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Bygnings- og Brandvæsen

Este estudo contribuiu para uma melhor compreensão de como o design do brinquedo pode ser essencial para o desenvolvimento de diversas capacidades nas crianças, tendo especial importância para as que apresentam dificuldades a nível de aprendizagem, como é o caso das crianças com autismo.

O design inclusivo tem como principal objetivo permitir a um maior número de pessoas usufruir de artigos que permitam viver com dignidade, promover a confiança, autonomia e melhorar a qualidade de vida e permitir uma completa integração na sociedade. Por vezes, pequenas mudanças no design de um brinquedo podem torná-lo mais inclusivo e permitir que crianças com diferentes caraterísticas desfrutam do mesmo.

Os conceitos estudados relativos ao design inclusivo, à cor, forma, textura e relacionados com o autismo permitiram a criação de diretrizes para a realização do trabalho.

As crianças autistas são «pensadores visuais» e por esse motivo os elementos visuais de design são de elevada importância, quer a nível dos brinquedos como a nível de pistas visuais. O estabelecimento de associações entre formas, texturas, cores e palavras e outro tipo de estímulos como sons ajudam a melhorar a sua compreensão, aprendizagem e a conseguirem comunicar-se. As pistas visuais utilizadas tanto na estruturação das sessões como nos próprios brinquedos são essenciais para que a criança autista consiga absorver melhor a informação.

Através da realização desta investigação foi possível concluir que os elementos de design – cor, textura e forma não influenciam apenas a nível estético do brinquedo, têm um caráter importante no modo como a estimulação visual pode contribuir para a aprendizagem da criança. A cor para além de conseguir despertar o interesse e captar a atenção das crianças consegue influenciar diretamente na perceção das formas e do próprio brinquedo através da utilização de contrastes (cores saturadas e planas) e de contornos. As texturas influenciam a nível visual e a nível tátil e ajudam a criar correspondências entre desenhos e formas e os objetos e texturas reais. No caso da criança com autismo possui uma importância ainda maior pois muitas delas apresentam problemas táteis e propriocetivos e não toleram ou rejeitam determinadas texturas, devido a hipossensibilidades ou hipersensibilidades. A exposição a uma maior variedade de texturas ajuda a ultrapassar,

115 gradualmente, estes problemas. As formas simples (muitas vezes geométricas) e o seu tamanho em conjunto com a cor e a textura ajudam a facilitar perceção dos objetos e dos desenhos. O tipo de materiais utilizados e a utilização de formas arredondadas ajudam a que os brinquedos não magoem as crianças.

As sessões assistidas contribuíram de forma significativa para um melhor e maior conhecimento da realidade, não só das atividades e jogos realizados, como também dos brinquedos utilizados, da interação criança/brinquedo e criança/terapeuta, dos comportamentos e dificuldades das crianças e diferentes aspetos a nível da estimulação sensorial. Permitiram ainda ver aspetos a nível da cor, textura e forma dos brinquedos, o que foi fundamental para a posterior análise dos brinquedos existentes no mercado. Como não foi possível assistir a sessões de todas as áreas de intervenção no autismo, as entrevistas permitiram perceber de que forma uma equipa multidisciplinar consegue atuar em diferentes áreas e conseguir estimular o desenvolvimento de diversas capacidades, sejam estas cognitivas, sensoriomotoras ou a nível da autonomia da criança, recorrendo ao brinquedo e a outros recursos materiais. Tanto as sessões como as entrevistas estiveram dependentes da disponibilidade de ambas as partes, sobretudo por parte da associação e dos profissionais, o que condicionou em grande parte o desenvolvimento do estudo.

Em suma, as entrevistas e as sessões permitiram perceber que a equipa de profissionais, a estrutura da sessão, o tipo de jogos e brinquedos utilizados dependem de aspetos como a faixa-etária, as preferências, as áreas que se apresentam défices ou dificuldades e dos objetivos da sessão em si. As sessões de terapia devem ainda ser flexíveis ao ponto das atividades e brinquedos poderem ser alterados de acordo com a disposição da criança e suas preferências, sempre tentando orientar a mesma tendo em conta os objetivos. O mesmo brinquedo pode ser utilizado em diferentes terapias no desenvolvimento de diversas capacidades. A terapia ocupacional tem uma vertente ligada à integração sensorial e por isso tantos os brinquedos como os diversos «objetos lúdicos» são organizados de acordo com as áreas em que a criança precisa ser estimulada ou que apresenta dificuldades.

O brinquedo quando utilizado em sessões terapêuticas tem o papel de ferramenta lúdica que tem como principal objetivo estimular e desenvolver diversas competências de acordo com as necessidades da criança e dos objetivos das sessões, ou seja, o brinquedo em si não possui apenas

116 o valor de jogo, é um objeto que permite aos terapeutas trabalhar as áreas onde existem dificuldades. A introdução de brinquedos nos jogos desenvolvidos é fundamental para conseguir motivar a criança a participar nas atividades propostas.

Foi possível concluir que os brinquedos utilizados por uma criança «normal» podem ser utilizados por crianças com autismo, permitindo aos pais reutilizar brinquedos dos seus outros filhos, eliminar gastos e esperas desnecessárias. A utilização simultânea do brinquedo por ambos os filhos pode ser complicada pois, por vezes, as crianças com autismo tendem a querer brincar sozinhas e a recusarem-se a partilhar. É necessário que os pais e os profissionais que trabalham com os mesmos tentem aos poucos ultrapassar esse obstáculo.

Muitos dos brinquedos existentes no mercado podem ser utilizados por crianças com autismo, no entanto, é necessário ter em atenção que existem, por vezes, outras condições médicas associadas ao mesmo (ex. problemas de visão, atraso mental, etc.) e que tornam mais difícil encontrar brinquedos que se adequem às suas especificidades. Foi possível constatar que apesar destes brinquedos poderem ser utilizados no tratamento do autismo, estes acabam por focar-se, muitas vezes, no objetivo do brinquedo em si e na estimulação visual e não contemplando outros aspetos a nível sensorial que seriam interessantes explorar e que ajudariam a tornar o brinquedo mais «rico», despertando o interesse e a atenção da criança, apelativo do inicio ao fim da sua utilização ao mesmo tempo que consegue transmitir uma maior quantidade de informação.

Pelos motivos acima mencionados considera-se que os brinquedos existentes no mercado analisados são considerados inclusivos, isto é, no caso da criança com autismo não possuir qualquer outra condição médica associada à síndrome. Caso a criança tenha outra patologia associada, tal como problemas de visão, os brinquedos podem já não ser totalmente adequados e já devem considerar outros parâmetros. Se um brinquedo conseguir conjugar os aspetos lúdicos e educativos com a parte sensorial estes tornam-se mais inclusivos, ao mesmo tempo que consegue transmitir um maior número de informação. Por vezes, as crianças autistas podem apresentar determinadas reações negativas a determinados estímulos como luzes, sons e texturas, e é necessário ter isso em conta quando se escolhe os brinquedos.

117 Após a realização do trabalho foi possível tirar algumas conclusões relativas ao design de brinquedos que podem ser importantes para o designer para que consiga criar produtos que sejam ainda mais inclusivos e que possam ser utilizados por um maior número de crianças, incluindo autistas.

Os aspetos que devem ser considerados durante o processo são a flexibilidade do brinquedo e a adaptação do mesmo. O mesmo brinquedo deve de preferência conseguir estimular o desenvolvimento e diversas competências nas mais variadas áreas. O designer deve explorar as potencialidades dos brinquedos existentes no mercado e torná-los mais «completos». Procurar desenvolver produtos que explorem a parte tátil, nomeadamente a nível de texturas e diferentes materiais, de modo a melhorar a defensibilidade tátil apresentada por muitos indivíduos com autismo, assim como aumentar o interesse do mesmo pelo brinquedo. Procurar utilizar materiais que não sejam tão rígidos para evitar que se magoem quando apresentam comportamentos atípicos. A utilização de sons também pode tornar o brinquedo mais apelativo e facilitar a aprendizagem.

A nível da cor e da forma não existem grandes considerações a fazer, isto é, nada que não seja já considerado , tais como o uso de cores saturadas e contrastes, recurso a pistas visuais que ajudam a compreender melhor e a comunicar.

A nível de sustentabilidade já existe uma crescente preocupação visível na oferta de mercado seja através do uso de materiais sustentáveis como a madeira, seja através de materiais que são duráveis.

Por fim, é preciso ainda salientar que no autismo cada caso é um caso. As particularidades das pessoas variam imenso, há quem tenha imensas dificuldades em várias áreas, há quem apresente dificuldades apenas numa área, os comportamentos e preferências podem variar muito consoante o indivíduo. O brinquedo é não só essencial ao normal desenvolvimento da criança como no tratamento do autismo.

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