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4. EL VERBO ECHAR

4.3 E CHAR COMO VERBO PLENO

Como, segundo indicado no item “3.1.1 - Levantamento de constructos (nós)”, esta pesquisa trabalha com a construção prévia de uma lista de constructos, o levantamento dos arcos, ou relações entre os constructos, foi feito utilizando-se desta lista. Outros autores, no entanto, propõem técnicas diferentes, como Bryson et al (2004), por exemplo. Na proposta desses autores, a identificação dos arcos ocorre de forma quase simultânea com o levantamento dos constructos, por meio da análise do discurso dos entrevistados.

Apesar da existência dessas outras propostas, serão apresentados aqui apenas os autores que dividem claramente a fase de levantamento dos constructos relevantes da fase de identificação dos arcos, por serem propostas mais congruentes com o que foi desenvolvido neta pesquisa.

Depois de desenvolvida uma lista predefinida de constructos, a atividade de identificação dos arcos de ligação entre os constructos ocorre por meio da apresentação da lista de constructos a uma amostra de especialistas. Solicita-se a esses especialistas que apontem qual a relação entre as variáveis relevantes para o assunto pesquisado.

Para isso, diferentes autores propõem diferentes alternativas. Serão aqui apresentadas as que se mostram mais próximas daquilo que foi, de fato, desenvolvido nesta pesquisa.

As propostas de Markóczy (1994), Markóczy e Goldberg (1995) e Bouzdine-Chameeva, Durrieu e Mandják (2001) são bastante semelhantes entre si. Os autores propõem que a lista de constructos, bem como uma sucinta explicação de cada constructo, seja apresentada para cada um dos respondentes – para Bouzdine-Chameeva, Durrieu e Mandják (2001), por meio da internet; para Markóczy (1994), Markóczy e Goldberg (1995) presencialmente – e que se

solicite que os respondentes selecionem os constructos que julgarem mais importantes para o tema em estudo.

Markóczy (1994), Markóczy e Goldberg (1995) sugerem que os constructos da lista sejam apresentados em cartões que contenham o nome do constructo e uma breve descrição. Para os autores, a apresentação em cartões é importante para que o respondente possa manuseá- los, e para que a apresentação dos constructos ocorra de forma aleatória, sem a chance de viés que uma listagem pode trazer. Com os cartões em posse, os entrevistados indicariam os 10 constructos mais relevantes.

Bouzdine-Chameeva, Durrieu e Mandják (2001) trabalham de forma semelhante, mas limitam a escolha dos entrevistados a um total de 20 a 40 constructos, e não 10. Crescitelli e Figueiredo (2010), que realizaram um estudo bastante baseado na metodologia proposta por Markóczy e Goldberg (1995), também trabalham com um total de 10 constructos selecionados pelo entrevistado.

Em todos os estudos, no entanto, a definição da quantidade de constructos selecionados se dá de forma um tanto arbitrária. Porém, é preciso que se defina uma quantidade fixa, pois, para que a comparação entre os mapas gerados possa ser feita adequadamente, é importante que a quantidade de constructos contida nos diferentes mapas seja a mesma. Mas não há critérios rígidos para essa definição. Deve-se levar em consideração a quantidade de pares formados e a disposição do respondente em analisá-los. Se se permite a seleção de uma quantidade muito elevada de constructos, haverá muitos pares a ser analisados, o que pode levar à fadiga do entrevistado. Por outro lado, se se limita muito a quantidade de constructos selecionados, muitos constructos considerados importantes pelo entrevistado serão, forçosamente, excluídos.

No caso deste projeto, no entanto, como existem apenas 11 constructos listados, todos foram utilizados, obrigatoriamente, pelos respondentes. Como o número de constructos é pequeno, não há risco de o procedimento de campo se tornar maçante e excessivamente demorado e, ao mesmo tempo, não há exclusão forçada de constructos relevantes. Caso houvesse constructos que o respondente julgue não ter impacto sobre os demais, bastava que ele não apontasse nenhum arco proveniente dele.

Portanto, os 11 constructos foram utilizados e apresentados aos entrevistados. No entanto, ao invés da utilização de cartões, os constructos foram apresentados em uma lista, em uma única folha. Esta folha continha a lista de constructos e uma breve descrição de cada constructo. Antes do início de cada entrevista, a entrevistadora lia todos os constructos e suas descrições juntamente com o entrevistado. Além disso, durante todo o processo de entrevista, o entrevistado tinha acesso à lista para tirar eventuais dúvidas. Em seguida, os entrevistados foram solicitados a avaliar a influência direta do constructo 1 no constructo 2. Caso o entrevistado indicasse que há influência, era questionado se a influência era positiva ou negativa e qual o grau dessa influência em uma escala de 1 a 5. Os entrevistados foram informados de que a influência do constructo 2 sobre o 1 seria avaliada mais adiante na entrevista, e de que não havia resposta certa ou errada nem qualquer tipo de avaliação lógica da consistência das respostas. Isso foi importante para que o entrevistado pudesse responder de forma mais livre e verdadeira. Além disso, foram apresentados para os entrevistados os conceitos de influência direta, influência positiva e influência negativa. Isso foi importante para que o entendimento de todos os entrevistados fosse o mesmo. O script do que foi solicitado e informado aos entrevistados é apresentado aqui no apêndice 2.

A apresentação dos pares ordenados foi feita com o apoio de um software que apresentava de forma aleatória os constructos em análise.

Quanto à medição da intensidade do impacto de um constructo sobre outro (como utilizado nesta pesquisa – medição de grau dessa influência em uma escala 1 a 5) cabe uma breve discussão.

Ensslin e Montibeller (1999) argumentam que matematicamente a inclusão de pesos para medir a intensidade da relação entre os constructos acarreta uma série de vantagens, pois traz informações mais detalhadas e possibilita que se comparem com mais precisão os efeitos de diferentes constructos, que passam a poder ser elencados por relevância. No entanto, ainda segundo Ensslin e Montibeller (1999), os pesos podem dificultar a coleta de informações, pois muitos entrevistados teriam dificuldades para quantificar as relações entre os constructos.

Cabe realçar, porém, que os autores que trabalham com a quantificação do grau de influencia entre os constructos não o fazem solicitando que o entrevistado quantifique o

peso de relação causal por meio da atribuição de um valor. Markóczy e Goldberg (1995) pedem que o entrevistado aponte se a relação entre os constructos é fraca, moderada ou forte. De forma semelhante, Scavarda et al (2005) e Bouzdine-Chameeva (2007) sugerem que o respondente aponte a intensidade de ligação em uma escala de sete possibilidades: extremamente fraco, muito fraco, fraco, moderado, forte, muito forte e extremamente forte. A apresentação de possibilidades de intensidade de força, em vez da quantificação da força da relação, reduz sensivelmente o problema apontado por Ensslin e Montibeller (1999). Esta pesquisa, porém, foi realizada com uma amostra bastante específica e composta integralmente por indivíduos de elevada formação acadêmica. Entende-se, portanto, que uma escala de intensidade de 1 a 5 (sendo 1 uma ralação fraca e 5 uma relação forte) não é de difícil compreensão para este público e não geraria viés de entendimento.

Durante todo o processo de entrevista não era obrigatório que o respondente justificasse os motivos que os levaram a apontar determinado valor de ligação entre um e outro constructo. No entanto, muitos entrevistados optaram por verbalizar justificativas para várias de suas respostas. Por se tratar de informação relevante para a análise dos mapas formados, todos os comentários foram anotados pela entrevistadora durante a entrevista e revisados logo após seu término. Mas é importante destacar que as entrevistas não foram gravadas e que, portanto, os comentários dos entrevistados apresentados ao longo desta tese de baseiam nas anotações tomadas. Todas as anotações, porém, procuraram respeitar ao máximo possível a fala dos respondentes.

Por fim, para nortear a comparação entre os mapas gerados, foi solicitado que os entrevistados preencham algumas informações de identificação. As informações solicitadas estão apresentadas no apêndice 2 deste projeto.

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