4 Discussion
4.3 Combined effect of competition and grazing versus either factor alone
"...a Documentação Museológica é uma área que dá visibilidade sobre a estrutura da própria instituição, e o desenvolvimento de um sistema integrado permitirá o controle sobre vários aspectos da gestão como um todo"
(Bottallo, 2010 p. 63).
A informação tratada pelos processos de Gestão Documental de coleções pessoais está diretamente ligada à musealização dos objetos e deve fazer parte de um processo de Planejamento Museológico, como propõe Manuelina Duarte Cândido (2011), que constata que tal processo é norteador para o planejamento e gestão de museus e para a realização de diagnósticos museológicos. Ele deve ser adequado a cada tipo de instituição e coleção. Por sua vez, os processos de documentação obedecem a diversos métodos e proposições teóricas que vão desde a listagem dos objetos da coleção, sua tipologia, documentação fotográfica, enfim, uma série de dados que, explorados exaustivamente fornece um vasto conjunto de ações importantes ao gerenciamento das informações sobre as coleções e do museu como um todo.
Em relação à documentação dos acervos dos museus, o ICOM, determina que
[...] devem ser documentados de acordo com normas profissionais reconhecidas. Esta documentação deve permitir a identificação e a descrição completa de cada item, dos elementos a ele associados, de sua procedência, de seu estado de conservação, dos tratamentos a que já foram submetidos e de sua localização. Estes dados devem ser mantidos em ambiente seguro e estar apoiados por sistemas de
recuperação da informação que permitam o acesso aos dados por profissionais do museu e outros usuários autorizados (Código de Ética do ICOM, artigo 2.20, 2006).
Os procedimentos adequados de documentação possibilitam um maior controle nos diagnósticos e ações de preservação, além do acesso à pesquisa. Por meio dos registros, há um maior conhecimento histórico, contextual e estrutural do objeto, que definem condutas que permitem ampliar o diálogo com o acervo do museu e consequentemente as possibilidades de comunicação com o público. Julião (2006, p.95) afirmou que “(...) a pesquisa avança para além dos objetos em si, com vistas a inseri-los no mundo que os cercam, reconhecendo sua historicidade, suas relações com contextos sociais específicos”.
Definir critérios de documentação de coleções é tarefa complexa e deve ser considerada prioridade no contexto museológico. O uso de vocabulário controlado (Cerávolo e Tálamo, 2000; Bruno, 2006; Bottallo, 2010) possibilita o cruzamento de informações entre as coleções e facilita a recuperação de dados e deve ser feito com acompanhamento especializado. As propostas de normalização de processos documentais que determinam o método, o meio e a linguagem utilizada têm por objetivo sistematizar os métodos de gestão de coleções e o trabalho de documentação.
Diversas instituições internacionais desenvolvem trabalhos sobre normalização de gestão documental: a Canadian Heritage Information Network (CHIN)16, que se dedica à definição de normas de estrutura de dados e de terminologia para os museus canadenses; o Getty Institute17, cuja tarefa, entre outras, é desenvolver e atualizar o Art & Architecture Thesaurus - ferramenta essencial para os museus - cuja tradução está sendo feita para o espanhol conforme projeto apresentado na Conferência Anual do CIDOC18 em Santiago do Chile, em setembro de 2009; a
16 CHIN. Disponível em http://www.chin.gc.ca . Acesso em 25/05/2014. 17
Getty Institute. Disponível em http://www.getty.edu . Acesso em 25/05/2014.
18 CIDOC – Comitê Internacional de Documentação do ICOM - é dedicado à documentação de coleções de museus. O comitê reúne curadores, bibliotecários e especialistas interessados em documentação, registro e gestão de coleções e informatização. Os membros recebem um boletim informativo e poderão participar de conferências anuais e uma série de grupos de trabalho ativos em padrões de dados (para geral, bem como aspectos específicos do património cultural), multimídia ou na Internet.
norma SPECTRUM19 (Standartd Procedures for Collections Recording Used in Museums) produzida pela organização Collections Trust, voltada à gestão de coleções, direcionada ao contexto profissional britânico.
Em sua versão de 2011, a norma SPECTRUM consolidou-se como referência internacional sobre fluxos de trabalho a ser realizado no cotidiano da gestão de coleções, consistindo-se em "ferramenta que permite o desenvolvimento de atividades de planejamento, implantação de processos, supervisão e controle das coleções de museus" (Collections Trust, 2014, p. 19). Seu objetivo é garantir que as coleções sejam acessíveis, bem cuidadas, devidamente interpretadas e gerenciadas de maneira profissional em benefício do público, respeitando as singularidades locais. A partir de 2014, a norma passou a ser utilizada pelas instituições da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, tendo como principais colaboradores a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu da Imigração do Estado de São Paulo e o Museu do Café, em Santos.
Outras instituições que desenvolveram sistemas de documentação visando a sistematização de seu acervo e que nortearam esse estudo20 foram a Superintendência de Museus da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais com o projeto Inventário de Acervos Museológicos, implantado no Museu Mineiro em 200421, a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, com o projeto Patrimônio em Rede, em 2009/2010, que mapeou os acervos artísticos dos 15 museus sob sua jurisdição e os 23 ligados à Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico (UPPM)22 e o Museu Republicano Convenção e Itu do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, que utiliza o modelo de ficha catalográfica do MP desde 200923.
19
SPECTRUM é um padrão de gerenciamento de coleções aberta e livremente disponível, e é hoje amplamente utilizada internacionalmente, como a especificação preliminar para atividade de gerenciamento de coleções em museus. Foi lançado em 1994, depois de um amplo projeto de desenvolvimento colaborativo. Em sua quarta edição, o padrão SPECTRUM já é usado por mais de 8.000 museus em 40 países em todo o mundo para melhorar a gestão, sustentabilidade e uso de suas coleções. Disponível em http://www.collectionstrust.org.uk/spectrum. Acesso em maio de 2014. 20 A metodologia aplicada em cada uma delas está detalhada no capítulo 4.
21 Baseado na publicação Cadernos de Diretrizes Museológicas 22
Cf. Cândido (2013, p. 96). 23
Como extensão do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, o Museu Republicano Convenção de Itu utiliza o mesmo processo de classificação e catalogação dos objetos de coleções pessoais em suas coleções.