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6. Utfordringer

6.6 Bruken av leveranselommene

Isaacs coloca o princípio da continuidade genética entre os três princípios de valor, tanto nos estudos observacionais como nos estudos analíticos, ao lado dos princípios da observação acurada do comportamento e do contexto dos dados observados.

A continuidade genética, tema em relação ao qual os leitores estruturalistas de Freud são avessos, é o princípio que Isaacs traz da psicologia do desenvolvimento, pela qual a continuidade genética caracteriza todos os aspectos do desenvolvimento. Isaacs considera que este princípio está no pensamento de Freud, em sua teoria do desenvolvimento da libido e na teoria do desenvolvimento do ego.

O princípio da continuidade genética trata da pormenorizada continuidade do desenvolvimento, o que não significa que o desenvolvimento se processa sempre em ritmo uniforme. Inclui crises definidas, que na criança pequena, por exemplo, são o desmame, o controle dos esfíncteres, o aprender a andar e o aprender a falar.

Um aspecto importante na aquisição do falar é que a compreensão das palavras antecede bastante ao emprego das palavras:

O período real de tempo durante o qual a criança mostra que entende muita coisa que se lhe diz, ou que é dita na sua presença, não tendo chegado, todavia, a ponto de usar ela própria qualquer palavra, varia muito de criança para criança. Em algumas crianças superiormente inteligentes, o intervalo entre compreensão e uso de palavras pode abranger um ano. Esse atraso do uso em relação à compreensão encontra-se geralmente durante toda a infância. Também muitos outros processos intelectuais são expressos em ação, muito antes de

poderem ser formulados em palavras.166

Este aspecto será muito importante para que se entenda não só as manifestações atuadas de angústia e a angústia somática.

A aquisição da fala não começa com as palavras, começa evoluindo a partir de “sons articulados pela criança, quando está com fome ou sendo alimentada, logo nas primeiras semanas de vida”167. As mudanças que ocorrem depois, em direção à palavra, e depois da aquisição da palavra, são tão contínuas, variadas e complexas quanto as que ocorrem neste momento em que se processam os primeiros balbucios.

A questão colocada no texto por Isaacs é se as fantasias inconscientes estão ativas na criança desde a época em que, no início da vida, os impulsos pulsionais dominam pela primeira vez suas vivências e seus comportamentos, ou as fantasias “só se tornam ativas em retrospecto”168 quando a criança adquire a palavra e é capaz de formular suas vivências em palavras? Esta pergunta de Isaacs ainda é muito atual. A segunda possibilidade levantada por Isaacs de as fantasias se tornarem ativas em retrospecto fora defendida por alguns freudianos na ocasião das Controvérsias. Trata-se de fato de uma antecipação do a posteriori ou après

coup utilizado pelo pensamento estruturalista para ler a retrospectiva ou posterioridade em Freud, na situação traumática e na estruturação do aparelho psíquico. Este pensamento estruturalista, na verdade, veio bem depois das controvérsias e da publicação de Isaacs, tanto na psicologia como na psicanálise. O pensamento kleiniano postula a favor de continuidade genética para a fantasia e por isto não aceita “quaisquer fatos determinados do comportamento ou dos processos mentais como sui generis, estanques ou de geração súbita”, mas a vê-los “como itens numa série evolutiva ou sequência” e, a partir daí, buscou encontrar, no caminho inverso, as formas mais primitivas e rudimentares, que por outro lado, são primárias em relação ao desenvolvimento posterior. O pensamento kleiniano encara estes fatos “como manifestação de um processo de crescimento”, o qual tem de ser acompanhado progressivamente até que sejam alcançadas as formas mais recentes e desenvolvidas. Propõe isto como igualmente válido para a fantasia: também no desenvolvimento da fantasia é preciso considerar cada

167 Ibid. 168 Ibid., p. 88.

manifestação, em dado tempo e situação, como parte de uma série evolutiva, cujos inícios rudimentares podem ser averiguados retrospectivamente e cujas formas mais recentes e maduras podem ser acompanhadas a partir daqueles. Há um desenvolvimento contínuo da fantasia e da interação contínua e crescente desta com a realidade psíquica e com o conhecimento do mundo externo; também o conteúdo e a forma da fantasia estão vinculados às sucessivas fases do desenvolvimento libidinal e do crescimento do ego. Os mecanismos psíquicos pela razão da continuidade genética estão relacionados a determinadas espécies de fantasias e são eles próprios fantasias em seus primórdios.

De tudo isto o pensamento kleiniano conclui (e aplica) que na situação analítica tudo serve para indicar o caráter e a atividade das fantasias que operam na mente do analisando, adulto ou criança, sobretudo a situação transferencial. E temos a fantasia comprovada pela clínica:

É especialmente na relação emocional do paciente com o analista que o estudo do contexto, dos pormenores e da continuidade do desenvolvimento, demonstra ser fértil para a compreensão da fantasia. [...] A relação do paciente com o seu analista é quase inteiramente de fantasia inconsciente. [...] A “transferência” passou a ser o principal instrumento para aprender o que está acontecendo na mente do paciente, assim como para descobrir ou reconstruir sua história passada. [...] A repetição das situações primordiais e a “representação” na transferência levam-nos de volta muito além das mais remotas recordações conscientes; o paciente (seja criança ou adulto) mostra- nos frequentemente, como os mais vividos e dramáticos pormenores, os sentimentos, impulsos e atitudes são apropriados não só às situações da infância, mas também às dos primeiros meses de vida do bebê. Em sua fantasia, face ao analista, o paciente está de volta aos seus primeiros dias, e acompanhar essas fantasias em seu contexto [contexto tranferencial], compreendê-las em detalhe [no aqui e agora], é adquirir um sólido conhecimento do que de relevante se passou na

mente do analisando quando era uma criança pequena.169

Assim para que se compreenda a fantasia e outros processos mentais, a partir do segundo ano de vida, a psicanálise possui todos os elementos evidentes, observacionais e clínicos, de que necessita, tanto do comportamento observado como dos recursos que o método analítico oferece. Entretanto, no caso de crianças com menos de dois anos de idade, que já dominam a fala, a psicanálise tem que usar dois recursos. Em primeiro lugar, a observação diversificada: a reações a estímulos, a atividades espontâneas, a sintomas de afetos, brincadeiras com pessoas e objetos materiais e a todos variados aspectos comportamentais. Importa levar em conta os princípios de observação “o valor da observação do contexto, da anotação rigorosa dos pormenores e da consideração dos dados observados em qualquer momento como sendo membros de uma série que pode ser reconstituída, retrospectivamente, até os seus rudimentares primórdios e acompanhada, daí em diante, até as suas mais maduras formas”. Em segundo lugar, a experiência analítica conduz à compreensão direta dos processos mentais inconscientes expressos por meio dos mesmos tipos de comportamento, mas, e, sobretudo, pelas repetições de situações, emoções, atitudes e fantasias na transferência. Isto também no caso de adultos psicóticos.

Pela utilização desses recursos, Isaacs aponta que fora possível formular hipóteses a respeito das mais remotas fases da fantasia e da evolução do pensar, que foram confirmadas a partir do trabalho analítico, pela reação às intervenções do analista que foram formuladas a partir daquelas hipóteses. Isto levou ao esclarecimento da natureza e função da fantasia inconsciente. Mesmo as inferências a respeito das fantasias primitivas ou arcaicas se apoiam nestas comprovações da natureza e função das fantasias inconscientes relativas ao desenvolvimento ulterior.

O que é decorrente é que as fantasias são ativas simultaneamente com as moções pulsionais das quais elas surgiram. Afirma uma continuidade genética da fantasia em relação à vida pulsional, e da fantasia em direção ao comportamento manifesto e ao pensamento lógico. Ela estabelece em seu texto uma sequencia evolutiva entre um organismo fonte pulsional e estes fatos do comportamento e processos da vida mental.

Entendo que as fantasias têm essa capacidade de desdobramento em elipse, indo para trás, em direção ao inconsciente recalcado e mais ainda em direção ao inconsciente primário ou Isso, e mais ainda em direção ao puro soma, para ir também mais para frente, em direção ao Pcs-Cs. Por isto a fantasia, enquanto conteúdo primário do inconsciente recalcado é, não só a matéria-prima do inconsciente recalcado, mas, também, a matéria-prima do inconsciente primário, do Isso mesmo, pertence ao Isso, que em Klein não é só, como já afirmei, quantidades. O Isso kleiniano é sentido em sensorialidade pré-visual. Não é só a fantasia inconsciente que Freud viu em sua primeira tópica, não é só a fantasia inconsciente que se encontra no Ics, sistema consequência do recalque propriamente dito. Freud trabalhou pouco o conceito de fantasia na segunda tópica. Foi Melanie Klein e seguidores que o fizeram.

Aqui, nesta pesquisa, proponho tratar esta sequencia evolutiva como

elíptica; uma evolução sequencial, mas em elipse.