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Chemical processes

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2.2 Specific Requirements

2.2.4 Chemical processes

As mudanças vividas na Europa nos séculos XV, XVI e XVII30 criaram as condições favoráveis ao surgimento de um novo saber e de sua necessidade e promoveram também as transformações na valorização do trabalho. A função do Estado foi definida, tornando-o mais forte e atuante na modelação do destino do homem, certificando as profissões que iam surgindo e tornando-se necessárias para sustentação do Estado, da Economia e do programa moderno para uma nova sociedade, dele fazendo parte, como antes também acontecia, a educação não demora muito passou para a tutela do Estado.

A Idade Moderna possibilitou maior status às instituições de ensino, às escolas e à universidade, promovendo a educação escolar e tornando a atividade pública de responsabilidade do Estado e que deveria garantir amplo acesso para a promoção do bem-estar comum e do bem público. A escola passou a ocupar um lugar de destaque na formação do cidadão sob o pressuposto de que o uso adequado da razão poderia resolver os problemas do mundo (MARTINI, 1996). Assim, a educação, a escola e o professor tomaram lugar como elementos importantes para a efetivação de um projeto de sociedade. A escola como local privilegiado para o exercício da educação, e o professor como elemento condutor desse processo adquiriram um valor muito grande nesse período da história (GENTIL, 2005).

O século XVIII foi marcado pela constituição do Estado Novo por toda Europa com novas leis, nova organização e divisão dos poderes, maior controle

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do cidadão e com a inserção da Declaração Universal dos Direitos do Homem. As transformações ocorreram nas ciências, tecnologia, industrialização e, sobretudo, nas mudanças sociais para o homem urbano, civilizado e cidadão. Nesse cenário de importantes transformações e de busca do homem e cidadão ideal, a segunda metade do século XVIII foi o período-chave na história da educação e da profissão docente. As mudanças deram indícios de que era preciso definir, também, o perfil do professor ideal (NÓVOA, 1999).

O desenvolvimento das sociedades promoveu o surgimento de outras profissões, mas algumas podiam ser extintas e outras modificaram-se marcadas pelo tempo e espaço onde surgiram. A profissão professor foi uma dessas profissões que mudaram diante das necessidades impostas pelas circunstâncias e interesse do Estado. As mudanças políticas que viveram as nações europeias passaram, também, por transformações na Educação.

Nóvoa (1995), citando Julia (1981), evidencia a inquietação que movimentava mentes e o Estado na época: O professor deve ser leigo ou religioso? Deve integrar-se ao corpo docente ou agir a título individual? De que modo o professor deve ser escolhido e nomeado? Quem deve pagar seu trabalho? Qual a autoridade de que deve depender? Estas perguntas podem revelar o grau de inquietação e incerteza com relação à educação e, por conseguinte, a respeito do homem a ser educado para viver no novo quadro sociocultural e econômico que estava sendo desenhado para um futuro próximo.

As interrogações da época Moderna faziam parte de um movimento de estatização da educação. Por essa época, o processo de estatização estava sendo alargado e o raio de suas ações alcançou o processo educativo que passou a estar sob controle mais rigoroso, isto é, um controle sobre a maneira como os homens concebem o mundo. Contudo, pouco mudou em relação ao fazer educação, que se encontrava sob a tutela da Igreja. O Estado apenas permitiu o prolongamento das formas e aos modelos escolares elaborados pela Igreja. Com isso

O processo de estatização do ensino consiste, sobretudo, na substituição de um corpo de professores religiosos (ou sob o controle da Igreja) por um corpo de professores laicos (ou sob o controle do Estado), sem que, no entanto, tenha havido mudanças significativas nas motivações, nas normas e nos valores originais da profissão docente (NÓVOA, 1995, p. 15).

No decorrer de vários séculos, o modelo criado pela Igreja amadureceu e ser professor era uma missão religiosa. Até então, o Estado não tinha de imediato um modelo novo de educação para substituir o anterior, assim, prolongou o modelo da Igreja, reconhecendo seu resultado. Dessa forma, com o processo educativo agora sob sua tutela, o modelo religioso passaria a produzir resultado para dentro do interesse do Estado na constituição do novo homem.

Assim, a profissão docente é abarcada pelo controle estatal que passa a certificar quem pode ou não exercê-la e a autorizar instituições onde esta seria exercida. O professor passava a ser um funcionário público e o modelo de educação continua inspirado no modelo religioso, sendo a profissão certificada e regulada pelo Estado que mediava a relação da sociedade com seus objetivos políticos. O Estado passa a ver na educação a possibilidade de tornar possível a implementação de seus interesses e a efetivação do novo projeto de sociedade (GUIMARÃES, 2004).

A profissão de professor nasce entre as congregações religiosas que foram, progressivamente, configurando um corpo de saberes e técnicas e um conjunto de normas e valores específicos da profissão docente. A elaboração de

um corpo de saberes e de técnicas é a consequência lógica do interesse renovado que a Era Moderna31 consagra ao porvir e à intencionalidade educativa

(NÓVOA, 1995, p. 16). Portanto, trata-se de mais de um saber técnico do que um conhecimento fundamental, conforme vai se organizar, de preferência, em torno de princípios e estratégias de ensino para formar um homem racional, que domine a natureza a favor do bem público.

A elaboração de um conjunto de normas e valores configurados pelos religiosos é, largamente, influenciada por crenças e atitudes morais e religiosas.

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A Modernidade estava prometendo mudanças e transformações à sociedade e o projeto de novo homem baseado na crença da ciência, a razão como única possibilidade de produção do conhecimento.

Os professores aderem a uma ética e a esse sistema normativo marcadamente religioso, quando a missão de educar é substituída pela prática de um ofício e a

vocação cede o lugar à profissão, as motivações originais não desaparecem

(NÓVOA, 1995, p. 16).

Dessa maneira, os saberes, as técnicas, as normas e os valores que guiavam a educação foram estabelecidos, de início, pela Igreja e, em seguida, pelo Estado, que adotou o sistema religioso de fazer educação, ocupando-se, a partir do século XVIII, da emissão de autorização para ensinar, educando o homem para ser inserido no mundo onde vive e passando a controlá-lo. Aos professores, cabia a adesão a esse discurso e seguir o planejamento de ensino elaborado por outros. Com isso, o Estado e o professor estavam se beneficiavam. O primeiro, poderia controlar melhor a educação e as atividades decorrentes dela; já o professor, via sua profissão como função pública e social para alcançar mais

status e respaldo na sociedade com definição de poder e formação de uma

identidade profissional.

As mudanças promoveram o trabalho docente a um fazer que se diferenciava como conjunto de práticas, tornando-se assunto de especialistas, dele se ocupando também diversos pensadores na divulgação da importância de educar e do papel que o professor exerce nesse fazer, entre eles temos Kant, Rousseau, Comenius e outros. No século XVIII, já havia também uma diversidade de grupos que encarava o ensino como ocupação principal (um dos itens que definem uma profissão). Desse modo, sob a intervenção do Estado, inicia-se a homogeneização de todos esses grupos, organizando a educação como corpo do Estado e, por ele, são realizadas certas ações e tomadas de atitude, estabelecendo uma espécie de norma de criação e proteção da profissão docente.

Uma dessas ações para homogeneizar o recrutamento dos professores consistia na definição de normas e regras para contratação de professores, uniformizando o processo nacional de seleção de mestres (NÓVOA, 1999). Portanto, o processo local de seleção também deveria estar submetido ao controle e regras ditadas pelo Estado. Assim, os professores são instituídos como um profissional e não como uma concepção corporativa do ofício e livres do

interesse das autoridades locais, sendo um trabalhador que domina uma série de capacidades e habilidades especializadas, o que identifica e diferencia seu fazer daqueles de outros grupos.

Portanto, a intervenção do Estado na educação vai conduzir o ser professor ao status de profissão, concretizada com a criação da licença ou permissão. Esse foi um momento decisivo no processo de profissionalização da atividade docente, definindo o perfil do professor ideal para o recrutamento e delineando a carreira docente. Segundo Nóvoa (1995), os professore foram ativos no processo de estabelecimento da profissão docente ao assumirem a tarefa de promover a educação e seu valor, reivindicando as condições para a valorização de suas funções e, com isso, a melhoria das condições de seu trabalho e de seu estatuto socioprofissional.

No século XIX, a expansão da escola está associada às potencialidades da educação na promoção e implementação de projetos políticos do Estado, na promoção do progresso e da ordem social. Esta expansão vem acompanhada da necessidade do desenvolvimento de novas técnicas pedagógicas, de normas e valores próprios da profissão docente, bem como da necessidade de assegurar sua reprodução aos futuros professores. Havia tempo em que os professores reivindicavam a criação de uma instituição para dignificar sua formação docente. Ser professor estava se tornando uma profissão cada vez mais especializada, exigindo a existência de um espaço voltado à formação de maior qualificação.

A luta antiga veio a ser efetivada somente no século XIX, graças aos interesses, tanto do Estado onipotente e controlador como dos professores em ver sua profissão com maior dignidade, qualidade e valorizada socialmente. Nesse cenário, ocorre a criação da escola normal, representando, assim, uma conquista importante dos professores. Agora, a criação da escola normal põe em movimento novas e maiores exigências para a profissão: maior controle de entrada, definição de novo currículo e melhor qualidade de formação. Dessa maneira, as instituições passaram a garantir a formação de professores de uma maneira mais uniformizada, ocupando o lugar central no processo de produção dos saberes e do sistema de normas da profissão docente.

A conquista das instituições de formação não encerrava a luta pelo processo da profissionalização docente. As associações de professores criadas, ainda, no Século XIX, evidenciavam a tomada de consciência constituem um marco da luta pela profissionalização dos docentes. Agora, organizados em associações, passam a reivindicar melhorias do estatuto da classe, controle da profissão e definição de uma carreira.

Dessa forma, o Estado não será o único beneficiado pela expansão do sistema escolar, pelo controle e melhoria da qualidade da formação de professores. Tudo isso vai contribuir de forma inquestionável para colocar em movimento o processo de profissionalização dos professores. Uma conquista era seguida de nova luta, mas, só no final do século XIX e, sobretudo, no século XX que a docência começa a assumir a configuração que conhecemos hoje, quando a instrução torna-se obrigatória e em que as reivindicações e união das associações de professores lutam para estabelecer as bases de um sistema mais considerável e, também, mais estável.

O prestígio dos professores no início do século XX é indissociável da ação levada a cabo pelas suas associações, que acrescentam à unidade extrínseca do corpo docente, imposta pelo Estado, uma unidade intrínseca, construída com base em interesses comuns e na consolidação de um espírito de corpo (NÓVOA, 1995, p. 18)32.

O resultado dessa união possibilitou maior prestígio para fortalecimento da profissão, que também se manifesta no ensino, passando a ser realizado por leigos, sobretudo por mulheres formadas nas escolas normais, que foram criadas para esse fim. A responsabilidade pela educação passa para o Estado, continuando a existir as escolas confessionais ligadas à Igreja. A comunidade local continua a exercer, um certo, controle sobre a escola, por meio dos impostos, dos pais e funcionários (TARDIF, 2005). Mas, o importante mesmo é que o Estado assume as obrigações para com o cidadão ao garantir que, para ser professor, precisava mais que o domínio do saber disciplinar: eram necessários também os saberes pedagógicos que passaram a ser ensinados nas escolas normais. Com elas, fica criado um espaço de formação e profissionalização dos docentes.

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Assim, com a escola sob controle juridicamente definido, a docência se torna autônoma e adquire traços de uma ocupação estável, beneficiada pela proteção de seu espaço de exercício profissional e de seu recrutamento. Um contra argumento é trazido por Contreras (2001) em relação a essa autonomia. Para ele, essa autonomia sofre constantemente interferências de outros interesses, como acontece nos dias atuais de globalização da economia, com ênfase na eficiência, resultados e competitividade no mundo dos negócios que impõe o caminho para a formação de professores, limitando-se com isso, o poder de decisão dos docentes.

Dessa maneira, a profissionalização dos professores foi um processo marcado por intervenções e imposições do Estado, sobretudo, e de outros agentes que também se colocam como mediadores da questão, como a Igreja e o setor econômico. O processo, também, foi marcado pela capacidade de mobilização dos professores em defesa de seus interesses, de melhores condições de trabalho, promovendo o surgimento de uma profissão e pela tomada de atitude para seu fortalecimento no Estado e na sociedade.

Entretanto, a profissionalização se vê, assim, marcada pelas regras da economia de mercado, transformando o trabalho do professor em um produto de mercado com as instituições fragilizadas. Apoiamo-nos em Nóvoa (1995), para dizer que a profissionalização pode ser um modo de controlar o desenvolvimento profissional de qualidade e os profissionais da educação, afirmando, dessa forma, a histórica vulnerabilidade do magistério. Entendemos que o reconhecimento da profissão exige luta constante, demanda tempo e gera tensões. Tudo isso sinaliza para a necessidade da sempre mobilização consciente e forte da classe dos professores para discutir com o Estado e daí poder nascer uma nova instituição educativa e, com isso, outro conceito de profissionalização, a partir do já experimentado até aqui.

Existem vários modelos de formação docente que influenciam o despertar para a profissão, influindo na maneiras de agir e pensar do professor e que imprimem, também, parte das marcas identitárias do ser docente. O item seguinte trata desses modelos de formação docente. Com eles, é possível compreender melhor um dado modelo de formação de professor e a luz que o orienta.

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