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4.2 The Camplani Dataset

Não existem medidas específi cas para controle da população dos animais peçonhen- tos. Por serem animais silvestres, são proibidos sua captura e transporte não autorizados legalmente. Portanto, a única garantia para que não haja acidentes é a prevenção de sua ocorrência.

Vigilância ambiental

Os animais peçonhentos podem estar presentes em vários tipos de ambiente. No caso de serpentes, há espécies que vivem em ambientes fl orestais e outras em áreas abertas, como campos cerrados e caatingas, o que torna inviável o monitoramento de sua presença na natureza. A diversidade de hábitos alimentares é grande e várias espécies alimentam-se de invertebrados, como moluscos, minhocas e artrópodes, ao passo que outras se alimentam de vertebrados, como peixes, anfíbios, lagartos, serpentes, aves e mamíferos. Ressalte-se como de importância no meio periurbano a presença de roedores, que aumenta a proximi- dade dos ofídios ao homem.

A proteção de predadores naturais de serpentes, como as emas, siriemas, gaviões, gam- bás e cangambás, e a manutenção de animais domésticos como galinhas e gansos próximos às habitações, em geral afastam as serpentes.

O crescimento da população dos escorpiões e de aranhas do gênero Loxosceles no meio urbano difi culta o controle desses animais, principalmente na periferia das cidades, onde

encontram alimento farto, constituído por baratas e outros insetos. Inseticidas e outros produtos tóxicos não têm ação na eliminação dos animais no ambiente.

Apesar de não serem bem conhecidos os fatores que acarretam mudanças no padrão das populações de animais peçonhentos em determinado meio, como é o caso de Loxosceles e Lonomia no Sul do país, desequilíbrios ecológicos ocasionados por desmatamentos, uso indiscriminado de agrotóxicos e outros produtos químicos em lavouras, e alterações climá- ticas ocorridas ao longo de vários anos, certamente têm participação no incremento dos acidentes e, conseqüentemente, importância em termos de saúde pública.

Ações de educação em saúde

As estratégias de atuação junto às comunidades expostas ao risco de acidentes deve incluir, além das noções de prevenção dos acidentes, medidas de orientação para a não rea- lização de práticas caseiras e alternativas no manejo dos pacientes, tais como:

• o uso de torniquete ou garrote, embora ainda bastante difundido, tem sido asso- ciado a complicações locais nos acidentes botrópicos e laquéticos, por favorecer a concentração de veneno e agravar a isquemia na região da picada;

• sucção e incisão no local da picada propiciam, além de infecção cutânea, a ocorrên- cia de hemorragia, não tendo nenhuma efi cácia na redução da absorção do veneno; • a colocação de substâncias como alho, esterco, borra de café e outros produtos per-

manecem como práticas ainda fortemente arraigadas na população. A crença nes- sas medidas provoca o retardo no encaminhamento do paciente para a unidade de saúde, que é feito tardiamente para a administração do soro, muitas vezes quando o indivíduo já apresenta complicações;

• medicamentos fi toterápicos e outras terapias alternativas não encontram respaldo na literatura científi ca para o tratamento dos acidentes por animais peçonhentos, devendo-se desestimular o seu uso.

Organização da distribuição dos soros antipeçonhentos

Desde a implantação do Programa Nacional de Controle dos Acidentes por Animais Peçonhentos, em 1986, todos os soros antipeçonhentos produzidos no Brasil são adquiri- dos pelo Ministério da Saúde e distribuídos às secretarias estaduais de saúde, que, por sua vez, defi nem os pontos estratégicos para atendimento dos acidentes e utilização correta e racional dos antivenenos. O diagnóstico correto e a terapêutica adequada são condições essenciais para o bom prognóstico dos casos.

5 de casos, visando minimizar as distâncias entre os locais de ocorrência dos acidentes e as

unidades de saúde.

O acompanhamento da distribuição geográfi ca dos animais e dos acidentes permite defi nir estratégias para a organização da assistência médica e planejamento das ações de vigilância, incluindo a distribuição de soros antiofídicos compatível com o perfi l epidemio- lógico dos acidentes.

Anexo

Técnica para determinação do tempo de coagulação (TC)

• Retirar o sangue com seringa plástica, cuidadosamente, evitando a formação de coá- gulo e difi culdade de escoamento do fl uido.

• Colocar 1ml em cada um dos dois tubos de vidro (13x100mm), que devem estar secos e limpos.

• Colocar os tubos em banho-maria a 37ºC.

• A partir do 5º minuto, e a cada minuto, retirar sempre o mesmo tubo para leitura. • Inclinar o tubo até a posição horizontal: se o sangue escorrer pela parede, recolocar o

tubo no banho-maria (o movimento deve ser suave, para evitar falso encurtamento do tempo).

• Referir o valor do TC naquele minuto em que o sangue não mais escorrer pela pare- de interna do tubo, quando inclinado.

• Confi rmar o resultado com o segundo tubo, que permaneceu em repouso no banho- maria.

Tempo Resultado

Até 9 min Normal

10 a 30 min Prolongado

Acima de 30 min Incoagulável

Observação: os valores do TC variam pouco em função do diâmetro do tubo empre- gado, mas sofrem variações com o volume do sangue adicionado, com o número de incli- nações do tubo e com a temperatura do banho.

6

Doenças

A 6

AIDS

CID 10: B20 a B24

Descrição

A aids é uma doença emergente, que representa um dos maiores problemas de saúde da atualidade em virtude de seu caráter pandêmico e gravidade.

Os infectados pelo HIV evoluem para grave disfunção do sistema imunológico, à me- dida que vão sendo destruídos os linfócitos T CD4+, uma das principais células-alvo do vírus. A contagem de linfócitos T CD4+ é importante marcador dessa imunodeficiência, sendo utilizada tanto na avaliação do tratamento e prognóstico quanto em uma das defini- ções de caso de aids, com fim epidemiológico.

A história natural da aids vem sendo alterada, consideravelmente, pela terapia anti-re- troviral (ARV) que retarda a evolução da infecção, até o seu estádio fi nal, em que surgem as manifestações defi nidoras de aids. Juntamente com as campanhas de prevenção, os ARV pa- recem estar contribuindo para a estabilização do crescimento da epidemia de aids no Brasil.

A transmissão vertical, uma das prioridades do Programa Nacional de DST e Aids (PN-DST/Aids), também vem sendo reduzida com a instituição do tratamento/quimiopro- fi laxia da gestante/parturiente e criança exposta, que além da quimioprofi laxia com o AZT será alimentada desde o nascimento com fórmula infantil1.

Sinonímia

Sida, aids, doença causada pelo HIV, síndrome da imunodeficiência adquirida.