Ao longo deste capítulo serão considerados diversos fatores no que diz respeito aos projetos de investigação-ação postos em prática ao longo da prática pedagógica em ambas as valências.
No decorrer dos estágios surgiram diversas problemáticas que exigiram múltiplas intervenções. Sendo assim, o método de investigação-ação permitiu o planeamento de diversas estratégias previstas após a fase da observação.
É ainda necessário referir que as estratégias planeadas eram flexíveis visto que podia ser necessário realizar alterações com a finalidade de atingir melhores resultados.
3.1. Investigação-Ação e suas Fases
De modo a obtermos um melhor entendimento acerca da investigação-ação, importa definir um conceito preciso para Investigação-Ação, conceito este que cada vez mais se encontra interligado com a educação, pelo simples facto desta ser uma área em que surgem cada vez mais interrogações, no que diz respeito à sua prática, emergindo uma grande vontade de mudança.
São muitos os autores que caraterizam e definem este conceito complexo. Segundo Coutinho et. al. (2009), citando Watts (1985), “a Investigação-Ação é um processo em que os participantes analisam as suas próprias práticas educativas de uma forma sistemática e aprofundada, usando técnicas de investigação” (p. 360).
Para Coutinho (2005, citado por Coutinho et. al., 2009) “trata-se de uma expressão ambígua, que se aplica a contextos de investigação tão diversificados que se torna quase impossível chegar a uma conceptualização unívoca” (p.359).
Cohen e Manion (1987) referem:
Trata-se de um procedimento in loco, visando lidar com um problema concreto localizado num contexto imediato. Isto significa que o processo é constantemente controlado passo a passo (numa situação ideal) durante períodos de tempo variáveis, utilizando diversos modos de avaliação (diários, narrativas, entrevistas, questionários e estudo de casos, por exemplo), de modo que os resultados obtidos levem a reformulações, modificações, ajustamentos e mudanças de direção, conforme as necessidades, de modo a orientar a investigação no caminho mais adequado (citado por Sousa, 2005, pp. 95-96).
Ainda assim, apesar de todas as definições possíveis para Investigação-Ação, é de destacar a importância que esta apresenta na educação. Deste modo, salienta-se o facto
de ser fundamental uma reflexão da sua prática, por parte do professor, de modo a proceder à resolução de problemas e à introdução de modificações nessa mesma prática, tal como salienta Coutinho et.al. (2009).
Seguindo toda esta perspetiva, podemos afirmar que a investigação ação carateriza-se como uma metodologia que se baseia na seleção de problemas reais, com vista à sua resolução, ou seja, parte dos comportamentos que são observados para a determinação de estratégias que levem à sua resolução.
A investigação apresenta como principais objetivos “compreender, melhorar e reformar práticas” (Ebbutt, 1985 citado por Coutinho et. al., 2009, p.363) e intervir “em pequena escala no funcionamento de entidades reais e análise detalhada dos efeitos dessa intervenção” (Cohen e Manion, 1994 citado por Coutinho et. al., 2009, p.363). Desta forma, pretende-se com a Investigação-Ação proceder a uma alteração na prática educativa, unindo a investigação às três dimensões do processo reflexivo (investigação, ação e formação), aproximando-se da realidade e conferindo aos educadores um papel principal na investigação (Latorre, 2003 citado por Coutinho et. al. 2009).
Na Investigação-Ação podem ser utilizados tanto os métodos quantitativos como os métodos qualitativos sendo que estes últimos como referem Bogdan e Bliken (1994), recorrem à entrevista, à análise de documentos e à observação para a sua investigação afirmando-se assim como o método mais adequado à investigação em educação.
Vários são os autores que defendem o caráter cíclico da Investigação-Ação uma vez que é possível presenciar um conjunto de fases (planificação, ação, observação e reflexão) que decorrem continuamente levando ao surgimento de um novo ciclo. Isto acontece pelo facto da Investigação-Ação ter como objetivo a transformação das práticas e respetivas melhorias, sentindo a necessidade de uma constante avaliação.
Tal facto é mencionado por Coutinho et. al. (2009):
na I-A observamos um conjunto de fases que se desenvolvem de forma contínua e que, basicamente, se resumem na sequência: planificação, acção, observação (avaliação) e reflexão (teorização). Este conjunto de procedimentos em movimento circular dá início a um novo ciclo que, por sua vez, desencadeia novas espirais de experiências de acção reflexiva (p.366).
Concluímos desta forma que a Investigação-Ação é uma metodologia que em tudo favorece as práticas educativas, pois, de acordo com Coutinho et. al. (2009), favorece a comunicação e origina uma constante partilha. Assim, a Investigação - Ação tende a
revelar-se essencial para os professores que pretendem aperfeiçoar a sua prática e levá-la cada vez mais longe, aproximando-a da atualidade.
3.1.1. Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados
Para qualquer tipo de investigação é indispensável a tomada de decisão sobre quais os instrumentos necessários à recolha de informação e que melhor se adequam ao que é pretendido pelo investigador.
Latorre (2003, citado por Coutinho et. al., 2009), salienta a necessidade do professor recolher, ao longo de um período de tempo, informações acerca da sua prática, de modo a tornar o seu método de ensino mais claro, simplificando deste modo a sua reflexão. Segundo o autor acima supracitado, as técnicas e instrumentos de recolha de dados podem ser decompostas em três categorias. As categorias em questão encontram- se definidas por técnicas baseadas na observação e técnicas baseadas na conversação que se afirmam respetivamente como estando centradas no ponto de vista do investigador, baseando-se na observação direta e estando centradas no ponto de vista dos participantes, dando espaço ao diálogo e à interação e, por fim, a análise de documentos igualmente centrada no ponto de vista do investigador e implicando a leitura de documentos que contenham informação imprescindível para a investigação.
Para além disso, estas técnicas e instrumentos podem dividir-se ainda em instrumentos como testes, escalas, questionários e observação sistemática, estratégias onde se incluem as entrevistas, a observação participante e a análise documental e os meios audiovisuais que abarcam a realização de vídeos e a captação de fotografias e de gravações áudio (Coutinho, 2009).