As técnicas de resolução de problemas auxiliam no desenvolvimento de projectos, mais ou menos complexos, e permitem a sua concretização. Mas outras formas existem de dinamizar a dimensão da acção dos projectos. O resumo das várias técnicas e métodos apresentados seguidamente, reúnem o conjunto dos mais citados pelos enfermeiros durante o trabalho de campo.
Na dimensão da acção, a técnica dos incidentes críticos é também apresentada por alguns autores como fundamental no desenvolvimento de projectos de aprendizagem. Esta técnica deve-se a Flanagan em 1954, que a define como toda a actividade humana
observável, suficientemente completa, para que através dela se possam fazer induções ou previsões sobre os sujeitos que realizam a acção. O fim e a intenção desta acção devem ser suficientemente claros ao observador e as suas consequências devem ser evidentes. Esta técnica exige pelo menos dois sujeitos em situação de aprendizagem. Em vez de reunir opiniões, impressões ou apreciações, os sujeitos registam e narram os comportamentos observados. Esta técnica é muito utilizada em processos de avaliação das aprendizagens.
Também, através da narrativa realizado pelo sujeito, acerca da percepção que tem dos seus sentimentos, das suas acções e interacções, das suas avaliações, no âmbito profissional, é possível promover-se uma reflexão efectiva dos momentos de aprendizagem vividos e experienciados no decurso da acção profissional. Os momentos que o sujeito dispõe para organizar uma narrativa, permitem-lhe tornar consciente uma quantidade de fenómenos ocorridos de forma automática, que são fundamentais nos processos de reflexão e consolidação das aprendizagens.
Outra técnica bastante utilizadas nas aprendizagens auto-dirigidas é a leitura. Se analisarmos a quantidade de informação escrita que prolifera todos os dias, verificamos que a utilização da leitura, com vista uma aprendizagem contínua, passa obrigatoriamente por um processo de actualização das técnicas de leitura. Todos nós utilizamos de forma consciente ou não técnicas de leitura que nos permitem ser mais ou menos rápidos de acordo com as nossas necessidades. O domínio destas técnicas permite absorver o mais rapidamente possível a informação escrita necessária ao processo de actualização. Para Guerra (2000), ler implica obrigatoriamente, compreender o que se lê. Conseguir ler mais rapidamente e garantir uma elevada compreensão, possibilita uma melhor compreensão dos conteúdos lidos, bem como uma melhor memorização.
A leitura é uma actividade física e intelectual. Física, porque para ser potenciada exige uma determinada postura e movimentos oculares adequados. Intelectual porque, o processo perceptivo visual em que se baseia a leitura obriga a reconhecer as palavras, pelo que se vê e não pelo seu som. Tal obriga a uma transformação do signo linguístico no seu significado e pressupõe um domínio léxico-gramatical. Se o processo inicial de leitura na criança se caracteriza por se tratar de um processo auditivo externo e interno,
símbolos sejam processados simultaneamente, tornando-se a eficácia física dependente do processo intelectual. É o trabalho intelectual de associação de símbolos que permite a compreensão de determinado texto. Se a postura física for inadequada, o estado do corpo gerado irá reflectir-se em termos cerebrais, inibindo a actividade intelectual, na qual o neocórtex assume uma importância crucial. Esta manifestação do estado do corpo, reflexo da actividade cerebral, indica a importância que a componente emocional pode ter no processo de leitura. Um estado emocional positivo, tenderá a facilitar o processo de leitura, mas um estado emocional negativo inviabilizará a sua eficácia. Ler com elevada compreensão implica uma eficácia na gestão física, emocional e intelectual (Guerra, 2000).
Com a evolução tecnológica, outras metodologias de aprendizagem têm proliferado de forma muito rápida nas últimas décadas, especialmente no âmbito do ciberespaço. A utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC), têm revolucionado as metodologias pedagógicas tradicionais, imprimindo novos contornos e apoiando os modelos e teorias sobre a aprendizagem auto-dirigida.
O ensino à distância terá começado nos fins do século XIX, em Inglaterra. O seu aparecimento terá sido motivado fundamentalmente por razões de ordem social, ou seja para proporcionar às pessoas a possibilidade de, sem saírem de casa, poderem completar a sua formação tendo em vista uma melhoria, quer do estatuto pessoal quer do estatuto profissional. Actualmente podemos encontrar de tudo um pouco em termos de perfis de formação, materiais disponibilizados e apoio tutorial. Tudo aponta para que de futuro exista uma integração dos conteúdos num único suporte e a multiplicidade de vias de difusão da informação para a formação. Dentro desta tendência duas situações parecem ser relevantes:
a) a generalização da utilização da internet para disponibilização da informação e facilitação da comunicação entre os sujeitos da aprendizagem;
b) a utilização da televisão por cabo e de recepção digital.
Para Vasamillet (2001), a utilização reflectida dos meios informáticos actuais e dos sistemas de telecomunicações no quadro da formação à distância geram simultaneamente novos modos de aquisição e de difusão dos saberes e das competências. Exploradas como complemento ou utilizadas de forma criativa, as novas tecnologias servem para melhorar a qualidade das aprendizagens tornando-as mais atractivas. A dificuldade em encarar uma outra abordagem, para além dos métodos
habituais, faz com que se consuma mais os produtos de ensino do que de aprendizagem, naturalmente pouco adaptados à aprendizagem auto-dirigida.
Podemos resumidamente dar dois exemplos de formação à distância: E-Learning, a TTNet (Franco, 2001).
Por E-Learning entende-se a utilização de tecnologias da informação e comunicação para desenhar, seleccionar, administrar e promover a aprendizagem. Tem como principal pressuposto o sujeito da aprendizagem que assume um papel decisivo na gestão do seu processo de formação trabalhando recursos e materiais em vários suportes, em função do ritmo da aprendizagem. A TTNet, Europa – Training of Trainers Network – define um espaço comunitário de comunicação, de cooperação e de peritagem em matéria de formação de formadores e de professores, espaço voltado para a inovação e visando satisfazer as necessidades reais. Permite a permuta de informação e a partilha de experiências.
Noutro âmbito, o Outdoor Learning, é também uma técnica de pedagogia grupal muito utilizada na actualidade e com resultados interessantes na aquisição de competências no que se relaciona com as habilidades e as atitudes. Segundo Trindade (2001), esta técnica provoca e desenvolve aprendizagens, por criação e utilização, dentro do grupo, de redes de relações criativas aplicadas em problemas não comuns para o grupo. Surge como um poderoso instrumento, para criar e desenvolver relações grupais, transformar de forma positiva situações de conflito interpessoal, abrir vias de comunicação, catalizar positivamente situações de tensão e de resistência a mudanças, fornecer condições de criatividade grupal de entre outros. A capacidade de resolver problemas de forma criativa envolve uma complexa rede de elementos. Embora a aprendizagem do fazer através do fazer e o desenvolvimento da sensibilidade criativa sejam dois elementos fundamentais na educação profissional, esta não exclui a aprendizagem de regras, factos e conceitos fundamentais Alarcão (1996).
3 – A APRENDIZAGEM AUTO-DIRIGIDA E OS PROFISSIONAIS DE