N. B.—A latrine is no use unless people use it
4.8.4 Building Typologies
A GRI - Global Reporting Iniciative é uma organização não governamental, fundada em 1997, em Boston, pela CERES (Coalition for Environmentaly Responsible Economies) e pelo Instituto Tellus, organizações norte americanas sem fins lucrativos.
Inicialmente era um departamento da CERES. Em 1998 foi estabelecido um Comitê Diretor, multi-stakeholder, com um mandato para desenvolver as diretrizes da GRI, com escopo social, econômico e de governança.
A primeira versão das Diretrizes GRI (Guidelines GRI) foi lançada no ano 2000. No ano seguinte, por recomendação do Comitê Diretor, GRI tornou-se uma instituição independente da CERES.
A segunda versão de Guidelines GRI – G2 foi divulgada em 2002, em Johannesburg, durante a World Summit on Sustainable Development. GRI foi uma das referências para divulgação de relatórios de sustentabilidade. Nesta ocasião, a UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) convidou países membros da ONU para sediar a GRI. Desde então GRI é uma organização formalmente designada como colaboradora da UNEP, e sediada em Amsterdã, Holanda. A GRI conta também com representantes regionais, em diversos países: Austrália, Brasil, China, Índia, África do Sul e Estados Unidos, chamados Pontos Focais (Focal Points). É uma rede mundial de cerca de 30.000 pessoas.
Em 2006 foi lançada a terceira versão do Guidelines GRI – G3. Foi desenvolvida com o apoio de mais de 3.000 especialistas das áreas de negócios, sociedade civil e da área trabalhista. Em 2011 foi publicada uma revisão, a versão G3.1, expandindo orientações em relação a direitos humanos, impactos na comunidade local e gênero (human rights, local community impacts, and gender).
Em maio 2013, GRI divulgou a quarta versão de Guidelines – G4. Nesta versão, é dado maior foco em materialidade. Ainda que materialidade não seja um assunto novo, a versão 4.0 do GRI demanda explicitamente esforços na análise da materialidade – impactos, riscos e oportunidades, para a divulgação dos temas referentes à sustentabilidade.
A missão da GRI é fazer com que a prática de relatórios de sustentabilidade se torne padrão, fornecendo orientação e suporte para as organizações. A visão da GRI é uma economia global sustentável onde organizações possam medir seus desempenhos e impactos econômicos, ambientais, sociais bem como os relacionados à governança, de uma maneira responsável e transparente. (GRI 2012 - Pontos de Partida).
As informações divulgadas a seguir foram extraídas das Diretrizes (Guidelines) GRI - G3 (GRI 2006), G3.1 (GRI 2011) e G4 (GRI 2013).
A estrutura de relatórios da GRI foi delineada com o objetivo de servir como um modelo amplamente aceito para a elaboração de relatórios sobre o desempenho econômico, ambiental e social de uma organização. Foi concebida para ser utilizada por organizações de qualquer porte, setor ou localidade. Um relatório de sustentabilidade baseado nas Diretrizes da GRI, entre outros propósitos, pode ser usado como:
padrão de referência (benchmarking) e avaliação do desempenho e sustentabilidade com respeito a leis, normas, códigos, padrões de desempenho e iniciativas voluntárias;
demonstração de como a organização influencia e é influenciada por expectativas de desenvolvimento sustentável;
comparação de desempenho dentro da organização e entre organizações diferentes ao longo do tempo.
O relatório de sustentabilidade é um processo e uma ferramenta vivos, que não se inicia nem termina com sua publicação. Possibilita uma sólida avaliação do desempenho da organização e pode dar suporte à melhoria contínua do desempenho ao longo do tempo. Auxilia as organizações a
estabelecer metas, aferir desempenho e gerir mudanças com vistas a tornar suas operações mais sustentáveis.
Os relatórios são organizados seguindo certos princípios, visando à garantia da qualidade das informações relatadas e ao estabelecimento do limite do relatório. Os princípios estão organizados em dois grupos: princípios para determinar quais temas e indicadores a organização deverá relatar e princípios para assegurar a qualidade e a adequada apresentação das informações relatadas.
Princípios para a definição do conteúdo do relatório:
inclusão dos stakeholders: a organização deve identificar seus stakeholders e explicar no relatório que medidas foram tomadas em resposta às suas expectativas e interesses pertinentes;
contexto da sustentabilidade: o relatório deve apresentar o desempenho da organização no contexto mais amplo da sustentabilidade, focando como a organização contribui ou pretende contribuir no futuro para a melhora ou deterioração das condições econômicas, ambientais e sociais, no âmbito local, regional ou global; materialidade: o relatório deve abordar aspectos que reflitam os
impactos econômicos, ambientais e sociais significativos da organização; ou que possam influenciar, substancialmente, as avaliações e decisões de stakeholders. A materialidade é o limiar a partir do qual os ‘aspectos’ tornam-se suficientemente expressivos para serem relatados;
abrangência / completude: a cobertura dos temas e indicadores relevantes, assim como a definição do limite do relatório, deverão ser suficientes para refletir os impactos econômicos, ambientais e sociais significativos e permitir que os stakeholders avaliem o desempenho da organização no período analisado – escopo, limite e tempo.
equilíbrio: o relatório deve refletir aspectos positivos e negativos do desempenho da organização, de modo a permitir uma avaliação equilibrada do desempenho geral;
comparabilidade: as questões e informações devem ser selecionadas, compiladas e relatadas de forma consistente, de modo a permitir aos stakeholders analisar mudanças no desempenho da organização ao longo do tempo e subsidiar análises sobre outras organizações;
exatidão: as informações devem ser suficientemente precisas e detalhadas para que os stakeholders avaliem o desempenho da organização;
periodicidade / tempestividade: o relatório é publicado regularmente e as informações são disponibilizadas a tempo para que os stakeholders tomem decisões fundamentadas;
clareza: as informações devem estar disponíveis de uma forma que sejam compreensíveis e acessíveis aos stakeholders que fizerem uso do relatório;
confiabilidade: as informações e processos usados na preparação do relatório devem ser coletados, registrados, compilados, analisados e divulgados de forma que o mesmo possa ser revisado e que seja estabelecida a qualidade e materialidade das informações.
O conteúdo básico para compor um relatório GRI deve conter informações que forneçam o contexto geral para a compreensão do desempenho organizacional, incluindo sua estratégia, perfil e governança; informações sobre a gestão; e indicadores de desempenho, passíveis de comparação.
Os indicadores de desempenho de sustentabilidade do relatório GRI são constituídos nas categorias econômica, ambiental, social. Os indicadores de desempenho social são subdivididos em quatro subcategorias: Práticas Trabalhistas, Direitos Humanos, Sociedade e Responsabilidade pelo Produto. Estas classificações são desdobradas em diversos aspectos e para cada aspecto são elencados os indicadores propriamente ditos. Para cada indicador
será indicada a obrigatoriedade ou a faculdade de resposta, por tipo de adesão.
Para a GRI, o Desempenho Econômico tem por objetivo retratar o fluxo de capital entre as diversas partes interessadas e os principais impactos econômicos da organização sobre a sociedade. Considera o aspecto financeiro fundamental para compreender uma organização e a sua própria sustentabilidade, contudo esta informação é habitualmente disponibilizada nas demonstrações financeiras das instituições.
Na dimensão ambiental são analisados os impactos da organização sobre ecossistemas, terra, ar e água. Os indicadores abrangem o desempenho relacionado a insumos (como material, energia, água) e a produção (emissões, efluentes, resíduos), além dos impactos de seus produtos e serviços.
A dimensão social se refere aos impactos da organização nos sistemas sociais nos quais ela opera. Baseia-se em normas internacionalmente reconhecidas, tais como Declaração dos Direitos Humanos, Declaração da Organização Internacional do Trabalho, e outras. Busca também informações sobre riscos associados a suborno, corrupção, influência indevida na elaboração de políticas públicas e práticas de monopólio.
Os indicadores setoriais são referentes a impactos dos produtos e serviços disponibilizados pela organização.
As diretrizes GRI preveem duas opções para a elaboração dos relatórios de sustentabilidade: a ‘Essencial’ e a ‘Abrangente’. As opções não têm relação com a qualidade do relatório ou com o desempenho da organização. Elas refletem a conformidade do relatório de sustentabilidade da organização com as Diretrizes escolhidas.
A opção ‘Essencial’ contém os elementos essenciais de um relatório de sustentabilidade. Nesta opção a organização relata impactos do seu desempenho econômico, ambiental, social e de governança. Na opção ‘Abrangente’, além das informações da opção ‘Essencial’ são exigidas informações adicionais sobre a estratégia, análise, governança, ética e integridade da organização. Além disso, optando por esta modalidade, a
organização deve comunicar seu desempenho de forma mais ampla, relatando todos os indicadores referentes aos aspectos materiais identificados. Ainda, para ambas as opções, pode haver conteúdo padrão específico para o setor de atuação da organização.
Nas versões 3 e 3.1 o sistema GRI de relatórios contempla três níveis de estrutura: C, B e A, para atender às necessidades de relatores iniciantes, intermediários e avançados. Na versão 4 esta classificação foi descontinuada. Enquanto nas versões 3 e 3.1 o relatório é assinalado com um sinal “+” caso seja assegurado por uma entidade externa que não a própria empresa, na versão 4 a indicação de aderência deve ser atribuída para cada aspecto individualmente, caso a organização opte pela validação de uma entidade externa.
A GRI solicita ao usuário de suas Diretrizes que lhe envie uma notificação sobre a publicação do relatório. A organização pode também solicitar à GRI que examine seu nível de aplicação autodeclarado.
O Itaú Unibanco, objeto desta pesquisa, divulgou os relatórios na opção abrangente até 2012 e na opção essencial em 2013. Adotou as diretrizes 3.0 (2009 e 2010) e 3.1 (2011 e 2012), no nível A+ e as diretrizes 4.0 em 2013.