A ABAE funcionava em regime de semi-internato; desenvolvia um intenso programa, procurando atender ao maior número de excepcionais, dando-lhes uma assistência específica em todos os setores especializados.
O trabalho era dinâmico e exigia uma equipe de médicos, técnicos e professores especializados, que visavam ao desenvolvimento das potencialidades dos excepcionais, na perspectiva de uma vida ativa e independente.
Através do Termo de Convênio, a instituição apresentava, anualmente, relatórios à Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, em que constavam o quadro de pessoal, o plano geral das atividades executadas e o balanço geral.
Além disso, os relatórios da ABAE, durante o exercício de 1965 a 1976, descreviam a organização e finalidade dos setores dentre as quais destacam-se:
Parte I 1) Período 2) Nome da Obra 3) Endereço
4) Total de menores matriculados 5) Data de início do convênio Parte II
1) Instalações
3) Móveis e utensílios
4) Admissão e readmissão de funcionários 4.1) Demissão
4.2) Afastamento/licença médica 4.3) Falecimento
4.4) Professora substituta
5) Crianças novas – frequentes – abandono Parte III
1) Equipe de trabalho Parte IV
1) Comentário geral sobre a Associação 2) Entrosamento dos diversos setores Parte V
Apresentação dos setores, atividades desenvolvidas, resultados alcançados e programação para o próximo ano.
1) Setor Médico 2) Setor de Logopedia
3) Setor de Terapia Ocupacional 4) Setor de Serviço Social 5) Setor de Ortóptica 6) Setor Odontológico 7) Setor de Fisioterapia 8) Setor Psicopedagógico
9) Setor de Oficinas Pedagógicas
10) Setor de Recreação e Educação Física 11) Setor de Escolaridade
Naquele período, foi atendido um total de 1250 crianças. A equipe especializada era formada por um Pediatra, dois Neurologistas, um Psiquiatra, quatro Psicólogas, duas Psicotécnicas, uma Orientadora Educacional, uma Técnica em Ortóptica, um auxiliar de Fisioterapia, uma técnica em surdos-mudos; quatro técnicas em Organização Neurológica, 17 Professoras Especializadas, três Orientadoras Educacionais, uma Orientadora Pedagógica, uma Logopedista, um Professor de Educação Física /Recreação, uma Terapeuta Ocupacional, dois Fisioterapeutas, uma
Secretária, um Chefe de Escritório, um Odontólogo, uma Operadora, uma Recepcionista, uma Contadora.
O Setor médico fazia atendimento clínico e avaliação médica. Cabia ao psiquiatra orientar a equipe especializada sobre as medidas terapêuticas. Já o pediatra realizava a anamnese e prescrevia exames quando necessário.
Havia reunião mensal com a equipe multiprofissional para que fossem decididos os atendimentos necessários a cada usuário que ali eram recepcionados.
O Setor de Logopedia cuidava da reeducação das pessoas com dificuldades na palavra escrita e falada, além de problemas psicomotores e emocionais.
A reabilitação nas áreas físicas e psicossociais cabia ao Setor de Terapia Ocupacional.
O Setor Psicopedagógico era constituído por psicólogo e orientador educacional, que faziam a avaliação e seleção dos alunos para os diversos atendimentos. Realizavam orientação vocacional de alunos do Instituto da Criança Excepcional Maria do Rosário e os encaminhava para as oficinas pedagógicas. Tinham, também, a responsabilidade por outros serviços como o Estudo de Caso (entrada e saída dos usuários), a entrevista, a orientação e apoio à família. Cabia-lhes, ainda, a aplicação de testes para a determinação da Idade Mental e do Quociente Intelectual (Colúmbia e Raven), como outros de personalidade (Rorschach), além do preparo e orientação psicológica do pessoal que trabalhava na instituição, e a observação direta e acompanhamento do aluno.
O Setor de Serviço Social procurava ajustar o excepcional ao seu meio ambiente, ou seja, à família e à comunidade. Utilizava questionário com os responsáveis dos excepcionais para levantar dados sobre o desenvolvimento, familiar e socioeconômico; reunia-se mensalmente com equipe multiprofissional para discussão e Estudo de Caso.
A preservação dos dentes para a conservação da saúde, além do tratamento dentário, ficava a cargo, obviamente, do Setor Odontológico.
Cabia ao Setor de Fisioterapia prestar atendimento individual ou em grupo, com o objetivo de estabelecer a função orgânica muscular e articular, para amenizar ou desaparecer os sintomas de dor; corrigir ou reduzir deformidades, restabelecer uma ou mais unidades motoras e, por fim, proporcionar a melhoria física do usuário.
O Setor de Oficinas Pedagógicas era destinado a adolescentes e adultos excepcionais e utilizava o trabalho manual como meio de educação e reabilitação
associado a outras formas de atividades, como música e esportes. Havia participação dos alunos nas comemorações durante a semana da pátria; em auditórios, especificamente nas comemorações das principais datas comemorativas; passeios e excursões.
Os alunos, também, confeccionavam encadernações, arte e objetos artesanais com a utilização de cerâmica, madeira, fios, tecidos e couro; recebiam encomendas e também vendiam em feirinha no Centro da cidade de Barbacena.
O Setor de Educação Física e/ou Recreação oportunizava às crianças e adolescentes uma grande variedade de atividades físicas e lúdicas. As atividades iniciais tinham por finalidade a verificação de habilidades e inabilidades que as crianças possuíam para obterem uma programação específica em termos terapêuticos e educacionais.
A Educação Física viabilizava o desenvolvimento físico e orgânico, e dos sistemas respiratório e circulatório, além do esquema corporal; já a Recreação era bastante diversificada: às vezes com atividades livres e/ou direcionadas; brinquedos e brincadeiras; atividades de parque (gangorra, balanço, carrossel) e passeios especiais. Eram promovidos exercícios para o desenvolvimento físico e orgânico e jogos individuais e grupais como o ping-pong, pular corda, voleibol e futebol; competição com o salto de distância e de altura. A música também era utilizada como atividade recreativa; usavam instrumentos de bandinha e cantavam com acompanhamento de violão e dança.
Já o Setor de escolaridade era organizado de formas distintas37:
Em 1963, no município de Barbacena, havia duas classes de Ensino Emendativo anexas ao Grupo Escolar Padre Sinfrônio de Castro que, posteriormente, foram transformadas em unidade escolar autônoma com a denominação de Instituto da Criança Excepcional Maria do Rosário, sob o Decreto nº 8751 de 27 de setembro de 1965. No registro de matrículas, em 1966, constava que o Instituto tinha 35 alunos,
37
A ABAE era entidade particular de fins filantrópicos e funcionava sob a forma de sociedade civil de caráter público, enquanto o Instituto da Criança Excepcional Maria do Rosário era Estadual, porém sob a responsabilidade da primeira. Paralelo ao setor educacional, a partir de 1976, a Instituição trabalhou sob a filosofia de tratamento de organização neurológica seguindo as orientações do método Doman-Delacato (cujo nome é devido a seus dois principais teóricos, Glenn Doman e Carl Delacato), que foi elaborado no decorrer dos anos 50 e 60, nos Estados Unidos, pela equipe do Institute for the Achievement of Human
Potential (Instituto para o Desenvolvimento do Potencial Humano), localizado na Filadélfia. No Brasil, o
Instituto atua por meio do Centro de Reabilitação Nossa Senhora da Glória, no Rio de Janeiro, fundado em 1959. Informações sobre o método: (WACHELKE; NATIVIDADE; FAGGIANI. Contribuições e Limitações do Método Doman-Delacato no Contexto da Educação Especial, Marília, v.10, n3, p. 309- 320, 2004. Acesso em: 12 nov. 2012.)
entre 3 e 21 anos de idade, os quais estavam distribuídos em 5 classes, regidas por 5 professoras (Lea Araujo Belo, Stella Maris de Lima, Lenira Resende Silva, Dalva Combini e Maria Auxiliadora Penna Esteves) e a Coordenadora Maria Marta Miranda.
O Instituto era mantido pela ABAE em Convênio com o Governo do Estado de Minas Gerais, o qual foi celebrado em 20 de janeiro de 1966 entre o Secretário de Educação, Bonifácio José Tamm de Andrada, e os representantes da ABAE de Barbacena, Ítalo Sogno e Léa Paulucci Cascapera. Sua finalidade era a manutenção ao amparo e recuperação de excepcionais, e ainda, o preparo de pessoal para esse serviço.
Cabia à Associação manter classes especiais, oficinas pedagógicas e demais serviços necessários ao diagnóstico; terapia, educação de crianças e adolescentes excepcionais que seriam recebidos em regime de semi-internato; assegurar assistência médica, dentária, psicopedagógica, social, além de oferecer alimentação, vestuário e demais necessidades de seus educandos; receber professores estagiários que tivessem interesse em Educação Emendativa, e fossem indicados pela Secretaria da Educação; indicar à Secretaria de Educação os funcionários técnicos e administrativos necessários ao seu quadro de pessoal e dispensá-los, quando da sua conveniência e mediante comunicação prévia aos órgãos superiores; supervisionar, dirigir e orientar as atividades de todo o pessoal designando-lhes as funções de acordo com as necessidades do seu bom funcionamento; apresentar, anualmente, à Secretaria de Educação, relatório circunstanciado de suas atividades; facilitar meios à Secretaria de Educação para inspecionar, sempre que necessário, as suas próprias atividades, especificamente no que se referia ao trabalho do pessoal.
Em contrapartida, cumpria à Secretaria da Educação do Estado de Minas Gerais colocar a disposição da ABAE: professores para a regência de classes de educação emendativa, de canto orfeônico, educação física, trabalhos manuais e, mediante entendimentos com a Secretaria da Saúde e Assistência Social, médicos, dentistas, psicólogos, enfermeiras, foniatras e assistentes sociais; pessoal para o exercício das atividades relacionadas com o acompanhamento das crianças e adolescentes, para a cozinha, almoxarifado, lavanderia; por fim, remunerar todos esses profissionais.