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Communication models in Global Software Development

3 Method and data

6.3 Communication models in Global Software Development

Ao analisar esta tendência demográfica, segundo o IPEA, é importante assinalar que estes jovens representam e irão representar o maior contingente absoluto e relativo de trabalhadores da história brasileira. Diante deste contexto, é fundamental analisar como vem se constituindo o contexto juvenil e sua inserção no mercado de trabalho, uma vez que, em termos de sociedade capitalista, por meio da venda da força de trabalho das mais variadas maneiras, é possível obter recursos para satisfação de suas necessidades.

Com relação a este aspecto, em 2013, a Organização Internacional do Trabalho – OIT lança o documento “Tendências mundiais para o emprego juvenil 2013: uma geração em perigo”, o título já demonstra uma conjuntura extremamente preocupante para as juventudes em relação a sua inserção no mercado de trabalho no contexto global. O estudo atualiza os dados do último estudo sobre desemprego juvenil em 2007, que apresentava uma grande preocupação com a situação do desemprego juvenil, em termos mundiais, e especialmente na América Latina.

A análise da OIT em 2013 aponta que a taxa de desemprego juvenil no mundo é crescente e tende a subir, segundo dados do estudo, em 2013 havia 73,4 milhões de jovens desempregados no mundo, cerca de 3,5 milhões a mais do que em 2007 e 0,8 milhões a mais do que em 2011. Nesse sentido, a OIT aponta para um aumento das taxas de desemprego mundial, especialmente para os jovens que vivem nas economias em desenvolvimento, incluindo o Brasil, e no contexto Europeu.

El desempleo de los jóvenes aumentó hasta un 24,9 por ciento en las economías desarrolladas y la Unión Europea entre 2008 y 2012, y la tasa de desempleo juvenil alcanzó en 2012 un nivel sin precedentes en los últimos decenios del 18,1 por ciento. Según las proyecciones actuales, en las economías desarrolladas y la Unión Europea, la tasa de desempleo de los jóvenes no bajará del 17 por ciento antes de 2016 (OIT, 2013, p. 2).

Os países da América Latina e Caribe, apesar do importante desenvolvimento econômico dos últimos anos, não alteraram as condições de trabalho das juventudes. Ao analisar o contexto desta região não houve nenhuma melhoria nas condições de trabalho dos jovens, sendo que a proporção de jovens para as taxas de desemprego de adultos na América Latina e Caribe, que era de 2,5% em 2000, aumentou gradualmente nos últimos anos para 2,8%; no Brasil, este índice subiu para 3,0% (OIT, 2013).

Apesar deste dado de aumento de desemprego juvenil, comparado ao desemprego de pessoas não jovens, ao analisar o contexto brasileiro, observa-se uma pequena queda nos últimos anos, segundo a OIT, conforme pode ser observado no gráfico abaixo, que avalia a taxa de desemprego no segundo semestre de 2002 até 2012:

Gráfico 2 - Taxa de desemprego Juvenil no Brasil

Fonte: OIT, 2013

Percebe-se uma maior inserção dos jovens no mercado de trabalho no contexto brasileiro, especialmente quando comparado a outros países da América Latina e Caribe, porém, as taxas de desemprego são somente um dos elementos que devem ser observados ao analisar a realidade juvenil e sua inserção no mercado de trabalho, pois, conforme afirma Gonzalez (2009), além do desemprego aberto, há um desemprego oculto, isto é, há uma parcela dos jovens que não trabalha e desistiu de procurar emprego e que não são classificados como desempregados46.

46 Neste contexto, deve se considerar as diferentes classificações com relação à inserção no mercado de trabalho. Segundo Ramos (2007), as pesquisas de empregabilidade utilizam o termo População em Idade Ativa (PIA), para considerar as pessoas a partir dos 10 anos de idade, isso se dá em razão do contexto do trabalho infantil ainda muito presente na conjuntura brasileira. Segundo o IBGE, a PIA pode ser desmembrada em População Economicamente Ativa (PEA), considerado o potencial de mão-de-obra com que pode contar o setor produtivo, isto é, a população ocupada e a população desocupada, assim definidas: população ocupada – aquelas pessoas que, num determinado período de referência, trabalharam ou tinham trabalho mas não trabalharam; e População Desocupada – aquelas pessoas que não tinham trabalho, num determinado período de referência, mas estavam dispostas a trabalhar, e que, para isso, tomaram alguma providência efetiva (consultando pessoas, jornais, etc.). A PIA também pode ser dividia em População Não Economicamente ativa (PNEA), que é a parcela da PIA que não participa do mercado de trabalho, isto é, pessoas incapacitadas para o trabalho ou que desistiram de buscar trabalho. 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 ano ano ano ano ano ano ano ano ano ano ano

Taxa de Desem prego Juvenil no Brasil - OIT 2013 22.6% 25.3% 24.7% 22.2% 22.2% 21.8% 18% 18.8% 16.2% 14.4% 13.7%

Tal reflexão quanto ao cuidado na leitura de dados acerca do desemprego também é abordada por Pais (2005), ao analisar a conjuntura de desemprego juvenil na Europa, afirma que:

As estatísticas do desemprego não contabilizam os desempregados que, por desânimo, tenham deixado momentaneamente de procurar emprego. Segundo os critérios das estatísticas oficiais do desemprego, o estatuto de desempregado não é facilmente alcançável. Se o fosse, as taxas de desemprego disparariam. Ou seja, o desemprego que as estatísticas nos dão resulta de malabarismos artificiosos e não tem correspondência com o desemprego real. Para os estatísticos [...] não basta que uma pessoa esteja sem trabalho ou emprego para que se considere desempregada; nem basta que esteja disponível para trabalhar em um trabalho, remunerado ou não; é necessário que, na semana em que tenha sido inquirido, essa pessoa (desempregada) tenha ativamente procurado trabalho ou tenha feito diligências para encontrar um emprego, remunerado ou não. (PAIS, 2005, p.29)

Nesse sentido, ao analisar somente os dados de desemprego juvenil, pode-se cair na armadilha que, apesar do acesso ao mercado trabalho, houve uma melhoria com relação aos processos de (in)segurança em suas trajetórias, no contexto das juventudes.

Compreender os elementos que atravessam o contexto do mundo do trabalho para as juventudes e os dados que estão intrínsecos a este processo é um dos momentos de análise do contexto juvenil, para além dos jogos de espelhos, que, muitas vezes, por meio da visão fetichista da sociedade do capital, esfumaça o entendimento desta conjuntura. Dessa forma, analisar as condições de trabalho das juventudes que estão inseridas no mercado de trabalho, bem como problematizar os elementos relacionados às juventudes inseridas neste processo constituem dois movimentos de fundamental importância para verificar a realidade das juventudes na atual conjuntura.

Alves (2012) refere que o contexto das transformações no mundo do trabalho nas últimas décadas47 constitui um novo metabolismo social, por meio da lógica do trabalho flexível, que atinge em sua maioria os jovens trabalhadores, caracterizada pela precarização das relações de trabalho e do homem-que-trabalha, no sentido da degradação da saúde dos trabalhadores.

Assim, a relação do mundo do trabalho com o contexto de (in)segurança é estabelecida não somente pela dificuldade de acesso ao mundo do trabalho, mas pelas suas condições de realização de manutenção, impactadas por meio das flexibilizações contratuais, da superexploração das horas de trabalho, das baixas remunerações e da instabilidade quanto à empregabilidade. A multiplicação de baixos salários, de situações de estágio não remunerado e de formas de precariedade assistidas pelo Estado (SOEIRO, 2012) marca as trajetórias

juvenis, em meio ao mundo do trabalho em constante fortalecimento das mais diversas formas de precarização.

Diante deste contexto, as transformações do mundo do trabalho impactam tanto os trabalhadores estáveis com algumas garantias no que se refere a alguns direitos trabalhistas, como pela massa flutuante de trabalhadores, denominado “precariado”, camada que cresce continuamente pelas políticas de flexibilização (ALVES, 2012), sendo constituída em grande parte pelas juventudes.

O precariado é constituído, hoje, por jovens empregados e desempregados do novo mundo do trabalho, recém-graduados e com alto nível de escolaridade, mas que não conseguem inserir-se em relações laborais estáveis [...]. Uma das características candentes é a invisibilidade social, tendo em vista que estão contratados em formas atípicas e instáveis de contratação, que disfarçam as relações empregatícias (ALVES, 2012, p. 11).

Dessa forma, o autor define o precariado como uma nova camada da classe social do proletariado, construída especificamente de jovens altamente escolarizados imersos em relações de trabalho e emprego precário, isso implica cruzamentos de determinações de ordem geracional, educacionais e salarial (ALVES, 2013). O surgimento do precariado revela a (in)segurança vivenciada por partes das juventudes em relação ao mundo do trabalho, sendo que, como debatido anteriormente, a precarização do mundo trabalho se amplia para todas as dimensões da vida dos indivíduos, pois constitui vidas precárias, então, o precariado encontra- se exposto a uma incerteza crônica, tendo pela frente uma vida de desconhecidas incógnitas em relação a sua inserção no mundo do trabalho e acesso a direitos (STANDING, 2014), uma vez que possui seus direitos flexibilizados e desmantelados, ampliando seu contexto de (des)proteção social.

As juventudes, nesse contexto, se inserem em condições de trabalho que não garantem possibilidades de estabilidade e renda, sendo a (in)segurança, com relação a sua condição de trabalhar, a marca deste novo tempo. Nesse sentido, paradoxalmente, ao mesmo tempo em que as juventudes em muitos contextos são consideradas como o segmento mais adaptado para assumir postos de trabalho, diante do contexto tecnológico dominado pelos recursos de informática, também são mais facilmente descartadas na lógica da flexibilização das relações de trabalho.

Sendo assim, ao analisar o contexto da empregabilidade brasileira, é possível perceber que apesar de as taxas de desemprego juvenis no Brasil estarem entre as mais baixas do mundo, as juventudes são as menos favorecidas no contexto dos últimos anos, no que se

refere a sua inserção no mercado de trabalho. Enquanto os jovens se apropriaram de cerca de 30% (ou cerca de 3,1 milhões) dos novos empregos, os trabalhadores de 40 anos ou mais utilizaram 48% (ou 4.8 milhões) das novas vagas, no período de 2002 a 2009, sendo assim, se os jovens foram beneficiados em nível de Brasil pela empregabilidade, os mais velhos foram em maior proporção. (CARDOSO, 2012).

Estes dados revelam que, mesmo com a ampliação das vagas de trabalho no Brasil, as juventudes são as mais afetadas pela dinâmica da flutuação de empregos, sendo o segmento social mais suscetível ao desemprego. Diante deste contexto, ao analisar os diversos dados referentes à inserção das juventudes no mercado de trabalho, mostra-se fundamental compreender a sua relação com a informalidade, aspecto de todo o contexto de precarização no qual se inserem as juventudes, especialmente nas últimas décadas.

Nesse sentido, a OIT, em seu relatório de 2013, refere que as regiões em desenvolvimento estão enfrentando sérios problemasem relação à qualidade dos empregos disponíveis para os jovens; segundo a organização, um grande número de jovens conta com emprego temporário e/ou informal, sendo que muitos recebem salários abaixo da média (OIT, 2013)

Assim, muitos jovens buscam o trabalho informal como estratégia na lógica do modo de produção capitalista; dados de 2007, do Relatório de Trabalho Decente e Juventude na América Latina da OIT, já referiram que na América Latina e Caribe, a cada 10 jovens, 6 possuem um emprego informal, sendo que no Relatório de 2013 não constam dados sobre a informalidade na América Latina. No Relatório de 2007, a OIT menciona que há 30 milhões de jovens em toda América Latina que trabalham na informalidade e em condições precárias (OIT, 2007).

No Brasil, segundo dados do Relatório, a taxa de informalidade entre os jovens, em 2006, era quase 10 pontos percentuais mais elevada que a dos adultos. Embora as mulheres apresentassem taxas de informalidade superiores a dos homens, a maior desigualdade era aquela determinada pela questão racial e de local de moradia, uma vez que a taxa de informalidade era maior para os negros do que para os brancos e para aqueles do meio rural em relação ao urbano, pois do total de 18,2 milhões de jovens ocupados no Brasil, em 2006, cerca de 11 milhões estavam alocados no setor informal. Desse modo, todos os indicadores apontam que a inserção dos jovens brasileiros no mundo do trabalho se dá de forma precária e difícil, sendo um dos segmentos mais desfavorecidos pelas condições restritivas de emprego, também reproduzindo em si as desigualdades de gênero e de renda presentes na população brasileira como um todo (GONZALEZ, 2009).

Apesar de as taxas de desemprego juvenil brasileiro serem uma das mais baixas do mundo, as juventudes constituem o segmento social menos beneficiado com o aumento da empregabilidade no país; as suas taxas de informalidade permanecem altas, isso demonstra um o contexto de precarização laboral das juventudes, uma vez que a informalidade, na maioria das vezes, aparece como uma estratégia de venda de força de trabalho por meio de atividades associadas com os direitos trabalhistas, com alta precariedade. Os dados acima referenciados demonstram uma instabilidade e insegurança quanto ao mercado de trabalho no qual as juventudes se inscrevem, uma vez que a informalidade, geralmente, se configura como possibilidade existente para as juventudes, em uma conjuntura de restritas formas de inserção no mercado formal.

Na análise de Cardoso (2012), o mercado de trabalho formal é caracterizado por altas taxas de rotatividade, especialmente para os jovens, podendo ser uma “terra dos sonhos” para a maioria dos trabalhadores, mas não constitui segurança no emprego, e quanto mais o tempo passa, mais se revela uma experiência múltipla e fugaz nas bibliografias das juventudes. As manifestações da (in)segurança para as juventudes se revelam em diversas dimensões, dentre elas nas relações estabelecidas com venda da sua mão-de-obra na lógica da sociabilidade capitalista. Nesse sentido, a precaução para não se perder nos jogos de espelhos na análise dos dados de juventudes deve ser uma constante, uma vez que a variável empregabilidade não deve ser tomada como único parâmetro na compreensão da relação trabalho e juventudes.

Desse modo, olhar as relações estruturais de mudanças na órbita do capital, nas últimas décadas, é elemento central na compreensão da conjuntura de (in)segurança, visto que processos de desemprego, informalidade, precarização, superexploração são elementos que não podem fugir à análise das biografias juvenis com relação à (in)segurança estrutural que impacta nas suas trajetórias. Conforme analisado nos dados acima, o Brasil vivencia seu período “mais jovem”, porém, esta juventude numerosa apresenta dificuldades de inserção no mercado de trabalho, que tendem a impactar diversas dimensões de suas vidas. Não se trata de rotular a relação juventudes e mundo do trabalho por meio de perspectivas que apontam para uma “geração perdida”, posto que as juventudes constroem suas histórias através de intensos processos de resistência. Porém, a análise do contexto do mundo do trabalho para as juventudes se mostra fundamental na compreensão dos processos de (in)segurança, pois tais processos possuem íntimas relações com a lógica da exploração e reprodução do capital em seu atual estágio.