At the crossroads of phonology and semantics:
5.3 Corpus study
5.3.3 The cognitive model of polysemy:
Le Corbusier trabalhara no escritório de Auguste Perret entre 1908 e 1910. É através de Perret que ele passa a pensar a arquitetura em termos de esqueleto e vedação independentes. É também através de Perret que Le Corbusier tem contato com as teorias de Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879):
Com seu primeiro pagamento (agosto de 1908) ele comprou o ‘Dictionnaire raisonné de l’architecture française’ de Viollet-le-Duc, no qual escreveu ao lado de uma ilustração de um arco-botante gótico:’ a arte vive por seu esqueleto. Como Aug. Perret me dizia: ‘apreenda o esqueleto e você apreenderá a arte...’131
“Apreender o esqueleto” significava mais que simplesmente projetar com esqueleto independente. Apreender o esqueleto significava extrair dele a ordenação do edifício e sua expressão plástica. E não apenas da estrutura, mas de todos os materiais. É uma abordagem que não por acaso já vimos nas teorias de José Mariano Filho. Isso porque a origem da criação dos “estilos nacionais” na Europa está precisamente na figura de Viollet-le-Duc, cuja “concepção de arquitetura levava em
conta fatores técnicos, formais e acima de tudo socio-históricos”132 . É ele quem
estabelece relações biunívocas entre os estilos arquitetônicos e o caráter de seu povo, colocando o gótico francês como o estilo que deveria corresponder à sua cultura nacional.
Viollet-le-Duc estabelece uma distinção entre os princípios constantes da arquitetura e os princípios variáveis: entre os primeiros estão as leis que governam os materiais, entre os últimos estão os fatores históricos e sociais. Isso torna-o um protagonista dos estilos arquitetônicos nacionais, e não um defensor de uma linguagem internacional baseada apenas em considerações tecnológicas.133
Porém, suas contribuições no sentido de estabelecer uma suposta “verdade dos materiais” são seminais para o pensamento de Le Corbusier:
131 “With his first paycheque (August 1908) he bought Viollet-le-Duc’s ‘Dictionnaire raisonné de
l’architecture française’, and next to an illustration of the Gothic flying buttress wrote: ‘art lives by its
skeleton. As Aug. Perret was telling me, grasp the skeleton and you can grasp the art...’” In: CURTIS, 1998. p.28.
132 “Viollet-le-Duc’s conception of architecture took account of technical, formal, and above all socio-
historical factors.” In: KRUFT, 1994. p.282.
133 “Viollet-le-Duc puts forward a distinction between constant principles of architecture and variable
principles: among the former are the laws governing materials, among the latter are historical and social factors. This makes him a protagonist of national styles of architecture, not a herald of an international language of architecture based solely on technological considerations.” In: KRUFT, 1994. p.283.
2. Identidade nacional, vanguarda artística e concreto armado 67
Construir, para o arquiteto, é usar os materiais de acordo com suas propriedades e sua natureza essencial, com a clara intenção de atingir um propósito pelos meios mais simples e fortes; é, acima de tudo, dar à estrutura construída um aspecto de permanência, proporções adequadas, sujeitas a certas regras impostas pelos sentidos humanos, razão e instinto. Os métodos empregados pelo construtor devem, assim, variar de acordo com a natureza de seus materiais, com os recursos financeiros à sua disposição, com as necessidades particulares de cada edifício, e com a cultura em que nasceu. 134
Conseqüência natural desta concepção é o abandono das regras clássicas de composição, pois
seu conceito de proporção, como era de se esperar, é relativo. Ao rejeitar relações matemáticas fixas, ele contradiz Quatremmère de Quincy: ele vê a proporção como uma derivada da estática, e a estática como uma derivada da geometria, i.e. a proporção é reduzida a um aspecto periférico do processo construtivo.135
Posteriormente, a síntese entre proporção e materiais se torna mais clara em seu pensamento:
Em primeiro lugar, saiba o caráter dos materiais que você deverá usar; em segundo lugar, use estes materiais de acordo com a função e resistência apropriados ao propósito do edifício, de modo que as formas construídas expressem da maneira mais precisa possível esta função e resistência; em terceiro lugar, introduza um princípio simples de unidade e harmonia nessa expressão – ou seja, escala, um sistema de proporções, uma ornamentação consonante ao propósito do edifício e com sua própria significância, mas também com um certo grau de variedade requerido pelas diversas necessidades a serem atendidas..136
Embora adaptando o sistema fixo de proporções clássicas a esta “verdade estrutural” proposta por Viollet-le-Duc, o princípio de adequação das proporções à abstração geométrica dos materiais mesmos é central no purismo formal corbusiano, conforme já observamos. Quando Viollet-le-Duc afirma “é necessário ser verdadeiro
134 “To build, for the architect, is to use materials according to their properties and their essential nature,
with the express intention of fulfilling a purpose by the simplest and strongest means; it is furthermore to give the built structure an aspect of permanence, fitting proportions, subject to certain rules imposed by the human senses, reason and instinct. The methods employed by the builder must therefore vary according to the nature of his materials, the finantial means at his disposal, the particular requirements of each kind of building, and the culture into wich he has been born” VIOLLET-LE-DUC, Eugène-Emmanuel. apud
KRUFT, 1994. p.283.
135 “His concept of proportion, as might be expected, is a relative one. In rejecting fixed mathematical
relationships, he is contradicting Quatremère de Quincy; he sees proportion as a derived from statics, and statics as derived from geometry; i.e. proportion is reduced to a peripheral aspect of the building process.”
In: KRUFT, 1994. p.283-284.
136 “First, know the character of the materials that you are going to have to use; secondly, bestow on these
materials the function and the strenght appropriate to the building purpose, so that the built forms express in the most precise manner possible both this function and this strenght; thirdly, introduce a principle of unity and harmony into this expression – that is to say, scale, a system of proportion, an ornamentation in keeping with the building purpose and with its own significance, but also the degree of variety required by the various needs that are to be met.” VIOLLET-LE-DUC, Eugène-Emmanuel. apud KRUFT, 1994. p.285.
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para com o programa e verdadeiro para com o processo construtivo”137 , ele antecipa
não apenas o slogan de Sullivan “a forma segue a função”, mas também determina que a forma segue a construção. Isto justifica plenamente a necessidade de Le Corbusier em deslocar a todo custo as paredes dos pilares, tornando-os aparentes. Trata-se de explicitar a técnica utilizada, e não de ocultá-la. Ou seja, a expressão do meio técnico é tão importante quanto seu uso adequado.
Neste sentido, cabe aqui entender o que é a construção em concreto armado, e verificar-lhe as possibilidades construtivas: seria o esqueleto ortogonal independente a conseqüência natural da estrutura em concreto armado? Na verdade, vemos no esqueleto de concreto armado a fusão de três tradições distintas provenientes do século XIX: a tecnologia do concreto armado, o esqueleto estrutural metálico independente – primeiro em ferro e depois em aço – e a obtenção de uma ordenação ortogonal clássica, que se encaixasse nos moldes acadêmicos.
A tecnologia do concreto armado tem sua origem nas obra da Roma antiga – a partir do século II A.C. -, onde os construtores preenchiam grandes maciços de alvenaria com concreto composto pelo cimento – pozolana –, areia e cascalho. A função desta massa era suportar esforços de compressão em pilares. Além desta função de enchimento, o concreto era usado como material estrutural ativo associado a tijolos na construção de abóbadas e cúpulas. Sua plasticidade proporcionou avanços
formais e estruturais como o surgimento das abóbadas de aresta138. Com a patente do
cimento Portland (1824) -, bem como a fabricação extensiva de peças padronizadas em ferro após a revolução industrial, tornou-se possível a elaboração do que inicialmente se chamou de ferrocimento. A primeira patente de ferrocimento é do francês Joseph Louis Lambot, com nada menos que um barco armado por uma malha de aço ao qual era aplicada argamassa de concreto (FIG.12). A leveza e o baixo custo do material atraíram o fabricante de vasos e elementos de jardinagem Monier, quem comprou a patente para fabricar vasos de jardinagem, pérgolas, elementos decorativos em concreto e, posteriormente, manilhas de esgoto, caixas d’água e até mesmo uma ponte. “As armações [...] tinham para ele [Monier] dupla função: dar
qualquer formato à peça e segurar nas suas malhas a argamassa mole”139
Simultaneamente, nos Estados Unidos, Thadeus Hyatt pesquisava a utilização do concreto como material resistente ao fogo – problema mais recorrente naquele país
137 “It is necessary to be true to the programme and true to the building process” VIOLLET-LE-DUC, Eugène-Emmanuel. apud KRUFT, 1994. p.285.
138 Cf. BOLTSHAUSER, 1966. p.767-778. 139 VASCONCELLOS, 1992. p.10.
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devido à tradição construtiva em madeira – realizando avanços principalmente ao verificar que o coeficiente de dilatação térmica do aço e do concreto “é suficientemente
igual”140, permitindo sua ação conjunta – o que colocava a questão apenas na
aderência entre os dois elementos.
Na outra via do desenvolvimento estrutural, desde o fim do século XVIII, com o surgimento da indústria, surgem na Inglaterra edifícios com colunas delgadas de ferro fundido feitas em série, bem como desenvolve-se a tecnologia de laminação do ferro para fabricação de trilhos para ferrovias.
Em meados do século [XIX], colunas de ferro fundido e trilhos laminados, usados em conjunto com vidro modulado, haviam se tornado a técnica-padrão para a rápida pré-fabricação e construção dos centros de distribuição urbana – mercados, galpões etc.
[...]. A natureza pré-fabricada destes sistemas de ferro fundido garantiam não só uma certa
rapidez de montagem mas também a possibilidade de transporte de ‘kits’ de construção através de grandes distâncias: a partir de meados do século os países industrializados começaram a exportar estruturas pré-fabricadas de ferro fundido para todo o mundo.141
A primeira malha estrutural - tal como a conhecemos hoje - para edifícios de múltiplos pavimentos fora criada em 1801 pelos engenheiros Watt e Boulton, e era conformada por pilares cilíndricos de ferro fundido e vigas em “I” de ferro laminado e seção variável. A fachada era de alvenaria auto-portante e constituía um invólucro para um galpão industrial de sete andares. O engenheiro escocês William Fairbairn desenvolveu este sistema até meados do século XIX adicionando abobadilhas de concreto envolvendo as vigas de modo a constituir um piso homogêneo resistente ao fogo – refinarias inglesas , 1945 - . O concreto, entretanto, não possuía função
estrutural.142A partir de 1848, um fabricante americano das citadas estruturas em ferro
vendidas à distância inventou o conceito da fachada também apoiada sobre a estrutura, seu nome era James Bogardus. Tratava-se de um industrial que projetava, fabricava e montava edifícios prontos à distância, à semelhança de muitos que o seguiram nos Estados Unidos e Europa.
Apesar de que o primeiro edifício com estrutura metálica integral – sem auxílio estrutural das paredes de vedação – foi projetado em 1871 por Saulnier na França, o primeiro empreendimento realmente levado a cabo foi o edifício sede da
140 VASCONCELLOS, 1992. p.11.
141 “By mid-century, cast-iron columns and wrought-iron rails, used in conjunction with modular glazing,
had become the standard technique for the rapid prefabrication and technique for the rapid prefabrication and erection of urban distribution centres – market halls, exchanges and arcades. [...] The prefabricated nature of these cast-iron systems guaranteed not only a certain speed of assembly but also the possibility of transporting building ‘kits’ over large distances: from mid-century on the industrialized countries began to export prefabricated cast-iron structures all over the world.” in FRAMPTON, 1992. p.33.
2. Identidade nacional, vanguarda artística e concreto armado 70
Home Insurance Company, projetado e construído em Chicago por William le Baron
Jenney em 1883-85143. Os arquitetos de Chicago tinham diante de si a tarefa de
reconstruir o centro da cidade, destruído por um incêndio em 1870. O célebre colega de Jenney, Louis Sullivan, credita a solução a uma série de fatores: os altos preços dos terrenos centrais da cidade forçavam a verticalização, agora possível graças à invenção do elevador de segurança em 1853; as estruturas auto-portantes convencionais gerariam grandes maciços no térreo, ocupando valioso terreno
comercial, o que direcionava o sistema construtivo aos esqueletos metálicos144; as
estruturas deveriam ser à prova de fogo, demanda não atendida pelos esqueletos de ferro que haviam sucumbido ao recente incêndio. Assim, foram usados perfis de aço,
material elaborado por Bessemer trinta anos antes145 e já de uso difundido em outras
áreas da indústria. Os perfis eram mais maleáveis e, revestidos com argamassa refratária apresentavam uma resistência ao fogo e durabilidade maiores que o ferro fundido aparente (FIG.13).
A fusão das duas tendências construtivas aparentemente diversas foi feita através das pesquisas do construtor François Hennebique, quem realizou ensaios decisivos na França, prevendo o reforço de ferro nas regiões tracionadas da estrutura, bem como realizando estudos de aderência entre o aço e o concreto que conferiam ao conjunto integridade. A companhia construtora alemã Wayss & Heidschuch compra de Hennebique os direitos de uso de suas estruturas, constituindo uma frente paralela de pesquisa – à qual se dedicou sobretudo Gustav Wayss.
Hennebique vendia o direito de uso de suas estruturas patenteadas, inclusive para o exterior – e também para o Brasil. Ou seja, o cálculo estrutural era feito em Paris e a execução ficava a cargo de uma empresa local credenciada por
Hennebique.146
O sistema estrutural em concreto de Hennebique funcionava por analogia ao sistema estrutural de madeira, ferro e aço – com laje, vigas e pilares – suas lajes venciam vãos pequenos e eram reforçadas por vigotas com espaçamento também reduzido, à semelhança de barrotes de madeira apoiados em esteios ou de esqueletos
de ferro fundido - ou aço - montadas in-loco147. Em Hennebique, verificamos a união
143 Cf. GIEDION, 1948. p.140-142. 144 Cf. FRAMPTON, 1992. p.52. 145 Cf. GIEDION, 1949. p.142 – nota. 146 Cf. VASCONCELLOS, 1992. p.11-12. 147 Cf. GIEDION, 1949. p.384 e FRAMPTON, 1996. p.122.
2. Identidade nacional, vanguarda artística e concreto armado 71
de duas tradições recentes distintas: a construção metálica modular - de natureza padronizada - e a construção em concreto, de plasticidade virtualmente ilimitada. (FIG.14)
Foi com Hennebique que Perret trabalhou na construção de seus edifícios em concreto armado, e o próprio esqueleto Dom-ino de Le Corbusier deriva diretamente de sua concepção estrutural. Porém, se Hennebique era um construtor autodidata, Perret era um arquiteto com formação clássica, que estudara na École de Beaux-Arts. Assim, a Perret interessava um racionalismo estrutural, proveniente de seu estudo da Histoire de L’Architecture, escrita em 1899 por Auguste Choisy.
Choisy, catedrático de arquitetura na École de Ponts et Chaussées, cultivava uma visão determinista da história, através da qual ele alegava que os diversos estilos não haviam surgido pelos caprichos da moda, mas como conseqüência lógica dos avanços das técnicas construtivas. Seus exemplos prediletos de tais estilos tecnicamente determinados eram o grego e o gótico (baseado em Viollet-le-Duc). Sua referência ao último fez dele o último teórico do Racionalismo Clássico. Choisy era o sucessor de uma longa linha de tais Racionalistas, que retrocedia de Guadet e Labroust até teóricos do século XVIII, como Cordemoy e Laugier. Como a maioria dos proponentes desta escola, Choisy não via nada de irracional na transposição grega de formas de madeira para os componentes de pedra da ordem Dórica.148
É então que Auguste Perret materializa em seus projetos a clareza estrutural do concreto. Para ele, o sistema de Hennebique deveria expressar a origem
carpinteira149 da trave clássica, com a estrutura aparente a todo custo. Talvez o projeto
contemporâneo à estadia de Le Corbusier em seu estúdio que melhor alie simplicidade a expressão estrutural seja a “Garage Marboeuf” de 1905. Trata-se de uma garagem incrustada num lote em “L” com estrutura aparente, um grande vão linear central iluminado zenitalmente, por onde corriam plataformas móveis que “estacionavam” os veículos. A necessidade de área livre para estacionamento transforma a garagem numa espécie de galpão onde a única construção é a estrutura ordenada simetricamente em duas fileiras de pórticos com balanços laterais, de modo a afastar a fundação dos pilares da divisa, preservando a integridade das construções vizinhas. (FIG.15)
148 “Choisy, Professor of Architecture at the Ecole de Ponts et Chaussées, cultivated a deterministic view
of history in which he argued that the various styles had arisen not as the sports of fashion but as the logical consequence of developments in building technique. His preferred examples of such technically determined styles were (after Viollet-le-Duc) the Greek and the Gothic, although it was, of course, his reference to the former that made him the last influential theorist of Classical Rationalism. Choisy succeeded a long line of such rationalists, dating back like Guadet and Labrouste to the 18th-Century theorists Cordemoy and Laugier. Like most proponents of this school, Choisy saw nothing irrational in the Greek transposition of timber forms into the masonry components of the Doric order.” In: FRAMPTON,
1992. p.106.
149 “Perret’s stress on the charpentre evokes the same high status accorded to the carpenter or tekton as
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É esta a mesma clareza estrutural carpinteira presente nas residências de Monlevade projetadas por Lúcio Costa em 1934, bem como em algumas das casas sem dono do mesmo período: as vigas e pilares são claramente apoiados um sobre o outro, compondo o tabuleiro acima do pilotis. Esta expressão adquire um sabor característico por ser ainda o reflexo dos quadros de esteios de madeira que ordinariamente compunham os fechamentos em taipa de mão no Brasil colonial, tão caro a Lúcio.
Voltemos a nosso questionamento anterior: seria o esqueleto ortogonal independente a conseqüência natural da estrutura em concreto armado? A resposta é claramente negativa. O esqueleto estrutural de concreto armado, conforme proposto por Perret, através do sistema de Hennebique, é a expressão da construção metálica – ou de madeira - numa feição mais econômica e resistente ao fogo. A história do uso do concreto armado lhe confere apenas uma característica intrínseca: a plasticidade.
Moldado in-loco, o concreto armado possui ainda uma outra peculiaridade que torna seu comportamento estrutural totalmente diferente daquele proveniente da montagem de peças separadas: o caráter monolítico do conjunto estrutural. A perfeita aderência entre aço e concreto conseguida por Hennebique através de estribos e barras circulares faz com que as juntas propostas por ele possuam esta peculiaridade da estrutura: na junção entre pilar, viga e laje fundem-se num único conjunto as ferragens dos três elementos, transferindo esforços entre si que podem ir além do previsto numa análise primária de peso próprio e sobrecargas – considerando-se as
partes separadas.150
Se à primeira vista este comportamento conjunto impossibilita a análise estrutural por meio de cálculo, o engenheiro suíço Robert Maillart – pupilo de Hennebique – levou estas considerações em conta e passou a conceber estruturas baseadas na idéia de que “é possível armar uma laje de concreto plana ou curva de tal maneira que se possa dispensar a necessidade de vigas sólidas em pisos ou arcos sólidos em pontes”151
Com isso, o problema das juntas concentra-se apenas na relação entre laje e pilar, além de se propiciar um teto uniforme e plenamente aberto a diferentes
150 “O projetista tem limitações quanto às simplificações que pode admitir. As simplificações não podem
ignorar o comportamento real da estrutura como um todo. A possibilidade de se admitir uma decomposição virtual de uma estrutura existe desde que cada uma das partes dela resultantes tenha suas condições de apoio bem definidas. Usualmente, isso somente é possível quando esses apoios se aproximam razoavelmente dos casos extremos de articulação perfeita ou engastamento perfeito.” In:
FIGUEIREDO, 1986. p.41-42.
151 “it is possible to reinforce a flat or curved concrete slab in such a manner as to dispense with the need
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disposições de alvenarias, ou mais adequado ao conceito de “planta livre”. A