4. Metode
4.2 Betinget Verdsetting (Contingent Valuation)
A desistência de 6.1E162
Ao ser perguntada sobre qual motivo levou à sua desistência, 6.1E1 citou a opção por outro curso de nível superior de outra IES, no caso, Turismo na UERN (Universidade Estadual do Rio Grande do Norte). Esse curso (para o qual a entrevistada tinha sido aprovada no vestibular) coincidia com o horário da licenciatura em Física, o que inviabilizava a realização dos dois simultaneamente. A rejeição ao curso de Física, e consequente predileção pelo de Turismo, deveu-se ao fato de o curso de Física ser na modalidade licenciatura. Nas palavras de 6.1E1:
Eu fiz licenciatura em Física porque eu gosto de Física, mas eu achava que...aí quando eu vi mesmo que era pra ser professora, pra dar aula e não era tão visado na pesquisa, aí eu não gostei muito.
Eu gosto mais de bacharelado. Se fosse bacharelado, eu teria continuado. A pesquisa, eu acho o máximo. Agora, dando aula, não.
62 Essa entrevistada foi reprovada por faltas em 2006.1. No semestre seguinte, 2006.2, ela foi
A única possibilidade de a entrevistada vir a dar aula seria como professora universitária, mas somente “depois de pesquisar [realizar pesquisa científica] bastante”, porém, como ela mesma afirmou, sem ter nenhuma identificação com a carreira docente. A única forma de voltar para a Física seria na modalidade bacharelado.
Diante desses comentários e de outros semelhantes, podemos perceber que a entrevistada não se identificava com a licenciatura em Física e com a carreira docente. Logo, a falta de identificação com a docência em Física tornou-se o principal motivo para a sua desistência.
Essa falta de identificação também pode estar associada à imaturidade da entrevistada no momento de vida no qual se supunha seu ingresso natural em um curso universitário: “tem aquela pressão, acaba o segundo grau então tem que fazer alguma coisa”. Na época do seu ingresso na licenciatura em Física, ela tinha dezoito anos e afirmou que, embora não pensasse num diploma superior simplesmente para se habilitar para concursos públicos, era a primeira vez que “tava na universidade [IFRN] e não sabia nem o que fazer”; “[...] eu não tava nem sabendo o que eu tava fazendo aqui [no IFRN]. Eu não sabia nem pra onde eu ia”. A mesma imaturidade se refletiu no modo como 6.1E1 optou pelo curso de Turismo na UERN: “eu não sei porque eu escolhi [Turismo]. Na hora de fazer a inscrição, [simplesmente] eu escolhi Turismo”. Outro elemento que reforça a imaturidade da entrevistada, na época, foi sua opção quando realizou um dos vestibulares da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Se seu desejo era realmente cursar um bacharelado em Física, ela poderia tê-lo feito nessa instituição. Porém, ao invés dessa opção, 6.1E1 decidiu fazer o vestibular para o curso de Farmácia, mas não foi aprovada.
Ainda sobre sua desistência, segundo 6.1E1, dois eventos culminaram para a sua saída do curso. O primeiro foram as repetidas ausências de P1, professor de Física Básica I (única disciplina da área de Física no primeiro período do atual currículo). Para a ex-aluna,
Eu vim pra cá fazer Física e não tem aula de Física. Cálculo ainda levava. Tá envolvido. Eu gosto de Matemática, mas eu vim ver um pouco de Física por que eu quero assistir aula de Física e o professor de Física não aparece. Então, eu me desestimulei né, nunca tinha vivido esse momento. Foi algo que me marcou. Você vem pra fazer Física e não tem aula de Física.
O segundo evento para a saída da aluna foi uma paralização (indicativo de greve) que os professores realizaram no IFRN. Após essa paralização, 6.1E1 já não tinha mais empolgação de continuar no curso e não o retomou, de fato.
A desistência de 6.1E363
Por meio dos relatos deste entrevistado foi possível identificar como a principal causa de sua desistência da licenciatura em Física um conjunto de atividades pessoais que o sobrecarregavam. Ao perceber que não conseguiria dar conta de todas essas atividades, 6.1E3 optou por desistir do curso de Física, priorizou seu emprego e estudos para concursos públicos. As atividades pessoais que o ex-aluno desenvolvia foram, conscientemente, sendo acumuladas por ele, como solução inicialmente encontrada para sua situação de indefinição profissional.
Uma das atividades desenvolvidas pelo entrevistado era dar aulas particulares de Física, pois além de gostar dessa ciência e se identificar com a docência, elas eram uma fonte de renda. Devido à frequência com que dava essas aulas, 6.1E3 pensou que poderia ser um licenciado em Física, e, portanto, resolveu ingressar no curso a fim de ter mais uma oportunidade de emprego.
Na época eu tava tentando várias coisas e optei por Física por experiência. Vou fazer Física aqui [no IFRN] pra ver como é que é. Se der certo e tal, quem sabe ser professor. Já tinha um sonho antigo de ser professor. Só que o tempo vai passando e você vê que a realidade é muito complicada né. Então, foi assim, uma opção que eu disse ‘vamos ver o que é que dá’.
Outra atividade desenvolvida pelo entrevistado era o mestrado em Engenharia Elétrica64 na UFRN. Apesar de não gostar muito do mestrado, 6.1E3 disse que “tava fazendo [o mestrado] porque não tinha muito o que fazer”. Ele também relatou que tinha passado num concurso da prefeitura de Natal e estava trabalhando numa função administrativa. Embora não gostasse muito desse emprego, ele permanecia nele para se manter financeiramente, ainda que morasse com os pais.
63 Esse entrevistado foi reprovado por faltas em 2006.1. No semestre seguinte, 2006.2, ele foi
considerado evadido.
Na época, ao refletir sobre essas atividades desenvolvidas simultaneamente, o entrevistado decidiu desistir de algumas delas. Uma das desistências (embora “parcial”) ocorreu no mestrado. Por não ter bolsa nessa pós-graduação, e não gostar dela, decidiu trancá-la. Outra desistência foi a do curso de Física. A justificativa dada para tal abandono foi: "eu já sou formado, sou formado e tenho que me sustentar e se eu passar mais quatro anos fazendo outro curso, vou passar mais quatro anos sem dinheiro". Além disso, o entrevistado também justificou sua desistência na licenciatura em Física dizendo que a profissão docente
Só pra dar aula no nível médio e tal, eu acho meio complicado. Porque você se forma e vai dar aula de Física nessas escolas...tem que dar duas, três, quatro, cinco escolas pra poder atingir uma remuneração satisfatória no final do mês. Então, você trabalha de manhã, tarde e noite pra atingir um certo patamar e que esse patamar poderia ser muito bem encontrado num concurso de nível médio na parte de Direito. [...] Eu pensei primeiro arrumar uma estabilidade num emprego e depois fazer um curso de Física como ensinamento mesmo, como até uma forma de lazer de fazer o curso, que eu gosto de Física e continuar estudando e quem sabe dar aula no período da noite só pra não ficar parado.
Vê-se, então, que a docência almejada com a licenciatura em Física era um segundo plano profissional.
As desistências do mestrado e da licenciatura em Física também foram motivadas pela vontade do entrevistado de estudar para concursos públicos. Como o salário na prefeitura não era satisfatório e ele só trabalhava meio expediente, 6.1E3 resolveu utilizar o tempo livre de que dispunha para se dedicar aos concursos.
A desistência de 6.1E465
Por meio das respostas do entrevistado, foi possível concluir que sua desistência da licenciatura em Física ocorreu pela união de dois motivos: a falta de tempo para se dedicar ao curso e a de identificação em relação a ele.
A falta de tempo para se dedicar ao curso surgiu quando 6.1E4 começou a trabalhar e estudar para concursos públicos. O trabalho que o entrevistado estava realizando na época exigia oito horas de atividade por dia, o que resultou em “pouco tempo pra estudar” para o curso de Física e cansaço nas aulas. Além disso, tornou-
65 Esse entrevistado foi aprovado nos semestres 2006.1 e 2006.2. No semestre seguinte, 2007.1, ele
se um desejo do aluno ingressar no funcionalismo público, o que produziu o seguinte dilema: por estar com um horário de estudo reduzido, ou 6.1E4 dividia o seu tempo entre estudar para a Física e para os concursos ou se dedicava totalmente aos concursos e desistia da licenciatura. O entrevistado, embora necessitasse do diploma para prestar determinados concursos para o nível superior, optou por desistir da Física, pois concluiu, após reflexão, que ainda estava longe do término do curso, sendo, portanto mais interessante investir, o quanto antes, nos estudos para concursos públicos. O ex-aluno destacou também que esse interesse pelos concursos surgiu após ingressar na Física, ou seja, não foi a razão pela qual escolheu esse curso.
O segundo motivo para a desistência de 6.1E4 – a falta de identificação com o curso – contribuiu para a solução do dilema que ele viveu. Embora o entrevistado tenha escolhido o curso de Física pelo fascínio que essa ciência despertava nele, com o passar do tempo percebeu que o seu interesse era maior por um bacharelado em Física, não se sentindo estimulado pela licenciatura. O ex-aluno ainda pensa em fazer um curso de Física, na modalidade bacharelado ou mesmo numa modalidade licenciatura atrelada ao bacharelado.
Esse raciocínio corrobora o depoimento que 6.1E4 sobre a carreira de professor: caso tivesse se formado em licenciatura em Física, não seria prioridade na sua vida profissional trabalhar como docente. Portanto, isso, segundo o entrevistado, reflete a situação incoerente que estava vivendo na época, estar numa licenciatura em Física sem querer ser professor. Desse modo, isso facilitou a sua tomada de decisão: dedicar-se aos concursos públicos e desistir dessa graduação.
A desistência de 6.1E666
Esse ex-aluno era casado, tinha um filho pequeno, trabalhava nas forças armadas e realizava trabalhos extras como fotógrafo. Assim, devido à necessidade de ver seu filho com mais frequência e dar conta das atividades de fotógrafo (que lhe proporcionavam um bom retorno financeiro), 6.1E6 precisou do turno noturno para isso, e desistiu da licenciatura em Física. Embora tivesse a opção de trancar o curso, o entrevistado alegou que os trabalhos extras como fotógrafo não teriam prazo para
66 Esse entrevistado foi aprovado com dependência no semestre 2006.1. Em 2006.2, foi reprovado
a conclusão (e ele não pretendia deixá-los). Então, a desistência foi, conscientemente, para ele, a melhor opção tomada.
Com base nesse relato foi possível concluir que a principal causa de sua desistência de 6.1E6 foi a falta de tempo para se dedicar ao curso.
Um dos exemplos dado pelo entrevistado para a sua falta de dedicação, foi o seguinte comentário:
[Os textos que deveriam ser lidos na disciplina de Epistemologia das Ciências] me tomava tempo. Até no trabalho, eu tinha que parar, às vezes,
alguma coisa pra ter que estudar, ter que ler, fazer apresentação, ter argumento na hora de alguma pergunta, eu tinha que fazer isso aí. [...]. Mas a pessoa que trabalha no dia a dia...o meu trabalho é intenso, pra mim é muito intenso, eu não paro. Quando eu tô parado de uma coisa, eu tô fazendo outra. Então, eu teria que ter mais tempo pra fazer [estudar], por isso que eu saí.
A questão da falta de tempo para se dedicar a um curso esteve significativamente presente na vida desse entrevistado tanto é que ele relatou outra desistência devido a esse motivo. Em meados de 1990, 6.1E6 abandonou o curso técnico em Mecânica do IFRN porque havia ingressado nas forças armadas, e, portanto houve incompatibilidade entre o horário do curso (diurno) e o do seu trabalho (tempo integral).
A desistência de 6.1E867
Segundo a resposta desse entrevistado à pergunta inicial sobre qual tinha sido o motivo de sua desistência, pudemos concluir que a mesma foi ocasionada, principalmente, pela falta de tempo para se dedicar ao curso.
6.1E8, que era casado e trabalhava, decidiu fazer a licenciatura em Física visando obter um diploma de nível superior para tentar concursos públicos ou uma promoção em seu emprego. A justificativa para a escolha por esse curso, especificamente, se deu, segundo o ex-aluno porque
Na verdade, o meu objetivo, antes de trabalhar, noivar e casar, era Engenharia Elétrica. Como não tive condições de me livrar do trabalho,
67 Esse entrevistado foi aprovado em 2006.1. No semestre seguinte, 2006.2, ele trancou o curso. Em
2007.1, retomou a licenciatura, mas foi reprovado por faltas. Em 2007.2, o entrevistado foi considerado evadido.
então eu tive que escolher um curso que eu me identificasse na área tecnológica. E o que chegou mais perto disso foi...[...] Física.
O segundo motivo para a escolha dessa graduação foi a ideia de que a conclusão do curso de Física, de acordo com o entrevistado, se dava em “dois anos e meio”. Pensava, então, que mais rapidamente teria um diploma de nível superior.
Ao perceber que o curso era difícil e que não conseguiria se dedicar como gostaria (principalmente evitando notas baixas), ele resolveu desistir. De acordo com o entrevistado, dois principais fatores interferiram na sua dedicação ao curso: sua família e seu emprego. O primeiro estava relacionado à gravidez de sua esposa e obrigações inerentes à paternidade. E, em relação ao seu emprego, o entrevistado, na época, estava fazendo horas extras e viajando. Assim, as responsabilidades familiares e trabalhistas que 6.1E8 teve que assumir fizeram com que ele começasse a faltar as aulas e ficasse desmotivado com sua situação no curso. Ante esse quadro, o entrevistado abandonou a licenciatura em Física.
6.1E8 disse também que, caso permanecesse e se formasse em Física, teria que fazer uma especialização, um mestrado e um doutorado para enfim poder “ganhar dinheiro”. Isso levaria bastante tempo e exigiria condições bem diferentes das suas na época: ser solteiro, estudante, ajudado financeiramente pelos pais. Além disso, segundo o entrevistado
Quando eu vi que o retorno desse curso seria mais lento do que eu esperava e pra mim ser professor...[...] eu não gosto da ideia de você trabalhar em casa. Você ter seu trabalho na rua e ainda ter que trabalhar em casa e isso eu não acho legal não. Eu não aceito não. Eu acho que casa é pra família, é pra você e não corrigir prova, criar outro tipo de atividade pros alunos. Aí eu vi que eu realmente não tinha esse perfil pra ser professor.
Um segundo comentário, que reforça o desinteresse do ex-aluno pela docência e o seu interesse em obter um diploma de nível superior, foi percebido quando ele falou que ainda pretende fazer uma graduação, como Automação, Contabilidade ou Direito. Com um desses cursos, o entrevistado estaria investindo em seu “futuro” e na possibilidade de “ter como disputar o mercado de trabalho e lógico que fazendo isso vou ganhar conhecimento, vou crescer em conhecimento e educação. Mas a intenção principal é essa de crescer profissionalmente”.
A desistência de 6.1E968
Esse ex-aluno, na época de sua desistência, cursava simultaneamente ao curso de Física e o de bacharelado em Matemática na UFRN, e estagiava no trabalho do seu pai. Faltava-lhe tempo para se dedicar às atividades do estágio e às atividades acadêmicas das duas graduações (que juntas chegavam a ter doze disciplinas em alguns períodos). Logo, por preferir o bacharelado em Matemática, 6.1E9 desistiu da licenciatura em Física e, passou a se dedicar plenamente ao curso da UFRN e ao seu estágio.
Ante essa resposta, perguntamos ao entrevistado o porquê de ele ter ingressado no bacharelado em Matemática. 6.1E9 respondeu que, além de gostar de Matemática, algumas influências em sua vida o levaram a se interessar pela carreira acadêmica e, portanto, segundo o ex-aluno, isso seria mais fácil “como bacharel do que como licenciado, principalmente em Matemática”. Com base nesse raciocínio, 6.1E9 disse que, ao concluir o seu bacharelado, pretendia utilizar, inicialmente, o seu diploma para seguir carreira acadêmica. E, embora nunca tivesse dado aula em sua vida, o ex-aluno estava disposto somente a ser professor universitário e não a ser um docente do ensino médio. Se não conseguisse, no decorrer dos anos, “avançar no mestrado, doutorado e, consequentemente, entrar [...] numa universidade”, o entrevistado utilizaria o seu diploma para prestar concursos públicos.
A desistência de 6.1E1069
6.1E10 falou que sempre se identificou com a carreira docente e tinha em mente ser professor. Em suas palavras: “é uma coisa que eu sempre quis pra mim. [...] ser professor de Física, ou em alguma área de ciências humanas”. Todavia, o entrevistado expressou que a profissão de professor não é financeiramente rentável, e a defendeu como uma carreira complementar a outro emprego: “Não ficar a profissão de professor como única da sua vida. Se você depender pra dar
68 Esse entrevistado foi aprovado em 2006.1. No semestre seguinte, 2006.2, foi aprovado com
dependência. E, em 2007.1, foi reprovado por faltas. Ele foi considerado evadido em 2007.2.
69 Esse entrevistado foi reprovado por faltas em 2006.1. No semestre 2006.2 ele foi considerado
aula...dependência financeira só como professor, sinceramente, são poucos que conseguem comprar o pão de cada dia”.
Portanto,
Eu tô procurando uma profissão que me dê boas condições financeiras e continuar no mínimo com que eu tenho hoje e depois eu ainda poder dar aula sem imprensar nada do meu orçamento financeiro.
Tive que escolher o melhor curso [Física ou Direito]. Então, escolhi o que mais me podia me garantir profissionalmente [Direito]. Depois, eu poderia correr atrás do outro, que no caso seria Física.
Assim, o entrevistado desistiu da licenciatura em Física para ingressar no curso noturno de Direito de uma IES particular. Sua decisão foi tomada com base no argumento de que esse curso, além de proporcionar “uma boa rentabilidade”, possibilitaria dar aula no ensino superior (único público com o qual gostaria de trabalhar, pois não se identifica com alunos do ensino médio). Porém, se não tivesse ocorrido a incompatibilidade de horários, o entrevistado disse que teria cursado as duas graduações ao mesmo tempo. Perguntamos se ainda haveria a possibilidade de no futuro, o ex-aluno retornar à Física. Ele falou que “infelizmente não”. A Física teria que ficar “como um hobby mesmo, pra ler livro sobre Física. Porque eu quero direcionar a minha profissão [Advogado] e todos os cursos que eu fizer daqui pra frente serão cursos de especialização, pós-graduação, mestrado e tal”.
A desistência de 6.1E1170
Devido a estar vivendo “problemas de sobrecarga no lado do trabalho, sobrecarga no campo familiar, inclusive afetando a saúde de membros da família”, 6.1E11 decidiu desistir da licenciatura em Física para resolvê-los. Além disso, ele estava sendo transferido para outro estado, algo que reforçou sua opção, conscientemente, pela desistência e não pelo trancamento do curso. Ante esse depoimento, podemos dizer que o abandono desse entrevistado ocorreu por falta de tempo para se dedicar ao curso, pois as suas responsabilidades trabalhistas e familiares exigiam, naquele momento, prioridade.
70 Esse entrevistado foi aprovado com dependência nos semestres 2006.1 e 2006.2. Em 2007.1, foi
A desistência de 6.1E1371
Esse entrevistado trabalhava na PETROBRÁS, seguindo o sistema de embarque, o que o deixava ausente das aulas aproximadamente dez dias por mês. Apesar de trabalhar nesse sistema, 6.1E13 alegou que seu emprego não o desmotivava em relação a estudar. Poderia conciliar, sem prejuízo para si, trabalho e estudo.
Sua estratégia para tal conciliação era adotar as ações e os acordos que seus colegas de trabalho fizeram para poder concluir as suas graduações. Portanto, o entrevistado acreditava que, ao desembarcar (e entrar no período de folga), poderia se informar com os companheiros de classe sobre os conteúdos dados nas aulas, estudá-los e realizar as atividades e as provas efetuadas quando estava ausente. Porém, ao propor aos professores de Física esse tipo de estratégia de participação nas aulas e abono das faltas quando estivesse embarcado, o entrevistado falou que os docentes de todas as disciplinas “foram muito rígidos quanto à questão de falta [...] e alguns professores não concordaram” com a proposta do entrevistado. Um deles, inclusive, chegou a dizer que, se o entrevistado não passasse por média, ele seria reprovado por falta. Diante dessa negativa dos professores, 6.1E13 se sentiu desestimulado a continuar no curso e desistiu. Assim, conforme o depoimento do ex-aluno, os professores seriam responsáveis pela sua desistência da licenciatura em Física do IFRN.
Excluindo o problema da não conciliação com os professores quanto à sua estratégia de participação nas aulas, o entrevistado relatou, durante os dois meses em que permaneceu no curso, que o corpo docente dominava o conteúdo de suas disciplinas e incentivava os alunos a seguir a carreira de licenciado. Quanto à coordenação, 6.1E13 disse que ela poderia estar mais presente junto aos