10. SUGGESTIONS FOR THE THEORY OF PCM
10.2. C ONTRIBUTIONS TO THE DOCTOR - PATIENT RELATIONSHIP
O propósito de métodos científicos é transpor as barreiras das dúvidas e questionamentos através do rigor técnico da elaboração da pesquisa (CERVO; BERVIAN, 1982). Tal disciplina é compreendida por Thiollent (2011) como o campo que orienta o caminho para a execução de um estudo científico, servindo como um guia do pesquisador nos momentos de definições de paradigmas, formulações de hipóteses, bem como na etapa de levantamento de dados e suas análises.
Por sua vez, Teixeira e Pacheco (2015) acreditam que se deve à metodologia a organização utilizada pelo estudioso para caracterizar e desenvolver o tema escolhido. A racionalidade e sistematização objetivam responder os questionamentos que são propostos (GIL,2011).
Para Severino (2013, p.83), o planejamento prévio à realização do estudo é essencial, disciplinando a práxis adotada, no qual metodologia “é a lógica dos procedimentos científicos em sua gênese e em seu desenvolvimento” (BRUYNE et al, 1991, p. 29). Se por um lado a metodologia consiste em oferecer uma visão holística do ponto final do estudo, os métodos evocam as elucubraçõespara a realidade (STRAUSS; CORBIN, 1990).
3.1.1. MÉTODO DE PESQUISA
Os estudos de característica qualitativa possuem como ponto de partida a contextualização dos objetos que serão estudados, mesmo que possam sofrer alterações em
5 Tradução livre da autora para: “E-government refers to government agencies use of information
technologies (such as Wide Area Networks, the Internet, and mobile computing) that have the ability to transform relations with citizens, business, and other arms of government. These technologies can serve a variety or citizens empowerment through access to information, or more efficient government increased transparency, greater convenience, revenue growth and/or reductions.
seu percurso. Tal enfoque qualitativo permite a transmissão de teorias e padrões, que são resultantes da abordagem orientada em fenomenologias, narrativas, estudos de casos, estudos de teorias ou etnografias, de forma construtiva (CRESWELL, 2002; FLICK, 2004).
Para Thiollent (1988), a elasticidade existente em pesquisas qualitativas possibilita uma organização de pensamento diferenciada ao pesquisador, já que constitui ligações entre suposições e paradigmas utilizando-se de observação concreta permitindo o conhecimento da realidade intrínseca do objeto estudado. Segundo Terence e Escrivão (2006), o fato estudado pelas ciências sociais possui característica única e distinta dos outros campos de estudo, uma vez que o resultado da sua pesquisa é afetado pelo contexto cultural, econômico, social e histórico. Ao optar pela linha metodológica qualitativa, o pesquisador rejeita o paradigma único de pesquisa para todas ciências, respeitando as interferências que o fenômeno estudado recebe na formulação teórica.
Para Teixeira e Pacheco (2015) as características relevantes das pesquisas qualitativas são:
1. O foco do estudioso é o “sentido” que os indivíduos imprimem às coisas e às suas vidas. Deseja-se, deste modo, entender como os envolvidos naquela realidade analisam a problemática proposta;
2. Via de regra, o estudo qualitativo tem o ambiente natural como origem direta de informações, fazendo com que o trabalho de campo seja inevitável, bem como a interação do pesquisador com aquele universo; 3. O produto não tem tanta importância quanto o processo. A curiosidade do
pesquisador ao estudar certa questão é averiguar a maneira como ele se manifesta nas dinâmicas, nos procedimentos e nas relações cotidianas; 4. Os dados reunidos são em sua maioria descritivos. Nesses estudos,
transbordam as descrições de ocorrências, pessoas, situações, acontecimentos. Abrange reproduções de entrevistas e de depoimentos, fotografias, desenhos e extratos de vários tipos de documentos.
Diante da questão inicial da pesquisa não é possível definir uma verdade universal, tendo em vista que a intenção é descrever os fenômenos ocorridos, em um determinado espaço de tempo e universo, a escolha pela abordagem qualitativa se fez inevitável. Contudo caracterizá-la apenas como qualitativa não seria suficiente.
A pesquisa também apresenta um caráter exploratório, ao passo que objetivou compilar, investigar, catalogar e esclarecer os fatos observados em campo. Segundo Gil (1999), um trabalho acadêmico de natureza exploratória consiste no processo de investigação
bibliográfica, bem como a inserção na realidade do objeto pesquisado através de entrevistas com aqueles envolvidos na prática do problema. Além disso, essa característica possibilita o aprimoramento de ideias ou ainda a manifestação da intuição (YIN, 2001), sendo comparativamente adaptável quanto à programação e tornando possível diversas observações ao objeto estudado (COLLIS; HUSSEY, 2006).
Corroborando com o paradigma de que a epistemologia tem sua origem na observação da realidade empírica, o estudo pode ser classificado como indutivo em relação à congruência da metodologia; sendo assim casos únicos são o ponto de partida para inferências gerais (COLLIS; HUSSEY, 2006). É possível afirmar que a prática indutiva tramita do específico para o global ao considerar que uma investigação individual pode elaborar definições ou normativas gerais (COLLIS; HUSSEY, 2006).
Esse estudo adotou como estratégia a metodologia de estudo de caso, na medida em que o foco é delimitar a investigação dos fatos dentro de seu contexto real. Para YIN (2001), o estudo de caso é uma investigação empírica que estuda um acontecimento contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes.
Segundo Lewis (1998), a teoria das organizações existente pode ser aprimorada pelos estudos de caso, já que analisam detalhadamente as condições reais de operação. A vantagem da utilização do estudo de caso frente à experiência direta é a lente utilizada no estudo, já que o estudioso avaliará a realidade através de sua visão, diminuindo reações defensivas e reduzindo barreiras ao aprendizado (DONMOYER,2000).
As inconsistências de um determinado programa podem ser reveladas no estudo de caso, segundo a perspectiva de variadas partes desse processo, possibilitando ainda levantar características existentes em um período anterior à sua formulação (YIN, 2001).
Há a possibilidade de um estudo de caso ser único ou de casos múltiplos. Enquanto os casos múltiplos são compostos por vários casos únicos que utilizam a lógica da replicação em contraponto com a de amostragem, entende-se por casos únicos:
os que representam um projeto comum para realizar estudos de caso, e foram descritas duas etapas: as que utilizam projetos holísticos e as que utilizam unidades incorporadas de análise. No geral, o projeto de caso único é eminentemente justificável sob certas condições - nas quais o caso representa um teste crucial da teoria existente, nas quais o caso é um evento raro ou exclusivo ou nas quais o caso serve a um propósito revelador (YIN, 2001, p.67)
3.1.2. FONTES E ANÁLISE DE DADOS
Para obter-se a resposta à questão principal da pesquisa é fundamental que o estudo tenha a fase de coleta e registro de dados, ao considerarmos que eles serão essenciais
para a análise dos resultados. Em uma pesquisa de estudo de caso, tal fase é apontada como sendo sua “atividade central” (YIN, 2001; GERHARDT; SILVEIRA, 2009).
Yin (2001) elenca seis fontes de dados sendo eles: documentos, registros em arquivos, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos, cada qual com seu benefício e ponto fraco. Nesta dissertação, foram utilizadas diversas fontes de dados e diferentes técnicas de coleta, uma vez que cada uma trouxe informações distintas. A análise documental, os registros em arquivo, as entrevistas e a observação direta.
O referencial teórico foi elaborado a partir de um levantamento bibliográfico a respeito dos assuntos deste estudo. Para isso, artigos científicos, livros, periódicos, dissertações de mestrado, teses de doutorados, anais de congressos e páginas na web foram consultados. Salienta-se que foi dado acesso parcial a um trabalho localizado na Academia de Polícia do Estado de São Paulo (ACADEPOL) sobre a D.E., cujo acesso é restrito aos membros da Polícia.
Documentos governamentais também foram observados, sendo eles as legislações federais e do Estado de São Paulo, além dos portais disponibilizados por essas esferas de governo. Relatórios de organismos supranacionais relacionados ao tema de tecnologia e inovação também foram um ponto chave da pesquisa, com o objetivo de classificar o estudo de acordo com o contexto global.
A coleta de dados foi feita junto ao DIPOL, através de entrevistas semiestruturadas com perguntas abertas a serem respondidas por um entrevistado por vez, realizadas no período de janeiro, junho, julho e agosto de 2018. Através de perguntas abertas, buscou-se o não cerceamento de respostas. As entrevistas foram gravadas através do aplicativo Voice Notes e posteriormente transcritas pela pesquisadora.
Na primeira etapa, em janeiro, optou-se por uma conversa informal para que houvesse a compreensão do objeto. Além disso, foi somente após esse levantamento preliminar que o B.E.O. configurou-se como um fenômeno a ser estudado.
A seleção dos entrevistados foi feita a partir da análise das atribuições de seus cargos (em nível estratégico ou gerencial) e seu grau de interação/atuação em relação ao objeto da pesquisa. Ressalta-se que foi utilizado o termo “seleção”, partindo-se do paradigma proposto por Gaslkell (2002), o qual acredita que na pesquisa qualitativa deve-se utilizar técnicas diferentes para a seleção de entrevistados do que a pesquisa quantitativa.
Desse modo, esta pesquisa é apoiada em entrevistas, seguindo as linhas convergentes de investigação de Yin (2001), em documentos oficiais e pesquisas feitas anteriormente pelos próprios membros da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Seguindo as orientações de Vala (1986, p.112), "as referências teóricas do investigador orientam a primeira exploração do material, mas este, por sua vez, pode contribuir para a reformulação ou alargamento das hipóteses e das problemáticas a estudar", a caracterização do objeto tendo como objetivo situá-lo teoricamente.
A análise de conteúdo foi aplicada para avaliar os dados primários, uma vez que tal técnica objetiva a descrição do conteúdo das mensagens possibilitando um entendimento mais apurado do discurso e a consequente extração de elementos importantes de cada fala (RICHARDSON et al., 1985). Seus instrumentos metodológicos têm como atributos a sistematização, inferência e objetividade, ou seja, através de regras claras é possível efetuar proposições a partir de conceitos já aceitos.
Portanto, para aplicar a técnica, as entrevistas serão analisadas sob a luz do problema de pesquisa. As dificuldades enfrentadas no processo de implantação do processo de abertura do B.E.O. serão classificadas de acordo com as seguintes categorias: tecnologia, estrutura física, recursos humanos e apoio institucional.
Os aspectos tecnológicos envolvem a qualidade dos equipamentos disponibilizados para a equipe, bem como para o funcionamento do serviço. Soma-se a isso a modalidade do software utilizado, segundo a linguagem de programação utilizada e suas integrações com outros sistemas pré-existentes.
Por sua vez, a avaliação da estrutura física envolverá a análise do local em que fora implementada a inovação, bem como se ela era oferece todas as condições para a execução das atividades de forma satisfatória. Os recursos humanos também são parte integrante importante no sucesso da D.E., portanto avaliar-se-á o número de pessoas alocadas em relação ao atendimento da demanda, bem como se elas são treinadas para realizar as tarefas necessárias.
O apoio institucional possuiu duas vertentes. A primeira é a credibilidade entre os pares, ou seja, se todos os servidores públicos acreditavam na ideia. A segunda é de ordem vertical, isto é, se houve anuência e suporte da cúpula de gestores para a implementação da proposta.
Como o trabalho trata de inteligência policial, nem todos os aspectos observados foram relatados devido a um termo assinado de responsabilidade e confidencialidade de informações que envolvem dados pessoais de terceiros, ações de segurança especiais e dados estratégicos.
3.1.3. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
Esta dissertação foi composta de três etapas sequenciais de desenvolvimento: teórica, prática e final (quadro 4). Ao final de cada atividade foi feita uma revisão para garantir que os resultados desejados fossem obtidos.
Quadro 4 - Desenvolvimento da pesquisa
Etapas Atividades Resultado Período
Teórica
Definição do problema de pesquisa. Elaboração da questão finalizada Janeiro/2018
Levantamento bibliográfico sobre Inovação, Modelos de administração,
Governo Eletrônico. Bibliografia selecionada Janeiro
e Fevereiro/2018 Pesquisa sobre métodos, técnicas e
procedimentos utilizados no trabalho Metodologia definida Fevereiro/2018 Estruturação da revisão bibliográfica e
da metodologia de pesquisa.
Revisão bibliográfica e metodologia de pesquisa
elaboradas Fevereiro/2018
Prática
Elaboração do protocolo de pesquisa a
ser aplicado. Definido o protocolo de pesquisa Fevereiro/2018 Elaboração de formulários necessários
para desenvolvimento do protocolo de
pesquisa. Formulários finalizados
Fevereiro, Março, Julho/2018
Coleta das informações processuais. Dados esquematizados. coletados e Julho e Agosto/2018 Análise do resultado obtido. Resultados analisados. Agosto/2018
Final Elaboração da conclusão da pesquisa Conclusão elaborada.
Agosto/2018 Revisão da Dissertação Dissertação concluída. Setembro Outubro/2018 e Fonte: Elaborado pela autora (2018).