4.3 Factors affecting ghost catch on lobster
4.3.5 Comparison of animal groups
Com a evolução do trabalho, este simplesmente deixa de estar cada vez mais centrado na produção, passando a haver um foco na prestação de serviços, fortalecendo o aumento do trabalho independente, a diminuição de contratos sem termo, o incremento de trabalho temporário e parcial e, a emergência de novas relações de poder (Freitas, 2008).
A globalização dos mercados económicos, levou a que passasse a haver um aumento da pressão nas empresas e, consequentemente, nos trabalhadores, querendo cada vez mais apostar na exportação e expansão dos mercados, aumentando o peso do sector dos serviços, o que obrigava a uma constante reformulação nos modelos que organizam o trabalho e, na forma como são geridos os recursos humanos (Neto, 2015).
Perante isto, de entre as obrigações gerais do empregador, aumenta a de organizar o trabalho, procurando eliminar os efeitos nocivos do trabalho monótono e do trabalho cadenciado sobre a saúde, o que nos remete para a importância da abordagem dos factores psicossociais a nível organizacional (Freitas, 2009).
Segundo a OMS os factores de risco psicossociais podem ser definidos como factores que influenciam a saúde e o bem-estar do trabalhador e do grupo. De acordo com a OIT, os factores psicossociais são as interacções que se produzem entre o trabalho (entendendo-se por trabalho a actividade executada, o ambiente em que tem lugar e as condições laborais) e as pessoas, com as suas capacidades, necessidades e condições de vida fora do trabalho. O equilíbrio que se estabelece entre estas relações apresenta uma influência decisiva no rendimento, na satisfação e na saúde. (Teixeira, 2014).
O conceito de factores psicossociais faz, assim, apelo às condições que se encontram presentes numa situação laboral, directamente relacionada com a organização do trabalho, o conteúdo do trabalho e a estrutura da empresa, que têm potencial para afectar quer o bem-estar e a saúde física, psíquica e social do trabalhadores, quer o próprio desenvolvimento do trabalho (Santos & Almeida, 2016). Deste modo, podemos dizer que os factores psicossociais são condições presentes em situações laborais relacionadas com a organização do trabalho; o tipo de posto; a realização das tarefas em interação com o meio ambiente laboral; a satisfação no trabalho; as condições da organização; as condições pessoais fora do trabalho; as
necessidades; as capacidades e expectativas de cada um e os costumes e da cultura individual. Todas estas características afectam o desenvolvimento do trabalho, a saúde, o bem-estar, bem como o desempenho dos trabalhadores (Freitas, 2008; Gil- Monte, 2012).
Os factores de risco psicossociais devem ser compreendidos através das condições objectivas do contexto laboral mas, também através das experiências pessoais do trabalhador. Tendo em conta as condições psicossociais adversas, nem todos os trabalhadores irão reagir de igual forma a circunstâncias semelhantes, pois as suas características pessoais associadas as suas expectativas, vulnerabilidades, capacidade de adaptação e competências para lidar com determinadas situações vão determinar o tamanho e a natureza das suas reações e das implicações que daí poderão surgir (Serafim, Campos, Cruz & Rabuske, 2012; Coelho, 2010).
Uma vez que nem todos os trabalhadores reagem de forma idêntica à envolvente psicossocial, é, também, importante determinar as características individuais com impacto nas situações de trabalho, quer a nível dos factores externos, quer a nível dos factores intrínsecos ao próprio trabalhador. A carga psicossocial de trabalho encontra- se ligada à maneira como o trabalho solicita as capacidades psíquicas e sociais dos trabalhadores, assim como à importância que estes atribuem a diferentes aspectos, em função dos seus esquemas mentais (valores, objectivos, necessidades, aspirações, expectativas, etc.) (Souza, Carvalho, Araújo & Porto, 2010).
No entanto, sabe-se que os factores psicossociais podem promover ou prejudicar a atividade laboral e a qualidade de vida dos trabalhadores. Quando os estes factores são positivos favorecem o desenvolvimento pessoal dos trabalhadores, no entanto, quando são negativos, desfavorecem o trabalhador, a sua saúde e bem-estar, podendo- lhes causar danos a nível psicológico, físico ou social (Gil-Monte, 2012).
Quando a exposição a estes factores, em contexto laboral, produz consequências negativas, estas podem-se reflectir nas condições de saúde, que podem levar ao adoecimento, a incapacidade de realizar tarefas e até mesmo, gerar conflitos na vida familiar e social do trabalhador (Serafim, Campos, Cruz & Rabuske, 2012). Ou seja, a saúde, o desempenho no trabalho e a satisfação profissional dos colaboradores podem ser influenciadas pela interacção entre o ambiente laboral, o conteúdo do trabalho, a organização do trabalho e as capacidades dos colaboradores, estando relacionados com a cultura, as condições fora do trabalho e as características pessoais (Forastieri, 2013).
As principais consequências sobre a saúde e o bem-estar do trabalho, decorrentes de condições psicossociais desfavoráveis são a carga mental, o stress, o sofrimento, levando a sentimentos de insatisfação e desmotivação e ao aparecimento de problemas de relacionamento, entre outras (Oliveira, 2015).
A carga psicossocial compreende um conjunto de factores e processos a nível do conteúdo, das condições, do ambiente, da organização e das relações de trabalho. Do lado do trabalhador, podemos referir os aspectos cognitivos, emocionais, motivacionais e relacionais implicados no trabalho em maior ou menor grau (Ribas, Fernandes & Antão, 2015).
As exigências de disponibilidade para o trabalho e o envolvimento emocional por parte dos trabalhadores têm vindo a aumentar, devido a diversos factores, como por exemplo, o contacto directo com o público e o aumento de actividades que requerem a evidência de sentimentos, levando isso ao aumento da carga cognitiva e emocional do trabalhador em relação à sua actividade, ameaçando a sua saúde mental (Neto, 2015).
As alteração do valor e do significado que são dados ao trabalho, as novas formas de organização, as alterações sociodemográficas, as alterações dos espaços, o conteúdo e a natureza do trabalho são, algumas das justificações possíveis para o aumento dos riscos psicossociais. Estes podem estar associados a diversos factores, sendo exemplos de alguns deles a tensão, a perca do controlo sobre o trabalho, o impacto sobre as rotações e variações de turnos de trabalho, as horas extras, a desqualificação, o trabalho fragmentado, a repetição de tarefas e a imposição de ritmos acelerados (Chiodi & Marziale, 2006).
Também, o decrescer do número de trabalhadores entre outras características, cada vez mais presentes no panorama laboral, implicam, consequentemente, um maior esforço mental, o aumento do ritmo e da sobrecarga de trabalho, a necessidade de níveis altos de concentração e de atenção e o aumento exponencial de responsabilidade que leva, muitas vezes, à ampliação dos horários (Costa & Santos, 2013).
Segundo Gollac e Bodier (2011), os factores psicossociais de risco no trabalho colocados em evidência pela literatura científica podem ser agrupados em seis eixos. Estes são relativos à Intensidade do Trabalho e ao Tempo de Trabalho, às Exigências Emocionais, à Autonomia, à Qualidade das Relações Sociais no Trabalho, os Conflitos de Valores e a Insegurança da Situação de Trabalho.
A Intensificação do Trabalho traduz-se, em termos de factores de riscos psicossocial, pelos conceitos de “exigência psicológica” ou “esforço psicológico”. O Tempo de Trabalho traduz-se através do número de horas consagradas ao trabalho mas, também, à organização do horário de trabalho. Desta forma, o primeiro eixo dos Factores dos Riscos Psicossociais segundo estes autores inclui, por um lado, a sujeição a constrangimentos de ritmo e a objectivos irrealistas e vagos; a polivalência; a responsabilidade; as instruções contraditórias e interrupção de actividade, entre outros e, por outro lado, a duração e organização do tempo de trabalho, como sejam, por exemplo, número de horas; trabalho nocturno e por turnos e conciliação trabalho/vida fora do trabalho (Costa & Santos, 2015).
O factor das Exigências Emocionais resultam da carga psicológica associada a comportamentos sociais complexos, planificados, que implicam as emoções durante a execução do trabalho. Desta forma, inclui a relação com o público; o contacto com o sofrimento; esconder emoções; o medo (de acidentes ou de falhar, por exemplo) e a violência externa (Mesquita, Santos, Machado, Ramos & Macedo, 2016).
A Autonomia foca-se naquilo que todo o trabalho deve proporcionar, isto é, a possibilidade do trabalhador ter um papel activo no desenrolar do seu trabalho, na forma como o profissional participa na produção de riqueza e, na condução da sua vida profissional. Isso reflecte um poder agir sobre si e o seu trabalho, referindo-se, assim, a noção de autonomia à possibilidade de se desenvolver através do trabalho e de retirar prazer na sua realização. Deste modo, este facto inclui a autonomia na tarefa; a previsibilidade do trabalho e possibilidade de o antecipar; a monotonia e tédio; a utilização e aumento de competências e a satisfação no trabalho (Gollac & Bodier, 2011; Costa & Santos, 2015).
O factor das Relações Sociais no Trabalho deve ser entendido a partir de três conceitos base: o Sentimento de Integração, a Justiça e o Reconhecimento. Assim, abrange, entre outros, a integração; o reconhecimento; o apoio social; as relações com os colegas em termos de cooperação; a integração num colectivo; as relações com a hierarquia; o apoio técnico recebido dos superiores; as relações humanas; o estilo de direcção e de encorajamento e a apreciação do trabalho; remuneração e carreira; adequação da tarefa à pessoa; avaliação do trabalho; o reconhecimento por parte dos clientes e do público, a valorização social da profissão e a violência interna (discriminações e diferentes tipos de assédio) (Gollac & Bodier, 2011; Costa & Santos, 2015).
O Conflito de Valores consiste num sofrimento ético sentido pela pessoa quando lhe é pedido para agir contra os seus valores profissionais, sociais ou pessoais e, em casos extremos, pode levar ao suicídio, em particular nos casos de situações de isolamento. Perante isto, este factor é visto nos conflitos éticos; na qualidade impedida e no trabalho inútil (Gollac & Bodier, 2011; Costa & Santos, 2015).
A Insegurança na situação de trabalho diz respeito à segurança no emprego, no salário e na carreira; à sustentabilidade do trabalho e às mudanças (Gollac & Bodier, 2011; Costa & Santos, 2015).
Os factores de risco não são necessariamente negativos para os trabalhadores, só quando estes são percebidos de forma negativa é que podem ser considerados como um risco para a saúde, podendo, assim, causar danos (Vásquez, Suazo & Kljin, 2014). É importante salientar que a exposição a estes riscos não deteriora, obrigatoriamente, a saúde dos trabalhadores mas, são uma fonte de risco, que podem ou não, ter um impacto imediato na saúde dos mesmos. Algumas pessoas poderão utilizar estratégias funcionais para os eliminar ou poderão modificar os seus comportamentos, cognições e emoções adaptando-se às situações e convivendo com elas mas, isso não quer dizer que a longo prazo essa exposição não seja negativa (Gil- Monte, 2012).
Com isso podemos dizer que os riscos psicossociais laborais surgem devido a algumas condições destes locais serem mais árduas para a maioria dos trabalhadores. No entanto há a possibilidade de se encontrar alguns profissionais que, mesmo vivenciando o mesmo tipo de situações, não se sentirão prejudicados, de forma imediata, por esses riscos devido às suas características individuais, embora esses sejam uma excepção (Gil-Monte, 2012).
Não há um consenso no mundo científico sobre como projectar e/ou lidar com os riscos psicossociais no trabalho, nem tão pouco uma teoria unificada sobre os mesmos. Contudo, já se chegou a unanimidade quanto à necessidade de uma abordagem pluridisciplinar para se analisarem essas questões (Gollac & Bordier, 2011).
As novas formas de organização do trabalho contribuem para o surgimento de novos riscos que exigem uma avaliação mais complexa por parte dos profissionais. Sabe-se que mais do que os restantes risco, os psicossociais podem prejudicar o desempenho do trabalhador mais do que os restantes (Bentes, 2012).
Assim, no ponto seguinte deste trabalho passarei a abordar as Consequências, a Avaliação e a Prevenção dos Riscos Psicossociais.