3.2 Related Work
3.5.1 Comparison with Related Work
Sua relação com o conhecimento exige imaginação, criatividade e rigor. O que significa que se faz necessário o atendimento de algumas regras básicas que, como na conversação, serve para facilitar o entendimento. Especialmente por que as ações humanas têm caráter social, sendo inviável pensar o conhecimento fechado em um indivíduo. Assim, faz parte
desse processo indicar os elementos imprescindíveis à realização de uma pesquisa e à socialização de seus resultados.
Do mesmo modo que os resumos das teses e mesmo as introduções de algumas delas apresentaram problemas que parecem desfavoráveis à comunicação nos meios científicos, as dissertações também o fazem.
GRÁFICO 05 – Problemas encontrados na identificação dos elementos estruturais dos resumos das Dissertações em Educação
Fonte: Banco de Teses da Capes. Elaborado pela Autora
As evidências indicaram que dentre as catorze (14) dissertações na área de conhecimento da Educação, onze (11) não mencionaram o objetivo e não indicaram o período de abrangência, seis (6) não identificaram o problema de pesquisa, dez (10) não referiram às fontes históricas, oito (8) não esclareceram sobre a metodologia e todas apresentaram a conclusão.
Se os objetivos são de fato importantes nos projetos e nos relatórios de pesquisa, também o são no resumo que abre esse relatório. Do mesmo modo, as fontes são essenciais para a realização da pesquisa.
É bom reiterar que conhecer cientificamente, construindo o objeto, é conhecer a partir das fontes, onde se encontra o objeto, sejam elas primárias ou secundárias. Construir o conhecimento é obtê-lo mediante um processo epistêmico que leva o sujeito à apropriação de nexos e sentidos que são como que extraídos de suas próprias fontes; sendo o conhecimento científico a articulação de elementos lógicos com dados da realidade empírica, impõe-se vivenciar essa articulação pessoalmente, experienciando a explicitação do sentido explicativo (SEVERINO, 2001, p. 21). 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
Total de Dissertações Problema de Pesquisa
Fontes Históricas Conclusão Central
100%
78,57%
42,85% 57,14%
Em razão da importância das fontes, como explicita Severino, então um resumo não poderia ser estruturado sem a informação sobre as fontes, pelo menos as principais.
À semelhança das teses, as dissertações tanto na área do conhecimento da Educação em Filosofia não priorizam exclusivamente a Filosofia Dialética.
Dentre as produções em Educação, visualizadas no resumo, encontram-se dois (2) trabalhos que anunciaram o aporte teórico substanciado na Filosofia Dialética, sob o embasamento do pensamento de Gramsci: o de Elismar Bezerra Arruda (2011) que refere o “materialismo histórico ressignificado conforme a Filosofia da Práxis de Antônio Gramsci” para investigar o Núcleo de Educação Permanente – o NEP de Colíder, e o de Maria do Rosário Cysne (1992), para quem as teses gramscianas sobre práxis social transformadora são fundamentais para analisar a dimensão social e educativa do trabalho do bibliotecário.
Membros da escola de Frankfurt são considerados em análises como a de João Francisco Lopes de Lima (2002) para quem a teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas e a crítica da racionalidade moderna que Weber, Adorno e Horkheimer desenvolvem são importantes para refletir sobre o problema da crise de sentido da educação e pensar a possibilidade de renovação do sentido da educação, para o que se faz necessário denunciar a crise da razão.
Da mesma forma, Magda Rodrigues de Almeida (2009), também buscou referências em Adorno e Horkheimer, para analisar “a problemática do predomínio da racionalidade científica em nossa cultura”, e pensar outros aspectos que não são lembrados no processo pedagógico, como a narrativa poética, por exemplo, pela qual é possível contrapor-se à racionalidade científica, entendida como “um lugar em que o esquecido, o que não cabe nos conceitos, pode se manifestar”.
Já para Juliana Litvin de Almeida (2009), as posições teóricas de Adorno foram referências essenciais para compreender quais as condições de possibilidade da emancipação humana. Importa saber sobre até que ponto a educação, a formação cultural e a experiência poderiam contribuir para tal emancipação.
Rubeni Pereira de Queiroz (2008) optou pelo que ela considerou o método dialético para orientar suas reflexões sobre problema de pesquisa referente a novas estratégias de acesso à educação superior como, por exemplo, as cotas, especificamente às “destinadas aos estudantes negros”. Preocupou-se com processo histórico de exclusão
social e cultural do negro brasileiro no ensino superior e investigou as implicações da implantação da Lei das Cotas na educação superior em Goiás.
Com uma preocupação com a questão pedagógica, Marcel Lima Cunha (2012) teve como referência para seu estudo “a materialidade da proposta marxiana presente no projeto educacional soviético da Escola do trabalho.” Cunha indicou a importância dessas bases, especialmente por compreender que Marx e Engels fundaram o materialismo histórico-dialético e ao analisarem a sociedade, investigaram a questão da formação humana.
Para Aline Bueno Chitero (2010) o materialismo histórico-dialético foi a abordagem necessária para investigar o modo como o “PCN se apropria da concepção de desenvolvimento sustentável”. E também necessário para discutir os limites e possibilidades desses parâmetros no que se refere ao conjunto de problemas ligados à questão ambiental. Tratou-se de observar, segundo essa autora, a “contradição dialética entre as suas dimensões histórica, econômica e social no contexto do ensino, com base nos fundamentos filosóficos, metodológicos e lógicos, expressos no materialismo histórico dialético”.
Há resumos que não identificam a abordagem filosófica de sustentação da análise um exemplo desse tipo é o que se apresenta a seguir. Poder-se-ia pensar que se trata de resumos elaborados há uma ou duas décadas, mas na atualidade também encontra- se, especialmente na área da filosofia. Os dois resumos transcritos na íntegra abaixo são exemplos de diferentes momentos e de distintas Instituições de Ensino Superior. O primeiro é da dissertação de Dion David Macedo oriunda do Programa de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e data de 2000 enquanto o segundo é da tese de Márcio Alves de Oliveira, defendida na Universidade de São Paulo no ano de 2010.
Esta dissertação constitui-se em uma análise do Banquete de Platão, diálogo consagrado ao amor, com suas imagens, paisagens, lições, metáforas e conceitos que se transformaram em alguns dos modelos compreensivos da nossa moderna concepção de amor e que, de alguma maneira, foram absorvidos pelo Ocidente, passando a fazer parte do nosso universo cultural e do nosso repertório civilizatório. Esta investigação é uma retomada, no quadro do debate travado no Banquete, da vinculação estabelecida por Platão entre Eros e Lógos, o exercício erótico e o exercício filosófico,assentando seus limites e seus fundamentos no famoso discurso de Diotima de Mantinéia, em que se firmam as articulações da busca erótica com o movimento dialético. Aí
Platão nos enuncia tanto sua teoria da participação quanto sua teoria do Amor, intermediário entre o sensível e o inteligível, os homens e os deuses, as Idéias e suas manifestações. A pesquisa se divide na análise do elogio do Amor realizado pelos convivas presentes ao banquete de Agatão, no exame do diálogo entre Sócrates e Diotima, em que se define Eros como intermediário e, por fim, no estudo da aparição conclusiva de Alcibíades, que desloca o elogio de Eros ao elogio de Sócrates. A dissertação tem seu eixo na investigação da iniciação amorosa proposta por Sócrates-Diotima, apresentando a ligação entre o amor masculino e o exercício erótico como atividade pedagógica e como modo de vida, por um lado, e a ligação entre amor e filosofia, por outro (MACEDO, 2000).
O deslocamento kierkegaardiano da dúvida clássica do objeto para o sujeito problematiza os fundamentos de uma modernidade modernizadora que padroniza as experiências até o limite mesmo de uma falência da crítica. Imanente a duvidosas subjetividades que esvaziam absurdamente toda mediação com as coisas, um pensar ambiguamente crítico diferencia-se de determinações abstratas do ser passando pelo que resiste negativamente como historicamente recalcado em cada padronizada abstração, o que perspectiva um reconciliador desrecalque apenas no grande ultrapassamento do problema histórico de uma abstração totalitária. Racionalizando dialeticamente nas coisas existentes sem normatizar uma abstrata negatividade, um pensador crítico ultrapassa ironicamente este ser negativo, problema imanente essencialmente em aberto, para uma paradoxal dialética subjetiva que reconfigura subjetivamente um todo absurdamente crítico mediante uma subjetividade historicamente situada de modo ambíguo como a verdade e a não-verdade; ultrapassada, por sua vez, para além da normatização de um sem- sentido mais que absurdo, problema imanente essencialmente em aberto, por uma nova racionalização dialética. Antes que uma antinomia, que aqui teria um caráter pré-crítico, trata-se de uma antinormatização por parte de um pensar ambiguamente crítico objetivamente encravado de modo subjetivo no limiar histórico de sua própria falência. (OLIVEIRA, 2010)
Observou-se que os dois resumos tratam quase que exclusivamente do tema, não apresentam nenhum outro elemento da estrutura de um resumo de trabalho científico. No primeiro, o indício de uma organização metodológica está restrito à divisão em duas partes uma referente ao “elogio do Amor” e a outra sobre “diálogo entre Sócrates e Diotima”. O segundo, indicou o objeto “a iniciação amorosa proposta por Sócrates- Diotima” e referiu-se a um “problema imanente essencialmente em aberto” no
pensamento filosófico, que parece ser apropriado como o seu próprio problema de pesquisa.
Várias são as formas com que os pesquisadores privilegiam a Filosofia Dialética em suas dissertações de mestrado em programas de pós-graduação em educação. Essa variedade consiste um indício da criação de vários métodos de investigação inspirados na Filosofia Dialética, especialmente em sua versão materialista e histórica. É justamente essa variedade de formas que marca o grau de importância dessa filosofia para as pesquisas no campo da educação.
A pesquisa bibliográfica é a base teórica de toda e qualquer pesquisa, pois dela são extraídos elementos para a problematização e discussão profícua sobre um determinado assunto. Em termos metodológicos, a pesquisa requer a definição de vários elementos estruturais que organizam tecnicamente o trabalho e são fundamentais na organização textual do relatório de pesquisa que, no âmbito da Pós-Graduação, consistem em dissertações de mestrado e teses de doutorado. Dentre esses elementos encontram-se os objetivos e a abordagem teórico-metodológica.
GRÁFICO 06 – Problemas encontrados na identificação dos elementos estruturais dos resumos das Dissertações em Filosofia.
Fonte: Banco de Teses da CAPES. Elaborado pela autora.
Os números estatísticos colocam em evidência que dentre um total de vinte e nove (29) resumos de dissertações na área de conhecimento da Filosofia, um (1) não expôs o tema, treze (13) não mencionaram o objetivo do trabalho, sete (7) não apresentaram o problema da pesquisa, sete (7) não indicaram a metodologia, onze (11)
0% 20% 40% 60% 80% 100% Total de Dissertações Problema de Pesquisa
Fontes Históricas Conclusão Central
100% 44,82% 24,13% 24,13% 37,93% 10,34% 34,48%
omitiram as fontes históricas, três (3) não disseram os períodos de abrangência do estudo e dez (10) não informaram a conclusão central.
Da mesma forma que nos resumos das dissertações em Educação, as dissertações em Filosofia também não cumprem totalmente as exigências acadêmico- científicas de esclarecer no resumo os objetivos e o referencial teórico.
Alguns mecanismos utilizados para destruir Eros na subjetividade, foram usados por Luciana do Nascimento Couto (1996) que buscou verificar “como o ser humano, aniquilado em seu desejo, é facilmente dominado e usado pelo mundo do trabalho como mercadoria”. A autora considerou a existência de um método dialético, colocando em evidência “o processo de construção, destruição e reconstrução do Eros”. A própria autora informou que esse método é “acompanhado de análises comparativas e estudo bibliográfico do tema, sendo possível abarcar outras áreas do saber para atingir o objetivo proposto”.
A dissertação de Rodrigo Ortiz Salema (1996) tratou de “alguns aspectos da crítica de Adorno e Horkheimer sobre a razão instrumental”. O resumo privilegia o tema em detrimento dos outros itens necessários à estruturação e desenvolvimento da pesquisa. Da mesma forma que o resumo referente ao trabalho desenvolvido por Cleodon Borges de Oliveira. (1997) para quem o que caracteriza a sua dissertação é a tentativa de indicar uma possível leitura do texto de Hegel, como instrumento de ação pedagógica.
O objetivo central do trabalho de Valério Hillesheim (1997) consiste em demonstrar o desenvolvimento objetivo da liberdade no estado, mas esse autor não esclareceu, nem mencionou qual a sua abordagem teórica.
José Marcos Miné Vanzella (1998) fez uma descrição sobre a origem, os desvios e limites da ciência e tecnologia modernas, a partir de uma crítica que, segundo o autor, “articula dialética, hermenêutica e ciência contemporânea”.
Antonio Patativa de Sales (2004) discorreu sobre a antropologia filosófica de santo Agostinho na obra De Trinitate e instituiu como objetivo de seu trabalho entender a relação que santo Agostinho faz entre o dogma da Trindade (teologia) e a imagem da Trindade no homem.
Gustavo Ellwanger Calovi (2008) estudou o modo como Kant concebe a unidade entre virtude e felicidade, consideradas por Kant como elementos diversos e descreve o conceito de sumo bem. Esse estudo teve como objetivo “mostrar que Kant atribui diferentes papéis na ética, na religião e na filosofia política para o sumo bem [...]”.
Ernesto José Haefliger (2007) discutiu o problema de “que natureza de matriz epistemológica devemos construir a fim de dar conta da desagregação e da complexidade histórica” (p.12), com o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento das relações engendradas pelos homens.
Com uma preocupação pedagógica Luis Fernando Weffort (2008) averiguou “o debate intelectual e político que marcou a vida cultural de Atenas na segunda metade do século V a.C., assim como os seus desdobramentos no campo moral e educacional”.
Carolina Muranaka Saliba Barreto (2009) examinou o conhecimento dos primeiros princípios em Aristóteles com o objetivo de “determinar – ou, não sendo possível, ao menos indicar ou especular – o nível de contribuição que pode ser dado pela investigação dos primeiros princípios”, (BARRETO, 2009, p.18) mas atendo-se a leitura dos textos aristotélicos.
Gilson de Paulo Moreira Iannini (2009) procurou “esclarecer e desdobrar o impasse contido na pergunta: o que significa afirmar a verdade sem o apoio de uma metalinguagem, ou seja, sem que seja possível dizer a verdade sobre a verdade?” Parte considerável dessa reflexão constrói-se sob o fundo das discussões sobre os limites do dizer e o estatuto da verdade na filosofia contemporânea.
A dissertação de Márie dos Santos Ferreira (2009) com o objetivo de apresentar “a constituição do conceito de pessoa humana no pensamento filosófico de Lima Vaz, seu significado e expressão”, afirmou seguir a orientação metodológica desse autor.
Também entre as dissertações em Filosofia encontram-se trabalhos em que representantes da escola de Frankfurt são considerados como as dissertações de Wisley Francisco Aguiar (2009) e de Paulo Ricardo Schulz (2011).
Wisley Francisco Aguiar (2009) investigou a noção de progresso em Theodor W. Adorno tomando como ponto de partida “o enfoque dado pelo próprio autor em seus dois textos principais: a Dialética do Esclarecimento e a Filosofia da Nova Música”. (AGUIAR, 2009, p. 11). Para nortear sua análise, o autor interrogou: Que elementos Adorno trabalha para caracterizar o progresso como antimitologização da sociedade industrial? Que papel tem a indústria cultural nessa abordagem de progresso? Como é possível retirar de uma obra como Filosofia da Nova Música uma noção de progresso?
O trabalho analisou o conceito de progresso à luz do pensamento adorniano, tendo como referência de estudo seus conceitos de Filosofia, Música e Sociedade. (Idem, p. 100)
Paulo Ricardo Schulz (2011, p. 14) afirmou que busca analisar “a contradição/conflito que surge entre a formação cultural e a indústria cultural, bem como a educação como aquele empenho ou investimento que pode contribuir para a conscientização da humanidade”. Tratou-se de uma pesquisa bibliográfica feita a partir do pensamento de T W Adorno.
Luis Felipe Martins de Salles Roselino (2010) mencionou em seu resumo que “a dialética será investigada nas tipologias históricas de Max Weber como consequências da união entre razão e história”. A menção que o resumo da dissertação desse autor faz sobre a abordagem do seu objeto é que ela será feita “a partir de duas histórias da filosofia, a de Windelband e a de Luckás”, portanto, “de um ponto de vista filosófico, mas, que não deixa de ser também histórico e sociológico”. Roselino (p. 20) se propõe a “identificar em Max Weber uma herança do idealismo”, mas compreende que esta não é uma empreitada simples, sobretudo porque se pretende crítica.
O estudo de Olmaro Paulo Mass (2011) foi orientado pela questão do alcance da Teoria Crítica para estabelecer a passagem da crítica da racionalidade instrumental à sustentação de um pensamento crítico-dialético. Mas preocupou-se com a crítica que Adorno e Horkheimer deflagaram sobre o conceito de racionalidade moderna, na obra Dialética do Esclarecimento e estabeleceu como objetivo entender “a relevância filosófica que essa obra proporciona para a formação e construção de um pensamento filosófico crítico, emancipador, audacioso e provocador” (Idem, p.11)
Vera Lúcia da Silva Alves (2011) investigou o percurso teórico de Lacan sobre o conceito do grande Outro, no período de 1938 até o início da década de 1960. Atendo-se à retomada lacaniana da “dialética do senhor e do escravo”, com o objetivo de “analisar a retomada e a reformulação de Lacan sobre a relação dialética hegeliana – eu outro – para demonstrar as semelhanças, as diferenças, e o seu efeito na constituição do sujeito em cada um dos dois pensamentos” (Idem, p. 9)
A autora não mencionou a abordagem de sustentação teórica de sua análise, mas deixou claro que se tratava de uma análise comparativa entre Lacan e Hegel que conduz à conclusão de que, apesar das críticas de Lacan a Hegel, “o início teórico de Lacan é mesmo semelhante à filosofia de Hegel” (Idem, p. 117).
A fenomenologia é outra filosofia considerada entre as produções analisadas nesta seção da tese, todavia, não se trata de um interesse pela abordagem fenomenológica para fundamentar a análise de um fenômeno no processo de investigação, mas por um problema constituído a partir do pensamento de um fenomenólogo.
Essa filosofia aparece no trabalho de Rodrigo Alvarenga (2011), que estudou o problema das “relações entre consciência e natureza”, e estabeleceu como objetivo “verificar de que modo a expressividade do corpo relaciona-se com essa questão, sob a perspectiva de Merleau-Ponty.” (p, 10). O autor não explicou, sequer mencionou, qual abordagem fundamenta a análise em sua dissertação, cuja pesquisa é bibliográfica.
Essa carência de indicações dos elementos estruturais dos resumos das produções analisadas nesta seção, que em muitas delas não é suprida na introdução, não se constitui na ausência de elementos meramente formais do processo de pesquisa, uma vez que a pesquisa consiste em um conjunto de ações que dão forma a atividade de investigação que gera conhecimento. E se consubstancia na utilização rigorosa de métodos com a finalidade de elaborar e validar o conhecimento. Ao visar à produção de um novo conhecimento que alcance relevância epistemológica e importância social, a pesquisa precisa apresentar uma atitude crítica e reflexiva tanto no trato com o tema estudado como com os métodos e as fontes históricas à disposição do pesquisador.
O valor da produção do conhecimento para o homem é inegável. Não há sociedade que em maior ou menor escala deixe de investir nessa produção, posto que se trata de algo essencial à própria existência humana, por isso o mérito da Pós-Graduação como local de produção de conhecimento.
A importância da produção do conhecimento para a sociedade brasileira é observada por Severino (2007) que faz referência à ciência, a pesquisa e ao ensino. No que diz respeito à Pós-Graduação, o autor chama atenção para os compromissos sociais e políticos dos quais a Pós-Graduação não pode se eximir.
De acordo com Severino (2007, p. 32) a produção do conhecimento deve buscar
soluções para os problemas cruciais enfrentados pela sociedade brasileira em cada área de conhecimento especificamente. O avanço do conhecimento deve ser articulado à investigação de problemas socialmente relevantes, considerando as demandas da sociedade brasileira.
A respeito da formação do pesquisador a conclusão dos estudos de doutorado é tomada como um momento crucial da consolidação dessa formação. De modo que as Instituições de Ensino Superior crescem em importância na medida em que fundam e solidificam programas de Pós-Graduação. Mas nessa consolidação vem à tona problemas
que já não deveriam existir nesse processo de consolidação, como os notados nas exposições gráficas e análises realizadas nesta.
Longe de ser uma atividade de natureza mecânica, a pesquisa constitui uma existência que requer imaginação criadora e iniciativa individual, mas o trabalho criativo