversas atividades educativas na igreja. Aluno da Escola Degun juntos no evento comemorativo de 30 anos da escola, em 2014, na sala de aula e na biblioteca. Fonte: PARÓQUIA PESSOAL COREANA SÃO KIM DEGUN, História de 50 anos da Paróquia Pessoal Coreana Kim Degun. Instituto de História da Igreja Católica (Coreia do Sul). Dang Jin, 2015.

4.2.4.