Em consonância com a avaliação efetuada através do SAC, realizei uma avaliação das competências que teve por base as OCEPE. Esta avaliação encontra-se dividida por áreas de conteúdo, área de formação pessoal e social, a área do conhecimento do mundo e a área da expressão e comunicação com os domínios da expressões plásticas, motoras, musicais e dramáticas, domínio da matemática e domínio da linguagem oral e abordagem à escrita (ME, 1997).
Na avaliação considerei as observações/avaliações realizadas nas planificações semanais, a relação com as crianças e as conversas com a equipa pedagógica da sala. Assim,
161 pude verificar a evolução das crianças e quais os aspetos que precisavam ser mais trabalhados.
Para a avaliação tive em conta as características descritas aquando a caraterização do grupo de crianças. Considero que a metodologia que adotei no estágio pedagógico ajudou no melhoramento de determinados fatores, principalmente relacionados com os conflitos e o sentido de egocentrismo das crianças.
Na área de formação pessoal e social as crianças demonstraram-se mais dispostas a respeitar o outro, colaborar e ajudar, realizando trabalho em conjunto. Saliento que o diálogo e as propostas de atividades que, frequentemente tinham um cariz de interajuda, facultaram uma melhoria neste campo. Em termos de autonomia, as crianças demonstraram continuar no mesmo ponto de partida, possuindo sempre uma relativa dependência do adulto, que através do incentivo ajuda a que as crianças consigam realizar as tarefas.
No que concerne à área do conhecimento do mundo, todo o grupo revela grandes aptidões e competências, sendo que o trabalho desenvolvido foi com o intuito de conseguir percecionar o conhecimento das crianças, colocando-os à prova. As crianças foram capazes de reconhecer as partes da figura humana, reconhecer estados do tempo, identificar objetos e animais. No geral esta é a área que possuem mais conhecimento, como tal pode ser utilizada como incentivo a exploração de áreas menos motivantes.
Relativamente ao domínio da expressão plástica as crianças já revelavam um grande à vontade, provocado pelo sistemático contacto com esta área. No decorrer do estágio verifiquei que a representação da figura humana era uma das dificuldades do grupo de crianças, assim após desenvolver trabalho no sentido de colmatar a dificuldade foram notórias, algumas, melhorias. Para que tal ocorre-se foi necessário recorrer ao incentivo e ao diálogo na execução das atividades, pelo que a representação da figura humana deve continuar a ser trabalhada. O grupo de crianças no geral é autónomo na escolha dos materiais, embora tenha sentido que, no início do estágio pedagógico, as crianças hesitavam um pouco, pois tornou-se algo novo o seu poder de escolha dos materiais. Denoto que o grupo, também revelou dificuldades na realização de trabalhos com um tema definido, deste modo considero que deve ocorrer um trabalho contínuo que possam existir para a melhoria das capacidades das crianças.
Na expressão e comunicação, domínio da expressão motora, grande parte das crianças encontra-se bem desenvolvida e com gosto por se expressar através do corpo. No que concerne à criança com mais dificuldades, durante o estágio pedagógico incentivei e proporcionei momentos para que a mesma sentisse mais confiança e segurança nos seus
movimentos. Relato que houve alguma melhoria, mas que a frequente ausência da criança torna mais difícil o trabalho contínuo. A motricidade fina foi o campo em que mais apostei, pelo facto de durante as observações verificar que as crianças necessitavam de mais experiências diversificadas nesse campo. As atividades propostas constituíram-se como verdadeiros desafios, que após algum tempo de trabalho ajudaram na coordenação dos movimentos mais precisos.
Um dos domínios que serviu de ponto de partida, foi o domínio da expressão musical. As crianças desde o início revelaram grande interesse pela área e com o desenvolver das atividades a curiosidade aumentou. Nesta área as crianças revelaram-se capazes de identificar e reconhecer sons, cantarolar canções e produzir sons com instrumentos musicais. O grupo de crianças revelou conseguir identificar as diferentes intensidades dos sons e ser criativo na exploração dos mesmos.
A expressão dramática para o grupo de criança da sala dos três anos II é uma área muito interessante. Partindo desse interesse trabalhei valores importantes para viver em sociedade, e que foram, maioritariamente, adquiridos pelas crianças. Reconhecer personagens da história e percecionar o seu papel na mesma foi conseguido, por grande parte do grupo, embora seja importante referir que este aspeto foi trabalho subtilmente e através de questões simples. A exploração de fantoches e a criação de diálogos foi desempenhada de forma positiva, sendo que algumas crianças demonstram mais timidez do que outras.
Na realização do estágio, o domínio da matemática consistiu principalmente no emparelhamento de objetos, na realização de puzzles e na comparação de tamanhos. Relato que o grupo de crianças consegue realizar as atividades mencionadas e que apenas uma criança revela mais dificuldades, situação que pode ocorrer pelo facto de a criança ser mais nova que o restante grupo.
No contexto da linguagem oral e abordagem à escrita, o grupo de criança conseguiu atingir os objetivos propostos, principalmente, no que concerne à exposição da sua opinião e dialogar sobre determinado tema. Confiro que apenas três crianças demonstraram menos à vontade no diálogo e na linguagem oral, sendo uma delas a criança selecionada para a avaliação individualizada. No término do estágio percecionei a curiosidade pela escrita em cerca de cinco crianças, sendo importante um trabalho mais individualizado com as mesmas.
Tendo em conta esta avaliação, em termos gerais considero que as crianças atingiram os objetivos e competências traçados ao longo do estágio pedagógico, sendo que algumas crianças necessitam de trabalho diferenciado em determinadas áreas como a linguagem oral. Perceciono que as atividades propostas, pela análise do desempenho das crianças e dos
163 resultados obtidos, foram ao encontro das necessidades e interesses do grupo e de cada criança. A constante avaliação e reflexão das propostas de atividades permitiu um progresso no processo de ensino/aprendizagem.
Exponho que o tempo de estágio com as crianças não permitiu desenvolver competências que perdurem durante as suas vidas, pelo que acho pertinente uma continuação do trabalho desenvolvido. Trabalho que, anteriormente e em consonância, foi realizado com a equipa pedagógica da sala.