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BIOMASSERELASJON MELLOM FISK OG ANDRE ARTER

5.2.1 Na perspectiva do usuário

A possível relação entre o trabalho, artístico e como oficineiro realizado por F. e sua saúde mental foi indicada, por ele, em vários momentos das entrevistas para esta pesquisa, nos diversos registros em seus prontuários no SUS, no vídeo produzido sobre seu trabalho e nos dois projetos que escreveu e que nos repassou. Ele, ainda, fez questão de relatar seu percurso profissional, levando seu currículo para uma das entrevistas. Em um dos seus projetos102, afirmou:

Nunca pedi o benefício do INSS (aposentadoria por invalidez), porque acredito no benefício do trabalho,

principalmente o trabalho cooperado. Os benefícios são o desenvolvimento da integração social, com respeito, com gentileza maior entre o grupo de pacientes presentes nas oficinas, e também fora do espaço da oficina, com as famílias deles, pois há sempre uma troca de conhecimento, de calor humano, de esperança e de novos horizontes para todos.

Sobre a importância do trabalho, F. ressaltou, diversas vezes, o que chamou de “o direito de ter o dever de trabalhar”, explicando: “Nós vivemos em uma sociedade que temos que cumprir os deveres para ter os direitos. O trabalho é um dever. Mesmo o aposentado tem que fazer alguma coisa.” No entanto, a relevância que ele atribuía ao trabalho não devia, somente, a ser este uma obrigação social, que possibilitaria integração entre as pessoas e as condições de sobrevivência. O trabalho seria também, em sua visão, uma forma de aprender e construir outras possibilidades de viver e conviver consigo e com os outros:

O ser humano necessita dessa liberdade de imaginar, de sonhar, de encantamento na sua vida... O encantamento que aquele momento vai trazer para sua vida, ele pode gerar novos sonhos, novos projetos... Meu pai dizia que a gente tem que cair para aprender, tem de errar para aprender... Não acredito nisso. Meu trabalho, na questão do sofrimento, é a minha fuga, onde eu vejo o que pode chegar a ser a humanidade sem sofrimento.

No vídeo produzido sobre suas obras artísticas e seu ofício de oficineiro, F. apontou, diretamente, a relação entre o trabalho e a saúde mental, ao afirmar: “Este trabalho visa, além de produzir saúde mental, articular cultura e integração social.” Observamos em muitos relatos, sua defesa de que a verdadeira inclusão social aconteceria pelo trabalho. Ele afirmou que uma das dificuldades de ser “portador de sofrimento mental” era exatamente a perda do direito de competir no mercado de trabalho. “Nós perdemos o direito de competir. A sociedade é muito preconceituosa.” Para ilustrar esse preconceito, ele relatou que havia sido indicado para ser professor na escola de artes, onde havia estudado, mas teria sido reprovado no exame médico, por ter revelado fazer uso de remédios psiquiátricos.

Ainda sobre a relação entre o trabalho artístico e a produção de saúde, F. explicou que a rotina que o trabalho permite é fundamental para a melhora da saúde: “o paciente só melhora quando constrói uma rotina. Se não, fica sem hora para comer, pra trabalhar, para dormir.” Ele relatou ainda, a nós e também ao seu psicólogo, que a inclusão de usuários, “portadores de sofrimento mental”, no trabalho grupal em oficinas nas unidades de saúde, com atividades diversas, deveria acontecer “logo após as internações, ainda impregnados de medicação.” Isto porque depois essas pessoas fariam “corpo mole” e deixar-se-iam levar pela “inércia”, acostumando-se com a falta de rotina e tendo mais dificuldades de reagir aos efeitos colaterais dos remédios.

Outro ponto destacado, por ele, foi a importância do seu trabalho incluir atividades variadas e de ter autonomia sobre seu processo de produção:

É um trabalho em que posso me recuperar rapidamente das crises. Eu tenho uma vantagem no trabalho que eu faço. Eu tenho muitos recursos para voltar a trabalhar rapidamente. O meu trabalho é privilegiado nesse sentido, porque tem vários tipos de atividade que eu posso fazer. Igual o arame (esculturas). Eu tava

começando com uma LER no braço e achei essa solução, por ser mais leve e mais fácil de mexer do que outros materiais.

F. afirmou que, desde cedo, aprendeu a reconhecer o valor do trabalho, com o seu pai: Meu pai nunca me deixou ficar parado, tinha que ter um sonho, uma esperança e ações. Cuidava dos passarinhos, fazia ratoeiras. Não ficava quieto. Ele acreditava que o ser humano era uma fonte de produção contínua. Ele não estudou, mas era um pensamento avançado...

Assim, desde os 12 anos, F. interessou-se pelas artes, especialmente, as artes plásticas. Ele afirmou que esteve envolvido nos primórdios do movimento que culminaria na “Feira Hippie” de BH, quando, ainda, era adolescente. Paralelamente a esta atividade, ele começou a

trabalhar, formalmente, aos 14 anos, como office boy de uma montadora de veículos, de janeiro de 1975 até outubro de 1977. Depois, entre 1978 a 1979, foi auxiliar de um escritório de advocacia.

A partir de 1980, F. passou a dedicar-se ao trabalho com cerâmica e pintura, expondo seus trabalhos na referida feira. Neste período, ele relatou estar cursando educação artística, em uma importante escola de artes na capital mineira, além de ter aulas no atelier de um artista. Ele estudou técnicas de escultura em liga de bronze, estanho, alumínio, ferro fundido, fundições em cimento, fibra de vidro e materiais alternativos de modelagem.

No período de 1984 a 1991, relatou ter participado de um projeto piloto, na sua escola de artes, como coordenador de um grupo de mulheres, que estavam em tratamento psiquiátrico e psicológico. Ele propunha e realizava com o grupo modelagens e esculturas em argila, objetivando, a partir da arte, o desenvolvimento da autoestima das participantes, que teriam, em sua maioria, quadros depressivos.

F., também, relatou ter tido uma experiência como instrutor de cerâmica, por um ano e dois meses, em uma unidade da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM). Por meio da cerâmica, trabalhava com os adolescentes internos a construção de projetos pessoais para que eles conseguissem “um espaço na vida, com trabalho, com alegria e sucesso financeiro”. Ao longo de sua carreira, F. manteve a produção, em sua casa/atelier, de pinturas em óleo sobre tela, de esculturas em materiais diversos (metais, arame, pedra sabão), de desenhos, de cerâmicas e de artesanato com material reciclável (reprodução de criações), tendo relatado ter projetado e executado várias esculturas e troféus, por encomenda. Ele nos mostrou as obras que tinha em sua casa/atelier e as pastas com fotos e os estudos que realizou para a criação, especialmente, das esculturas. No seu currículo constava, ainda, a realização de diversas exposições em diferentes cidades de Minas Gerais, além da exposição e venda realizada, semanalmente, na feira de BH, desde a década de 1980 até a realização desta pesquisa.

No seu percurso profissional, ele, ainda, destacou seu trabalho educativo e terapêutico, afirmando ter aprendido e construído conhecimentos e técnicas, com os demais internos nos hospitais psiquiátricos, por onde passou, buscando “formas de criar uma convivência construtiva, durante a experiência de internação involuntária”. Entre essas técnicas, estariam formas para desenvolver a higiene pessoal e a comunicação entre os internos, além de exercícios de relaxamento e reflexões sobre os impactos na saúde de determinadas frases preconceituosas que eles já teriam ouvido, por terem “sofrimento mental”. Nesse mesmo sentido, F. relatou-nos ter sido voluntário em uma ONG, que trabalhava com dependentes

químicos e seus familiares. Ele afirmou que seu trabalho era compartilhar com o grupo orientações sobre hábitos de alimentação saudável, noções de higiene pessoal e técnicas de relaxamento para contribuir para o processo de desintoxicação dessas pessoas. Observamos, portanto, que mesmo nas situações em que F. era “paciente”, ele, também, se incumbia de desenvolver e compartilhar técnicas para melhorar a condição de saúde própria e de outros. Ele nomeou essa tarefa de trabalho, indicando que, para ele, trabalho não seria apenas a atividade remunerada, mas, também, o ato de criação de conhecimentos e técnicas e compartilhamento com os outros. Nesse sentido, ele nos apresentou tanto os objetos artísticos que criou, quanto suas ideias e experiências sobre seu trabalho com os “portadores de sofrimento mental”.

Conforme observamos pela sua trajetória profissional relatada, desde a década de 1980, F. manteve-se ocupado em aliar a produção de arte a processos educativos e terapêuticos. No SUS, como vimos, ele desenvolveu este tipo de trabalho, primeiramente, no CAPS, por 2 anos, e, desde 2011, o realizava em uma UBS. Além disso, afirmou, a nós e também ao psicólogo que o atendeu por 6 anos, que ele teria defendido na conferência municipal de saúde mental e no fórum de saúde mental, em 2010, a existência desse tipo de trabalho em oficinas arte-terapêuticas nos serviços do SUS: “Eu defendi que era necessário ter um grupo como este. As pessoas no debate acharam que não era possível. Aquilo que defendi como ideia, agora mostramos que é possível. Não é tão complicado assim.”

Sobre este trabalho em oficinas com os usuários de saúde mental e seus familiares, F. apontou a relação entre as atividades, ali desenvolvidas, e a saúde mental, ao destacar a importância de haver ocupações variadas e interessantes para os integrantes do grupo não ficarem ociosos. Ele relatou desenvolver, juntamente com a psicóloga, pinturas de quadros e muros (individuais e coletivas), troca de experiências de vida, danças livres e coreografadas, criação coletiva de histórias e cenários para teatro, reciclagem de materiais diversos e cultivo de plantas. Para F., a realização dessas atividades seria uma forma de equalizar as velocidades do cérebro e do corpo da pessoa, para que ela consiga uma integração interna, o que refletiria nas suas relações interpessoais:

Eles chegam com o cérebro acelerado e o corpo parado. A gente percebe que o cérebro está acelerado quando se incomodam com os outros, uma certa agressividade quando chegam...Tem que ter a velocidade igual. Acelerar os sentidos para chegar na velocidade do cérebro. Aí, a respiração começa a se equilibrar. Você dá atividade para o corpo chegar na velocidade do cérebro.

Embora tenha destacado a importância dos participantes estarem sempre ativos, F. não desconsiderou a necessidade de acolher os membros que estivessem num período de crise ou,

ainda, os que estivessem com alguns sintomas mais intensificados. Para exemplificar essa necessidade, ele relatou que um usuário, com síndrome do pânico, havia dormido o período todo de um encontro, sendo que ele afirmou: “deixa ele dormir, ele está se sentindo protegido. Ele precisa dormir. Se dormir bem, ajuda a síndrome do pânico.” A psicóloga, parceira na condução do grupo, também, falou-nos sobre um outro usuário que teve uma crise no grupo, tendo F. e os demais participantes acolhido muito bem esse membro. Para F., esse usuário teria “desabado” nesse espaço, exatamente por se sentir protegido ali. Na semana seguinte, esse usuário agradeceu a todos o tratamento que teve no dia de sua crise, destacando a ajuda do grupo no seu processo de recuperação.

Para F., na medida em que os integrantes do grupo foram conseguindo fazer as tarefas propostas, eles se tornavam a ser mais ativos, tanto no cuidado de sua saúde, quanto na vontade de realizar mais ações:

O grupo nesse momento não precisa mais que eu e a (psicóloga) fiquemos dando atividades para as

pessoas, pedindo, insistindo. Já somos um grupo autônomo. É uma outra etapa. As pessoas respiram bem, comem bem, alguns estão pegando bico, estudando... Agora eles têm que procurar um trabalho...

Ele ressaltou este mesmo ponto, no seu projeto, vencedor do prêmio de inclusão social: A vontade de voltar a ser produtivos passou a ser vista como possível, e não só ficar esperando a aposentadoria, como única forma de continuidade no dia a dia, inclusive, buscando empregos diferenciados, a fim de não ficarem parados, e, assim, com aprimoramento conjunto subir degraus na escala e no número de atividades que se tornarão capazes de realizar.

Sendo assim, F. defendeu a ideia de que a próxima etapa para o desenvolvimento desse grupo seria sua transformação em uma cooperativa, diferenciando este tipo de organização de trabalho da organização competitiva, usualmente, presente no mercado de trabalho:

A gente tem que criar uma ponte. Minha ideia é conseguir construir uma cooperativa de teatro, de arte, de um monte de coisas a gente pode fazer. A cooperativa você ganha pelo que produz. Na saúde mental, o mercado de trabalho competitivo não dá certo, desorganiza todo mundo. Não temos o direito de desagregar o que tá formado. Seria uma forma de fortalecer o conjunto. Poderia pegar outros grupos também...

Ainda sobre a caracterização do trabalho cooperado, F. destacou o valor da responsabilidade que cada integrante teria e o respeito necessário, na organização desse trabalho, aos ritmos individuais: “Tem uma responsabilidade. É um trabalho. Cada um é responsável e responde por si... Cada um vai no seu ritmo.”

Segundo ele, para o desenvolvimento da cooperativa, seria necessário conseguirem apoio social e institucional, tanto para aprenderam sobre o cooperativismo social – organização de trabalho e formas de comercialização, quanto para conseguirem os recursos financeiros necessários para essa evolução. Ele apontou a ideia de criar uma fundação, como meio de viabilizar essa proposta:

Para que possa seguir adiante, acredito na possibilidade de alcançar a construção de uma „Fundação para pacientes portadores de sofrimento mental, parentes e amigos‟, com enfoque na convivência e no coletivo como força apaziguadora, com apoio do setor público, na área de saúde, em geral.

Relembramos, ainda, o discurso de F., ao receber o prêmio de inclusão social, em maio de 2016, em que ele apresentou as três fases para a luta antimanicomial. Vimos que duas dessas fases estariam ligadas ao trabalho, pela possibilidade de inclusão real que este promoveria e pelo desenvolvimento necessário que exigiria, tanto para o trabalho evoluir, quanto para a evolução dos que o realizam.

Por fim, F., mais uma vez, destacou o papel do seu trabalho, como uma tentativa para livrar-se do sofrimento, e, como afirmação de sua crença na possibilidade de construção de outro „mundo‟:

Não preciso sofrer mais. Você não precisa sofrer. Ela não precisa sofrer. A gente tem que lutar para tentar acabar com o sofrimento. E lá na arte, que eu faço, é pra tentar acabar com o sofrimento, sim. Vamos ver se a gente constrói um mundo de amor mais na frente. Deu para entender?

5.2.2 Na perspectiva dos profissionais

Para a terapeuta ocupacional, que foi referência técnica de F. no CAPS, a possibilidade de uma relação entre o trabalho artístico de F. e sua saúde mental apareceu durante a primeira visita domiciliar que realizou, com ele, ainda no primeiro dia de atendimento no CAPS103: “Propus fazer uma visita e me chamou a atenção como a arte tomava o espaço da casa, os quadros na sala, no quintal também... O fazer dele tinha uma função de estabilização. Parece que quando ele não produzia era o período que estava em crise.”

Quando questionada sobre o lugar do trabalho na vida de F., essa terapeuta afirmou: “Acho que o trabalho estava presente, mesmo a fala delirante sempre dizia do trabalho... e na saúde era bem nítido o papel de estabilização, do lugar que ele se colocava no mundo. Se colocava no mundo, através desse fazer dele, do trabalho.” Quanto às falas delirantes, a que ela se referiu, eram aquelas em que F. dizia ter sido perseguido pelo regime militar pelo seu trabalho com artes e seu “projeto do carro a álcool”, além de sua visão sobre a montadora de veículos em que trabalhou. No prontuário do CAPS havia o registro de um relato de F., em crise, afirmando que “80% da energia produzida na (montadora de veículos) é feita de energia humana, fóssil humano, „pessoas mortas, trituradas para reproduzir humanos‟.”

103

Para a terapeuta ocupacional, o trabalho artístico de F. era uma possibilidade de tratamento:

Eu percebia que a forma, talvez, dele enfrentar aquela crise era ele tentando se organizar pelo trabalho. Era uma função muito importante, até para ele não se colocar no lugar daquele que não dava conta. Era uma angústia para ele ser aquele que não vai sustentar a família, não conseguir ser o provedor. A função do trabalho era muito importante (Terapeuta Ocupacional do CAPS).

Conforme anteriormente relatado, durante os atendimentos no CAPS, F. teve espaço para elaborar muitas questões relacionadas ao seu trabalho e, ainda, de atuar como artista e oficineiro. Durante o primeiro mês de sua estada nessa unidade, houve uma anotação da terapeuta ocupacional sobre a visão dele a respeito do seu trabalho de escultor: “ato de esculpir: conseguir felicidade com as próprias mãos: tentativa de conseguir equilíbrio: dissolução das correntes que nos aprisionam: pesquisa aventurada da vida: nascer e morrer.” Num outro atendimento, F. apresentou, à terapeuta, a ideia de expor seus trabalhos artísticos em um centro de saúde, pois estes seriam “uma forma de cura, possibilita janelas para energização dos doentes”. A análise dele sobre o papel da arte também foi registrada: “acredito na arte que visa o homem para frente, aprimoramento do homem, não gosto de nada que estabelece muro, não gosto do emparedado (referência a não querer ver exposição do Niemeyer no Museu da Pampulha).” A terapeuta, ainda, registrou os momentos em que F. apresentou seu receio de perder a licença de exposição na feira hippie, pelo fato de estar sem condições de ir regularmente a este espaço, e, a desestruturação financeira que estava vivendo, devido à crise que atravessava. Ela observou, nessa ocasião, o “sentimento (de F.) de impotência diante da limitação financeira e perda da autonomia”. Com o decorrer do tratamento, a terapeuta registrou os sinais de melhora apresentados por F., ao relatar a retomada de sua produção e a exposição na feira hippie: “Fez várias pinturas e conta que conseguiu ir à feira domingo, „uma ótima notícia‟.”

No vídeo que a psicóloga do CAPS realizou, sobre o trabalho de F., a terapeuta ocupacional foi nomeada, por ele, para fazer sua apresentação. Nesta, ela evidenciou o reconhecimento que tinha pelo trabalho que ele vinha desenvolvendo na unidade:

O espaço terapêutico construído e sustentado por F., dentro do CAPS, é um espaço de expressão, transformação e desenvolvimento do potencial criativo. Este artista se coloca em um lugar de facilitador e potencializador das ações dos participantes, valorizando a singularidade, o reconhecimento da diversidade e a integração do grupo. Percebo o cuidado e o respeito dirigidos a cada participante da oficina conduzida por F., através da liberdade e autonomia criativa estimuladas por ele. Um espaço onde a capacidade e sensibilidade desse artista atuam lado a lado e onde F. assume o papel de articulador consistente e criativo, cuidando sempre para que a compartimentalização e reducionismo deem lugar a um espaço de possibilidades, inclusão, reflexão e cidadania (Terapeuta Ocupacional do CAPS).

Sobre o diagnóstico de F., a terapeuta afirmou que o mais próximo seria o de esquizofrenia paranoide, mas ressaltou: “A pessoa é dinâmica e o diagnóstico é estático. Naquele tempo era

o mais próximo. Hoje seria mais difícil... Eu colocaria, sim, a esquizofrenia paranoide, mas, é sempre uma hipótese, me preocupa ser taxativo”.

Questionada sobre sua percepção acerca da relação entre o trabalho e a saúde mental em outros casos, a terapeuta afirmou não ser possível fazer generalizações, “no caso dele era nítido, mas, em outros não era”. Perguntada, ainda, sobre a relação entre o trabalho e o adoecimento mental, ressaltou que a forma como cada sujeito lida com seu trabalho pode ser adoecedora, ressaltando que “a de F. não era”.

Por fim, questionamos se a formação como terapeuta ocupacional teria contribuído para essa aposta no trabalho de F. como um suporte terapêutico, ao que ela afirmou: “A T.O. tem um olhar para a atividade. A gente acredita no fazer, que tem uma função importante na qualidade de vida da pessoa. A gente tem um olhar diferente.”

Para o psicólogo que atendeu F., por cerca de, 6 anos numa UBS, ele sempre foi “muito inteligente, informado, participativo e assíduo”, tendo pautado, recorrentemente, o trabalho, como artista e oficineiro e, também, seu „trabalho psíquico‟, nos atendimentos. Este psicólogo baseava-se no conceito de psicose, segundo a psicanálise, para compreender e conduzir esse caso.

Questionado sobre o lugar do trabalho na vida de F., este profissional reconheceu que suas