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3.2 Related Work

3.3.5 The Blend Factor

O sentido da pós-graduação é a produção de conhecimento o que significa que se constitui um lugar de produção acadêmica em que se dá, sobretudo, a consolidação do pesquisador enquanto tal, mas também como lugar de aprendizado, tendo em vista a possibilidade de problematização que se instaura nos programas de pós-graduação.

Sobre a construção metodológica pode-se dizer que advém da exigência de um planejamento prévio, mas também das necessidades que emergem no decorrer da investigação. Afinal, o método não se constitui antecipadamente, como um plano que não se pode mudar, como um roteiro rígido que necessariamente precisa ser seguido.

A esse respeito, Gatti (2002, p. 64) considerou que “o método oferece a orientação de base necessária à garantia de consciência e validade, mas ele não pode virar uma camisa de força. Por isso precisa ser apropriado pelo pesquisador que pelas suas mediações cria alternativas, novas saídas, novas soluções”. A criatividade é uma exigência no contexto das ações humanas sejam elas ideais e ou materiais. A elaboração de conhecimento supõe a criação de alternativas que se dá tanto no processo de

investigação como na apresentação dos resultados desse processo, o que significa que o método não é único, existem várias formas de se fazer germinar o conhecimento.

A diversidade de métodos tem origem numa série de fatores que vão desde as influências históricas, aos acontecimentos e necessidades que se colocam para um homem no cotidiano de sua existência social e política. Mesmo considerando todos esses aspectos, há de se ter uma organização básica que permite uma compreensão clara da lógica seguida pelo autor e o resumo necessita constituir um texto organizado nesse sentido.

Mas não é bem isso que os resumos, no geral, permitem. Por isso, um problema encontrado na elaboração do material analisado é a ausência dos elementos essenciais de estruturação de um resumo, que permitem uma boa visualização da tese, ainda que de forma breve. Trata-se de informar o Objetivo, o Problema de Pesquisa, a Metodologia, as Fontes Históricas, o Período de abrangência do Estudo e a Conclusão central. Mas perscrutando os resumos desse ponto de vista é possível notar que poucos são aqueles que indicam pelo menos o objetivo, a metodologia e a conclusão geral.

GRÁFICO 03 – Problemas encontrados na identificação dos elementos estruturais dos resumos das teses em Educação.

Fonte: Base de Teses da CAPES. Elaborado pela autora

Considerando as informações utilizadas na pesquisa que subsidia este texto, dentre um total de doze (12) resumos de teses em educação, três (3) não mencionam o objetivo do trabalho, oito (8) não indicam o problema de pesquisa, três (3) não explicam a metodologia, cinco (5) não apontam as fontes históricas, sete (7) não dizem qual o período de abrangência da pesquisa e sete (7) não apresentam conclusão central.

Os problemas estruturais encontrados nos resumos tanto das teses como das dissertações em Educação e Filosofia, implicaram uma exigência ao processo investigativo desta tese, a de inquirir para além dos resumos das teses e dissertações,

0% 20% 40% 60% 80% 100%

Total de Teses Problema de

Pesquisa Fontes Históricas ConclusãoCentral 100%

25,00%

66,66%

25,00% 41,66%

obtidos no site da CAPES. Assim, foram buscados os trabalhos completos a fim de investigar a Introdução e a Conclusão. Porém, nem todas essas produções estavam disponibilizadas integralmente na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e mesmo as acessíveis, nem todas apresentaram os elementos na Introdução e Conclusão, assim como também não organizaram um capítulo específico para a metodologia, como se pode notar em algumas de outras produções. Então, das doze (12) teses em educação quatro (4) foram avaliadas apenas o resumo e das quatro (4) teses em Filosofia apenas uma (1) foi analisada somente o resumo.

Esse movimento que implica definições e redefinições do material usado e do modo de usá-lo constitui e recompõe a metodologia da pesquisa, o que equivale dizer que o método se faz na própria atividade de pesquisa. É nesse sentido que se pode falar de método dialético, por exemplo. Dizer que o método se faz no próprio ato de investigação, no processo mesmo da pesquisa, não significa pensar que não é possível buscar uma teoria a priori.

Contudo, embora seja possível ao pesquisador optar por uma abordagem teórica e metodológica, filosófica e epistemológica, para fundamentar a sua investigação e análise, essa escolha representa apenas uma aproximação um reconhecimento de um conhecimento já organizado e elaborado no cerne da cultura, do qual a pesquisa se aproxima e o pesquisador considera de algum modo no seu próprio processo de teorização.

No que concerne à apropriação da Filosofia Dialética como fundamentação teórica para embasar a elaboração metodológica realizada pelos autores das produções analisadas, ela se dá de diferentes formas, e diversos são os autores buscados como embasamento para a discussão e análise dos objetos de pesquisa. Nessa perspectiva é que se situam as produções científicas em Educação. Os argumentos analíticos a seguir dão uma ideia mais clara dessa afirmativa.

Na área de conhecimento da Educação, as teses procuram uma aproximação com a filosofia não somente para fundamentar suas análises, mas para discutir alguns problemas ligados, de alguma forma, à filosofia.

Com uma pesquisa ocupada em fazer uma reconstrução histórica da trajetória da disciplina Filosofia da Educação no intervalo dos anos de 1940 e 1980, no curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Maria Betânia Barbosa Albuquerque (2002) considera que para tratar de uma disciplina da área da Filosofia, neste caso da Educação, a aproximação da Filosofia se faz por meio da própria disciplina. No

resumo, sobre a abordagem no tratamento dss informações a autora apenas menciona o apoio nos “estudos históricos e sociológicos que possibilitam compreender o itinerário das disciplinas, tais como os de e André Chervel, Ivor Goodson, e Tomaz Popckewitz”, onde o foco é dado à questão da orientação filosófica seguida pela disciplina.

Sabe-se que esses autores, resguardadas as devidas diferenças, investigam a História do Currículo. De modo geral, pode-se dizer que interrogam as relações entre conhecimento e poder, no campo da história do currículo9. Chervel10 centraliza suas investigações na história das disciplinas e suas relações com a cultura escolar enquanto Ivor Goodson,11 dirige suas análises à história do currículo e Thomas Popkewitz12 às teorias educacionais críticas e a possibilidade de ressignificação dessas, ou seja, são autores, cujos estudos contribuem significativamente para o esforço de reconstrução histórica da trajetória da disciplina Filosofia da Educação que a autora se propôs realizar em seu estudo.

A preocupação com as relações entre a filosofia e a pedagogia também pode ser notada no estudo de Filipe Ceppas de Carvalho Faria (2003) em que se observa uma investigação dos nexos entre uma abordagem filosófica e uma abordagem pedagógica das questões relativas ao ensino de filosofia no nível básico de ensino. Com o principal objetivo de “refletir criticamente sobre pressupostos que tendem a ser assumidos indiscriminadamente no debate sobre o ensino de filosofia” (2003, p. 12), o autor atenta para as tensões, aproximações e distâncias entre as duas abordagens.

A tese anunciada pelo autor dirige-se ao “rendimento da teoria crítica na investigação sobre o ensino de Filosofia” (Idem, p. 13). Assim, importa, sobretudo, a noção de crítica relacionada ao ensino desta disciplina. Para tanto, busca as ideias de Theodor W. Adorno por ele ter sido um intelectual estudioso dessa relação entre as abordagens filosóficas e pedagógicas.

9As diferentes abordagens a esse respeito são discutidas pelos autores mencionados em várias obras. As três próximas notas referem algumas delas.

10 CHERVEL, A. Historia de las disciplinas escolares. Reflexiones sobre un campo de investigación. Revista de Educación, n. 295, p. 59-111, 1991.

11 GOODSON, I. F. Historia del currículum. La construcción social de las disciplinas escolares. Barcelona: Pomares-Corredor, 1995.

12 POPKEWITZ, T. S. História do Currículo, Regulação Social e Poder. In: T. T. Silva (org.). O sujeito da educação: estudos foucaultianos. 6. ed. Petrópolis: Vozes, p. 173-210, 2008.

Theodor W. Adorno também é considerado na tese de Alex Sander da Silva (2010), que tem como objetivo central discutir a “desmitologização do conceito, no sentido de analisar a dimensões estético-formativas da educação”. (2010, p.17).

Com um estudo centrado na problematização da racionalidade formativa da educação, o autor menciona como problemática: Como pensar a educação no âmbito de uma persistência da razão instrumental? De que forma pode-se pensá-la em termos de contribuição para a desmitologização do seu conceito na atualidade? (Idem, p. 17-18)

Note-se que o referencial está centralizado no âmbito das questões da teoria crítica de Theodor W. Adorno. Nessa produção a filosofia é tomada na perspectiva da teoria crítica via escola de Frankfurt na explicitação da relação entre o conceito de educação e seus próprios desdobramentos críticos, na perspectiva de servir como um forte contraponto aos processos interpostos atualmente pela razão instrumental, que longe de formar deformam.

Nos anos de 1960, Adorno discutia que a questão mais urgente da educação, era desbarbarizar. Era preciso formar a consciência crítica no sentido do exercício da capacidade crítica. Para Adorno a educação só tem sentido se for direcionada a “uma auto-reflexão crítica”. Em Educação e Emancipação, esse autor observou que apesar da civilização se encontrar em boa fase de desenvolvimento tecnológico, muitas pessoas demonstravam o quanto estavam atrasadas em relação a sua própria civilização, além de não apresentarem uma formação que correspondesse ao que se entendia por civilização, mas também pelo nível de agressividade, uma espécie de “ódio primitivo, um impulso de destruição” (ADORNO, 1995, p.155)

A abordagem da filosofia hermenêutica também pode ser notada na elaboração das análises constituídas no âmbito da produção científica da pós-graduação. As teses de Vera Isabel Caberlon (2003) e de Sergio Ricardo Silva Gacki (2010) são dois exemplos dessa abordagem.

A primeira toma a “Ação Comunicativa (Jürgen Habermas) e a Hermenêutica Filosófica (Hans-Georg Gadamer) e como repercussões metodológicas a aproximação entre hermenêutica e dialética”, para analisar a inclusão da pesquisa, como princípio educativo, no ensino de graduação.

A ideia de aproximação metodológica entre hermenêutica e dialética pode ser encontrada em autores como Cecília Minayo (1994) que apresenta a hermenêutica unida à dialética como um método de análise qualitativa, ideia que, conforme a própria autora, necessitou de maior aprofundamento, o que a levou a escrever um artigo com essa

intenção. Nesse artigo, Minayo (2014) explica que se propôs a enfatizar o poder de alcance da hermenêutica e da dialética para a compreensão e crítica da realidade social.

A segunda tese, com referência em Gadamer, apresenta a hermenêutica filosófica, visando esclarecer os limites do método em uma abordagem metafísica, a diferença entre a hermenêutica filosófica e a hermenêutica metodológica e propiciar o diálogo conceitual com a educação. Mas, o esforço do autor no que se refere aos limites do método em uma abordagem metafísica não são suficientes para ele se afastar da maneira típica de formulação da pergunta nos moldes metafísicos.

Entre as questões que ele diz que ajudam a compor o objeto da tese encontra- se a pergunta “O que é isso que chamamos de educação?” (GACKI, 2010, p. 16). Essa é uma pergunta pelo ser da educação. Em outras palavras e sem perder o teor filosófico da questão, pergunto: O que define a educação como tal? O que a educação não poder deixar de ter para ser entendida como educação? A pergunta pelo ser das coisas é própria da Filosofia Metafísica na sua forma ontológica. O que quero destacar aqui é que a forma de perguntar consiste um indicativo da concepção que o questionador, neste caso o pesquisador, tem a respeito do homem, do conhecimento, do mundo. Note-se que perguntar “o que é” é muito diferente de perguntar “o que está sendo” o “o que pode ser” ou mesmo “o que deve ser”. Trata-se no mínimo de uma pergunta a ser esclarecida no contexto teórico do texto, com referência a uma ontologia marxista.

No texto da tese Gacki justifica a sua inserção no campo da filosofia da educação, apresenta o diálogo como campo ético/hermenêutico e indica os conceitos da hermenêutica filosófica como essenciais para compreender a educação. As discussões do autor apontam para a compreensão de que agir hermeneuticamente significa ir para além da crítica ao método “como elemento orientador da racionalidade moderna, bem como toda sua problemática decorrente”. Essa ultrapassagem implica uma insurreição “contra práticas que amordaçam e impedem o surgimento de reflexões de outra ordem ou que, reivindicam uma nova postura para a humanidade” (GACKI, 2010, p. 13).

O materialismo histórico-dialético sustenta a produção de Agostinho da Silva Rosas (2008) que tem como objeto de investigação a criatividade, porém (re)significada como constituinte da educação popular. Seu ponto de partida foi a ideia de que há uma singularidade quando se pensa a criatividade em educação popular, e como ponto de chegada, demonstrar que a criatividade em educação popular pressupõe a criatividade libertadora.

Na trilha de seu objeto de investigação, o autor questiona: a criatividade é um constitutivo do fenômeno educação popular?

Com o objetivo de “sistematizar argumentos teórico-filosóficos que possibilitem mostrar a criatividade libertadora como fundamento e princípio da educação popular” Rosas (2008, p. 25), adota a perspectiva filosófico-educacional de Paulo Freire com a intenção de captar argumentos teóricos para a elaboração do conceito de criatividade em educação popular. O autor considerou essa escolha fundamental para a formulação da tese, qual seja: “a educação popular pressupõe criatividade libertadora.” (Idem, p. 24)

No que diz respeito à metodologia, Rosas explica que se fundamenta na perspectiva marxiana e se orienta por um triplo movimento de construção teórica, que vai do concreto ao abstrato e deste a novas abstrações para enfim recuperar o novo que consiste no concreto pensado.

Com uma abordagem materialista dialética, a produção de Fábia Magali Santos Vieira (2009) discutiu questões referentes ao papel da educação na sociedade capitalista. Investigou o problema do “valor ético-político e pedagógico do conhecimento dos professores das séries iniciais do ensino fundamental, do Projeto Veredas – Formação Superior de Professores a distância, no fórum de discussão da AFOUFJF. (VIEIRA, 2009, p. 15)” e examinou a tarefa filosófica, política e pedagógica da educação. Seu objetivo geral foi justamente investigar esse problema

Partiu dos pressupostos históricos da formação de professores a distância, centrou a análise nas mensagens do fórum de discussão do Projeto Veredas – Formação Superior de Professores da AFOR – UFJF, e identificou as mediações, contradições e resistências que permeiam a formação de professores neste projeto.

A autora justificou a opção por uma abordagem “materialista dialética do tipo descritivo histórico-estrutural, na perspectiva de Gramsci”, (Idem, p. 16) com a compreensão de que se trata de uma concepção científica da realidade, fertilizada pela prática social dos sujeitos. Nesta perspectiva, a prática social é considerada critério de verdade.

A variedade de temas analisados com o auxílio da Filosofia Dialética abarca também preocupações com as capacidades musical e lúdica do homem. Patrícia Lima Martins Pederiva (2009, p. 13) indagou sobre “as consequências da escolarização da musicalidade para a aprendizagem e para a criação musical”. A análise da musicalidade

é realizada em uma perspectiva histórico-cultural, de modo a abranger desde a sua gênese à estrutura e função em diferentes momentos históricos.

Esse trabalho questiona: “em que condição emergiu o modo excludente de conceber a atividade musical humana? Como compreender música e musicalidade em meio a esse paradoxo? Como o processo pedagógico pode ser enriquecido por meio dessa reflexão?” (Idem, p.16)

A análise foi subsidiada pela perspectiva genético-psicológica de Vigotski, que possui por base a filosofia de Spinoza e o materialismo dialético marxista. Teve a intenção de demonstrar a tese “a institucionalização da música fundamentada em bases equivocadas, resulta na desvalorização das diferentes formas de expressão da musicalidade humana e a sua afirmação como dom natural, mas de caráter universal, limita a expressão musical das pessoas” (Idem, p. 17).

Com o objetivo de refletir sobre as possibilidades emancipadoras do esporte escolar Waldemar Marques Junior (2012) escolheu a ontologia marxiana como base teórica para pensar sobre a questão: “há potencialidades emancipadoras no ensino do esporte como conteúdo da Educação Física Escolar?” (p. 25)

Os benefícios efetivos da prática desportiva para a formação do indivíduo, foram interrogados por esse autor que optou pela abordagem metodológica materialista histórica e dialética, a partir do entendimento de que essa perspectiva metodológica realiza um esforço na busca pela “explicação da essência das coisas/fenômenos em seu processo (gênese, movimento e tendência de ‘vir a ser’) [...]” (p. 25).

De acordo com as indicações do próprio autor, o seu estudo teórico-conceitual apresenta as principais categorias da ontologia do ser social de Lukács sobre a gênese do ser humano a partir do trabalho, além de tomar como base os estudos da psicologia histórico-cultural desenvolvidos por Vigotski, Elkonin e Leontiev num esforço por aproximar as categorias da ontologia lukacsiana das vigotskianas.

No contexto das diferentes perspectivas dialéticas, o materialismo histórico- dialético tem se revelado pertinente no âmbito da pesquisa em educação. Mas nem sempre é considerado suficiente para fundamentar a análise. Gustavo Martins Piccolo (2012) investigou a importância da teoria para compreender o fenômeno da deficiência sobre bases não hegemônicas, fundado na ideia de que “apenas um movimento guiado por uma teoria efetivamente revolucionária pode desempenhar o papel de combatente de vanguarda”. Embora sua análise tenha por referencial teórico o materialismo histórico, o próprio autor reconheceu que não se trata de um trabalho marxista strictu sensu. Essa é

uma produção à qual só foi possível o acesso ao resumo, ainda assim foi possível notar que o autor dá pistas de que buscou auxílio em outra teoria além do marxismo.

De modo geral, ainda que se considere as suas diferentes interpretações, a Filosofia Dialética tem prestígio gnosiológico no âmbito da pesquisa em educação, sobretudo por considerar o caráter dinâmico e histórico dos objetos de estudo, elaborados no âmbito das investigações em educação.

A respeito da Filosofia Dialética e sua imersão na pesquisa, manifestou Severino (2001) que

A epistemologia dialética é o paradigma epistemológico que se tem revelado mais fecundo para dar conta da especificidade dos problemas políticos e pedagógicos, mostrando assim sua relevância atual para a pesquisa educacional. Conta, isso sim, é com os subsídios das ciências da sociedade, particularmente da história, da antropologia, da sociologia, da política, da economia (SEVERINO, 2001, p. 19).

Apesar disso, essa Filosofia, em sua epistemologia, não é a única a ser buscada pelos pesquisadores. Outras vertentes explicativas são apropriadas por eles no percurso de suas investigações como a filosofia pragmatista de Dewey que também aparece no contexto da produção científica analisada nesta seção.

Nadia Mara Eidt (2009) apresentou como objeto de estudo “a relação entre a função social da educação e o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, em especial o pensamento” (EIDT, 2009, p. 10).

Como objetivo geral propôs-se a investigar as proposições a respeito do desenvolvimento do pensamento nas obras de Dewey e Piaget assim como nas obras de defensores contemporâneos do aprender a aprender, como Perrenoud, Delval, Schön e Tardif, que segundo a autora são aliados ao pragmatismo e ao liberalismo em oposição à produção de Leontiev, que encontra seus fundamentos filosóficos no materialismo histórico-dialético.

Eidt indicou sua perspectiva de aprofundamento de alguns aspectos essenciais ao tema e esclareceu que sua tese intentou demonstrar que as ideias dos autores que ela situou como pragmatistas e liberais “submetem o desenvolvimento humano à ordem do capital” em contraposição ao “objetivo humanizador da educação escolar pressuposto na produção teórica de Leontiev.” (Idem, p.14)

Antonio Vital Menezes de Souza (2005) estuda “A Estética da Diferença na Vida de Professor”. O estudo foi realizado no período entre fevereiro de 2004 e março de 2005, e teve como sujeitos informantes um grupo de professoras da cidade de Itaberaba

no Estado da Bahia, com o principal objetivo de “identificar marcas de diferença nas maneiras atuais de ser professor do grupo pesquisado e analisar como as professoras lidam com os estados de devir durante o desenvolvimento pessoal e profissional na docência”.

Esse autor baseou-se no referencial teórico da Filosofia da Diferença. Além de Gilles Deleuze mencionou autores como Michel Foucault, Gilbert Simondon, António Nóvoa, Marie-Christine Josso, Gaston Pineau que, dentre outros, compõem o quadro teórico.

Na obra “O que é a Filosofia?”13, escrita em parceria com Guattari, Deleuze indica que a especificidade da Filosofia, é criar conceitos. Essa função é exclusiva da