4. Netto- og bruttoendringer i sysselsettingen blant innvandrere, personer fødte
4.7. Brutto endringer i rekruttering til sysselsetting og avgang fra sysselsetting fordelt på
Num curto texto de 1990381, Deleuze propõe conceituar aquele momento das socialidades com o epíteto sociedades de controle. Ali distinguia algumas funções que marcavam a diferença das sociedades disciplinares. A confirmação não tardou, uma vez que não só os atentados de 11 de setembro de 2001 e tudo o que a ele se seguiu, bem como os recentes vazamentos de informações pelo então e, agora ex-técnico da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos da América, Edward Snowden382, evidenciam o grau de acerto daquelas análises para o futuro ali empreendidas. Vivemos definitivamente o momento das serpentes383.
381
DELEUZE, Gilles. Conversações. pp. 219-226.
382
A imprensa mundial informa que Edward Snowden acaba de se tornar, por escolha dos alunos daquela instituição, Reitor da Universidade de Glasgow. Confira-se: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/02/edward-snowden-e-eleito-reitor-da-universidade-de-glasgow.html;
acessado em 25.02.2014.
383
Esta questão havia sido objeto de um prefácio escrito por Deleuze à obra de Jacques Donzelot sobre a família, onde naquele momento Deleuze afirmara: “(...). Exatamente como, em economia, uma moeda será chamada flutuante quando seu valor de câmbio não for mais determinado por relação a um padrão fixo, mas por relação aos preços de um mercado híbrido variável. O que não exclui, evidentemente, mecanismos de regulação de um novo tipo (por exemplo, a senóide ou ‘serpente’ que marca os máximos e mínimos da flutuação da moeda). (...). Tudo se passa como se as relações Público-Privado, Estado-Família, Direito-Medicina, etc., tivessem ficado muito tempo sob um regime de padrão, isto é, de lei, que fixasse relações e paridades, mesmo com grandes margens de flexibilidade e variação. Mas ‘o’ social nasce com um regime de flutuação, onde as normas substituem a lei, os mecanismos reguladores e corretivos substituem o padrão”. In: DONZELOT, Jacques. A polícia das famílias; trad. M. T. da Costa Albuquerque; 2 ed. Rio de Janeiro: Graal, 1986. p. 7-8.
As fronteiras que no modelo anterior de socialidade estavam caracterizadas pelas clausuras espaciais, os muros e paredes das instituições tipo hospital, prisão, escola, quartel, agora não são mais necessárias, uma vez que o poder se exerce nessas práticas internalizadas, internacionalizadas, interdisciplinadas, e ganham os espaços abertos dos mass media, e das agora redes sociais. Não é nem mesmo necessário disciplinar, uma vez que a disciplina já é o padrão a ser posto em fluxo por essa nova forma de socialidade que é o controle: a cifra que permite o acesso ou a exclusão de: uma vida...
Como bem lembra Rogério da Costa384:
Numa sociedade disciplinar, atrelada ao espaço físico, um indivíduo era referenciado através de seu endereço postal, que remetia a um lugar físico que não era mais que um ponto numa rede geográfica de longa duração. Hoje, um habitante se define como inscrito numa rede variável, onde a prova de domicílio não é mais o título de propriedade ou o pagamento de aluguel, mas a fatura de água, de eletricidade ou gás, de telefone etc. É nossa inscrição nessas redes, nosso estatuto de consumidor de fluxos técnicos, que servem como prova jurídica de nosso pertencimento espacial (Bouliner, 2000). Somos humanamente definidos como membros de múltiplas redes.
Assim que o novo socius é esta dobragem do atual sobre o virtual, em que as potências do simulacro e do falso385 constituem novas matérias e conteúdos de expressão de socialidades elevadas a novas potências. Novas experimentações para novos perigos.
É cediço o potencial que os agenciamentos em rede das máquinas computacionais abriram para as mesmas socialidades e suas articulações políticas e o quanto houve de criatividade nesse processo. Assim que vamos encontrar em Latour, por exemplo, a proposta da teoria do ator-rede (ANT – Actor-Network Theory), onde não se confunde ator e pessoa, nem rede como somente as conexões de um sistema de estrutura horizontal, mas, nas palavras do Autor386:
384
COSTA, Rogério da. Sociedade de controle. In: CRUZ, Jorge: Gilles Deleuze: sentidos e expressões; Jorge Cruz (org.); Cláudio Costa (et. al). Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna, 2006. p. 44.
385
Potências do simulacro e do falso não têm aqui qualquer conotação negativa de uma suposta moralidade que divide o mundo platonicamente entre bem e mal. Na reversão do platonismo que a filosofia da diferença e a
esquizoanálise produzem, simulacro e falso são potências positivas de experimentação, o que não exclui o bom e o mau.
386
“You see that I take the word network not simply to designate things in the world that have the shape of a net (in contrast, let’s say, to juxtaposed domains, to surfaces delineated by borders, to impenetrable volumes), but mainly to designate a mode of inquiry that learns to list, at the occasion of a trial, the unexpected beings
necessary for any entity to exist. A network, in this second meaning of the word, is more like what you record through a Geiger counter that clicks every time a new element, invisible before, has been made visible to the inquirer”. LATOUR, Bruno. Networks, societies, spheres: reflections of actor-network theorist. In:
International Journal of Communication; v. 5. California (EUA): USC Annenberg Press, 2011. p.
Veja que eu tomo a palavra rede não somente para designar coisas no mundo que tem a forma de rede (em contrate, digamos, como domínios justapostos, superfícies delineadas por bordas, volumes impenetráveis), mas principalmente para designar um modo de
inquirição que aprende a listar, por ocasião de um julgamento, os
seres inesperados necessários a qualquer entidade a existir. Uma rede, neste segundo sentido da palavra, é mais como o que você reconhece pelo contador Geiger que sinaliza a cada novo elemento, invisível anteriormente, e tornado visível pelo inquiridor.
Dessa nova realidade que se formou diante de determinadas condições, e que por óbvio levantam novos problemas para as formas de coletividades é que se podem traçar novos planos de consistência para o socius e reativá-lo em outros termos, não mais da contraposição indivíduo/sociedade, mas nas relações diferenciais que as multiplicidades das dinâmicas espaço-temporais desses novos agenciamentos inventam e tornam visíveis.
Esta possibilidade de controle dos dados agora pode se tornar potencialidade de outras relações existenciais e políticas, como se vê dos recentes acontecimentos onde as relações de forças ganham novas velocidades, distribuições, territorializações e desterritorializações no eixo das virtualidades, bem como matérias, conteúdos e expressões no eixo das atualizações. O próprio controle é que possibilitou o vazamento, por exemplo, de informações que estavam armazenadas como controle. E é por isso que ainda se pode esperar que o devir revolucionário esteja presente neste novo jogo, em que todos atuam em rede, sejam as formigas, sejam os humanos, sejam as máquinas.
Dir-se-ia que, nas condições atuais, há uma miríade de coletividades que não se cristalizam em formas molares e que se rearranjam constantemente em novas condições, e assim por diante. E como já afirmou o próprio Latour387, “if there is a society, then no politics is possible” (se há sociedade, então nenhuma política é possível). Isto porque não se poderia atualizar uma ação política a partir daquilo que não está dado, como o já afirmado, com a totalidade sociedade.
Se, como se viu, o desejo e crença são as forças de inscrição do socius (como agora também as cifras), disso não resulta que os números seriam capazes somente de liberar esta potência de morte do controle, embora ela esteja sempre presente, com certeza. Também é possível que a diferença circule nas vizinhanças infinitesimais das séries divergentes, nos acontecimentos e encontros que este novo diagrama potencializa, com todos os perigos a ele concernentes, abrindo o socius aos novos agenciamentos de um povo por vir.
387
LATOUR, Bruno. Reassembling the social: an introduction to Actor-Network-Theory. Oxford (UK): Oxford University Press, 2005. p. 250. Como o Autor declara, o argumento é generalizado a partir de Bauman.
Não é óbvio, então, que somente um enredo de laços muito frágeis, de conexões contruídas, artificial, assinalável, segura e inesperadamente, serão o único caminho para se começar a assistir qualquer tipo de luta? A respeito do Total, não há nada a esperar, a não ser ajoelhar-se diante dele, ou pior, sonhar em ocupar o lugar do poder completo. Penso que seria mais seguro argumentar que agir é possível somente em um território que foi aberto, tornado plano, e reduzido de tamanho num lugar onde formatos, estruturas, globalizações e totalidades circulam dentro de minúsculos condutores, e onde para cada uma de suas aplicações eles necessitam se fiar nas massas de potencialidades ocultas. Se isto não for possível, então não há política. Nenhuma batalha foi ganha sem se recorrer a novas combinações e eventos inesperados388.
São essas as novas condições que atualmente tornam possíveis as forças atuarem no jogo político em que cada vez mais a vida se retira desse palco, não para ser degradada, controlada, espezinhada, mas se retira para produzir nos bastidores suas potências sempre imperfeitas, sempre por se produzir, neste modo menor. E se nessa retirada leva consigo também o potencial de sua destruição, isto apenas confirma a impossibilidade da representação dogmática como dado ou como modelo. Lance de dados da afirmação do acaso.