Chapter 5 Results
5.1 Case Study results
5.1.1 BA department
No início do ano letivo de 2011, ocorreu a apresentação da proposta de utilização das áreas verdes às equipes técnica, pedagógica, professores da escola. Aproveitou-se o momento para pedir que assinassem o termo de consentimento livre e esclarecido (APÊNDICE B). Tais procedimentos objetivaram adquirir o consentimento de todos para posterior utilização das imagens e falas nesta pesquisa. Como também, a apresentação das possíveis atividades que poderiam ser aplicadas em uma sequência didática sobre conceitos básicos de ecologia. A socialização da proposta nessa etapa inicial da pesquisa foi essencial para compartilhar as ideias e ouvir sugestões que pudessem contribuir com a elaboração e aplicação da sequência de atividades. A fim de preservar a identidade das pessoas, os nomes verdadeiros foram substituídos por nomes fictícios. A seguir, destacam-se alguns diálogos ocorridos entre a pesquisadora e demais participantes da reunião.
Nesse momento, foram apresentados os aspectos mais relevantes da pesquisa, tais como: objetivos gerais e específicos; metodologia da pesquisa e percurso metodológico inicial. Por essa ocasião, alguns professores fizeram algumas colocações a título de contribuição. A professora Aline sugeriu: “seria interessante que você escolhesse apenas um nível de escolaridade, eu sugiro que você trabalhe com uma turma de 7º ano, pois acho mais instigante trabalhar os temas de ecologia e meio ambiente com alunos de uma faixa etária até 13 anos, pois em minha opinião são mais receptivos.” Por sua vez, a professora
Bárbara complementou: “seria muito bom se cada aluno adotasse um canteiro para zelar”.
Nesse clima de descontração e otimismo várias sugestões e propostas sugiram e dessa maneira pudemos constatar que foi notória a aceitação da proposta por parte de todos. Diversas falas sobre as tentativas de utilização das áreas verdes em épocas remotas também foram proferidas, o professor Carlos relatou: “em anos anteriores a escola já tentou utilizar estes espaços como área de lazer e confraternização entre os funcionários”.
Por sua vez, a coordenadora pedagógica Cristina confessou já ter sido aluna da escola: “em épocas passadas, na década de 1970, os alunos tinham acesso a esses espaços durante o intervalo entre as aulas e que, naquela época não havia os muros e portões que impedem o acesso dos alunos a esses espaços nos dias de hoje.” A coordenadora Cristina também acrescentou: “acredito que pelo fato da escola não ter utilizado esses espaços para atividades didático- pedagógicas, nós fomos perdendo terreno e houve a apropriação destes espaços por outros órgãos do estado, como por exemplo: o almoxarifado da Secretaria Estadual de Educação, que hoje ocupa uma área antes pertencente à escola”.
O professor Elias mostrou-se feliz com a iniciativa ao dizer: “iniciativas como a sua são importantes, pois a escola da forma como está estruturada, precisa mudar e todos os professores precisam romper com certos paradigmas, parar com as lamentações e ser mais otimistas, acreditarem que é possível fazer uma educação transformadora”.
Posteriormente, no início do ano letivo de 2012, houve a apresentação da proposta também para os pais e responsáveis dos alunos; os mesmos, também se mostraram bastante receptivos quanto à utilização das áreas verdes como recurso pedagógico. Como foi constatado nessa fala de uma tia de aluna: “é muito interessante trabalhar a temática ambiental com os alunos, eu mesma já tive muita vontade de trabalhar como amiga da escola, com o plantio de plantas nativas, hortas e fabricação de adubo orgânico”. Aproveitou-se esse contato com os pais para pedir que assinassem a ata da reunião como demonstração de apoio à pesquisa e permissão ao uso das falas e imagens.
Com isso, observou-se a importância de desenvolver ações socioeducativas nessas áreas verdes e que as mesmas não poderiam permanecer sem um uso
adequado, pois apresentam um enorme potencial pedagógico que pode ser utilizado em todas as áreas disciplinares. A seguir, são visualizadas algumas imagens fotográficas desse momento nas Fotografias 3 e 4.
Fotografias 3 e 4 – Socialização da proposta à comunidade escolar
Fonte: Márcia Solange, 2011.
Em outro momento, em sala de aula, ocorreu à aplicação do primeiro questionário (APÊNDICE C) com a finalidade de identificar a predisposição dos alunos em querer aprender ciências utilizando os espaços verdes da escola. Acreditamos ter sido essencial ouvir atentamente a opinião dos alunos desde o início da pesquisa, para que pudéssemos avaliar a receptividade dos alunos e a viabilidade da proposta. O questionário foi formulado contendo as seguintes questões abertas:
1 O que você acha da ideia de aprender ciências utilizando os espaços verdes fora da sala de aula?
2 Você acredita que este novo espaço desperte em você um interesse maior em aprender ciências. Por quê?
3 Descreva as suas primeiras impressões acerca desta ideia.
A seguir é possível visualizar algumas respostas, as quais, foram selecionadas e transcritas fielmente, ocorreu apenas correção gramatical. Houve unanimidade na aceitação da proposta de utilização das áreas verdes da escola como espaço educativo. Como se constata nas respostas a seguir referentes à primeira pergunta: O que você acha da ideia de aprender ciências nos espaços verdes fora da sala de aula?
“É muito legal e divertido”; “muito bom, porque a gente aprende mais do que sem ver o espaço verde da escola”; “muito bom, para aprendermos mais sobre plantas, insetos e bichos.”; eu acho muito legal, porque nós ficamos em contato com a natureza e isso estimula o conhecimento”; “acho muito importante essa iniciativa da escola e da professora”; “eu acho incrível, pois é mais espontâneo, mais divertido”.
Dessa forma, os alunos foram bastante receptivos a ideia de utilizar as áreas verdes da escola como espaço educativo, isto sinaliza que a utilização das áreas verdes durante as aulas pode ser um fator motivador para predispor os alunos à aprendizagem de conteúdos ecológicos no ensino de ciências.
Analisando-se as respostas da segunda questão “Você acredita que este novo espaço desperte em você um interesse maior em aprender ciências? Por quê?” Os alunos foram receptivos, ao afirmar que sair da sala de aula e aprender ciências em contato com a natureza é muito mais motivador e divertido, como podemos perceber na transcrição de algumas de suas respostas:
“sim, porque é legal sair da sala de aula e conhecer novos espaços”; “sim, porque eu vejo as coisas como elas são e não só na teoria, eu posso ajudar a cuidar desses espaços e ainda ver diferentes formas de vida”; “sim, porque eu consigo me concentrar mais”; “sim, porque é muito legal fazermos coisas diferentes, sair da sala de aula e isso desperta mais o interesse de qualquer aluno”; “sim, desperta porque no espaço eu posso ver várias coisas que não tem nos livros”.
Pode-se inferir que os mesmos afirmaram ser muito mais interessante estudar os seres vivos no seu habitat natural, eles também demonstraram acreditar que desenvolver atividades nesses espaços pode ajudar no processo ensino- aprendizagem.
Ao mesmo tempo, as respostas dos alunos a terceira questão “Descreva as suas primeiras impressões acerca desta ideia”. Novamente confirmam interesse por parte dos alunos em participar das aulas de ciências nas áreas verdes da escola, pois todos eles foram afirmaram ser uma boa ideia. Como podemos constatar em suas falas:
“É muito bom para aprendermos sobre a natureza”; “achei maravilhoso, porque nunca tínhamos aulas fora da sala, adorei a ideia”; “ideia fantástica, porque nós deixamos a teoria e experimentamos cuidar e estudar
esses lugares”; “sim, porque assim aprendemos mais neste espaço sobre os seres vivos, nós iremos aprender no habitat deles”; “gostei, porque as áreas verdes da escola não estão tendo cuidados, elas poderiam ser utilizadas de maneira diferente”; “adorei, toda escola deveria seguir esse exemplo, é muito bonito esse gesto da professora”; “muito bom, vai servir para muitas coisas legais, vamos nos divertir nessas aulas”.
Neste sentido,
as aulas de Ciências e Biologia, desenvolvidas em ambientes naturais têm sido apontadas como uma metodologia eficaz tanto por envolverem e motivarem crianças e jovens nas atividades educativas, quanto por constituírem um instrumento de superação da fragmentação do conhecimento (SENICIATO; CAVASSAN, 2004, p.133).
Portanto, todas as respostas indicaram interesse em utilizar as áreas verdes como espaço educativo. Constatou-se que os alunos desejavam ter aulas mais contextualizadas e dinâmicas e que, por sua vez, trouxessem os conceitos científicos de uma maneira mais concreta.