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Comparing the three AKE security models

3.2 A unified protocol execution model

3.3.1 Comparing the three AKE security models

Vistos pelas lentes distorcidas de Hollywood, os árabes parecem di- ferentes e ameaçadores. Projetado junto com questões raciais e re- ligiosas, os estereótipos são profundamente enraizados no cinema norte-americano. De 1896 até hoje, os realizadores tem coletivamente indicado os árabes como inimigo público número 1 – brutais, desalma- dos, não civilizados fanáticos religiosos e loucos por dinheiro, ‘outros’ culturalmente empenhados em aterrorizar os civilizados ocidentais, es- pecialmente os cristãos e os judeus. 51(Ibdem: 8)

As estereotipagens podem ser escancaradas - como na animação Aladdin (Ron Clements e John Musker, EUA, 1992, 90 min) dos Estúdios Disney, e no clássico da pancadaria, estrelado por Chuck Norris, Comando

Delta (The Delta Force, Menahen Golam, EUA, 1986, 125 min) -, ou aparecer tacitamente. Exemplo deste úl-

timo estilo é o filme que inaugura a franquia Indiana Jones, os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost

Ark, EUA, 1981, 115 min) de Steven Spielberg. Stam e Shoat pontuam que o blockbuster “revela um substrato

judaico escondido, mesmo na ausência de personagens judeus”. “Libertando a antiga arca de origem hebraica da possessão ilegal dos egípcios, o herói americano também a resgata do sequestro nazista, reforçando alegori- camente a solidariedade entre americanos e judeus contra os nazistas e seus colaboradores árabes” (2006: 317). Além de não seguir a linha ideológica desenvolvida por seus “patrícios” que comandam expressiva parte da indústria cinematográfica nos EUA – onde a população judia é maior do que em Israel -, o novo cinema israelense tampouco pode ser apontado como mais uma das ferramentas ideológicas do famigerado Lobby

51 Seen through Hollywood’s distorted lenses, Arabs looks different and threatening. Projected along racial and religious lines, the stereotypes are deeply ingrained in American cinema. From 1896 until today, filmmakers have collectively indicted all Arabs as Public Enemy #1 – brutal, heartless, uncivilized, religious fanatics and money-mad “others” bent on terrorizing civilized Westerners, especially Christians and Jews.

O cinema antissemita tem como símbolo o filme ale- mão Jud Süss(1940).

Judeu 52. Movimento de alcance mundial, mas de influência decisiva nos Estados Unidos, praticam um intenso

patrulhamento ideológico sobre políticos, acadêmicos e a mídia. Suas entidades mais conhecidas na América do Norte são a AIPAC (The American Israel Public Affairs Comittee)53 e a ADL (Anti-Defamation League) 54.

Além dessas, há de se ressaltar o competente e eficaz trabalho desenvolvido pela agência de relações públicas do Governo de Israel, o Hasbara55 , cuja onipresença global, em parceria com as comunidades espalhadas pelo mundo, não deixa sem resposta nenhum tipo de crítica que se faça a atuação do Estado de Israel, desde as chauvinistas que encarnam um abjeto antissemitismo e que pregam o fim do Estado Judeu até as manifestações de solidariedade à tragédia Palestina, dentro e fora dos territórios ocupados – onde vivem cerca de 3,5 milhões de refugiados e seus descendentes.

“... eis-me aqui enfim traidor dos judeus por ter manifestado minha compaixão pelos palestinos que sofrem as misérias e humilhações de uma ocupação”, desabafou Edgar Morin, descendente de ju- deus convertidos, os marranos, depois de sofrer intensa campanha difamatória e enfrentar processos judiciais movidos pela associação France-Israël após publicar o artigo “Israël-Palestine: le cancer” no jornal Le Monde de 04 de junho de 2002. “Nada sou, portanto, senão uma das inúmeras vítimas da histeria política, a verdadeira histeria de guerra que vê no não-conforme um inimigo, e no inimigo um monstro de ignomínia” (2007: 7–9).

Judeu, filho de sobreviventes do Gueto de Varsóvia e dos campos de concentração, que perdeu todos seus demais parentes durante o genocídio nazista, Norman Filkenstein entende que as entidades que praticam o

lobby usam do passado sofrido do povo hebreu para auferir vantagens políticas e econômicas, além de justi-

ficar as ações violentas cometidas contra a população palestina. “O Holocausto provou ser uma indispensável bomba ideológica. Em seus desdobramentos, um dos maiores poderes militares do mundo, com uma horrenda reputação em direitos humanos, projetou-se como um Estado ‘vítima’, da mesma forma que o mais bem-su- cedido grupamento étnico dos Estados Unidos adquiriu o status de vítima. Dividendos consideráveis resultam dessa falsa vitimização – em particular, imunidade à crítica, embora justificada. Os que usufruem dessa imu- nidade, eu poderia acrescentar, não escapam à típica corrupção moral que faz parte dela” (2006: 13). A fama internacional e seu ativismo contra as políticas de Israel e a atuação do lobby judeu levaram Filkenstein a sofrer campanhas severas de demonização por uma parte da comunidade judaica norte-americana, que lhe atribuiu o título nada honroso de “self-hatred jewish” e que procura prejudicá-lo em sua atuação profissional – tal como mostrado no documentário American Radical – The Trials of Norman Filkenstein (David Ridgen e Nicolas Rossier, EUA, 2009, 84 min).

Enfim, essa brevíssima descrição acerca de uma parte da complexidade da querela geopolítica, que há mais de 60 anos praticamente todos os dias ocupam os noticiários de todo o planeta, serve apenas para ressaltar o papel fundamental que o cinema israelense tem cumprido ao demonstrar que nem todos que vivem naquele pequeno país - que se transformou em potência agrícola, tecnológica, militar e cultural em tão pouco tempo de

52 Sobre este assunto, ver: Mearsheimer, John J. & Walt, Stephen M. The Israel Lobby and U.S Foreign Policy, e Chomsky, Noam & Pappé, Ilan Clusters of History: U.S. Involvement in the Palestine Question, in Gaza in Crisis – Reflections on Israel’s War against the Palestinians.

53 www.aipac.org 54 www.adl.org 55 www.hasbara.com

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