5.1. PF forbereder elevene til å håndtere fremtidige utfordringer
5.1.1. Bidrar til å støtte elevene i deres utvikling
Castro (2003), ao problematizar a ação extensionista, investiga as maneiras que a civilização fundamenta nossa forma de pensar e o desenvolvimento do que a civilização denominou de “pensamento” e de “conhecimento”. Expõe a forma particular de cons- trução da realidade, que vai do “vazio” ao “cheio”, “[...] desde lo in-forme (no-forma) a lo in-forme (em-forma)” (CASTRO, 2003, p.42 e 43). Nesse continum que se complexi- fica, o ambiente, o ato e a reflexão sobre o ato e, por último, o ritmo (tempo), são os
eixos de análise que moldam os cenários das diferentes formas de se fazer extensão ru- ral.
São as raízes de nossa forma de pensar a extensão rural, reflexo do ato de elen- car modelos (e até paradigmas) diferenciados da ação extensionista, que conduzem às mudanças metodológicas e às abordagens extensionistas a partir de “formas de intera- ção” (CASTRO, 2003). Neste sentido, existem cosmovisões compartilhadas pela socie- dade ocidental que fundamentam e orientam a ação. O autor citado se refere primeira- mente à matriz de pensamento que orienta, limita e simplifica o entendimento da reali- dade a partir de relações binárias e bipolares, ignorando a riqueza e a complexidade da trama social, onde toda relação só é entendida como contraponto e complementaridade. Essa ambiguidade dos contrários, ao mesmo tempo em que desqualifica e deseja acabar com seu oposto, teme que seu fim possa velar sua própria posição. Assim, o autor afir- ma que “[...] la existência se convierte en una angustiada forma de vida, de la que esta- mos presos, sin tomar conciencia de que la prisón no es ‘real’ sino producto de una for- ma de construir la realidad” (CASTRO, 2003, p. 47). O segundo fator elencado pelo autor se refere à forma como se executam as atividades essenciais para a sua existência, o ato de conhecer e sua relação com o conhecimento. O conhecimento pela sociedade ocidental contemporânea é entendido como o ato de fragmentar as partes constituintes do todo, como processo prático, mas também lógico.
“Resultado? Conhecimento. Esto para el hombre. Para los objetos, las plantas y los animales: destruicción y muerte. Porque después de separadas las partes se retorna al “todo”, reintegrando sus partes. Todo parece “encajar” nuevamente. Solo la vida queda afuera” (CASTRO, 2003, p. 47-48).
O terceiro e último fator corresponde à ideia que se tem do trabalho extensionis- ta, sintetizado na concepção de desenvolvimento, que se traduz pelo aumento, cresci- mento e progresso permanente e linear. Uma concepção liberal poderosa, inculcada na máxima que “todo o desenvolvimento é possível, desde que haja vontade de alcançá- lo”. Ainda nessa concepção fica implícito que para se alcançar o desenvolvimento é necessário recorrer a algo que vem de fora, pois mesmo sendo possível alcançá-lo, é
necessário se projetar em um modelo de desenvolvimento,
configurando uma visão de mundo simplista e subordinada ao outro, considerando a dependência das partes ao todo, que por sua vez, nunca será alcançado pelo indivíduo (CASTRO, 2003).
Os “modelos” de ação extensionista que o autor propõe são da extensão como participação, extensão como serviço e extensão como intervenção. A diferenciação o- corre, sobretudo, acerca da relação do que chama “fonte” (mediadores e seus recursos) e “receptores” (mediados e suas ações). No primeiro modelo a questão central está na co- responsabilidade e na construção conjunta projetos e soluções, considerando a fonte com um poder provisório e os receptores como autônomos, que experimentam e optam por alternativas que mais convêm. Já no segundo modelo (extensão como serviço), a fonte se reconhece como portadora de um saber que o receptor necessita, porém, o re- ceptor não só recebe, pois procura uma solução (desconhecida) para seu problema (co- nhecido), esperando do especialista as condições de uma resposta adequada. Mantêm-se um caráter unidimensional e assistencialista, mas por se tratar de uma relação contratu- al, ambos crêem no compromisso mútuo (CASTRO, 2003), apesar de que, se houver uma falha na orientação, quem fica mais prejudicado é o receptor. A última forma de extensão (como intervenção) é, de acordo com o referido autor, a mais comum nos pro- cessos institucionais dos aparatos estatais. Essa concepção não está preocupada com o conteúdo da ação extensionista, somente com sua forma, assim, reduz a relação comu- nicativa a uma questão de estratégia. Também incorpora no discurso os beneficiários indiretos (a sociedade, a nação) e a ação extensionista se apresenta como válida em si mesmo, como um “imperativo categórico”, independentemente do que pensam os recep- tores (CASTRO, 2003). Essa prática está impregnada de uma concepção mercadológica, reduzindo a ação a objetivos quantitativos e quantificáveis, pelos quais se constroem as políticas e os projetos de intervenção.
Dentro das experiências de intervenção de ATER é comum encontrar trabalhos que abordem a existência de um modelo de intervenção, seja ela de “forma padroniza- da” ou que seja uma referência a um modelo “por demanda” (TENDLER, 1998). Os modelos padronizados geralmente são fundados em uma concepção pedagógica de transmissão ou de condicionamento, seguem uma lógica linear e muitas vezes não- dialógica, a partir de um modelo pré-estabelecido de leitura da realidade e de interven- ção, visando ao alcance de metas ou acordos estabelecidos, muitas vezes sem a partici- pação do “mediado” e segundo um roteiro de intervenção aplicado, indistintamente, ao conjunto de agricultores. Já o segundo modelo (por demanda), geralmente se funda em uma concepção pedagógica dialógica, reflexo de uma dinâmica interativa, e que, apesar de existir fases da intervenção extensionista, a prática extensionista é construída a partir
de um modelo acordado entre mediados e mediadores, obedecendo a intencionalidade, a motivação e as necessidades da realidade prática dos primeiros. O tempo e a forma de monitorar e avaliar esses dois modelos são bem distintos, revelando especificidades na ação extensionista adotada.
Tanto o tipo formal, como a tipo participativo de intervenção podem ser “padro- nizado” ou “por demanda”. Na prática extensionista cotidiana geralmente há uma com- binação destes dois tipos, sendo que a formal pode ser estritamente padronizado, en- quanto o tipo participativo combina elementos padronizados (acordados entre as institu- ições e normatizado por regras de contrato ou convênio) e características por demanda, em diálogo com os atores em processo de mediação. A forma padronizada estabelece critérios mais precisos na avaliação e acompanhamento do trabalho extensionista, ex- posto em metas e padrões de monitoramento. Já o tipo por demanda exige certa flexibi- lidade e criatividade dos mediadores, por vezes conflitando com elementos padroniza- dos que garantam a transparência e o acompanhamento das práticas extensionistas (TENDLER, 1998).
Um trabalho que aborda essa diferenciação sobre os serviços de extensão rural no Ceará, que se realiza por meio de um modelo por demanda, é feito por TENDLER (1998) e pode ilustrar a importância da proximidade e da multidimensionalidade da in- tervenção nos serviços de ATER neste modelo. Com objetivo de caracterizar os condi- cionantes da prática extensionista, a partir de instituições públicas que experimental- mente direcionam uma intervenção a partir da realidade dos mediados, o serviço de ATER da pesquisa em questão foca as necessidades e as intencionalidades dos agricul- tores; e não do programa ou do projeto em si. Ao contrastar as diferenças de uma forma de intervenção padronizada e outra personalizada e orientada pela demanda dos usuários do serviço de extensão, afloram importantes questões acerca da mediação. Na experiên- cia analisada pela autora, o “bom desempenho” do serviço está estritamente ligado à constituição conjunta de alternativas produtivas e organizacionais, assim como a cons- trução de confiança e de um ambiente favorável para a prática do serviço, apesar das dificuldades de controle e segurança dos orçamentos por parte dos gerentes do serviço. Assim, percebe-se como outros elementos da vida social, além da produção no lote, estão presentes em uma intervenção que busca ser “integral”.
As atividades, muitas das quais não consideradas como “trabalho de ATER”, como reivindicar direitos constitucionais ao conduzir o agricultor à cidade, na busca de
direitos básicos de saúde, educação e pensão social, são condicionantes para uma boa interação entre os mediadores e mediados. Pode-se questionar até que ponto o extensio- nista, neste caso, também não assume um papel de assistente social do município. Uma coisa é articular, organizar e acompanhar a comunidade e seus indivíduos na luta por seus direitos, outra seria, literalmente, levar os agricultores aos postos de serviço públi- co, por vezes, mantendo uma relação paternalista com o mediado. Este trabalho de faci- litação das demandas, não necessariamente relacionada ao cotidiano do agricultor no lote, revela que a prática extensionista não é apenas um serviço, mas um acompanha- mento e uma assessoria que envolve todas as necessidades dos mediados.
Neste sentido, a prática da extensão rural é necessariamente um processo de e- ducação contínuo, que passa por mudanças a médio e longo prazo, pelo estabelecimento de relações respeitosas e duradouras, assim como por uma temporalidade própria, res- peitando a forma de organização e percepção das mudanças e das intenções das popula- ções rurais. Ao mesmo tempo, a moral e a autoestima do extensionista não depende ne- cessariamente do surgimento de novas relações entre supervisor e agentes, mas princi- palmente dos extensionistas e seu reconhecimento pelos agricultores (TENDLER, 1998).
É importante destacar que o modelo por demanda segue um método e está atento ao processo da ação extensionista, não apenas seu resultado. Obviamente existem obje- tivos, contudo, os mesmos não são definidos e perseguidos apenas pelos aparatos inter- ventores, mas construídos em processo dialógico, a partir da demanda dos mediados, de forma flexível. Já o modelo padronizado é rígido, tanto no método quanto no tempo (ritmo), ignorando os condicionantes imprevistos e dificultando uma alteração da pro- posta metodológica ao longo do processo da dinâmica e da prática extensionista de in- tervenção.