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Co-simulation as a Fundamental Technology for Twin Ships

Max Weber p op e u a efle o íti a so e a ode idade e A ti a p otesta te e o espí ito do apitalis o . Para o autor, a religião e a ciência operaram o dese a ta e to do u do , ao racionalizar a relação com o sagrado e instituir o controle sobre a conduta dos indivíduos. A expressão, segundo Pierucci (2003), teria sido adaptada de desdivi izaç o , dese deusa e to da atu eza , utilizada pelo fil sofo Friedrich Schiller. Weber adota a expressão dese a ta e to no sentido de

des agifi aç o e o o o si i o de desapo ta e to.

A desmagificação ou a a io alizaç o do u do e a eli i aç o da agia o o eio de salvaç o WEBER, , p. começa com os profetas hebreus e o pensamento científico helenístico, que consideram qualquer meio mágico de salvação como pecado e superstição. A magia é o momento que antecede a religião e representa um estado animista, em que os espíritos intervinham na vida humana. A desmagificação dota a realidade de sentido único, não havendo mais a separação entre mundo dos espíritos e a existência humana.

A religião institui a doutrina, a transcendência de Deus e a negação da carne. O protestantismo exacerba a racionalização, uma vez que não se admite o perdão e exige-se dos crentes o duta ili ada e efle o o sta te pa a su su i o estado de atu eza. O cogito ergo sum de Descartes foi reassumido pelos puritanos contemporâneos com esta

ei te p etaç o ti a . WEBER, , p. .

O protestantismo impõe a ordem racional e metódica sobre a vida moral, a ascese intramundana em que a religião deve ser incorporada ao cotidiano, internalizada e praticada

em todos os domínios, inclusive no trabalho. A ética protestante contribui para a formação do espírito do capitalismo moderno. As i as de Be ja i F a kli te po di hei o e dito di hei o esu e a o epç o utilita ista do te po ue deve se p odutivo, dispendido no trabalho. Inaugura-se o ethos em que a acumulação monetária se torna um fim em si mesma.

O capitalismo inverte a relação natural de o homem satisfazer suas necessidades materiais para a aquisição como propósito de vida. O dinheiro é expressão de virtude e eficiência. O trabalho é concebido como vocação, atividade religiosa, instrumento de ascese e glorificação a Deus. O dever de trabalhar e prosperar é imposto como intimação pessoal, resultado do esforço individual e não um projeto coletivo.

Na verdade, essa ideia tão peculiar do dever do indivíduo em relação à carreira, que nos é familiar atualmente, mas na realidade tão pouco óbvia, é o que há de mais característico na ética social da cultura capitalista e, em certo sentido constitui sua base fundamental. É uma obrigação que se supõe que o indivíduo sinta, e desato sente, em relação ao conteúdo de sua atividade profissional, não importa qual seja, particularmente se ela se manifesta como uma utilização de suas capacidades pessoais ou apenas de suas posses materiais (capital). (WEBER, 1987, p. 21).

A acumulação de capital favorece o desenvolvimento do capitalismo. A virtude econômica é a busca do reino de Deus que deve reger a vida cotidiana em sua plenitude. O protestantismo cria uma nova imagem de mundo, isto , u a ova ideia ou po to de vista suprapessoal que organiza a relação do homem com a realidade.

O desencantamento é operado também pela ciência que reduz o mundo a um objeto analisável, calculável e independente de Deus. À ciência cabe explicar as leis da natureza, a relação causal entre os fenômenos. O desencantamento científico resulta da perda de sentido da vida, na secularização em todas as esferas. A religião deixa de ter referência normativa para o estado, e as instituições modernas não possuem mais legitimidade no domínio religioso.

O filósofo alemão Martin Heidegger critica a modernidade, enfocando o pensamento tecnificante e mecanicista e o avanço tecnológico que dominam a sociedade. O conceito moderno de técnica se diferencia da concepção grega. Na Antiguidade, o termo corresponde

às várias atividades humanas em que há um saber a ser desenvolvido. A arguição pública, por exemplo, originou as técnicas de retórica; as tarefas domésticas resultaram em técnicas de administração do lar; as funções públicas acarretaram as técnicas políticas, entre outras. O igi al e te, a t i a ti ha ve o a p is iado a i dividual, o dese volvi e to da habilidade humana imediata, conforme critérios que variavam de pessoa para pessoa e de esfera para esfera de e ist ia . RUDIGER, , p. .

As técnicas são formas de saber que o homem utiliza para produzir o que não é dado pela natureza e na Grécia são sinônimos de arte. É o ser humano que dá forma à técnica, domina o conhecimento. A modernidade funde a técnica e o logos, submetendo as atividades humanas a critérios lógicos e matemáticos para fins utilitaristas. O conhecimento perde o caráter especulativo, e a ciência, baseada em conceitos matemáticos da mecânica, torna-se instrumento para dominar a natureza e emancipar o indivíduo.

A tecnologia é uma invenção moderna e significa a ciência da técnica. A modernidade submete a técnica, antes considerada arte, a uma episteme lógica. No século XX, o conceito de tecnologia se confunde com máquinas e equipamentos. De fo a de sa e , ele passou a ser designação de uma espécie de estrutura material dotada de funcionalidade operatória ao es o te po o sta te e fle ível . RUDIGER, , p. .

No início do século XX, a tecnologia desenvolve um processo sistêmico devido à expansão dos sistemas de comunicação como a telefonia, redes de rádio, energia elétrica e transportes, além da disseminação da fotografia e do cinema. A visão prometeica da ciência e da tecnologia, como libertadora do ser humano, passou a ser revista. A ascensão da máquina sobre o homem, a crescente urbanização e o distanciamento da vida comunitária, a preponderância do materialismo, a perda de sentido no trabalho, as renúncias pessoais em prol da sociedade apontam para o mal-estar moderno.

Heidegger faz a distinção entre técnica e essência da técnica. A primeira se refere a instrumentos, máquinas, aparelhos e atividade hu a a. A o epç o o e te de t i a, segundo a qual ela é um meio e um fazer humano, pode, por isso, ser chamada de determinação i st u e tal e a t opol gi a da t i a . HEIDEGGER, , p. . A visão

instrumental da técnica significa dominá-la para conduzir o homem ao uso adequado da mesma.

Saber sobre a essência da técnica significa perguntar o que ela é. Para Heidegger, a essência reside no desencobrimento, no desocultamento, no desabrigar da natureza e do ser. A essência da técnica provoca o ambiente natural, considerado pela modernidade como objeto a ser manipulado e dominado. A palavra t i a e g ego sig ifi a até Plat o te o o he i e to de algo, te oa o p ee s o de algo . HEIDEGGER, , p. . Portanto, a técnica era um modo de desabrigar.

O desabrigar que domina a técnica moderna tem o caráter do pôr no sentido do desafio. Este acontece pelo fato de a energia oculta na natureza ser explorada, de explorado ser transformado, do transformado ser armazenado, do armazenado ser novamente distribuído e do distribuído renovadamente ser comutado. Explorar, transformar, armazenar e distribuir são modos de desabrigar. (HEIDEGGER, 2007, p.382).

O desabrigar da técnica moderna, no entanto, desafia a natureza, exigindo-lhe que forneça energia para ser extraída e armazenada. Enquanto o camponês antigamente cuidava e guardava a terra; na modernidade, o campo se transforma em indústria de alimentação. A modernidade extrai os recursos da natureza para o máximo de proveito, transforma o mundo e modifica a existência.

A essência da técnica diz respeito ao imaginário que se baseia na razão instrumental, controla e submete todas as coisas em uma relação de causa e efeito. O homem, acreditando dominar a natureza, não se dá conta de que a submissão à técnica é um modo de desvelamento do mundo, algo que ultrapassa o próprio homem e o modifica.

O pensamento de Weber, Freud e Heidegger evidenciam a crise do imaginário racionalista moderno, que tem início no final do século XIX e se estende até meados do século XX. A saturação dos valores modernos possibilita a emergência do chamado imaginário pós-moderno. A reforma psiquiátrica integra o novo ambiente em que a intensificação das emoções, novas formas de socialidade e a tecnologia permitem modos

diferentes de estar no mundo. No próximo item, abordaremos a evolução da psiquiatria no Brasil, desde o surgimento até a crise da modernidade.