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Chapter 5. Analysis

5.4. Section 3: WEHBSO as a “good citizen” – signs of organizational decoupling?

5.4.1. Decoupling of policy and practice

A população brasileira, de maneira geral, não está preparada para lidar com questões de urgência em saúde. Neste sentido, a comunidade escolar, por estar próxima a crianças e ter responsabilidades frente à educação, porém também ao cuidado da criança durante sua permanência na escola, deve estar capacitada a prover primeiros socorros de maneira segura, quando necessário.

O ambiente escolar é cenário propício a riscos de vida, assim, identificar as contribuições da Simulação Realística quanto ao manejo de intercorrências de saúde com crianças em ambiente escolar por professores, traz à tona questionamentos relacionados ao papel profissional, ético e de cidadania do professor.

Acidentes e intercorrências de saúde com crianças na escola são assuntos a serem discutidos, uma vez que capacitação profissional para atender tais situações ainda é incipiente e pautada em treinamentos descontextualizados da rotina de trabalho.

Nesse sentido, nosso estudo demonstra que, além de mudanças atitudinais individuais e coletivas, faz-se necessário interconexão entre a rede de saúde e educação. São imprescindíveis iniciativas de treinamentos que se baseiem em estratégias metodológicas transformadoras do processo de ensino-aprendizagem e que enfatizem a aprendizagem significativa. A escola consolida-se como espaço substancial para troca de informações e é preciso maior proximidade relacional entre o campo educacional e da saúde.

Nessa perspectiva, a simulação realística, como tecnologia aplicada à educação em primeiros socorros e como recurso da aprendizagem experiencial, promove reflexões intencionais, desvela sensações e emoções dos professores, relacionadas ao atendimento de situações de urgência e materializa intervenção educativa projetada para o profissional de educação.

Compreender as demandas de saúde escolar e aproximar-se das técnicas de primeiros socorros, a partir de treinamentos com simulação, permite ao professor autorreflexão. Além disso dá sentido a estímulos externos, revalida informações do senso comum e de acesso através dos meios eletrônicos, auxilia na operacionalização do atendimento às intercorrências,

através da proatividade e prontidão; seja para atuar direta ou indiretamente no caso de alguma intercorrência.

É imprescindível a discussão sobre primeiros socorros na escola, e essa pesquisa parte da premissa de que qualificar os professores para isso repercute na defesa, promoção e proteção da infância e tem relevância social.

Entretanto, indagações sobre corresponsabilização do professor sobre mais uma atribuição, além das inúmeras que já desenvolve na prática profissional, devem ser consideradas, uma vez que se fazem necessários treinamentos de primeiros socorros nas escolas, a fim de familiarizar o profissional com as técnicas e aproximá-lo delas, enquanto cidadãos. Entretanto, não eximir a responsabilidade governamental em potencializar a escola para a segurança da criança.

Conhecer a experiência de participação do professor na intervenção educativa mediada pela Simulação Realística e averiguar as contribuições do curso na vivência diária deste profissional, subsidia para que novos estudos sejam feitos, a fim de aprimorar o meio educacional para lidar com questões de saúde.

A simulação realística auxilia para que situações reais possam ser praticadas através de ambiente seguro e foi considerada subsídio inicial para o aprendizado, ponderada como ponto de partida do processo aprendizagem em primeiros socorros.

Como instrumentos de coleta de dados, a entrevista individual demonstrou-se bastante significativa, entretanto o modo como constituiu-se o grupo focal trouxe dados escassos referentes à coletividade, sendo mais abrangentes as falas provenientes do momento do Debriefing do que do próprio grupo. Nesse sentido, nesse tipo de pesquisa, grupo focais, realizados após intervenção com simulação realística e debriefing, tornam-se cansativos e não tão representativos enquanto instrumento de coleta de dados, mesmo quando a conduta do facilitador é imparcial e integradora entre o grupo.

Os participantes não referiram nas entrevistas individuais que o grupo focal foi elemento de estresse, entretanto, durante o percurso de realização, esse grupo não se desenvolveu da forma esperada , contemplando amplitude nos resultados grupais. Falas viciadas e copiadas de integrantes anteriores , pressa para finalização e poucos resultados advindos deste momento da pesquisa foram comuns, apesar de não prejudicarem os objetivos finais da pesquisa. Sugere-se que para replicações

desse estudo, seja repensado o momento de realização do grupo focal, levando em consideração as potencialidades desse instrumento para coleta de dados.

Após intervenção educativa, o acesso aos professores foi facilitado pelo aplicativo WhatsApp ®, que nesta pesquisa minimizou o tempo para contato com esses profissionais,

uma vez que eles puderam responder se participariam ou não das entrevistas individuais no momento em que estavam disponíveis e não no momento de ligação telefônica, em que poderiam não estar desocupados para atender. Nesse sentido, a tecnologia auxiliou em parte da coleta de dados, realçando a importância de novas inteligências a serem utilizadas em pesquisas posteriores.

Enfatiza-se que a pesquisa foi realizada por meio de grupo seleto de profissionais de educação, quando se pensa na infinidade de especialidades que circundam o campo educacional e subcategorias de professores. Restringiu-se apenas àqueles que trabalham com educação infantil e de ensino fundamental I, devido à alta incidência de acidentes na infância e crianças passarem o maior tempo de suas vidas na escola. Entretanto, a literatura demonstra carência de conhecimento sobre primeiros socorros entre diversas categorias de professores. Dessa forma, propõem-se estudos em que metodologias ativas para treinamento em saúde sejam aplicadas com outras categorias de professores e profissionais de educação, além de novos treinamentos com cenários validados, replicados no mesmo formato desta pesquisa e com número maior de participantes.

Como limitações do nosso estudo, enfatiza-se que a demanda dos temas abordados na intervenção não partiu dos próprios professores, sendo um viés quando discutido à luz da conceitualização de educação popular em saúde. Entretanto, entende-se que abrir espaço para perceber quais as reais necessidades dos professores dentro do contexto escolar é importante; e justifica-se a escolha por meio de levantamento literário, a fim de abranger temas de evidência nacional e não somente através da escolha de grupo seleto de professores, apesar da intervenção ser focada nele.