2.3 Case studies of exploratory analyses of trophic level and size spectra
2.3.3 Case study of L max and trophic level in Portuguese continental waters (ICES Division IXa)
Ao longo do estágio, vivenciaram-se vários momentos de aprendizagem. Este subcapítulo pretende expor alguns desses momentos, tendo em conta principalmente as três áreas de conteúdo anunciadas nas OCEPE, a área de Formação Pessoal e Social, a área de Expressão e Comunicação e a área do Conhecimento do Mundo. Assim, de forma sucinta, prossegue a explanação de três atividades específicas realizadas com o grupo.
4.7.1. “O Peixe Arco-Íris”
“O Peixe Arco-íris” é o título de um conto de Marcus Pfister, um escritor e ilustrador suíço, subordinado ao tema da partilhada/solidariedade e surgiu na sequência do trabalho que se encontrava a ser desenvolvido na área da Formação Pessoal e Social na Sala Verde, no que dizia respeito a questões do comportamento e, também, por estar a aproximar-se o dia do Pão-por-Deus, que remetia também para a partilha. Para contar a história, optou-se por um teatro de sombras chinesas, tendo sido a educadora cooperante uma mais-valia, ao aceitar representar algumas das personagens comigo.
Em primeiro lugar, organizou-se o espaço de modo a que as crianças ficassem sentadas de frente para o cenário, acabando estas por ficar dispostas em U, como ilustra a Figura 31. De seguida, fecharam-se as cortinas e com fantoches bastante coloridos começou a contar-se a história do Peixe Arco-íris.
Figuras 33 e 34. Grupo da Sala Verde a visualizar o teatro de sombras chinesas "O Peixe Arco-íris"
Quando terminou a história, em grande grupo, realizou-se o reconto oral da mesma, onde cada criança salientou aquilo que mais lhe tinha chamado à atenção. Falou-se um pouco sobre cada personagem e respetivo significado na história, especialmente sobre o Peixe Arco-Íris. As crianças participaram no diálogo de forma bastante ativa, demonstrando que compreenderam a mensagem da história. Posto isto, seguiu-se uma sessão de improviso, na qual foi permitido às crianças escolher uma das personagens e, duas-a-duas, representar um episódio entre as duas personagens escolhidas, expressando-se assim de forma livre, experimentando, brincando, imitando, criando. Em momentos como este, de expressão dramática, a criança descobre-se a si mesma e também formas de se relacionar com os outros (ME, 1997). Já que a criança possui uma vocação natural para o jogo, esta forma de jogo simbólico é, segundo Sousa (2003), a melhor maneira de progredir significativamente na aprendizagem. Deste modo, as crianças demonstraram-se muito motivadas e quiseram todas participar, podendo o seu entusiamo ser observado nas figuras seguintes.
Figuras 35, 36, 37, 38 e 39. Improviso de teatro de sombras chinesas
Segundo Landier (1999), a Expressão Dramática favorece o desenvolvimento, o desabrochar da criança, “através de uma atividade lúdica que permite uma aprendizagem global. Assim, tornou-se relevante dar oportunidade às crianças de representarem também um papel, dando espaço para estas se exprimirem.
Salienta-se, aqui a importância de disponibilizar às crianças objetos variados e possíveis de ser explorados livremente.
Através desta narrativa, foram trabalhados vários valores e aspetos importantes no que concerne às três áreas de conteúdo.
4.7.2. Vamos Rimar!
Sendo a consciência fonológica a capacidade para refletir sobre segmentos sonoros das palavras orais. (Sim-sim, Silva & Nunes, 2000) e tendo sido detetados alguns problemas no que diz respeito à linguagem oral, fazia todo o sentido promover momentos de aprendizagem que desenvolvessem a consciência fonológica das crianças da Sala Verde. Assim, a atividade ou o conjunto de atividades “Vamos Rimar!” incidia essencialmente sobre o aprender a rimar.
Começou-se por partilhar com as crianças uma canção cuja letra se encontrava recheada de rimas, designada de “João balão”, pedindo às crianças que estivessem atentos às palavras que terminavam com o mesmo som - rimas. Após terem ouvido a canção algumas vezes e cantado a parte do refrão, seguiu-se um momento muito divertido, no qual se tentou rimar com os nomes das crianças, traduzindo-se esta atividade numa autêntica brincadeira de palavras. Com auxílio, algumas crianças foram capazes de produzir algumas rimas desde logo. Entretanto, foi engraçado constatar que no dia seguinte, ao chegar à sala, uma das crianças referiu algumas palavras novas que rimavam com o seu nome, assim como partilhou connosco outras rimas que tinham feito em casa.
Seguiu-se uma atividade de identificação de rimas em nomes de objetos, para a qual se preparou vários conjuntos de objetos que seriam apresentados ao grupo, com o objetivo de indicarem os dois objetos cujo nome rimava. Assim, embora inicialmente fosse para a atividade ser feita em pequenos grupos, acabou por se reunir todo o grupo no tapete e apresentar o primeiro conjunto de objetos. Por exemplo, no caso do conjunto composto por uma bola, uma chucha e uma cola, as crianças deveriam reconhecer que os dois objetos cujo nome rima um com o outro são a bola e a cola e assim sucessivamente. Desta forma, inicialmente pedia-se às crianças que indicassem o nome de cada um dos objetos e, só depois, se identificava a rima.
A última parte deste conjunto de atividades consistiu num trabalho individual com cada criança. Este trabalho punha ao dispor da criança, imagens de vários objetos, entre os quais a criança deveria encontrar dois que rimassem e colar ambos, lado a lado,
numa folha. Note-se que para esta atividade foi necessário orientação de um adulto, na medida em que a maioria das crianças sozinha não conseguia realizá-la.
Figuras 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47 e 48. Resultados da colagem dos objetos que rimam
É de salientar que foi solicitado a todas as crianças que escrevessem o seu nome na folha da colagem, com o intuito de proceder a uma avaliação diagnóstica no que diz respeito à escrita do próprio nome, já que esse era um dos objetivos específicos da Sala Verde, cada criança no fim do ano letivo saber escrever o seu nome. Caso contrário, geralmente o nome era escrito por um dos adultos da sala.
Este conjunto de atividades, do domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita, inserido na área de conteúdo de Expressão e Comunicação, permitiu não só um trabalho a nível da linguagem oral, como também pode ter exercido um efeito importante sobre as competências da leitura e escrita, já que, segundo Lonigan, Burgess e Anthony (2000), citados por Hogan, Catts e Little (2005), o desenvolvimento da consciência fonológica é o mais estável e robusto preditor de sucesso na aprendizagem da leitura e escrita. Além disso, trabalhou-se também o domínio da Expressão Plástica.
4.7.3. Mãos na Massa!
A atividade “Mãos na Massa!” surgiu como uma atividade de culinária que, parecendo um momento de brincadeira é, na verdade, um momento de aprendizagem e concentração. Assim, esta atividade dividiu-se em dois momentos, preconizados em dois dias diferentes: a confeção de broas de areia e a confeção de salame de chocolate.
Primeiramente, limpou-se as mesas da sala, lavou-se as mãos e leu-se a receita em voz alta. Posteriormente, pesou-se e misturou-se os ingredientes num alguidar. É de salientar que dado o número de crianças, foi necessário dividir o grupo em dois, podendo contar com o apoio da educadora cooperante e da auxiliar.
A parte que mais gostaram foi obviamente a de mexer a massa, ao misturarem os ingredientes, embora essa tarefa tenha sido realizada com colheres de pau e não com as mãos, por questões de tempo.
Figuras 49 e 50. Algumas crianças a misturar os ingredientes
Depois de bem misturados e a massa estar homogénea, todas as crianças fizeram várias bolinhas que depois foram passadas em açucar e colocadas no forno, surgindo assim broas de areia deliciosas.
Nesse dia, as crianças tiveram oportunidade de provar uma broa cada uma e as restantes guardámos com o intuito de nos próximos dias convidar os pais para virem provar, tanto as broas como o salame que ainda viria a ser confecionado, realizando assim um lanche de natal.
No dia seguinte, realizou-se o mesmo procedimento para confecionar salame de chocolate, começando por dividir o grupo em dois. Um grupo partia as bolachas aos bocadinhos, enquanto que outro pesava os ingredientes e os colocava num alguidar. Entretanto, os grupos trocaram de posições e o grupo que tinha estado nas pesagens partiu também bolachas aos bocadinhos, enquanto que o grupo que lá estava procedeu à mistura de ingredientes. Posteriormente, os bocados partidos de bolacha foram adicionados à massa criada e modelaram-se dois rolos bem compridos de salame, que seriam também oferecidos aos pais no dia do lanche.
Figuras 52 e 53. Grupo da Sala Verde a pesar os ingredientes e a partir as bolachas