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5   Discussion  and  conclusions

5.1   Comparison  of  the  represented  settings

Sucede aos Mongóis Yuan no governo da China a dinastia Ming (1368-1644) que iria deslocar a capital de Nanquin para Pequim, em 1421. Os Ming visam, sobretudo, o restabelecimento da ordem e da prosperidade, através do repovoamento, da reestruturação da administração e da colheita de impostos e tributos para reforçar o poder imperial, bem como de uma ampla reforma agrícola dividindo, a favor dos pequenos camponeses, as grandes propriedades rurais. A introdução de novas culturas como o algodão e um comércio florescente garantem prosperidade à China. As artes, a cultura e as ciências também se desenvolvem (Fairbank, 1994). A construção naval e o conhecimento náutico contribuíram para fazer da China a maior potência económica da Ásia Oriental: foram, então, organizadas expedições marítimas, como as do Grande Zheng He, que levaram os chineses a cruzar o Índico e as costas da Índia até África, nas primeiras décadas do Século XV. Ao nível externo, os Ming procuraram retomar a ofensiva: atacam a Coreia - colocada sob tributo imperial com facilidade - e o Vietname, incursão que se revelou mais complicada, ficando o Vietname sob controlo chinês apenas durante um par de décadas (1406-1428); lançam também sucessivos ataques nas estepes a Norte da Grande Muralha, chegando a impor o pagamento de tributos aos Manchus, Mongóis, Tangutes e Uigures e outros povos turcófonos, nos Séculos XV e XVI. No final do Século XVI, a China Ming ajudaria os coreanos a opor-se a uma invasão japonesa.

A partir do início do Século XVI, o aparecimento dos navegadores portugueses, espanhóis e holandeses começou a retirar o domínio marítimo aos chineses e suscitou reacções xenófobas: apesar disso, os Ming permitiriam que os portugueses se estabelecessem em Macau22, praticamente o único entreposto comercial marítimo entre o Ocidente e a China até ao Século XIX. Nessa altura, já a China iniciara uma fase de isolamento, reduzindo ao mínimo as ligações ao exterior quer por via terrestre quer por via marítima (Huang, 1997). A tendência de auto-isolamento acentua-se à medida que os letrados confucionistas se mostram cada vez mais críticos das actividades comerciais e das relações com os “bárbaros” e que a situação imperial se degrada: há muito perdido o controlo do Vietname, os Ming vêm os coreanos ameaçar deixar de pagar tributo; o comércio marítimo começou a estar nas mãos dos europeus que também representam um novo desafio ao sistema sino- cêntrico; os navios e portos chineses são alvo de constantes e bem sucedidos ataques, em particular, da pirataria japonesa; os mongóis, ameaça sempre presente, lançam consecutivas ofensivas. Entretanto, revoltas camponesas espalham a anarquia pela China, enquanto os Manchus transpõem a Grande Muralha. Os Ming revelam-se incapazes de suster os ataques ao seu poder e, em 1644, o último imperador Ming suicida-se no meio do caos reinante.

Os Qing, Manchus, assumiram o poder na China sem grandes dificuldades: perante o declínio dos Ming, os generais chineses pedem auxílio aos Manchus para sufocar as revoltas camponesas e repor a ordem, aproveitando estes para atacar Pequim e tomar o poder (R. Smith, 1994). A dinastia Qing reina na China, assim, de 1644 até 1911, altura em que estala a Revolução que iria levar à proclamação da República por Sun Yat-sen. O longo reinado da dinastia Qing manchu, última dinastia que, à semelhança da dinastia Yuan mongol, rapidamente se “sinizou”, divide-se em duas fases completamente distintas: a primeira, até ao final do Século XVIII, é de grande vitalidade, prosperidade e expansão, com a China hegemónica a dominar completamente a Ásia Central e Oriental; a segunda, durante o Século XIX e início do Século XX, corresponde ao penoso “Século das Humilhações” que marca não só o declínio dos Qing e da China mas, igualmente, uma transformação radical do sistema internacional na Ásia Oriental.

A expansão imperial da China Qing fez-se, novamente, em todas as direcções, chegando nalguns casos mais longe do que em épocas anteriores. Na segunda metade do Século

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O navegador Jorge Álvares chegou ao Sudeste da China em 1513 e, depois de persistirem no comércio com os chineses no Porto da deusa Amã (que estará na origem da designação de Macau) e de ajudarem a combater a pirataria que assolava as costas chinesas (e que, obviamente, também prejudicava gravemente o comércio marítimo português naquelas paragens), os portugueses obtiveram do Imperador Chi-Tsung, em 1557, autorização para se estabelecerem em Macau, mediante o pagamento de um imposto, o “Foro do Chão”, que se manteve até meados do Século XIX.

XVII, ou seja, logo após os Qing terem tomado o poder, a China confirmou o estatuto tributário da Coreia, estendeu o seu domínio à Mongólia Exterior (1691-1697), impôs tributos na Indochina, aos actuais Myanmar ao Vietname, pelo menos, e anexou Taiwan (1665- 1683), dominando, eventualmente, também o arquipélago das Ryukyu; pelo tratado de Nertchinsk (1689), os Qing param ainda a expansão russa, fazendo chinesas as regiões de Amur e Ussuri. Já no Século XVIII, o Império chinês alargou-se para incluir o Tibete e parte do actual Nepal (1720), o Qinghai (1724), o Turquestão Chinês (Xinjiang) dos Uigures muçulmanos (1724) e a bacia do Tarim e da Zungária (1747). O Império Chinês atingia, assim, a sua configuração máxima, subsistindo ainda hoje dúvidas entre os historiadores sobre os verdadeiros limites da China, tal como não certas as datas precisas de determinadas conquistas: com efeito, alguns atlas e descrições históricas incluem na China também, nomeadamente, como tributários, territórios dos actuais Kazaquistão, Uzbequistão, Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão, Índia e Butão, as Ilhas Andaman, no Índico, a totalidade da Indochina (Sião/Tailândia, Laos, Camboja, Vietname, Malásia, Singapura e ainda um território na Ilha do Bornéu), atribuindo-lhe ainda o domínio da globalidade do Mar da China do Sul - onde se situam os arquipélagos das Paracels e das Spratlys - e das ilhas Sulu e Palawan, situadas entre a Indonésia e as Filipinas (ver a seguir Mapa 2, linha verde). O facto é que, no final do Século XVIII, a China Qing dominava praticamente toda a Ásia Central e Oriental. Num mundo então mais interdependente e globalizado por via das navegações e conquistas europeias, a China estava ao centro e no topo de um sistema internacional da Ásia Oriental autónomo do sistema global, dominando imperialmente os seus vizinhos e determinando o essencial das interacções regionais.