Kapittel 2 – Teoretisk rammeverk
2.2 Kontorløsninger
2.2.1 Cellekontor
Entende-se por conteúdos estruturantes os conhecimentos de grande amplitude que identificam e organizam os campos de estudos de uma disciplina escolar, considerados fundamentais para a compreensão de seu objeto de estudo e ensino. Como constructos atrelados a uma concepção crítica de educação, os conteúdos estruturantes da Química devem considerar, em sua abordagem teórico metodológica, as relações que estabelecem entre si e entre os conteúdos básicos tratados no dia-a-dia da sala de aula nas diferentes realidades.
Pozo (2000) esclarece que os conceitos estruturadores são fundantes das áreas de conhecimento e devem atravessar todos os conteúdos das matérias. Os conceitos das áreas são princípios, de alto nível de abstração (igualdade na matemática, conservação em física, tempo histórico na história) e os das disciplinas são os específicos, que podem ser objetos de estudo em uma unidade bloco de unidades ou projetos.
A noção de conceito estruturante ou articulador remete, inicialmente, à identidade de cada disciplina escolar ou de uma determinada área de conhecimento, que articula mais de uma disciplina.
Propõe-se, então, que o ensino de Ciências aconteça por integração conceitual e que estabeleça relações entre os conceitos científicos escolares de diferentes conteúdos estruturantes da disciplina (relações conceituais); entre eles e os conteúdos estruturantes das outras disciplinas do Ensino Médio (relações interdisciplinares); entre os conteúdos científicos escolares e o processo de produção do conhecimento científico (relações contextuais).
Alguns autores, como Fernando Hernández, sugerem que o conceito estruturante (ou articulador) é uma estratégia interdisciplinar ou transdiciplinar (ver verbete Multi, Inter, Transdisciplinaridade) justamente porque estaria diretamente relacionado aos paradigmas ou modelos explicativos de grandes áreas de pensamento. Essa experiência, para Hernárdez, permite aos alunos construir as seguintes estratégias de interpretação:
Questionar toda forma de pensamento único, o que significa introduzir a suspeita e questionar a realidade baseada em verdades estáveis e objetivas;
Reconhecer, diante de qualquer fenômeno que se estude, as concepções que o regem, a realidade que representam e as representações que tratam de nela influir;
Incorporar uma visão crítica que leve a perguntar-se a quem beneficia essa visão dos fatos e a quem marginaliza;
Introduzir, diante do estudo de qualquer fenômeno, opiniões diferenciadas, de maneira que o aluno comprove que a realidade se constrói a partir de pontos de vista diferentes e que alguns se impõem diante de outros, nem sempre pela força dos argumentos, mas também pelo poder de quem os estabelece;
Colocar-se numa perspectiva de um certo relativismo, no sentido de que toda realidade responde a uma interpretação, e que as interpretações não são inocentes, objetivas nem científicas e, sim, interessados, pois amparam e veiculam visões do mundo e da realidade que estão conectadas a interesses que quase sempre têm a ver com a estabilidade de um status quo e com a hegemonia de certos grupos.
4.3.7.1 Critérios para selecionar e organizar os conteúdos segundo o enfoque Conceitos Estruturadores
O Conceito Estruturador é um pilar para a organização de currículos que buscam conectar as disciplinas e atribuir sentido às aprendizagens escolares. É uma base para superar a organização disciplinar fragmentada das matérias na estrutura curricular em mosaico ou
cadeiras, isto é, por matérias, com tempos separados e fronteiras bem definidas entre elas (LOPES, 1999).
A seleção dos conteúdos de ensino de Ciências deve considerar a relevância dos mesmos para o entendimento do mundo no atual período histórico, para a constituição da identidade da disciplina e compreensão do seu objeto de estudo, bem como facilitar a integração conceitual dos saberes científicos na escola. Sendo assim, os conteúdos de Ciências valorizam conhecimentos científicos das diferentes Ciências de referência – Biologia, Física, Química, Geologia, Astronomia, entre outras. A metodologia de ensino deve promover inter-relações entre os conteúdos selecionados, de modo a promover o entendimento do objeto de estudo da disciplina de Ciências. Essas inter-relações devem se fundamentar nos Conteúdos Estruturantes.
A área deve agregar disciplinas afins que necessitam da construção de um mesmo princípio, mais abrangente.
Assim, sugerem-se atualmente pelo menos quatro áreas: Matemática e suas tecnologias, Ciências Humanas e suas tecnologias, Linguagens e suas tecnologias e Ciências da Natureza e suas tecnologias.
Os conceitos estruturantes possibilitam ao aluno compreensão à trajetória da construção de uma área de conhecimentos a partir dos conceitos que ela foi criando para explicar temas ou questões específicas. Pelo conceito estruturante, e não pela mera listagem de informações (LOPES, MACEDO, 2002)
O conceito estruturador é importante para uma organização de um currículo integrado, em rede, ou através de projetos. É um suporte para a ruptura com a organização disciplinar fragmentada do trabalho escolar. Para explicitá-lo, o melhor exercício é um estudo coletivo nas escolas, por meio de debates e leituras que fundamentem as opções dos professores e, posteriormente, legitimem a reordenação curricular.
Para o professor e a organização curricular, o conceito estruturante é fundamental na seleção do que será ensinado. É um modo mais ordenado de definir temas, questões-problema e mesmo organizar projetos nos quais os conteúdos disciplinares possam ser trabalhados num enfoque globalizador.
Com os conceitos estabelecidos, o professor terá o roteiro para seu planejamento sem limitar o trabalho a um leque de informações. Imaginemos que a escola queira definir sua prática em projetos ou em atividades integradas. Esbarra às vezes na dificuldade da formação disciplinar do professor ou mesmo na necessidade de trabalhar determinado conteúdo. Quase
sempre esse conteúdo está restrito a um tema que incorpora um conceito (LOPES, 1999). Ao ficarem claros os conceitos estruturadores do currículo, a escola poderá:
Elencar projetos definindo neles exatamente quais disciplinas estarão envolvidas exatamente por propiciarem sua construção;
Trabalhar com o currículo recursivo, retomando, em vários momentos do ensino – ciclos, séries, módulos – aquela construção conceitual definida;
Reorganizar a avaliação tendo por referência o que o aluno está entendendo acerca de um conceito em construção e desligando-se da atual lógica de acertar ou errar questões em provas;
Pesquisar a mudança conceitual de cada disciplina, produzindo conhecimento sobre as categorias de análise que referenciam as disciplinas.
Para fazer essa reestruturação curricular baseada em conceitos estruturadores nas escolas, será importante:
Fazer discussões que levem a conclusão entre as disciplinas, o seu papel na organização dos saberes escolares e a necessidade de integração entre os conteúdos escolares. Essa discussão redefine o que é conteúdo escolar e qual o papel das disciplinas e das áreas de conhecimento na composição de um currículo integrado ou em rede, ou transdiciplinar ou interdisciplinar;
Rediscutir quais são as áreas que ordenam o currículo nas escolas. Uma referência para isso está nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (Brasil, 2002). Outra é a discussão de Sacristán (1998), com os códigos da especialização do currículo. Após a definição das áreas, levantar os conceitos que as fundamentam, por exemplo: na área de humanas, o tempo, o espaço, a sociedade, a ética. Essa área será estruturante das disciplinas: História, Geografia, Sociologia, Filosofia e Formação Cristã (quando houver).
Depois dos conceitos das áreas, definem-se os conceitos por disciplina.
Identificar as habilidades e competências que devem ser construídas explicitando os procedimentos e atitudes que serão desenvolvidos ao longo do processo de escolarização.
Com tais referências, a escola poderá ordenar projetos para serem desenvolvidos sem perder a referência dos conceitos, procedimentos e atitudes que comporão cada processo formador.