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Bibliometriske data og metoder

A mediação constitui um dos fundamentos dos estudos de Vygotsky (2003), pois esse autor defende que a relação do homem com o mundo em que vive não é direta, mas mediada por instrumentos (materiais) e signos.

Segundo esse teórico, os processos mentais superiores têm origem em processos sociais, e o desenvolvimento cognitivo não pode ser entendido sem essa referência ao meio social, pois consiste na conversão das relações sociais em funções mentais. Desse modo, é na socialização que acontece o desenvolvimento dos processos mentais, através da mediação, por meio da qual o sujeito internaliza as atividades e os comportamentos sociais, realiza a reconstrução interna de uma operação externa.

A singularidade humana constitui-se a partir da pertença do indivíduo a grupos sociais, históricos e culturais (DAMIANI, 2009). É, pois, na convivência com os semelhantes, nos confrontos, nas trocas interpessoais e nas práticas colaborativas que a individualidade dos seres humanos se forma, e as funções mentais superiores são internalizadas. Ademais, é provável que, juntas, as pessoas possam realizar o que não conseguem fazer sozinhas.

Baseado nas ideias marxistas, através das quais o trabalho suscita novas formas de comportamento, necessidades e anseios, fatores que concorrem para a criação de ferramentas e meios, Vygotsky sistematizou a psicologia sócio-histórica. É através do uso de instrumentos que o homem interfere e modifica o ambiente em que vive, movimento dialético presente não só nas questões relativas ao trabalho, mas também quanto ao uso de signos.

Por analogia, Vygosky (2001) estabeleceu que os signos estão para o pensamento, assim como as ferramentas estão para o trabalho. Do mesmo modo que o uso de instrumentos mediatiza o trabalho humano, os signos2 medeiam a formação das funções psicológicas superiores3 e o processo social humano. Daniels (2003, p. 24) assevera que “os mediadores servem como meios pelos quais o indivíduo age sobre fatores sociais, culturais e históricos e sofre a ação deles”. Vygotsky (2001, p. 161) afirma que

Todas as funções psíquicas superiores têm como traço comum o fato de serem processos mediatos, melhor dizendo, de incorporarem à sua estrutura, como parte central de todo o processo, o emprego de signos como meio fundamental de orientação e domínio nos processos psíquicos.

2 Os signos incluem: linguagem, símbolos, técnicas de memorização, desenhos, gravuras, mapas, símbolos convencionais e as mais diversas formas de representação do cotidiano.

3 Funções Psicológicas Superiores são o resultado da estimulação autogerada (criação e uso de estímulos artificiais, ou seja, signos), dentro de um contexto sociocultural.

Assim, o processo de aprendizagem encontra-se vinculado à memória, componente das funções psicológicas superiores. Para Vygotsky (2003), a memória é constituída de dois tipos essencialmente distintos: a) memória natural, que predomina no comportamento dos povos iletrados e se caracteriza pela retenção das experiências reais como base dos traços de memória. Está muito próxima da percepção por ser consequência da influência direta dos estímulos do cotidiano sobre os seres humanos; b) memória social, resultante das operações com signos, as quais ocorrem mediante condições específicas do desenvolvimento social, portanto inerentes à natureza humana.

A mediação realiza-se através de instrumentos (físicos ou psicológicos) ou de outros seres humanos. Segundo Moreira (1999), o instrumento é algo que pode ser usado para realizar determinada atividade, enquanto o signo significa ou representa algo. Pode-se dizer que ambos são construídos pela sociedade e, por meio da internalização dessas construções, o sujeito desenvolve-se cognitivamente. Os signos funcionam como elo intermediário entre o estímulo e a resposta, portanto um elemento de mediação. Conforme Vygotsky (2003, p. 52):

Mesmo [...] operações relativamente simples, como atar nós e marcar um pedaço de madeira com a finalidade de auxiliares mnemônicos, modificam a estrutura psicológica do processo de memória. Elas estendem a operação de memória para além das dimensões biológicas do sistema nervoso humano, permitindo incorporar a ele estímulos artificiais, ou autogerados, que chamamos de signos.

Nessa perspectiva, quanto mais o sujeito utiliza os signos, mais vai modificando as operações psicológicas de que é capaz. Quanto mais instrumentos aprende a usar, mais amplia as atividades nas quais pode aplicar suas novas funções psicológicas. Nesse movimento, aplica-se a Lei da Dupla Formação, ou seja, toda função surge duas vezes: primeiro em nível social, interpessoal, interpsicológico. Depois, em nível individual, ou seja, no interior do próprio sujeito, intrapesssoal, intrapsicológico.

Freitas (2008) discute como os conceitos básicos da teoria histórico-cultural permitem pensar o computador e a Internet na condição de instrumentos mediadores da aprendizagem. A despeito de não apresentar dados empíricos que subsidiem o trabalho ora apresentado, a autora reflete sobre o papel mediador das TDIC como instrumento material, tecnológico, simbólico e pedagógico.

A autora indaga se o computador e a Internet são instrumentos culturais e como ocorrem as mediações através desses artefatos. Para ela, a criação do computador e da Internet é o “resultado de um esforço do homem que interferindo na realidade em que vive constrói estes objetos culturais da contemporaneidade, que são ao mesmo tempo um instrumento material e um instrumento simbólico.” (FREITAS, 2008, p. 6).

A partir de suas reflexões e experiências, a referida pesquisadora afirma que existem três ordens de mediação no uso do computador e da Internet: a mediação exercida pelo computador como ferramenta material; a mediação semiótica mediante o uso da linguagem, isto é, de diversas linguagens; a mediação que acontece entre os interlocutores. Quando o sujeito utiliza o computador e seus recursos, interage com as informações, o conhecimento e os interlocutores de modo a acionar recursos intelectuais como memória, criatividade, imaginação num processo de aprendizagem, ainda que não seja de forma intencional.

Em sua teoria, Vygotsky enfoca a interação social, que é o veículo fundamental para a transmissão dinâmica (de inter para intra) do conhecimento social, histórico e culturalmente construído. Nessa perspectiva, a interação é o intercâmbio entre pessoas, pressupõe seu envolvimento ativo e proporciona a troca de experiências e conhecimentos nos aspectos qualitativo e quantitativo.

Diretamente ligada à interação social está a aquisição de significados, que se dá por meio de palavras e gestos, que são contextuais, ou seja, o mesmo signo pode ter significados diferentes em culturas distintas. Um signo pode não ter nenhum significado se o sujeito não teve a oportunidade da interação social, visto que, para internalizar os signos, o ser humano tem que captar os significados já compartilhados socialmente.

Convém enfatizar que as funções elementares, presentes nas relações entre estímulos e respostas e diretamente determinadas pela estimulação ambiental, diferenciam-se das funções superiores devido à estimulação autogerada, ou seja, através da criação de estímulos artificiais que medeiam as relações entre estímulos e respostas.

Nesse sentido, ao estudar os recursos digitais como instrumentos e signos promotores de aprendizagem na perspectiva da teoria histórico-cultural, Hedegaard (2002, p. 205) afirma que “o conhecimento é acessível graças a diferentes mídias, por exemplo, a língua e as figuras, e é o resultado de procedimentos desenvolvidos cultural e socialmente para resolver problemas sociais”.

Diante disso, uma das funções das instituições escolares é incentivar o contato social entre os diversos segmentos e transformá-los em mediadores da cultura. Docentes e discentes são parceiros nessa tarefa essencialmente social, visto que, no processo de desenvolvimento cognitivo e na aprendizagem, todos são responsáveis. Não há aprendizagem que não gere desenvolvimento, como não há desenvolvimento que prescinda da aprendizagem.

O próprio sujeito incorpora novos sinais, símbolos como mediadores de suas ações na solução de problemas do cotidiano ao longo da história. Esse processo possibilita a reconstrução interna de sentido das operações externas através da fala, compreendida nos âmbitos social e individual, aspecto que será aprofundado no tópico seguinte.