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CASOS I RECOMANACIONS

O Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional (PROFLETRAS), curso de pós- graduação stricto sensu ofertado em rede nacional, vem trazendo grandes contribuições para o ensino-aprendizagem de língua portuguesa por meio dos trabalhos de dissertação defendidos no final do curso. Alguns trabalhos com foco na concordância verbal já foram produzidos no âmbito do Profletras, dentre os quais é lícito destacar Aquino (2015), Fonseca (2015), Nogueira (2015), Alves (2015), Sousa (2015) e Chagas (2016).

O trabalho de Aquino (2015) se propõe a repensar o ensino de gramática levando em consideração o funcionalismo linguístico com a aplicação de um projeto de letramento sobre a concordância verbal. Fonseca (2015) analisa a concordância verbal de terceira pessoa do plural em textos escritos de alunos do 9º ano, por meio de atividades monitoradas, semimonitoradas e não monitoradas, objetivando refletir sobre o ensino de língua portuguesa como língua materna e propor novas formas de trabalho para o ensino de concordância verbal. Nogueira (2015) investiga a variação da CV de terceira pessoa do plural em textos dos alunos do 6º e 7º anos do ensino fundamental em uma escola municipal a fim de observar os fatores linguísticos e sociais que influenciam a regra variável e propor uma intervenção didática que contribua para o ensino de CV. O trabalho de Alves (2015) apresenta uma sequência de

atividades voltadas ao desenvolvimento de práticas de análise linguística sobre CV no nono ano do ensino fundamental, fazendo uso de tecnologias digitais, como o Wikispaces e o Facebook. As atividades levaram em consideração os pressupostos de um ensino reflexivo da língua, além de evidenciar o processo de escrita colaborativa para a produção de texto.

Os trabalhos de Sousa (2015) e Chagas (2016) serão descritos, aqui, um pouco mais detalhadamente por serem os que mais se aproximam do trabalho que aqui se desenvolve.

Sousa (2015) investiga o desempenho linguístico de alunos do 9º ano do ensino fundamental com relação ao emprego das marcas formais de concordância verbal. O trabalho procura responder à seguinte questão: “como ensinar a CV segundo a norma padrão gramatical de um modo mais reflexivo para os alunos do 9º ano do ensino fundamental?” (SOUSA, 2015, p. 13). A hipótese assumida no trabalho é a de que o ensino da norma-padrão deve ser feito a partir da inter-relação da tradição gramatical com os estudos linguísticos de modo a fazer com que o aluno entenda o funcionamento da língua e use as normas da língua de modo consciente, ao invés de querer decorar as regras gramaticais.

O corpus utilizado para análise constitui-se de 26 redações colhidas por meio de uma atividade diagnóstica de produção de um texto dissertativo, a partir da escuta e leitura da música “Dias Melhores”, de Jota Quest. A análise do fenômeno CV não levou em consideração fatores extralinguísticos (sexo, idade, escolaridade, localidade) porque, segundo a autora, estes fatores apresentam-se praticamente idênticos. Os condicionamentos linguísticos observados foram: posição do sujeito; distância entre o núcleo do sujeito e o verbo; o pronome relativo “que”; e a concordância com o verbo “ter”.

Sousa (2015) registrou que a concordância verbal nas redações ocorreu em 84,61% dos casos e foi amplamente favorecida em casos em que o sujeito apareceu anteposto ao verbo (91,83%). Das sete ocorrências de posposição, em apenas uma houve o estabelecimento da concordância padrão. O fator distanciamento, como elemento desfavorecedor da concordância padrão, foi confirmado na análise do trabalho, visto que este fator contribuiu significativamente para a ausência da marca de plural no verbo.

Nos dados da pesquisa de Sousa (2015), apareceram apenas seis ocorrências de pronome relativo que na função de sujeito e em apenas duas ocorrências houve o estabelecimento da CV padrão, confirmando, assim, a hipótese da autora de que a presença do relativo representaria um fator de inibição da marca de plural. Na análise do verbo “ter”, não houve casos em que o verbo apresentasse o acento diferencial indicador de plural. Muitos estudos sobre a CV no português do Brasil não contemplam, em suas análises, formas verbais que no singular e no plural não se distinguem na pronúncia por serem homófonas, tais como

tem/têm e vem/vêm. Das nove ocorrências do verbo “ter”, em nenhuma houve a presença do acento diferencial indicador de plural.

A proposta de trabalho dada por Sousa (2015) objetiva ensinar a CV por meio de um ensino de gramática que leve os alunos a uma prática mais consciente e reflexiva da concordância verbal. O que a autora propõe é um ensino de CV de acordo com a variedade padrão da língua portuguesa, porém sem a noção de “certo” ou “errado”, e sim pelo princípio de adequação da língua ao contexto de uso. Para tal, Sousa (2015) apresenta seis atividades estruturadas de modo a contemplar as fragilidades encontradas nos textos dos alunos.

Chagas (2016) procede a uma descrição sociolinguística da concordância verbal de terceira pessoa do plural em textos de alunos de duas turmas de oitavo ano do ensino fundamental. O trabalho objetiva analisar o uso da CV dos alunos, conscientizá-los a respeito do uso que eles fazem da concordância e ampliar o repertório linguístico para que façam uso de formas cultas e populares, de acordo com a situação de comunicação em que estejam inseridos.

Os dados para análise provieram de sessenta textos produzidos em dois momentos: trinta deles produzidos em uma experiência-piloto realizada nas turmas para instrumentalizar a pesquisa, e os outros trinta textos produzidos após abordagens em sala de aula sobre concordância verbal e variação linguística.

A análise dos primeiros textos revelou um índice de 12,9% de concordância não padrão. Já nos textos produzidos após as abordagens realizadas em sala, a análise mostrou uma queda no uso da concordância não padrão: 8,1%. As variáveis que se mostraram significativas para o estabelecimento da concordância, na pesquisa de Chagas (2016), foram: idade, sexo, posição do sujeito, e saliência fônica.

De acordo com os resultados obtidos nas duas redações, Chagas (2016) apresenta uma proposta pedagógica para trabalhar a temática CV por meio de atividades linguísticas, epilinguísticas e metalinguísticas, que visem ao uso consciente da língua e que possibilite ao aluno “a capacidade de transitar nos mais variados registros presentes nos continua de monitoração estilística ou mesmo de oralidade e letramento” (CHAGAS, 2016, p. 130).