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1.5 Other anthropogenic impacts on lake water quality

1.5.3 Climate change

Nunca pensei que eu mesmo pudesse ser feminista, afinal „feminismo‟ parecia coisa de mulher. Quando a gente é criança não aprende feminismo na escola. E se alguma mulher surge com essa conversa, logo é chamada de mal-amada, solteirona ou até quem sabe, lésbica. Esse é o senso-comum: feministas são mulheres que impulsionaram a derrocada da „harmoniosa‟ vida familiar, ao recusarem seus papéis pré-estabelecidos como mãe e esposa. Como poderia eu ser feminista? O que quero demonstrar aqui é esse equivoco conceitual no que tange ao feminismo. Em parte e grosso modo, a primeira onda do feminismo pode ter encaminhado por si tais acusações. Talvez tenha se dado de bandeja para homens temerosos em perder seus poderes e privilégios. Uniu-se a fome com a vontade de comer! Explico melhor.

Essas categorizações simplistas do que é feminismo provém da luta igualmente simplificada – dicotômica – de mulheres contra homens. Não se pode negar o berço branco, ocidental e capitalista do feminismo. Muitas das primeiras companheiras eram mulheres brancas de classe privilegiada que almejavam as posições de poder masculino no interior do capital. Esse programa do movimento surtiu na agenda feminista que ainda vemos em boa parte do mundo acadêmico. Duas categorias básicas persistem: „mulher‟ e „gênero‟. Em certa medida, verifico que são intercambiáveis.

A boa intenção de “apreender o passado legítimo das mulheres, introduzindo-as definitivamente na história”61 foi a agenda de boa parte da historiografia feminista. Não é

preciso explicitar seu caráter essencialmente essencialista: “mulher” não é uma categoria a ser problematizada. Está ai porque está. Vítima do silêncio das fontes patriarcais, era preciso resgatar tais mulheres – fossem grandes mulheres ou apenas mulheres em luta pela sobrevivência no cotidiano. Esse projeto foi levado a cabo também nos estudos bíblicos

61 Mary del Priore, “História das mulheres”, em Marcos de Freitas (organizador), Historiografia brasileira em

feministas. Elisabeth Cady Stanton e sua The Women‟s Bible poderiam ser citadas aqui como modelo dessa forma de entender o feminismo na analítica bíblica. Afinal, seu objetivo era “revisar somente aqueles textos e capítulos que diretamente se referiam às mulheres.”62

O legado de Cady Stanton está por ai e, mesmo em nosso continente, abundam livros e artigos que falam de “mulheres na Bíblia”. Por isso é importante reconhecer os limites dessa abordagem que, contextualizada, perde sua força hermenêutica na contemporaneidade. Não há como negar, por exemplo, que tal visão essencialista da “mulher” acabou por mascarar outras assimetrias de poder: raça e classe jamais foram pontos a serem questionados nessa interpretação de „mulher‟.63 Será que “gênero” – enquanto categoria útil de análise64 – ajuda

mais nesse processo?

De certo modo, estudar a construção social das categorias de masculino e feminino ajuda a minimizar o essencialismo do conceito de “mulher”. Portanto, entendo sim gênero como categoria útil. É um projeto interessante ver como homens e mulheres são fabricados/as sócio-culturalmente. Contudo, reside aí ainda um perigo – o dualismo. Afinal, o que é homem e mulher? Há uma base minimamente biológica que garante construções sócio-culturais a partir da genitália? A categoria gênero não é desestabilizada, por exemplo, quando se sabe que durante muito tempo predominou a ideia de um único sexo?65 Ou ainda quando se insere transexuais nesse caldeirão? Descrever os papéis de gênero não acaba apenas por reificá-los?

É claro que explicitar construções ajuda no processo de desconstrução das mesmas. Seria preciso, no entanto, aclarar outras construções sociais em jogo nessa história de gênero. O “gênero” desconstrói apenas alguma assimetria de poder, bastante localizável. Ainda são as mesmas mulheres brancas ocidentais que forjam essa categoria. É um mito acreditar que o processo de socialização envolve apenas o gênero. Em termos de exegética feminista, é bem verdade que o problema ampliou-se e a agenda ultrapassou a tarefa de resgatar mulheres nos tempos bíblicos. Por isso é possível Nancy Cardoso dizer:

“é preciso que esta abordagem considere as relações de poder e as estruturas sociais e literárias de modo dinâmico para que não se caia numa perspectiva vitimizadora das mulheres... As mulheres também

62 Elisabeth Cady Stanton, The Women‟s Bible, Ann Arbor, Northeastern University Press, 1993, p.5.

63 Veja Elisabeth Schüssler Fiorenza, “Transforming the Legacy of The Woman‟s Bible”, em Elisabeth

Schüssler Fiorenza (editora), Searching the Scriptures – A Feminist Introduction, Nova York, Crossroad, 1995, p.1–24.

64 Refiro-me à Joan Scott, "Gênero: uma categoria útil de análise histórica", em Educação e Realidade, Porto

Alegre, Editora UFRGS, v.16, n.2, 1990, p.5-22.

65 Veja Thomas Laqueur, Inventando o sexo – corpo e gênero dos gregos a Freud, Rio de Janeiro, Relume

exercem poder, muitas vezes de resistência e sobrevivência... Podem também ser co-participantes de sua própria subordinação.”66

Entretanto, mesmo rechaçando a vitimização, uma hermenêutica pautada no gênero acaba sempre por manter a unidade do discurso. Esse é o grande problema, se pensarmos em termos pós-modernos de indeterminação, fragmentação, diferença e heterogeneidade.67 E se quiserem nem preciso caminhar pela pós-modernidade. No interior do próprio movimento feminista há vozes dissonantes que questionam essa centralidade do gênero enquanto categoria analítica e, ao invés disso, priorizam as diferenças entre mulheres.

Desenvolverei esse ponto ciente dos riscos. É evidente que sempre podem dizer: mais um homem querendo confundir a luta, tirar-lhe o objetivo! Essa é uma acusação certeira68 da qual, aliás, já provei. Por isso não me assusto. Dou graças que essa postura não é unânime. Fiquei muito feliz, por exemplo, quando li que “feministas são feitas/os, não nascidas/os” e que, portanto, tornar-se feminista envolve escolha e ação.69 Nesta proposta me sinto acolhido. Prefiro falar a partir dela: nesse feminismo, homens são “camaradas”.70

Há aqui um gancho direto com a problematização de gênero como categoria útil-única de análise. Cito bell hooks:

“A insistência em um movimento feminista “somente para mulheres” e uma postura virulenta anti- homem reflete o background racial e de classe das participantes. Mulheres brancas burguesas, especialmente feministas radicais, são invejosas e nervosas por homens brancos privilegiados negar a elas partes iguais no privilégio de classe... Elas não querem reconhecer que mulheres brancas burguesas, embora sempre vitimizadas pelo sexismo, possuem mais poder e privilégio, são menos suscetíveis a serem exploradas ou oprimidas do que homens não-brancos, pobres e sem educação.”71

Como se vê, as assimetrias de poder estão bem além da mera dicotomia dos gêneros. Não se trata, pois, de homens versus mulheres ou masculino versus feminino. Esse é um jogo que mulheres brancas burguesas desejam preservar visando à sua ascensão no capital. Sendo assim, um estudo feminista que se ocupe de assimetrias de poder, subordinação de sujeitos e

66“Editorial”, em Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, Petrópolis, Vozes, v.25, n.3, 1996, p.8. 67 Avalie Bila Sorj, “O feminismo na encruzilhada da modernidade e da pós-modernidade”, em Albertina de

Oliveira Costa e Cristina Bruschini (organizadoras), Uma questão de gênero, Rio de Janeiro/São Paulo, Rosa dos Tempos/Fundação Carlos Chagas, 1992, p.15-23.

68 Fico angustiado, por exemplo, com a controvérsia de Janice Raymond com as transexuais feministas. Se

transexuais são acusadas de homens infiltrados no movimento de mulheres, que dizer de um “homem gay feminista”? Veja seu livro The Transsexual Empire – the Making of the She-Male, Boston, Beacon Press, 1979.

69 Assim, bell hooks, Feminism is for Everybody – Passionate Politics, Cambridge, South End Press, 2000, p.7. 70 Veja bell hooks, Feminist Theory – From Margin to Center, 2ª edição, Cambridge, South End Press, 2000,

p.68-83.

busca por autonomia, não deveria focar somente no gênero.72 A opressão de mulheres sobre homens, de mulheres sobre mulheres, de homens sobre homens, de homens sobre mulheres envolve, sem dúvida, posições de classe social, raça, etnia, sexualidade, geração, nacionalidade, religiosidade, para ficar em apenas algumas categorias. Ousaria dizer, nesse contexto, que estudar gênero não garante por si um posicionamento feminista por parte da/o intelectual.

Ciente dessa realidade múltipla e multiplicativa da opressão, urge uma nova epistemologia que dê conta de tal complexidade visando à sua desconstrução. A ansiedade por esse feminismo de arrojada arquitetura pode ser observada, por exemplo, no trabalho de Gloria Anzaldúa. Sua busca incessante por uma consciência mestiça é uma busca pelo desenraizamento do pensamento dualista.73 A mestiça aprendeu a viver na ambiguidade, a ter uma personalidade plural e, assim, opera de modo igualmente diversificado. Temos que ouvir bem o clamor dessa mestiçagem como nova forma de pensamento (e não mero tema de estudo). É a experiência de mulher, chicana, lésbica que faz com que Anzaldúa escreva com tamanha intensidade criativa. Para ela, o feminismo não pode ser apenas um espaço de luta para mulheres que almejam paridade de gênero. Afinal, mulheres de fronteiras

Não são nem hispana índia negra española

ni gabacha, eres mestiza, mulata, meia-raça

apanhadas no fogo cruzado entre os campos

enquanto carrega todas as cinco raças em suas costas sem saber para que lado voltar-se

(...)

Para sobreviver às fronteiras você deve viver sin fronteras ser uma encruzilhada.74

A poesia de Anzaldúa clareia o aspecto multifacetado das identidades. Identidades são encruzilhadas! Diante desse feminismo mestiço de fronteiras que complexifica a realidade da opressão, seria no mínimo vergonhoso não se perguntar: como persistir em avaliar os textos bíblicos separando os discursos de opressão sobre gênero, raça/etnia, classe, sexualidade, colonialismo? Como não levar em conta que pessoas sob múltipla opressão possuem

72 Para as limitações dos estudos de gênero em perspectiva feminista veja também as reflexões de Rosi

Braidotti, “What‟s Wrong with Gender?”, em Fokkelien van Dijk-Hemmes e Athalya Brenner (editoras),

Reflections on Theology and Gender, Kampen, Kok Pharos, 1994, p.49-70.

73 Confira Borderlands/La Frontera – the New Mestiza, 3ª edição, São Francisco, Aunt Lute Books, 2007, p.99-

113.

múltiplas identidades e que, portanto, é fundamental interpretar a Bíblia de um modo multidimensional?75

No âmbito da hermenêutica feminista já há pessoas que desenvolvem tal analítica para além da essência da “mulher” e da dicotomia do “gênero” que servem bem apenas aos interesses de classe, raça e sexualidade de mulheres comprometidas com o imperialismo ocidental e o capitalismo transnacional. Em resposta a esse feminismo vendido, surge agora o que bell hooks chama de “feminismo global” que busca descolonizar sua perspectiva.76 Não quero antecipar a leitura pós-colonial da Bíblia, mas nesse ponto é impossível não cruzar as políticas. Há uma porção de feministas que já fizeram tais conexões entre estudos pós- coloniais e interpretação bíblica feminista.

O interesse pelas interconexões entre patriarcado e império está bastante em voga nesses tempos. O debate é mesmo intenso. Para Kwok Pui-lan, “a exploração dos interstícios das diferentes formas de exploração sob a sombra do império constitui o emocionante projeto feminista pós-colonial.”77 De modo concreto, isso leva à indagações mais complexas do que a

mera busca pela igualdade de gênero. Gênero é, neste contexto, mais um elemento que potencializa as opressões no interior das relações de dominação imperial. Cito um exemplo interpretativo concreto.

Em sua hermenêutica do livro de Rute, Musa Dube não se baseia apenas em um lugar social “ferido”. Quero dizer: Dube não se restringe a uma leitura de gênero. Ela aprofunda a hermenêutica de Rute quando elabora seu “método de adivinhação”.78 A partir de seu contexto africano, a prática da adivinhação é um importante mecanismo de leitura das relações sociais. Nunca há um cânon fechado e fixo, o que já ajuda a problematizar o ideal de autoridade. Na adivinhação há, pois, uma reciprocidade entre o adivinho e seu consultor. Esse método descolonizado encaminha a leitura de Dube para o problema das relações internacionais no livro de Rute. Como uma consultora ciente da história de seu país e seu continente, Dube sabe que não basta indagar sobre relações de gênero, classe, raça, idade. É preciso mais, afinal, essas facetas sempre são afetadas, para não dizer controladas, pelas relações internacionais imperiais e coloniais.

75 Veja Kwok Pui-lan, “Racism and Ethnocentrism in Feminist Biblical Interpretation”, em Elisabeth Schüssler

Fiorenza (editora), Searching the Scriptures, p.111-112.

76 Feminism is for Everybody, p.44-47.

77 Postcolonial Imagination and Feminist Theology, Louisville, Westminster/John Knox Press, 2005, p.81. 78 Veja Musa Dube, “Divining Ruth for International Relations”, em Musa Dube (editora), Other Ways of

Com essas perguntas em mente, a consultora do adivinho chamada Musa Dube recebe a resposta: “... o comprometimento de Rute para com Naomi tem mais o tom de uma relação de escravo-senhor do que de uma expressão mútua de amor entre mulheres ou duas amigas. Isso, desafortunadamente, conota a relação entre Judá e Moabe” (p.192). Ao invés de prontamente ler positivamente Rute e encaminhar sua libertação, Dube reconhece a relação „doentia‟ entre os países. É tal relação de subordinação que temos no texto, o que sugere uma outra pergunta a se fazer: como transformar a situação de mulheres afetadas pelas relações internacionais „doentias‟?

São as perguntas de Dube que encaminham uma resposta fascinantemente criativa. Seu feminismo descolonizado reconhece o caráter multiplicativo da opressão sob a realidade do império global. Essas conexões me interessam muito. Neste ínterim, a pergunta é mais ampla e complexa: como homens, mulheres e crianças são subalternizados por interesses políticos e econômicos nacionais e internacionais? Onde ficam neste fogo cruzado de disputa por poder imperial/territorial? Como se nota, uma leitura feminista descolonizada encara a realidade concreta das relações coloniais de subordinação, ao invés de romantizar modelos bíblicos positivos de sucesso e libertação.79

É importante dizer, contudo, que a realidade do império é mais do que simplesmente paralela ao patriarcado. Esse ponto é levantado vigorosamente por Schüssler Fiorenza em debate com colegas feministas pós-coloniais. Vale a pena ressaltar esse aspecto já que em nosso contexto latino-americano parece igualmente comum ver o império e o patriarcado de mãos dadas, mas sendo ainda entidades diferentes.80 Para Schüssler Fiorenza,

“esse método de „adição‟ concebe a opressão de mulh*res não como um sistema de dominação interligado, multiplicativo e todo-abrangente, mas como estruturas separadas paralelas de dominação. Listar opressões paralelas ou falar de uma „opressão de sistema dual (patriarcado e capitalismo ou patriarcado e colonialismo) oculta a interestruturação piramidal e multiplicativa de estruturas de dominação que colocam mulh*res de diferentes status sociais em posições diferentes.”81

Ressalto, primeiramente, seu conceito de wo/men, traduzido aqui como mulh*res. Neste conceito não há nada de essencialista, mas algo mais abrangente: wo/men vale tanto para mulheres como para homens subalternizados. Esse conceito faz jus à proposta de

79 Ótimas críticas ao modelo romantizado do sucesso de mulheres em Tinyiko Maluleke, “African „Ruths‟,

Ruthless Africas – Reflections of an African Mordecai”, em Musa Dube (editora), Other Ways of Reading, p.244-245.

80 Veja Nancy Cardoso Pereira, “Sin contar las mujeres y los niños – cuando el patriarcado y el imperio se dan la

mano”, em Alternativas – Revista de Análisis y Reflexión Teológica, Manágua, Padres Dominicos, v.7, n.16/17, 2000, p.29-38.

Schüssler Fiorenza em desestabilizar a dicotomia do gênero e enfatizar as diferenças. Além disso, também aponta para a pergunta-chave sobre opressões inter-estruturadas e não simplesmente adicionadas.

O alcance de tal indagação é muito frutífero, uma vez que o império passa a potencializar o ethos de submissão e sujeição de sujeitos. Mais do que um ponto focado, “império” é o pano de fundo para as relações de opressão piramidal. É isso que o conceito forjado de kyriarcado, por fim, expressa. Não se trata de um conceito a-histórico e monolítico, afinal funciona muito bem como modelo de análise sistêmica complexa.82 O kyriarcado substitui o conceito de patriarcado, dinamizando-o. Não se trata apenas da dominação do „pai‟, mas do „senhor‟. Com esse conceito, os sistemas de dominação são entendidos em seu jogo de superioridade e inferioridade em diversas facetas (raça, sexualidade, gênero, classe, religião) interligadas.

Elisabeth Schüssler Fiorenza diferentemente, por exemplo, de Kwok Pui-lan, Musa Dube e também Nancy Cardoso, não paraleliza as opressões, mas as interconecta piramidalmente. Esta leitura está mais atenta ao feminismo de fronteira que expõe as identidades múltiplas dos sujeitos. Perguntar-se como essa multiplicidade da identidade é utilizada para subalternizar sujeitos em diferentes facetas da vida é uma pergunta feminista urgente. Ao mesmo tempo, interconectar as lutas desses sujeitos subalternos pode ser uma saída imaginativa interessante na criação de espaços radicalmente democráticos.

Efetivamente, pensado assim, o feminismo passa a ser para todas/os. Não é apenas uma questão de mulheres. É muito mais! Trata-se de um trabalho conjunto que visa à criação de uma nova cultura e uma nova história que explique o mundo e nossa participação nele: “a política feminista deseja findar com a dominação para libertar-nos para ser quem somos – para viver vidas onde nós amemos a justiça, onde nós possamos viver em paz. Feminismo é para todo mundo.”83

Essa teoria feminista será um dos pontos estruturadores da tese. A suspeita para com os textos bíblicos não é apenas sobre como mulheres são oprimidas por homens. Antes, é preciso perguntar-se como textos bíblicos posicionam os sujeitos, muitas vezes coisificando- os. É esse feminismo que nos encaminhará para uma analítica da complexidade da opressão nos textos bíblicos que se utilizam da diferença para hierarquizar e subalternizar o Outro. Ao

82 Para mais informações sobre o kyriarcado, veja Caminhos da sabedoria, p.135-143. 83 bell hooks, Feminism is for Everybody, p.118.

mesmo tempo, é esse mesmo feminismo que forjará uma nova cultura mestiça que potencializa a transformação das relações humanas, rumo à diferença em sua radicalidade.