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4. Funn

4.2 Bjarne

Os resultados do APL de bonés de Apucarana foram analisados com base na revisão de literatura sobre qualidade, desenvolvimento de produtos, APL e o setor têxtil.

Ao comparar as condições dos produtos produzidos no APL com as dimensões da qualidade de GARVIN (1992), foi possível identificar enfoques diferenciados em função do tipo de mercado que as empresas atuam. Nas empresas de brinde o enfoque está baseado no desempenho, ou seja, apenas nas funções básicas do produto. Para os fabricantes dos bonés de grifes o enfoque está direcionado as características e a qualidade percebida.

Quanto à qualificação de mão-de-obra que o APL vem enfocando esforços, PIERACCIANI (1996), destaca que é um componente importante para a melhoria da qualidade de produtos e processos, desta forma, mesmo as empresas que trabalham basicamente pelo preço, a qualificação ajudará a reduzir custos de produção, seja pela redução de retrabalhos, seja pelo aumento da produtividade.

A exportação dos produtos mesmo que pequena em termos de volume é um indicador do nível de qualidade dos produtos do APL.

De acordo com a trilogia de JURAN & GRYNA (1991), além dos controles de processos, as empresas deverão trabalhar com processos de melhorias incrementais da qualidade. De acordo com os entrevistados, as empresas do APL de bonés fizeram projetos de melhoria contínua, inclusive em parcerias com universidades locais e obtiveram resultados significativos em termos de redução de produtos não conforme.

De acordo com as dimensões de GARVIM (1992), as empresas do APL que trabalham com grifes podem ser classificadas com enfoque no usuário, visto que elas

desenvolvem seus produtos tentando atender ao máximo as expectativas dos clientes. Para os fabricantes de brinde o enfoque é o produto, ou seja, a produção deve gerar o mínimo possível de defeitos.

Mesmo sendo de origem familiar, as empresas de Apucarana apresentam certo grau de profissionalismo visto que uma parte significativa dos empresários são jovens com formação superior que iniciaram recentemente os negócios e devido a sua formação estão aplicando os conceitos de gerenciamento ensinados na academia.

O forte relacionamento com fornecedores pode ser considerado um fator positivo para a qualidade dos produtos do APL, de acordo com MONTEIRO (2003), este relacionamento traz benefícios para a empresa como um todo, em especial, à qualidade dos produtos. Este relacionamento em Apucarana é bastante intenso visto que o APL produz mais da metade dos bonés fabricados no Brasil.

De acordo com o gestor do APL, os empresários participaram de treinamentos de 5S e outras ferramentas da qualidade, e isto evidencia que nos mais diversos níveis as empresas estão praticando os ensinamentos da qualidade.

Na empresas maiores do APL, um fator competitivo importante para a melhoria da qualidade é que as empresas vem realizando um adequado planejamento dos produtos, que para JURAN & GRYNA (1991), KAMINSKI (2000) e TOLEDO & ROSENFELD (2000), refletirá na qualidade dos produtos e processos.

Em relação à implantação de ISO 9000 por oito empresas do APL, isso gera um destaque a Apucarana no segmento de confecções do Paraná, sendo que mais da metade das confecções certificadas no estado ficam em Apucarana.

Para muitas empresas do APL, entretanto mesmo acreditando que a certificação traz benefícios a imagem dos produtos, não prevêem as certificações principalmente em função de seus custos. Destaca-se, entretanto que de acordo com QUALITAS (1999), estas empresas podem aplicar os conceitos da ISO sem, entretanto buscar a certificação e obter desta forma o ganho de qualidade em seus processos sem os custos da certificação.

A preocupação ambiental que as empresas do APL vêm demonstrando vai ao encontro do que YOUNG & LUSTOSA (2007) relacionam sobre pressões de agentes públicos, uma vez que o IAP não está concedendo novas licenças para empresas que não tiverem previstos a destinação adequada de seus resíduos sólidos. Uma vez que as empresas do APL comercializam em todo o território nacional e América Latina, o cuidado com o meio ambiente poderá, no futuro, próximo ser um diferencial junto aos consumidores.

Segundo PORTER (2004), de acordo com a estratégia adotada pela empresa, será maior ou menor o grau de preocupação com a qualidade dos produtos. No APL de bonés de Apucarana existem duas estratégias competitivas bem definidas. Os produtores de brinde trabalham com estratégia no custo total, enquanto os produtores de bonés de marca trabalham com estratégia de diferenciação ou em alguns casos de enfoque.

Neste contexto foi possível identificar que no APL de bonés de Apucarana existem dois grupos distintos de empresa, as que trabalham com brinde e a qualidade é secundária e as que trabalham com produtos de marca em que a qualidade é essencial para as vendas. Porém, os esforços para reduzir custos de fabricação e melhoar a qualidade dos produtos é válida para os dois grupos.

Assim como na qualidade, o desenvolvimento de produtos ocorre de forma diferenciada nas empresas de brindes e nas empresas de bonés de marca.

Nas empresas de brindes pela classificação de AMARAL et al (2006), os desenvolvimentos são incrementais em produtos plataforma que foram desenvolvidos para suportar diversas adaptações.

Já nas empresas que trabalham com produtos de marca, além dos desenvolvimentos incrementais, ocorrem alguns desenvolvimentos realmente inovadores, normalmente neste caso com projetos desenvolvidos pelos clientes.

Não foi possível identificar um modelo para o desenvolvimento de produtos dentro do APL, visto que algumas empresas possuem departamento de desenvolvimento, outras apenas profissionais para este fim e outras nem uma coisa nem outra, isto mesmo dentro do segmento de bonés de marca.

Quanto as estruturas de desenvolvimento propostas CLARK & WHEELWRIGTH (1992) e AMARAL et al (2006), foi possível observar também uma heterogeneidade mesmo em empresas que trabalham em segmentos idênticos.

As universidades da região vêm despenhando um importante papel na formação de mão-de-obra especializada para o setor boneleiro, assim como vem contribuindo em alguns projetos inovadores.

Mesmo a indústria de bonés de Apucarana apresentando dois grupos distintos, produtores de bonés de marca e produtores de bonés de brinde, as ações conjuntas do APL tendem a beneficiar os dois grupos.

Até mesmo na aquisição de novos equipamentos, fica bastante clara a divisão dos dois grupos: para os empresários dos bonés de marca, novos equipamentos poderão gerar novas possibilidades de produtos ou elevar a qualidade dos produtos, para os empresários do

brinde, as novas tecnologias têm por objetivo principal a redução de mão-de-obra e conseqüente aumento de produtividade.

A forte especialização no segmento de confecção de bonés trouxe ganhos significativos ao APL, dos quais se destacam a concentração de fornecedores e o apoio do governo instalando um curso de moda na UFTPR para atender as indústrias locais.

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