acionamento de conhecimentos prévios para compreensão – intenção comunicativa do autor; Inferências sobre o conteúdo a partir do título do poema.
- Considerando estes níveis de consciência linguística em interação, o instrumento tem como base para reflexão linguística textos do gênero poema (no caso, poemas/parlendas de domínio popular), destacando, a partir deste, seus versos e palavras, bem como a sua estrutura textual.
Nas atividades propostas houve a necessidade de numeração dos itens e subitens para um controle de resultados a serem marcados de forma correspondente em uma Tabela de Marcação de Respostas, complementar ao instrumento (item 4.4.2.2), na qual é possível visualizar um perfil do aluno quanto aos aspectos pesquisados.
Diferenciar o instrumento de avaliação de uma simples atividade de sala de aula foi um desafio, pois o desenho de um perfil exigia um maior rigor na marcação e balanço de respostas, ou seja, como reconhecer, a partir das questões propostas, uma identificação/objetivação do que foi constatado? Primeiramente, houve um levantamento dos níveis de consciência fonológica e linguística contemplados em cada questão, formando-se uma primeira tabela, que permitiu visualizar um grupo de
itens compatível com a faixa etária em questão e com o momento de alfabetização inicial vivenciado, com preponderância de comportamentos de consciência fonológica, sintática, e semântica, e os de consciência morfológica, pragmática e textual em menor quantidade, de acordo com o que é observado na literatura (GOMBERT, 1992). Num segundo momento, após novos ajustes nas questões a partir dessa primeira montagem da tabela, elencaram-se todos os itens de comportamento de consciência fonológica e linguística pesquisados no instrumento em nova tabela. Para facilitar a visualização e a reunião dos dados, montou-se, então, uma tabela única, integrando os níveis de consciência linguística e os comportamentos pesquisados que estes abarcam.
A fim de explicar ao usuário do instrumento os seus fundamentos, o entendimento de como este funciona e o que ele fornece enquanto dados de linguagem, foi elaborado também um GUIA DE ORIENTAÇÕES PARA A
APLICAÇÃO DO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA
FONOLÓGICA INTEGRADA À CONSCIÊNCIA LINGUÍSTICA (APÊNDICE D). Este aborda objetivos, embasamento teórico, e explica o que é avaliado em cada questão. Estes aspectos são importantes para fundamentar os achados do teste para o avaliador que o utilizar (fonoaudiólogo escolar, professor, ou outro profissional da equipe escolar), facilitando seu entendimento e orientando sua aplicação na intervenção escolar.
O instrumento de avaliação foi submetido a aperfeiçoamentos, de acordo com os passos metodológicos que seguem, sendo posteriormente apresentada sua estrutura final.
4.4.1.2 Avaliação do instrumento por especialistas
A fim de aperfeiçoar o Instrumento de Avaliação de Consciência Fonológica Integrado à Consciência Linguística, e torná-lo mais adequado à sua utilização pelo professor, este foi submetido ainda em sua primeira versão, mais longa (APÊNDICE H), a diferentes grupos que o analisaram, a partir de um roteiro de questões propostas pela pesquisadora.
O primeiro grupo consultado foi composto por três doutoras em Linguística, com pesquisas e atuação voltada à alfabetização, com experiência no desenvolvimento e/ou aplicação de testes de avaliação, a fim de que analisassem o instrumento e os materiais de apoio elaborados (Tabela de Marcação de Respostas; Guia de Orientações) a partir do seguinte roteiro de avaliação do mesmo:
Para o aperfeiçoamento deste material e para que realmente seja útil ao aluno e ao professor no processo de ensino, conto com sua apreciação quanto às seguintes questões.
1) Como avalia o embasamento teórico do instrumento? - conceitos apresentados;
- clareza;
- apresentação do instrumento; - observações gerais.
2) como avalia o instrumento em si: - linguagem utilizada;
- clareza nas atividades propostas;
- níveis de consciência linguística investigados em cada questão: concorda; retira; acrescenta? (justificativa) - observações gerais.
3) Modo de montar o perfil:
- tabela de consciência linguística: utilidade; forma de visualizar resultados;
- habilidades destacadas como comportamentos de consciência linguística observados em cada questão do instrumento: adequação entre a questão proposta e a habilidade verificada;
- forma de mensurar os graus de domínio de consciência linguística verificados: considera adequado aos objetivos propostos? Sugere outra forma?
- observações gerais.
4) De forma geral, considera que este instrumento pode auxiliar o professor no processo de ensino, quando acompanhado de orientações para o desenvolvimento de atividades com poemas e consciência fonológica e linguística em sala de aula? (justificativa)
Desde já meu agradecimento, como pesquisadora e como profissional preocupada com a melhoria dos resultados da alfabetização em nosso país.
Deste primeiro grupo, resultaram as primeiras alterações no instrumento proposto, bem como nos materiais de apoio. Foi ressaltada por todas as especialistas a clareza da linguagem do instrumento e do Guia de Orientações, bem como a profundidade de análise que os dados da tabela permitem identificar, ao mesmo tempo em que foi observada a necessidade de facilitar o processo de marcação das respostas para uma visualização mais clara destas. Uma das avaliadoras ressaltou que o instrumento, ao ser aplicado, termina por dar indicativos de como deve ser o trabalho em sala de aula: cada pergunta feita é uma atividade a ser realizada, em sua opinião.
O segundo grupo consultado foi o de pedagogas que trabalham com crianças em alfabetização, com roteiro de avaliação semelhante, mas destacando os procedimentos propostos e sua aplicabilidade. Neste grupo apenas uma das quatro alfabetizadoras consultadas respondeu ao roteiro de avaliação. Esta trouxe importantes contribuições práticas ao trabalho, destacando a clareza teórica do Guia de Orientações do Instrumento e das instruções quanto ao uso do mesmo, bem como com relação às perguntas propostas no instrumento. Mas ressaltou a questão do tempo de aplicação demandado em um grupo de cerca de vinte e cinco alunos numa sala de aula, e da necessidade de apoio escolar para o professor, para que se possam avaliar as crianças individualmente.
4.4.1.3 Avaliação das crianças do 1º ano do Ensino Fundamental
O terceiro grupo considerado, simultaneamente ao segundo, foi o de crianças em alfabetização inicial, do primeiro ano do Ensino Fundamental, com objetivo de verificar o uso do instrumento na prática e submetê-lo a aperfeiçoamentos, bem como o de ter a avaliação das próprias crianças a respeito do mesmo, opinando sobre sua temática, tipo de questões, dificuldades consideradas por eles nas atividades propostas (o que era mais difícil/o que era mais fácil), sinais de fadiga observados.
Para a aplicação do instrumento com os alunos, que já estavam no segundo semestre do ano letivo, estes foram selecionados de forma aleatória pela professora da sala (turma de primeiro ano do EF do Colégio de Aplicação – UFRGS, turma de 2014), considerando aqueles que seriam mais acessíveis para uma entrevista e que os pais pudessem autorizar este tipo de procedimento de pesquisa com mais facilidade. Foram escolhidos cinco alunos com este perfil, todos autorizados a participarem através dos termos de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE F) e o de Assentimento para os alunos em alfabetização participantes da pesquisa (APÊNDICE G). Foram entrevistados 2 meninos e 3 meninas da turma, em sala próxima à de aula. Suas respostas foram anotadas no momento da avaliação, mas também foram gravadas em áudio, no caso de necessidade de algum detalhamento
de análise posterior ao momento da avaliação. Cada criança respondeu individualmente ao instrumento, e as entrevistas ocorreram em etapas sucessivas e consecutivas ao aperfeiçoamento do mesmo, da seguinte forma: 1ª avaliação – 1 menino; 2ª avaliação – 2 meninas; 3ª avaliação – 1 menino e 1 menina.
O primeiro aluno terminou sendo avaliado em duas etapas na mesma manhã, pois o teste mostrou-se longo para ser aplicado em um só momento. Mesmo assim, mostrou-se disposto, e participou de forma comprometida e reflexiva, conseguindo responder apropriadamente a todas as questões. As atividades propostas e procedimentos de aplicação, bem como as respostas da criança foram analisados, sendo realizadas as modificações necessárias ao teste, para nova aplicação.
As modificações foram sendo feitas a partir de cada etapa de entrevistas com as crianças e revisadas em sua eficiência e objetivos, bem como no seu registro de resultados na tabela. Foram num segundo momento avaliadas mais duas meninas, e no terceiro momento, um menino e uma menina. E novamente revisado o instrumento e a tabela de marcação de respostas, até chegar-se na sua versão final.
4.4.1.4 Aperfeiçoamentos do instrumento a partir das avaliações
As alterações no instrumento de avaliação foram realizadas com o seguinte intuito:
- facilitar a marcação das respostas no instrumento e na tabela;
- tornar os enunciados do instrumento mais claros para a criança quanto à atividade proposta;
- tornar a ordem dos enunciados mais adequada para facilitar a aplicação e a reflexão da criança;
- retirar questões que apresentassem certa redundância com outra, reduzindo a quantidade destas e a expectativa de tempo de aplicação do instrumento;
- aperfeiçoar e adequar a tabela ao novo número de questões e de comportamentos verificados, e também eliminar marcações de níveis linguísticos que pudessem estar redundantes, e não apenas integrados;
- completar informações pertinentes no guia de orientações quanto à aplicação do instrumento.
No quadro 2, pode-se comparar a evolução do instrumento proposto no que tange ao ajuste do número total de marcações possíveis na tabela do perfil em cada nível de consciência linguística, considerando sua versão inicial e sua versão final:
Quadro 2 – comparação dos níveis de consciência linguística investigados na primeira e na última versão do instrumento, após avaliações com especialistas e com alunos.
Versão fonológica morfológica Sintática semântica textual pragmática
1ª 78 26 29 54 10 10
Final 45 07 15 38 12 04
O instrumento, após suas várias reformulações e aperfeiçoamentos, passou de 68 para 55 questões. Uma das questões retiradas foi de uma produção de poema, já que esta proposta exigia significativo esforço cognitivo e, diante dos objetivos, era bastante demorada para ser aplicada neste momento, além de não ser imprescindível, visto que já havia a proposição de criação de um verso com as palavras que rimavam (questão 11). Subitens de algumas questões foram retirados, pois versavam sobre o mesmo assunto, basicamente. Questões não apenas foram retiradas. Foi também incluída uma de prolongamento de fonema inicial de palavras rimadas no poema, a fim de verificar-se a flexibilidade da criança em circular na palavra entre a rima/fonema inicial (questão 5.6), importante processo para o momento da alfabetização.
A segunda parte do instrumento, com questões a partir da parlenda, foi a que menos sofreu modificações, e mostrou-se bastante profícua para a fase final do mesmo, renovando também a motivação das crianças para responderem às questões.
A seguir, são explicados os objetivos de avaliação de cada questão do instrumento em sua versão final (apresentado de modo explicativo) e o que cada
uma acrescenta para o perfil que será delineado na tabela de marcação de comportamentos linguísticos (item 4.4.2.2), de acordo com a numeração dos itens do instrumento:
Siglas utilizadas para apontar níveis de consciência linguística priorizados nas questões: CF – consciência fonológica; CM – consciência morfológica; CSI – consciência sintática; CSE – consciência semântica; CT – consciência textual; CP – consciência pragmática.
Avaliador: - Olá! Hoje nós vamos brincar com poemas e suas palavras! 1) Você conhece algum poema? (CF;CT;CP) S N
- Qual(is)?________________________________________________