5.2. PF støtter helsesøster i hjelperrollen
5.2.1. Bidrar til å strukturere individuelle samtaler
Outro critério comum na literatura sobre a ação extensionista diz respeito à for- mação dos mediadores, sobretudo nas Ciências Agrárias, onde a extensão rural, como disciplina acadêmica está inserida. Sendo a ação extensionista um complexo processo social de intervenção, não estaria ligada exclusivamente às Ciências Agrárias. Atual- mente algumas áreas do saber têm contribuído enormemente para se pensar o processo
da ação extensionista, destacando para os processos comunicativos, psicológicos e psi- cogenéticos, além, logicamente, dos processos educativos e pedagógicos e suas respec- tivas áreas do saber.
A diferença entre as chamadas disciplinas “sociais” e disciplinas “agrárias”69 e sua interação na ação extensionista e na composição da equipes que praticam a media- ção é fruto de um grande debate na ATER (PEREIRA, 2004; PIMENTEL, 2007). En- quanto os mediadores “agrários” estariam preocupados somente com as questões técni- cas, focados na produção e nos hábitos agrícolas, os mediadores “sociais” se limitariam à formação política, gestão e organização das áreas rurais. Esse descolamento tem raízes mais profundas na sociedade e na forma de condução da especialização do saber, refle- xo dos currículos universitários, e dos critérios orientadores da ação extensionista (PI- MENTEL, 2007). De um lado uma mediação técnica (agrária), preocupada exclusiva- mente com questões práticas da produção e não questionando a ideologia, seja da tecno- logia, seja da condição de marginalizado socialmente e relegando as questões organiza- tivas e políticas em segundo plano. De outro lado, uma mediação estritamente política e organizativa, que não se preocupa com os processos ecológicos e agropecuários, nem com a produção, mas somente com a ideologia e os processos sociais que subjaz a con- dição dos mediados. Esse descolamento entre as questões técnicas e sociais limita a a- ção extensionista a uma dimensão que não comporta a complexidade e a diversidade das situações do mundo rural, refletindo em situações problemas da prática extensionista e não contribuindo para as situações de mudança social (PIMENTEL, 2007).
Os extensionistas que são formados nas universidades e nas escolas técnicas per- tencem, de um modo geral, às abordagens clássicas das ciências agrárias, calcadas em um lógica produtivista-tecnicista-industrialista, onde o desenvolvimento do mundo rural passa pela maximização da produção agropecuária. Mesmo após 30 anos das primeiras críticas sobre o descompasso entre a formação dos profissionais e as demandas das po- pulações rurais não houve grandes mudanças nos projetos políticos pedagógicos e nos currículos dos profissionais das ciências agrárias (PIMENTEL, 2007). Mesmo na disci- plina “extensão rural”, qual deveria partir de uma perspectiva multidisciplinar e abordar
69 Apesar desta discussão polêmica, para, a modo de simplificação, é comum relacionar as disciplinas
os “novos” desafios70 contemporâneos, há uma tímida incorporação a estes novos temas e outros temas tão difundidos na pesquisa como as questões de sucessão rural, gênero, etnia e as “novas ruralidades” não aparecem nos programas da disciplina extensão rural no país (GARRIDO, et al., SD).
A formação dos extensionistas das profissões agrárias71 ainda está distante dos complexos questionamentos que subjazem a ação extensionista na atualidade e a função técnica dos profissionais das ciências agrárias ainda é o que garante o reconhecimento como agentes de mudança social no mundo rural, levando a uma série de ambigüidades intransponíveis quando se trata de trabalhar com esse público diferenciado de agriculto- res. Atualmente, essa condição de agente de mudança expõe a necessidade de problema- tizar tanto a técnica como a ciência, como pressuposto para superar o condicionamento difusionista das décadas de 60 e 70 (COELHO, 2005; PIMENTEL, 2007). A oposição entre o conhecimento do cientista agrário (“sábio”) e do trabalhador rural (“arcaico”) naturalizou a subordinação do primeiro pelo segundo. De acordo com Caporal (1991):
A técnica introduzida no campo é um exigência do desenvolvimento capitalista [...] o desenvolvimento da ciência e da tecnologia aliado ao acesso ilimitado dos conhecimento científicos a pequenos segmentos da população acentua a separa- ção entre o trabalho manual e o trabalho intelectual de tal forma que oportuniza o fortalecimento de categorias intermediárias de indivíduos, não diretamente liga- dos ao processo produtivo, que assumirão o papel formal de transmissores de in- formações técnicas. (CAPORAL 1991, p. 35).
Esta forma de conceber o profissional das Ciências Agrárias não se alterou subs- tancialmente. Seu reconhecimento social ainda está ligado à resolução de problemas técnicos e práticos, como o responsável por resolver tanto as questões pontuais da pro- dução e da organização, como por fazer a mediação com outras áreas do conhecimento, com diferentes esferas sociais e também dos aparatos públicos. Contudo, o projeto polí- tico pedagógico das profissões agrárias não contempla essa diversidade e essa comple- xidade da intervenção extensionista, além de não contar com o diálogo com outras áreas do saber, tão necessárias a uma intervenção multidimensional. A motivação tecnológica
70 No fundo estes desafios não são novos, contudo, somente na última década estão incorporados nas
agendas de pesquisa (mesmo deficitariamente) e nas políticas públicas para o mundo rural. Entre os “no- vos” desafios da Extensão Rural poderíamos pontuar a reorganização do trabalho e da produção por uma ótica do associativismo/cooperativismo e da economia solidária; desigualdades associadas a gênero, etnia e processos geracionais, concepções sobre o empoderamento, o desenvolvimento local e endógeno; agri- cultura familiar, segurança e soberania alimentar; atividades não-agrícolas e a agroecologia; entre outros. Desafios expostos com base nos trabalhos de CAPORAL 1991, CAPORAL e COSTABEBER, 2007, CALLOU, 2007, DIAS, 2007 e GARRIDO et al., sd.
71 Para aprofundar a construção, o papel e os desafios na formação das profissões agrárias Cf. COELHO
(1999). Um trabalho crítico conceitualmente e propositivo metodologicamente sobre as “orientações técnicas” dos profissionais extensionistas encontra-se em COELHO (2005).
leva alguns técnicos a se considerarem os únicos portadores da “solução técnica” dos problemas dos assentados, como se os problemas técnicos se resumissem a um proble- ma tecnológico. Mesmo quando existe reconhecimento do técnico do saber do assenta- do, exposto por sua prática empírica, acaba sendo considerado como um conhecimento inferior ao conhecimento científico (MASSELLI, 1998). Já a motivação política tam- bém pode apresentar ambigüidades, quando o compromisso do extensionista na trans- formação social sobrepõe as expectativas dos assentados na resolução de problemas imediatos, não se preocupando em tonar viável, como unidades produtivas as áreas do assentamento.
Concomitantemente a esse critério relacionado às áreas do conhecimento e a formação dos profissionais que se propõe a trabalhar com a ação extensionista, está pre- sente uma concepção de mediação que limita a intervenção somente nas atividades “da porteira para dentro” (ALTAFIN & MOLINA, 2000), geralmente ligada a uma media- ção técnica, e que apresenta um descompasso com os ideais de uma intervenção inte- gral, pois não está atenta as outras dimensões da vida dos assentados, inclusive, por ve- zes, não estando preocupada com uma dimensão fundamental: a comercialização da produção.
Um olhar apressado sobre os grupos de mediadores e mediados, principalmente pela fala dos que os representam, pode acenar para uma homogeneidade no conjunto e nas ações dos grupos, contudo, torna-se importante pontuar que nas relações interpesso- ais, nas ações cotidianas e na prática profissional, cada um contará com certa dose de individualidade cultural (FLORENCIO & COSTA, 2006). Neste sentido, a busca por uma identidade de trabalho dos mediadores não significa que todos construirão essa identidade, ou que essa construção ocorre sem conflitos. Além disso, a identidade não se dá por si só, mas em contraste com o outro e pelo próprio reconhecimento social da diferença, concomitantemente, a identidade é dinâmica, pode ser mantida, modificada ou remodelada em função das relações sociais dos grupos e indivíduos (OLIVEIRA apud. FLORENCIO & COSTA, 2006).