6 Discussion
6.1 Conflicts and reconciliation: implementation, interaction, and integration
6.2.2 Challenges and Reflections
Para compreendermos o papel da Televisão na Educação, propomo-nos a analisar as representações sociais da Televisão, por parte de mães/educadoras, enquanto telespectadoras, para percebermos o significado dessa mídia no seu cotidiano. Buscamos entender como a Televisão é representada por educadoras, que também são telespectadoras, entendendo como isso se reflete na sua prática pedagógica, em relação à análise crítica e reflexiva da mídia dentro da sala de aula. Nossa proposta traz implícita a idéia de educar para a mídia, de educar os sujeitos da audiência televisiva.
Tentamos responder a algumas questões, quais sejam: O que representa a Televisão para as educadoras que também são telespectadoras ativas? Como isso se reflete dentro da sala de aula? Será que sua relação com a mídia interfere na prática pedagógica?
Procuramos entender, através das falas das entrevistadas, que mediações ocorrem em relação aos conteúdos que os educandos recebem da Televisão, que forma se manifesta dentro da Escola e como essas educadoras se relacionam com tais representações.
As cinco educadoras entrevistadas revelaram em seus discursos que a relação que estabelecem com a TV reflete sua relação individual com essa mídia, sua vivência pessoal e a forma como entendem o mundo à sua volta. Constatamos que seus relatos não se encontram determinados em um local específico e nem a um momento, mas refletem suas relação com o mundo, suas vivências particulares e profissionais que variam entre dez a trinta anos da prática pedagógica. São depoimentos que revelam experiências ao longo de suas vidas.
No andamento da investigação nos perguntamos: Quem vem primeiro? A mulher, a mãe, a filha, a educadora ou a telespectadora? A educadora que também é telespectadora ou a mulher? Em alguns momentos, durante as conversas, é a mulher que está falando; em outros, a mãe ou filha cuidadosa, mas a educadora está sempre presente, seja como mãe seja como profissional da educação. Muitas vezes todas se manifestam ao mesmo tempo, mas uma particularidade fundamental permeia a fala de quase todas: o olhar da educadora para a Televisão é sempre marcado por critérios de seleção, que estão presentes de maneira decisiva na sua vida, na relação que estabelece com seus familiares, com ela mesma e com o seu cotidiano. Todas refletem o meio onde nasceram e cresceram, constituindo um somatório de vários aspectos sociais, sendo a Televisão uma parte significativa na suas vidas.
A partir da análise realizada no capítulo anterior, compreendemos a maneira como essas cinco educadoras usam a TV na sua vida familiar e a repercussão desse fato na sala de aula: a que programas assistem isoladamente ou com os filhos, os limites estabelecidos com relação aos horários, a censura com relação a determinados programas, a preferência por alguns canais, geralmente a Rede Globo. Concluímos que as educadoras exercem uma importante mediação pedagógica em relação à Televisão, mas nem sempre essa mediação contribui para uma análise crítica reflexiva em relação à TV, pois as professoras não se aprofundam nas discussões para que os educandos possam atingir uma reflexão necessária sobre a TV. Constatamos que todas as educadoras levam para a sala de aula a experiência do cotidiano doméstico, quanto à audiência da Televisão.
A influência que as educadoras exercem sobre a audiência dos seus familiares é muito forte e inclui não apenas restrições com relação a programas, mas também quanto ao horário. Como já vimos, a Família é uma instituição social que exerce uma mediação significativa na audiência televisiva, estabelecendo certos parâmetros que são decisivos para a análise crítica e reflexiva sobre a televisão.
Na fala das educadoras, em um primeiro momento, elas negam a presença da Televisão, mas depois admitem que assistem, reconhecendo o lado bom e ruim da mídia. Essas educadoras manifestam, também, o desejo de saber como melhor utilizar a TV a favor da Educação e reconhecem que precisam estar preparadas para lidar com as diversas mídias.
Assistir à Televisão para as educadoras entrevistadas representa algo contrário do que elas acreditam ser um bom comportamento para uma mulher, dona de casa, mãe, professora, ou seja, com tantas responsabilidades. Assumir que assiste à TV, à novela, não seria uma demonstração muito coerente de afirmar sua condição. Afinal, uma mulher, mãe de família e educadora não pode ficar perdendo tempo com banalidades como a TV. Esta deve ser a idéia que se encontra por trás da fala de quase todas as professoras: melhor omitir ou mascarar suas ações e desejos, para não comprometer sua imagem.
Quanto às representações das crianças sobre Televisão na sala de aula, as professoras fazem várias críticas, principalmente com relação aos desenhos animados, afirmando que esses desenhos deveriam ter um conteúdo mais educativo. Elas acham que eles exibem comportamentos agressivos que podem trazer conseqüências negativas para o comportamento das crianças. Algumas educadoras afirmaram que assistem aos desenhos animados para comentar com os alunos certas atitudes e comportamentos presentes na sala de aula e que são influenciados por tais desenhos.
Quase todas as educadoras se queixam porque os alunos gostam de assistir aos programas policiais, mas justificam essa preferência pelo fato de que muitas cenas exibidas nesses programas se identificam com o cotidiano de alguns deles. Os preferidos são a Patrulha Policial e o Programa do Ratinho. A grande questão das educadoras é saber qual a função educativa desses programas. Observamos aí a preocupação das professoras com o papel da TV como instituição educativa, que é o grande problema que se coloca para todos os estudiosos das mídias, principalmente da Televisão nos dias atuais.
Na nossa pesquisa, ficou demonstrado que as educadoras fazem uma ligação direta entre determinados conteúdos estudados e alguns programas exibidos na TV aberta. Quando o aluno fala: Professora, eu já vi isso na televisão, a professora deixa que o aluno fale sobre o que viu. Como podemos constatar no discurso das educadoras, a Televisão está presente na prática pedagógica de todas.
Como a Família pode participar na integração da Escola com a Televisão foi uma das últimas questões discutidas com as professoras. No discurso das educadoras, constatamos que essa participação é muito difícil nas Escolas Públicas, uma vez que a presença dos pais (mãe/pai) na Escola é muito pequena. Na Escola Privada, segundo elas, essa possibilidade é viável. Na verdade, sabemos que em muitas escolas públicas as famílias ficam distantes da Escola, seja porque estão envolvidas em trabalhos para a sobrevivência, seja porque não atribuem muita importância à aquisição de conhecimentos. Afirmam as educadoras que as famílias cujos filhos estudam em Escolas Particulares estão mais comprometidas com a formação pedagógica dos filhos e acompanham de perto o desenvolvimento escolar de suas crianças.
Problemas como drogas, violência, indisciplina entre outros, permeiam a vida das crianças, principalmente as das Escolas Públicas. Como disse uma das educadoras: “É uma batalha diária, uma luta constante; enfim, uma verdadeira guerra, mas nós, mesmo com todo comprometimento, com todo amor que temos pela nossa profissão, sozinhas a gente não consegue quase nada” (EDUCADORA 2). As professoras deixam claro que sozinhas não são capazes de lidar com os problemas presentes na Escola, pois o problema maior é social e político e não somente pedagógico. Qualquer projeto pedagógico, além do envolvimento da família, precisa a participação de toda a Sociedade. Já é sabido que a educação sozinha não consegue transformações.
Reafirmamos como dissemos no início dessa pesquisa, que a Escola, assim como a Família, é importante mediadora das informações veiculadas pela mídia. A escola é uma das agências mediadoras da TV, onde ocorre uma série de interações sobre a recepção da
televisão. O ambiente escolar, a atitude do professor frente à TV, o clima pedagógico, que predomina na sala de aula, a organização escolar, tudo isto constituem elementos que delimitam o tipo de intercâmbio que realizam os alunos, tanto dentro da sala de aula, quanto nos espaços de recreação.
Concluímos que a relação que as educadoras estabelecem com a Televisão e a representação que têm dela em suas vidas reflete de forma marcante na sua prática profissional e no diálogo da mídia dentro do espaço escolar, podendo contribuir para a reflexão crítica que os educandos estabelecem com o meio através da mediação pedagógica.
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