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Para cada situação conjugal, a taxa de fecundidade foi calculada com base na idade do último filho nascido vivo, após separar as mulheres por ordem de parturição. Com base na idade do último filho nascido vivo, é possível determinar se a mulher teve filho entre 1990 e 1991, ou seja, se a idade do filho é menor que um. Observou-se que as idades que apresentaram as maiores porcentagens de mulheres, cujo filho tinha a idade completa menor que um ano, pertenciam ao grupo etário de 20 a 24 anos (27,2% dos nascimentos) e de 25 a 29 anos (30,8% dos nascimentos), totalizando, 58% dos 36.845 nascimentos

0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100+ Idade (anos) T ax a Feminina Masculina

ocorridos entre 1990 e 1991. De acordo com o Censo Demográfico de 1991, havia 1.063.988 mulheres em Belo Horizonte, sendo que, para 32.190 delas, a idade do último filho nascido vivo é ignorada e, para 383.390 delas, a informação é omissa, totalizando, assim, 416.029 omissões (39,1%). Em relação ao total de filhos e filhas tidos nascidos vivos, há 42.877 mulheres para as quais esse total é ignorado.

Para verificar a qualidade dos níveis e padrões de fecundidade estimados, foi utilizado o método de Brass (1975, p. 24) referente à razão P/F, através da informação sobre número médio de filhos tidos pela mulher (P) e a fecundidade nos 12 meses anteriores à pesquisa (F). Ao comparar essas informações sobre fecundidade acumulada e fecundidade corrente, é possível determinar o fator de correção a ser aplicado à fecundidade, caso haja divergência entre as informações. Utilizando o Censo Demográfico de 1991, a razão da parturição pela fecundidade do segundo grupo etário (20 a 24 anos) corresponde a 0,99 – indicando, assim, que não há necessidade de corrigir o número de filhos nascidos, para todas as idades maternas, para Belo Horizonte. A mesma conclusão é válida para 2000, pois a razão da parturição pela fecundidade do segundo grupo etário (20 a 24 anos) corresponde a 1,00.

Em 1991, considerando todas as parturições, a taxa de fecundidade total, para as mulheres de 15 a 49 anos, correspondeu a 1,85 filhos, que está próximo ao valor (1,99 filhos) obtido por Wong & Perpétuo (2000) para Belo Horizonte, em 1992. Em 2000, a taxa de fecundidade total, para as mulheres de 15 a 49 anos, decaiu para 1,64 filhos.

Após agrupar as parturições em quatro ou mais filhos, a idade da mãe foi retrocedida para 1990, para determinar quantas mulheres passaram de uma parturição de ordem zero para ordem um, de ordem um para ordem dois, de ordem dois para ordem três, de ordem três ou mais para quatro ou mais, considerando-se a situação conjugal apresentada pela mãe em 1991: solteira, casada, separada ou viúva. De forma similar ao cálculo da taxa de transição da situação conjugal, corrigiu-se o total de anos-pessoa pela razão de sobrevivência referente a cada idade “x” da mãe.

As taxas de nascimento por parturição foram calculadas para os grupos decenais das mulheres, cuja situação conjugal, em 1991, era casada; bem como para os grupos decenais das mulheres, cuja situação conjugal, em 1991, era solteira, viúva ou separada, por ordem de nascimento, ou seja, por parturição.

As TAB’s. 7, 8, 9 e 10 apresentam as taxas decenais de ocorrência de nascimento por ordem de nascimento, entre 1990 e 1991, para as mulheres, cuja situação conjugal, em 1991, era casada, separada, solteira e viúva, respectivamente.

Tabela 7: Taxas decenais de ocorrência de nascimento por ordem de nascimento, entre 1990 e 1991, das mulheres casadas, Belo Horizonte, 1991

Ordem de Nascimento Grupo

Etário (anos) 1 2 3 4 ou mais Geral

15 a 24 2,985 3,105 2,310 2,737 2,926

25 a 34 2,232 2,058 0,924 0,801 1,399

35 a 44 0,819 1,045 0,268 0,186 0,320

45 a 54 0,036 0,028 0,031 0,015 0,020

Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 1991, IBGE.

Tabela 8: Taxas decenais de ocorrência de nascimento por ordem de nascimento, entre 1990 e 1991, das mulheres separadas, Belo Horizonte, 1991

Ordem de Nascimento Grupo

Etário (anos) 1 2 3 4 ou mais Geral

15 a 24 1,449 1,091 0,862 3,171 1,295

25 a 34 0,650 0,249 0,466 0,508 0,433

35 a 44 0,349 0,380 0,141 0,141 0,197

45 a 54 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000

Tabela 9: Taxas decenais de ocorrência de nascimento por ordem de nascimento, entre 1990 e 1991, das mulheres solteiras, Belo Horizonte, 1991

Ordem de Nascimento Grupo

Etário (anos) 1 2 3 4 ou mais Geral

15 a 24 0,136 1,190 1,472 0,806 0,173

25 a 34 0,126 0,322 0,668 0,366 0,166

35 a 44 0,045 0,077 0,114 0,000 0,049

45 a 54 0,000 0,086 0,000 0,000 0,010

Nota: a taxa para a ordem “4 ou mais” e grupo “15 a 24”anos foi calculada, para 232 mulheres, e correspondia a 4,321. Uma vez que essa taxa é inconsistente com o grupo etário de 15 a 24 anos, ela foi substituída pelo valor de 0,806. Esse valor foi obtido, multiplicando a taxa de ocorrência de nascimento obtida para o grupo de 25 a 34 anos e ordem de nascimento “4 ou mais” pela razão das taxas de ocorrência de nascimento entre os grupos etários “15 a 24” e “25 a 34”, para a ordem de nascimento 3.

Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 1991, IBGE.

Tabela 10: Taxas decenais de ocorrência de nascimento por ordem de nascimento, entre 1990 e 1991, das mulheres viúvas, Belo Horizonte, 1991

Ordem de Nascimento Grupo

Etário (anos) 1 2 3 4 ou mais Geral

15 a 24 5,042 1,919 0,000 0,000 2,107

25 a 34 0,000 0,114 0,166 0,459 0,262

35 a 44 0,168 0,000 0,107 0,126 0,113

45 a 54 0,281 0,000 0,000 0,016 0,020

Nota: para o grupo etário de 15 a 24 anos e ordem 1, 3 e 4 ou mais, o número de mulheres é igual a 80, 52 e 29, respectivamente. Para o grupo etário de 15 a 24 anos e ordem 2, esse número é 103.

Para obter as taxas de fecundidade por idade simples, as taxas decenais foram desagregadas, utilizando os coeficientes da interpolação osculatória, baseados na fórmula de Karup-King (Siegel & Swanson, 2004, p. 726).

A taxa decenal (5,042) encontrada para o grupo etário de 15 a 24 anos das viúvas foi considerada muito alta já que é bastante superior à taxa decenal encontrada para as mulheres com situação conjugal casada ou separada. Considerando que a taxa suavizada para parturição de ordem 2 assemelha-se às respectivas taxas disponibilizadas para os Estados Unidos por Zeng Yi11, tanto em nível, quanto em padrão, optou-se por utilizar as

taxas observadas para Estados Unidos, para a ordem de nascimento um, para as mulheres viúvas não co-habitantes, que estão apresentadas na TAB. A 12, em anexo.

Para a parturição de ordem dois, as taxas de ocorrência de nascimento para as viúvas com idades de 35, 36 e 37 anos, que eram inferiores a 0,005, foram substituídas por zero, uma vez que as taxas de ocorrência para as idades adjacentes a essas idades eram iguais a zero.

O GRAF. 13 apresenta as taxas de fecundidade para mulheres por ordem de parturição e situação conjugal, em Belo Horizonte, no ano de 1991.

Com exceção da situação conjugal viúva, as taxas de fecundidade assumem o maior valor, quando a mulher atinge a idade de 20 anos, para todas as ordens de parturição, sendo que, para a situação conjugal casada, as taxas mantêm-se elevadas para as parturições de ordem um e dois, até a idade de 30 anos. Essas idades fazem parte do grupo etário de 20 a 35 anos, que segundo Wong & Perpétuo (2000), foi responsável por 76,1% da taxa de fecundidade total calculada para Belo Horizonte, em 1992.

Para as viúvas, as taxas de fecundidade para as ordens de parturição maior ou igual a três assumem os maiores valores, quando a mulher atinge a idade de 30 anos, o que parece coerente, pois se observa que a probabilidade de sobrevivência masculina torna-se visivelmente menor que a feminina, a partir dessa idade (ver GRAF. 2). Também para as mulheres separadas observa-se uma elevação das taxas após essa idade, para a parturição de ordem quatro ou mais.

11 YI, Z. As taxas norte-americanas de fecundidade por ordem de parturição foram disponibilizadas por Zeng Yi, juntamente com o programa ProFamy Trial version 1.11, solicitado por mensagem eletrônica, em 30 jan. 2007.

Gráfico 13: Taxa de fecundidade por ordem de parturição e situação conjugal das mulheres, Belo Horizonte, 1991

a) Casada b) Separada

c) Viúva d) Solteira

Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 1991.