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O I Festival do Jovem Compositor Cearense foi idealizado pela Credimus Aldeota sob a coordenação de Idelzuite Tavares Carneiro, Francisco José Santos, Maria José Braz e Miriam Carlos era inicialmente para acontecer no próprio teatro de Arena daquela agência financeira. A comissão de seleção das canções ficou por conta do maestro Manuel Ferreira, Nilo Sérgio da RCA Victor, Everardo Silva da Odeon, Guilherme Neto, Cleóbulo Maia, Izaira Silvino, Gustavo Silva, Nivaldo Rangel, Jorge Muzzo, Augusto César Benevides, Angela Maria Boaventura representante da Saronord e Luiza Teodoro. Sendo a comissão julgadora formada por: Miriam Carlos, Jane Lane que substituiu Mércia Pinto, Dalva Stela, Rodger Rogério, Ricardo Bezerra, Antônio Girão Barroso (representante da TVE), Sérgio Costa, Maria José Braz (representante da Credimus), Guto Benevides, Eduardo Prado e Cláudio Pereira. É interessante observar que, nos Festivais anteriores, alguns dos jurados de agora, antes eram julgados ao apresentarem suas canções como: Mércia Pinto, Rodger Rogério, Ricardo Bezerra, Sérgio Costa e Dalva Stela ainda continuava como jurada.

Foi um Festival classificatório, competitivo cujas premiações seriam: 1ª lugar Cr$ 5.000, 00 (Secretaria de Desporto, Promoção Social e Cultura); 2ª Cr$ lugar 3. 000, 00 ( Secretaria do Município de Educação e Cultura); 3° lugar Cr$ 2. 000, 00 (Credimus); 4° lugar Cr$ 15 discos (Odeon); 5° lugar Cr$ 10 discos (RCA Victor); 6° lugar 2 calças jeans (saronord) e opcional - 1 caderneta de poupança com depósito de Cr$ 1. 000, 00 para o melhor jingle da Credimus. Interessante observar que, na organização do festival, Francisco José Santos ou Franzé Santos enviou correspondências aos jornais pedindo-lhes apoio na divulgação do evento e, ao que parece, foi atendido; dois meses antes, jornais como o jornal “Correio do Ceará” e jornal “O Povo” com chamadas: “A Credimus Aldeota, sob a coordenação de Idelzuite Tavares Carneiro, Francisco José Santos, Maria José Braz e Miriam Carlos decidiram sobre o I Festival do Compositor Jovem, que acontecerá no teatro de Arena da agência”.314 E o jornal “O Povo” na coluna de Edmundo Vitoriano: “Dalva Stela, Cláudio Pereira, Mércia Pinto, Rodger Rogério e Maria José Braz, formando o júri do Festival do Jovem Compositor Cearense. As inscrições continuam abertas”.315 Essa última nota de chamada para as

314 HENRIQUE, Sabino. Festival. Correio do Ceará, Fortaleza, 4 mar. 1978. 315 VITORIANO, Edmundo. Gente & Fatos. O Povo, Fortaleza, 13 abri. 1978.

inscrições do jornal “O povo”, trazendo os nomes dos jurados, seria uma forma de dar credibilidade ao festival.

O I Festival do Jovem Compositor Cearense foi realizado no dias 11, 12 e 13 de maio de 1978, não no teatro de Arena da Credimus, mas no Teatro São José com uma grande

participação do público, inclusive reagindo como podia, jogando bolinhas de papel, casca de banana e laranjas e vaiando a própria comissão julgadora, e chamada de acordo com o jornal de “Júri de 1965” por ter escolhido a canção “Pé de Espinho”, música dos irmãos do

compositor Ednardo. Assim, relatou o jornal:

Esse resultado que não agradou ao público, não agradou a Geléia Geral, à Geral, à Patota Divina. Os melhores momentos do Festival foi sem dúvida, o som e o movimento, a cor e o visual de Lúcio Ricardo, do Grupo Perfume Azul, que teve duas músicas classificadas, e Simone Gadelha, igualmente classificada com duas músicas. (...) Simone Gadelha, a musa dos roqueiros, dividiu com Lúcio Ricardo, os grandes aplausos da platéia. (...) Simone foi finalista do último concurso Garota Cultural. As letras de sua autoria, “O Barco” e “Portas da Percepção” revelam ser ela pessoa das mais entendidas e letradas.316

Todas as músicas foram levadas antes pela organização do Festival para aprovação da censura. “Júri de 1965” foi a forma da platéia demonstrar seu descontentamento com o júri, pois a maioria dos jurados que eram originários dos Festivais dos anos 60 e 70, como Dalva Stela, Rodger Rogério, Ricardo Bezerra, Guto Benevides e Cláudio Pereira como se tivessem privilegiado o amigo Ednardo, classificando seus irmãos, Régis e Rogério. As canções e performances de Simone Gadelha, depois, Mona Gadelha e Lúcio Ricardo renderam um aplaudido show no mês seguinte, patrocinado pela própria Credimus. Uma pequena nota do jornal “Correio do Ceará” anunciou: “Hoje e amanhã, é a hora e a vez de ver o Grupo Perfume Azul e a genial Simone Gadelha. (...) eles apresentam o incrementado show no Teatro de Arena Aldeota”.317 Só depois seria anunciado um show dos irmãos de Ednardo.

316 PATOTA DIVINA. Geléia Geral – Festivais, festivais. Tribuna do Ceará, Fortaleza, 22 maio. 1978. 317 TORRES, Flávio. Destaques Sociais – linha direta. Correio do Ceará, Fortaleza, 9 jun. 1978, p. 11.

Mona Gadelha. Foto, Ana Komet. Diário do Nordeste – Cultura, 7 jul. 2002, p. 4.

De família de músicos, a mãe de Lúcio Ricardo, Jane Moura, era cantora da Rádio Araripe do Crato, transferindo-se para cantar na Rádio Assunção de Fortaleza onde conheceu o cantor de rádio baiano Nilson Andrade, que seguiu a carreira. Seu padastro foi um dos primeiros a gravar na Rádio Assunção e ter prestígio e fama como o cantor de Rádio em Fortaleza. Lúcio contou que havia fundado o “Perfume Azul” por volta de 1976 a 77 e que o grupo se manteve por dois ou três anos com várias formações, ressaltando a última: Siegbert Franklin na

guitarra; Ronald de carvalho, baixo; Mocó, bateria e Nélio, também na guitarra e que tinham sido um dos primeiros grupos de rock a surgir em Fortaleza. Sobre o Festival da Credimus comentou:

Nós ganhamos o Festival da Credimus; eu tirei o segundo e o sexto lugar e o Rogério tirou o primeiro lugar com a música “Pé de Espinho”. Tirei o segundo lugar com a música “Em Cada Tela Uma História” e o sexto com uma música chamada “Planeta Vulgar”. Nós ganhamos esses dois prêmios e foi o maior barato. Essa música que tirou o segundo lugar se popularizou muito e posteriormente eu gravei no disco da Massafeira. Na verdade, no Massafeira, eu gravei duas músicas; a outra foi “Aviso aos Navegantes”.318

318 Entrevista feita com o cantor e compositor Lúcio Ricardo em uma Tabacaria e Café na Praia de Iracema em

Lúcio Ricardo. Cedida por Franzé Santos.

Se o “Perfume Azul” teria sido um dos primeiros grupos de rock a serem criados em

Fortaleza, segundo Lúcio Ricardo; há de se pensar que o rock teria chegado pelo menos uns dez anos atrasados na cidade. No final dos anos 60, grupos como os já comentados, “Faraós”, “Os Brasas” e “Os Quem” fazendo mimetismo tocavam rock nos bailes. No início dos anos 70, a indústria fonográfica expandiu seu mercado na diversificação de estilos de rock que surgiam das sonoridades arquitetadas nos dos anos 60. Segundo Brandão, “O avanço do sistema sobre a contracultura, (...) entre eles a música, tornou possível, a partir de uma indústria cultural bem-articulada, uma incorporação dessa contracultura à cultura de

consumo”.319 Nesse sentido, apesar de recusarem os valores materializados da sociedade de consumo, por outro lado, os jovens passavam a comprar e adquirir produtos sofisticados de som, motos, jeans e outros. Possivelmente, o som de qualidade do grupo com guitarras mais modernas para cidade, a voz rouca e forte de Lúcio Ricardo e sua performance tenha

envolvido o público jovem naquele momento.

Os irmãos Régis e Rogério contaram que o Festival da Credimus era uma mostra da

criatividade latente que surgia na música cearense que acabou virando uma grande divulgação na imprensa e shows em teatro e na televisão, ou seja, ao ganharem o Festival, a canção abriu as portas para espetáculos. Para eles, a primeira e a segunda eliminatórias foram no Teatro de Arena da Aldeota e a final, no Teatro São José. Nesse Festival foram acompanhados pelos músicos: Luiz Miguel, contra-baixo; Fernando Gordo, teclados; Gerardo Gondim, guitarra; Ivan Ferraro, bateria, o Cigano e o Pedro de La Sierra na percussão. Sobre a sua participação no Festival, Rogério relatou: “Na Massafeira a gente gravou “Pé de Espinho”. Com essa música, ganhamos o Festival da Credimus em 78. (...) Nós ganhamos uma grana que na época, deu pra gente ir à Jericoacoara e abrir uma caderneta de poupança”. [risos].320 Desse modo, o I Festival do Jovem Compositor Cearense, promovido pela Credimus Financeira, teve como primeiros lugares as canções “Pé de Espinho” parceria de Rogério,

319 BRANDÃO, Antônio Carlos; DUARTE, Milton Fernandes. Movimentos Culturais da Juventude.São Paulo:

Editora Moderna, 1990, p. 76.

320 Entrevista feita com os cantores e compositores Régis e Rogério em sua residência na cidade de Fortaleza no

Eugênio Stone e Luis Carlos Pinóquio; em Segundo, “Em Cada Tela Uma História” de Lúcio Ricardo e em terceiro, “Cor de Sonho”, de Mona Gadelha. O II Festival do Jovem Compositor Cearense transcorreu em julho de 79, ou seja, depois do evento cultural ou Festival de

Amostragem para alguns, chamado Massafeira, realizado nos dias 15, 16, 17 e 18 de março de 1979 no Teatro José de Alencar. Portanto, O I Festival do Jovem Compositor Cearense não foi importante apenas para os vencedores fazerem uma viagem e abrirem uma caderneta de poupança e para Lúcio Ricardo e Mona Gadelha serem divulgados e aplaudidos em seus shows, mas para se tornarem reconhecidos como artistas e alcançarem projeção. Assim, foram convidados a integrar o projeto cultural da Massafeira; além desses, foi convidado outro talentoso cantor e compositor, Wagner Costa, posteriormente Taso Costa que também havia participado do I Festival. Assim, esses jovens artistas gravaram na Massafeira; Wagner Costa a canção “Isopor”; “Pé de Espinho”, Régis e Rogério; “Em Cada Tela Uma História”, Lúcio Ricardo e “Cor de Sonho”, Mona Gadelha.

Massafeira. LP duplo EPIC-CBS. Rio, 1980.

Sabino Henrique referiu-se assim em sua coluna no jornal “Correio do Ceará”, sobre à importância dos Festivais:

É inquestionável a importância do papel desempenhado pelos Festivais na História de nossa música popular. Do arrebatamento dos auditórios no final dos anos sessenta e início de nossa década ficou um saldo mais que positivo, descontando-se estrelismos, modernices e cartas marcadas. Os Festivais constituíram um capítulo decisivo, neles se sedimentou uma fornada de compositores que hoje constitui o primeiro time da MPB. Aqui no Ceará, eles foram o instrumento mais forte para que uma nova geração de compositores que tocava sem maiores compromissos nas festinhas de família, nas mesas de bares e cantinas de faculdades conseguisse mostrar seu trabalho para faixas maiores de públicos. Rodger, Fagner, Ricardo Bezerra, Ednardo, Petrúcio Maia, Jorge Melo, Belchior, disputaram aplausos, notas de júris, prêmios e se impuseram graças à força de seus talentos, com uma leve mão do veículo e do clima de festa. Agora sem saudosismos, a Credimus, através do Festival do Jovem Compositor Cearense dá uma chance para o pessoal mais novo, que surgiu depois da geração que emigrou, gravou e fez sucesso. Fica o registro da importância do evento e a torcida para que prevemente Simone Gadelha, Eriberto de Sá Ponte, Rogério Fernandes, Alberto Nóbrega e o esfuziante e frenético

Perfume Azul, um grupo que faz um rock da pesada, possam mostrar e vender seus trabalhos, promissores alguns, outros já de boa qualidade.321

III Festival do Jovem Compositor Cearense. Crédimus, 1980

O III Festival do Jovem Compositor Cearense foi realizado em julho de 1980, promovido pela Caderneta de Poupança Credimus, Rádio Verdes Mares AM e FM e TV Canal 10, com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado, Funsesce e Governo Virgílio Távora. Antigos artistas dos festivais nordestinos dos anos 60 ainda marcavam presença nos Festivais da Credimus como Clarêncio Menezes de Oliveira, Luiz Sérgio, Raimundo Cassundé e os que haviam participado com mais freqüência dos Festivais, Heitor Catunda e Aleardo Freitas. Além desses, por outro lado, artistas de uma outra geração começam a despontar nesse III Festival: Lúcio Ricardo, Mona Gadelha, Mário Mesquita, Eugênio Stone, Luiz Fidelis, Airton Monte, hoje médico e escritor, Calé Alencar, Zezé Fonteles, Tarcísio José de Lima, Bernardo Neto e o musical Chico Pio. Por outro lado, chamou atenção a comissão julgadora desse III Festival, assim composta:

Fagner - Presidente

Suely Costa - Compositora e Cantora Abel Silva - Compositor

Regina Echeverria - Revista Veja

José Márcio Penido - Jornal de Música e “Canja” Jamil Dias - Revelação Prêmio Mambembe

- Diretor de Teatro 1980 Fausto Nilo - Compositor

Alceu Valença - Compositor e Cantor Ente - Artista Plástica Mino - Cartunista

321 HENRIQUE, Sabino. Sabino Henrique Exclusivo – Importante... . Correio do Ceará, Fortaleza, 13 maio.

Cláudio Pereira - Jornalista Síria Giovenardi - Psicóloga

- Representante Credimus

Mino, Fagner (1° e 2° esq.), Alceu Valença, Abel Silva (7°e 8° dir) – Cláudio Pereira (ponta)

Foto cedida por Franze Santos

Fagner, de grande participante e vencedor de Festivais, agora, era presidente de júri para julgar outros jovens e antigos compositores e cantores que ainda se aventuravam em Festivais. Fausto Nilo faz talvez sua primeira incursão como cantor, apresentando-se no show do III Festival do Jovem Compositor Cearense; e Cláudio Pereira, de “agitador cultural” e promotor de Festivais no Gruta, também passou a julgar canções. Há que se reconhecer que era uma grande comissão julgadora. Segundo Franzé Santos:

Vamos fazer o Festival com um senhor jurado; para o júri se hospedar aluguei uma casa com piscina na rua Frei Mansueto; contratei duas empregadas das boas. Botei Regina Echeverria, José Márcio Penido, Alceu Valença, Fagner... todos na casa. Nenhum dos componentes sabiam onde eles estavam hospedados. Botei carro à disposição com motorista... resultado: o Festival foi um sucesso de crítico de música e de música, mas de público não foi; foi uma decepção; que eu fiquei querendo saber onde foi que a gente errou? Depois, analisando; será que foi o local? A gente pensava em colocar entre duas e três mil pessoas por noite e não passou de 1500 por noite. A gente pensava que ia dar mais gente, porque na final ia ter show do Alceu Valença, Fagner, Fausto Nilo, Abel Silva, Sueli Costa... todo mundo ia cantar! (...) Eu fiquei arrasado! (...) Eu pensei: cadê o Alceu Valença, cadê Fagner, Abel Silva, Sueli Costa que estavam em cima do palco cantando; que na época eram os grandes chamaris! E pensando... o valor do ingresso! Como se hoje fosse R$ 50,00 a inteira e R$ 25,00 a meia. Era um preço que elitizou; não ficou uma coisa popular. Mas nem por isso eu deixei de ter três noites gloriosas. Você botar num palco Sueli Costa, Abel Silva, Fausto Nilo, Fagner e Alceu Valença cantando, mostrando suas composições e como jurado também. Você

consagrar o Quinteto Agreste; o Quinteto saiu consagrado do Festival com uma letra do Patativa do Assaré: ‘Seu doutor’... .322

Teti, Fausto Nilo e Manasses. Foto cedida por Franze Santos.

E os Festivais continuavam arrebatando platéias e interesse de cantores, compositores, de emissoras de televisão como a Tupi, TV Globo e gravadoras. Em março de 1979, foi realizado o Festival de Amostragem da “Massafeira”; em abril e maio desse mesmo ano, o I Festival Universitário de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Cultura em São Paulo e entre novembro e dezembro, o Festival 79 de Música Popular, promovido pela Rede Tupi de Televisão no Anhembi, São Paulo e o MPB 80, realizado em setembro de 1980, promovido pela Rede Globo e Associação Brasileira de Produtores de Disco no Rio de Janeiro.

Particularmente, mesmo com uma produção de LPs de sucessos como: “Eu Canto” de 78 e “Beleza” em 79, Fagner não desistiu dos Festivais, interpretando e vencendo o Festival 79 de Música Popular com a bela canção, “Quem Me Levará Sou Eu”, parceria de Dominguinhos e Manduka; em segundo, “Canalha”, de Walter Franco e terceiro, “Bandolins” com Oswaldo Montenegro e melhor arranjo, Arrigo Barnabé. Tendo destaque também nesse Festival os irmãos kleiton e Kledir Ramil com a canção, “Maria Fumaça” e logo requisitados pelas gravadoras.

O ano de 1979 foi sem dúvida relevante e expressivo para a música cearense, Ednardo e Augusto Pontes produzem e gravam as canções da “Massafeira”; Belchior lança seu histórico LP “Belchior” e Fagner em particular, lança o já comentado LP “Beleza”, vence o Festival 79 de Música Popular e passa a ter grande prestígio dentro da CBS, dirigindo inclusive o selo Epic, produzindo discos de artistas cearenses como: “Melhor Que Mato Verde”, de Petrúcio Maia; “Maraponga”, de Ricardo Bezerra; “Cirino – Estrada Ferrada”, de Wilson Cirino dentre outros e artistas nordestinos como: Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e

Dominguinhos. Também em 79, Raimundo Fagner produzirá o disco “Soro” no mesmo ano da gravação do disco “Massafeira”, acontecendo a partir de então uma tensão, uma intriga com Ednardo.

322 Entrevista com o produtor e cinéfilo Franze Santos no restaurante Mercearia no Mercado dos Pinhões na

Nos anos 80 e 90, esses artistas acomodaram-se cada um a sua maneira em suas condições sociais.Rodger Rogério era professor da Universidade, tentou a carreira musical, depois voltou à Universidade, hoje atua como ator no teatro e cinema e gravou recentemente um CD ao vivo; Teti tem CDs solos gravados e atua em shows e apresentações; Lúcia Menezes foi ser professora na Universidade e agora se voltou totalmente à música como profissional morando no Rio de Janeiro; Mary Pimentel é professora aposentada de sociologia da UFC; Tânia Cabral participou de festivais, contudo voltou-se também para a academia, recentemente gravou um CD; Mércia Pinto é professora de música e mora em Brasília; Luisinho Magalhães canta em festas e bailes com seu grupo, “Luisinho e Banda”; Gustavo Silva ainda toca piano e trabalha no ramo comercial; Luis Fiúza ainda toca violão, gravou um CD, é arquiteto e

empresário; Sérgio Pinheiro teve canções gravadas nos discos do I Festival de Música Popular Aqui e Massafeira, hoje é artista plástico; Pitty Mello vive como cantor na França e gravou o CD “Café,Café”; Ray Miranda ainda canta na noite de Fortaleza; Wilson Cirino deixou as apresentações; Guilherme Neto gravou um CD como intérprete, intitulado, “Madrugando” em 2005; Ricardo Bezerra gravou o disco, “Maraponga”, tentou ser cantor profissional, desistiu do intento e ainda hoje é professor da Universidade, em 95 gravou “Notas de Viagens”, um CD instrumental com músicas de sua autoria; Dedé Evangelista sempre foi professor da Universidade Federal do Ceará, hoje é aposentado e ainda hoje faz letras.

Aderbal Freire-Filho revela-se um dos mais destacados diretores de teatro no Brasil; Fausto Nilo é arquiteto e, depois de um grande leque de parcerias, passou a interpretar as suas próprias canções, gravando os CDs “Esquinas do Deserto” e “Casa Tudo Azul”; Os “agitadores culturais” e transgressores, Cláudio Pereira e Augusto Pontes tornaram-se

presidentes da Fundação Cultural de Fortaleza em governos diferentes, hoje, envolvidos com projetos culturais;

Quanto aos três que se destacaram mais na grande mídia: Belchior ainda mora em São Paulo, fazendo releituras de suas canções e cantando em shows pelo Brasil; Ednardo fez incursões compondo para o cinema, faz shows e, recentemente, reeditou em CD seu disco “Libertree”; Raimundo Fagner voltou a morar em Fortaleza, fez dupla e gravou CD e DVD com o cantor e compositor Zeca Balero, retomou antigas parcerias com Brandão e com outro poeta,

Francisco Carvalho no seu CD, “Donos do Brasil”, compondo sua banda basicamente de músicos cearenses, gravando CDs e fazendo shows pelo Brasil.