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2. Literature Review

2.1 Food Packaging Materials

2.1.5 Biobased and Biodegradable Packaging Material

O tamanho médio da família brasileira passou de 5,4 pessoas, em 1950, para 4,1 pessoas, em 1985, segundo Oliveira & Berquó (1990), ou seja, a família brasileira passou a ter um membro a menos, pelo menos, ao longo desses 35 anos. A contagem da população de 2007, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica um número médio de 3,6 pessoas residentes por domicílio (IBGE, [200-a]).

Para o Brasil, entre 1978 e 1998, Medeiros & Osório (2002), tendo como base as informações provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), concluíram que os arranjos domiciliares tornaram-se mais heterogêneos, quanto à composição de seus núcleos, e mais homogêneos, quanto ao tamanho dos mesmos, e que os fatores relacionados à mudança da estrutura etária da população foram as principais causas de redução do tamanho médio dos arranjos domiciliares. Nesse período, destaca-se a formação de um novo padrão domiciliar, com o aumento proporcional de arranjos menores e diferentes do modelo clássico de família nuclear encabeçada por um casal. Por exemplo, a proporção de arranjos domiciliares constituídos de mulheres sem cônjuges aumentou de 14% para 21%, entre 1978 e 1998; ao passo que, a proporção de arranjos constituídos por casal com filhos reduziu de 68% para 59% no mesmo período.

Medeiros & Osório (2002) ressaltam que, nesse período de 1978 a 1998, ocorreram algumas transformações relacionadas aos determinantes da composição dos arranjos domiciliares, tais como queda da fecundidade, legalização dos divórcios e mudanças em alguns valores da sociedade referentes à vida familiar. A heterogeneidade dos núcleos domiciliares, citada pelos autores, refere-se à redução da proporção dos arranjos de núcleo composto (casal) e ao aumento dos arranjos de núcleos simples constituídos por uma mulher, principalmente. Para compreender as causas dessas mudanças, foram avaliados dois determinantes de natureza demográfica: as modificações ocorridas nas taxas de união e as ocorridas nas taxas de fecundidade. Segundo os autores, esses dois determinantes tiveram efeitos opostos sobre o tamanho dos arranjos, mas o resultado das mudanças na fecundidade foi mais do que suficiente para compensar as alterações nas taxas de união. As mudanças nos padrões de reprodução, de mortalidade e de união estão, segundo os autores, afetando diretamente a composição dos arranjos domiciliares brasileiros, de forma que, a proporção de pessoas na condição de “filho” vem diminuindo e, as demais, aumentando.

No período de 1978 a 1998, houve um aumento de, aproximadamente, 86% no número absoluto de arranjos domiciliares do Brasil, apesar da população ter crescido pouco menos de 44%. Em todo o período, os tipos predominantes de arranjo são os de núcleo constituídos por um casal, seguidos pelos de núcleo formado por uma mulher e, posteriormente, pelos núcleos constituído por um homem. Segundo Medeiros & Osório (2002), o crescimento mais acelerado foi o de arranjos de núcleo simples feminino, entretanto, eles não foram os principais responsáveis pelo fato de o aumento da quantidade de arranjos ser proporcionalmente mais elevado que o crescimento da população, pois,

aproximadamente, 62% da elevação do número absoluto de arranjos deve-se ao aumento no número de arranjos formados por um casal, 29% ao tipo formado por mulher sem cônjuge, e 9% ao tipo constituído por homem sem cônjuge. O crescimento do tipo “mulher sem filhos” revelou-se uma das principais causas do aumento da heterogeneidade dos arranjos domiciliares no Brasil, que não foi acompanhado pelo monoparentalismo masculino. Para ambos os sexos, as proporções de pessoas que vivem em arranjos domiciliares unipessoais foram aproximadamente as mesmas ao longo do tempo, mas quando a tipologia inclui filho, a proporção de pessoas que vivem em arranjos domiciliares com uma mulher no núcleo é pelo menos cinco vezes maior do que nos arranjos com homem no núcleo.

O tamanho dos arranjos domiciliares vem diminuindo; tendência essa que antecede a década de 1970 (Goldani, 1984), sendo que, no período de 1978 a 1998, parte dessa queda pode ser associada à diminuição da quantidade de pessoas que vivem como filho no arranjo (Medeiros & Osório, 2002). Segundo os autores, a menor proporção de pessoas na posição de filho pode ser resultado não apenas de reduções nas taxas de fecundidade, mas, também, de outras mudanças nos padrões de formação de arranjo domiciliar e do ciclo de vida, que levam os filhos a constituir novos arranjos, geralmente, nas posições de chefe ou de cônjuge. Os autores ressaltam ainda que as quedas no número médio de pessoas na posição “outro parente” foram as menores ocorridas entre 1978 e 1998, devido, em parte, a um número já pequeno de “outros parentes” nos arranjos domiciliares na década de 1970. Como a proporção de pessoas na condição de “não parentes” é extremamente reduzida na população, essa diminuição tem pouca relevância para composição dos arranjos, mas pode ser interpretada como um indicador da tendência dos arranjos domiciliares brasileiros serem agrupamentos essencialmente familiares (Medeiros & Osório, 2002).

Para Medeiros & Osório (2002), as variações nas taxas de fecundidade, acentuadas a partir de meados da década de 1970, levaram à diminuição proporcional de pessoas com idades inferiores àquelas em que são mais freqüentes as uniões (especialmente crianças) e ao aumento da proporção de pessoas em idades de união, o que contribuiu para a redução proporcional dos solteiros. Entretanto, houve uma redução nas taxas específicas de união de homens e de mulheres na faixa de idade compreendida entre 20 e 59 anos, o que provoca uma tendência inversa à que seria esperada, como resultado do aumento proporcional dos adultos na população, caso não houvesse, ao longo do tempo, mudanças no padrão de uniões. Segundo os autores, a menor quantidade de uniões entre os adultos,

no entanto, foi parcialmente compensada por uma maior incidência de uniões em dois grupos etários: os jovens de 15 a 19 anos e os de 60 anos ou mais. Para os autores, esse aumento das taxas de união entre pessoas de 60 anos ou mais é resultado da maior longevidade masculina e feminina, que reduz a viuvez em idades menores e, provavelmente, está também relacionado ao aumento dos recasamentos entre pessoas de 60 anos ou mais. A co-habitação sem vínculos legais, denominada de união consensual aumentou de 6,9%, em 1970, para 11,8%, em 1980, no Brasil (Oliveira & Berquó, 1990).

Em termos agregados, as mudanças no padrão de união, ocorridas entre 1978 e 1998, provocaram uma tendência de queda na quantidade de pessoas unidas na população brasileira, que foram contrabalanceadas pelas transformações da estrutura etária, fazendo com que a proporção de pessoas unidas na população aumentasse (Medeiros & Osório, 2002, p. 12). Conforme ressaltado pelos autores, sendo muito mais um efeito do envelhecimento populacional, o aumento da proporção de unidos não contradiz as expectativas resultantes da maior incidência de arranjos domiciliares, cujo núcleo não é formado por um casal.

Medeiros & Osório (2002) observaram que, entre 1978 e 1998, as quedas nas taxas específicas de união, quando ocorrem, nunca ultrapassam a dez por cento. Segundo os autores, à primeira vista, o impacto dessa queda sobre o tamanho dos arranjos pode parecer reduzido, se comparado à acentuada diminuição na fecundidade ocorrida ao longo desse período, especialmente ao se considerar que apenas uma parte da diminuição das uniões tem efeito real sobre a quantidade existente de arranjos e, conseqüentemente, sobre seu tamanho médio. Todavia, os autores ressaltam que as variações nas taxas de união incidem sobre uma base maior da população do que as variações nas taxas de fecundidade e, portanto, os efeitos de composição de arranjos resultantes de modificações nos padrões de união não devem ser desprezados.

No período analisado por Medeiros & Osório (2002), a maior incidência de composições de menor tamanho – como os arranjos unipessoais, os monoparentais e os de casais sem filho nas últimas três décadas, deve-se, além da queda das taxas de fecundidade, a uma nova distribuição segundo o ciclo de vida das pessoas (esperada como resultado do envelhecimento da população), ao aumento das separações e dos divórcios ou, ainda, a mudanças culturais que propiciam criações de arranjos. Segundo Oliveira & Berquó (1990), dentre as pessoas que moram sozinhas, destaca-se o grupo de 60 anos ou mais, em

1980, que é decorrente da redução da mortalidade nas idades mais avançadas, aumentando, assim, o número de sobreviventes. Trata-se de uma fase da vida na qual a viuvez já está presente, os filhos, provavelmente adultos, já deixaram a casa dos pais, além da possibilidade de dissolução dos casamentos e uniões.

Garcia, Rodarte & Costa (2006) constataram que no triênio de 2003, 2004 e 2005, a proporção de arranjos unipessoais, monoparentais e de casais sem filhos correspondiam a 11,1%, 20,8% e 11,2%, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, havendo uma grande participação (51,2%) de arranjos nucleares com filhos, e uma menor participação (5,7%) de outras formas de arranjo.

Em suma, para os arranjos domiciliares brasileiros, a diminuição do tamanho médio pode ser atribuída a vários fatores, entre os quais dois merecem destaque, segundo Medeiros & Osório (2002). O primeiro refere-se ao aumento do número total de arranjos, que pode, por exemplo, ser decorrente do aumento do número de separações, do número de filhos que passam a viver em seu próprio domicílio, ou do número de idosos que cada vez menos se agregam a outros núcleos familiares, ao envelhecerem. O segundo, e mais importante para os autores, é a acentuada queda da fecundidade observada no Brasil, nas últimas décadas, pois cerca de metade da diminuição do tamanho médio dos arranjos domiciliares deve ser atribuída a um menor número de filhos tidos pelas mulheres e, conseqüentemente, a um menor número de pessoas disponíveis para, potencialmente, ocuparem a posição de “filho” nos arranjos domiciliares.

Para Medeiros & Osório (2002, p. 14), “é de se esperar que, à medida que as taxas de fecundidade tornem-se mais baixas, sua importância na determinação dos arranjos passe a ser cada vez menor, se as mudanças em seus padrões de formação continuarem a ocorrer de forma similar à atual”.