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5. Analysis and discussion of results

5.5 Cancer and Nordic Diet

De acordo com a perspectiva de Denzin e Lincoln (2006), a pesquisa qualitativa não consegue captar a realidade objetiva e trabalha, portanto, com a sua representação a partir de um conjunto de métodos diversificados (triangulação) e flexíveis como o estudo de caso, a entrevista e os textos observacionais. Essa estratégia é usada no intuito de validar o seu entendimento mais profundo, além de conseguir diferentes visões acerca do assunto pesquisado, uma vez que o pesquisador qualitativo parte do pressuposto da inexistência de uma única verdade interpretativa.

Goldenberg (2000) destaca os problemas inerentes à pesquisa qualitativa: a ausência de regras fixas de procedimento metodológico, o que deixa margem para a subjetividade e a biografia do pesquisador (gênero, religião, etc.) marcarem os resultados do trabalho; o fato de não possuir testes adequados de validade e fidedignidade; e a inexistência de generalizações, uma vez que os dados extraídos da pesquisa não são padronizáveis. Em contrapartida, na concepção de André (2008), o conhecimento aprofundado resultante da pesquisa qualitativa consegue fazer com que o leitor conecte e relacione as suas experiências, além de outros casos por ele conhecidos, às descrições feitas pelo pesquisador. Isso configuraria uma generalização do conhecimento produzido.

A pesquisa qualitativa é o campo de investigação no qual se insere esta pesquisa, que se refere à investigação, no campo da Educação, ao pretender analisar se existem consequências na vida escolar de adolescentes a partir do modo das suas configurações familiares. Para tanto, busca-se algum entendimento sobre situações que podem influenciar a vida escolar de adolescentes provenientes de famílias com configurações diferentes de pai, mãe e filho(s) biológico(s).

Com esse propósito, foram escolhidas para fazerem parte da pesquisa três escolas

– duas públicas e outra particular –, uma delas localizada em Capitólio/MG, e as outras duas

alunos e profissionais da área de Educação lá inseridos, marcas socioculturais diversas, além de percepções variadas sobre a importância do espaço escolar, fatores esses que contribuíram com casos muito ricos para o desenvolvimento deste trabalho.

A escolha dos sujeitos foi feita a partir dos discursos das dirigentes das escolas (diretoras, vice-diretoras e supervisoras), que indicaram alguns alunos que se destacavam positiva e negativamente em questão de disciplina e comportamento. Além disso, foi realizada uma análise dos documentos dos estudantes, como o histórico escolar, as fichas com informações pessoais dos adolescentes e os livros de ocorrência – o que permitiu conhecer parte da história escolar e familiar dos alunos.

De acordo com Yin, o uso de documentos é importante para “corroborar e valorizar as evidências oriundas de outras fontes” (YIN, 2005, p.112). André (2008) concorda

com essa opinião, além de salientar a importância desse material em fornecer dados

interessantes para a triangulação. Os dados, por sua vez, são os “materiais em bruto que os

investigadores recolhem do mundo que se encontram a estudar; são elementos que formam a

base da análise” (BOGDAN & BIKLEN, 1994, p.149).

O caráter subjetivo dos documentos é uma característica importante desse tipo de fonte, na qual o investigador qualitativo deve se concentrar. Em alguns casos, os documentos

“representam uma expressão direta dos valores daqueles que administram as escolas”

(BOGDAN & BIKLEN, 1994, p.181). Essa perspectiva foi seguida no momento da análise documental, uma vez que se buscou, a partir desse material, identificar os adolescentes provenientes de famílias ditas não tradicionais e que apresentassem um conceito positivo ou negativo tanto de desempenho escolar como de disciplina, a partir do ponto de vista dos profissionais de cada instituição de ensino.

O cruzamento das informações obtidas dos relatos sobre os alunos feitos pelas dirigentes das escolas e da análise documental resultou na escolha dos 14 sujeitos que fazem parte desta pesquisa. Todos eles cursam atualmente6 o Ensino Médio e, com exceção de dois casos (Beatriz e Igor), viveram todo o Ensino Fundamental em um núcleo familiar dito não tradicional, isto é, são adolescentes que fazem parte de uma família diferente da configuração pai, mãe e filho(s) biológico(s).

Acredita-se que o fato de os adolescentes terem passado todo o período do Ensino Fundamental pertencendo a uma família dita não tradicional poderia oferecer uma quantidade maior de dados relevantes a serem estudados, em comparação a alunos que vivenciaram a

modificação de suas configurações familiares em um curto período de tempo. Esses dois casos de exceção foram escolhidos ao longo da coleta de dados – o que será mais detalhado a seguir.

A entrevista do tipo semiestruturada com os adolescentes foi outro instrumento usado como coleta dos dados da pesquisa. De modo geral, ela foi norteada por três eixos centrais: vida social7, vida escolar e vida familiar dos adolescentes. O roteiro das entrevistas foi elaborado a partir de questões nas quais pudessem ser pontos importantes sobre a vida escolar dos sujeitos8, como a relação professor-aluno e aluno-aluno; as dificuldades e facilidades dos adolescentes em desenvolverem as atividades escolares, inclusive fora do ambiente escolar; as opiniões e sentimentos dos sujeitos acerca de eventos extracurriculares que exigem a presença tanto do pai, quanto da mãe, por exemplo. Além disso, novas questões foram elaboradas no momento das entrevistas, a partir de informações inusitadas oferecidas eventualmente pelos entrevistados, com o intuito de identificar o que havia de singular em cada sujeito escolhido.

Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (2004) afirmam que a entrevista possibilita o estudo de temas complexos e que exigem ser analisados com profundidade. De forma geral, as entrevistas qualitativas não possuem uma estruturação prévia muito rígida, aproximando-se de uma conversa. Nesse caso, o entrevistador está interessado em entender o sentido dado pelos sujeitos a situações, eventos, pessoas, etc., que fazem parte de seu cotidiano.

Goldenberg aponta um grande problema no uso das entrevistas: “detectar o grau de veracidade dos depoimentos”, uma vez que “lidamos com o que o indivíduo deseja revelar, o que deseja ocultar e a imagem que quer projetar de si mesmo e de outros”

(GOLDENBERG, 2000, p.86). Ao mesmo tempo, a entrevista é um instrumento que “objetiva revelar os significados atribuídos pelos participantes a uma dada situação” (ANDRÉ, 2008, p.51).

A análise dos dados, portanto, foi feita a partir do cruzamento de informações obtidas da pesquisa documental e relatos das dirigentes das escolas, com as categorias extraídas das entrevistas. A apresentação dessa análise será feita juntamente com a explicação da escolha dos sujeitos. São eles: Arthur, Beatriz, Bruno, Eduardo, Gabriela, Geovane, Igor, Laura, Marcela, Mariana, Murilo, Pedro, Vinícius e Vitor. Para tanto, antes disso, será feita

7

A abordagem sobre a vida social dos sujeitos foi uma estratégia de pesquisa. Considerou-se que esse assunto seria mais atraente para os adolescentes, no sentido de que eles poderiam se sentir mais à vontade em relatar, no início da entrevista, suas experiências relacionadas ao lazer e, ao mesmo tempo, criariam maior liberdade e sentimento de confiança pelo entrevistador.

8As questões sobre a “vida familiar” dos sujeitos tiveram como objetivo cruzar informações com a vida escolar

uma descrição das regularidades e singularidades discursivas dos eixos principais que nortearam as entrevistas, a saber: vida social, escolar e familiar dos sujeitos.