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BESKRIVELSE AV UTBYGGINGS- UTBYGGINGS-PLANENE

In document Meddelte vassdragskonsesjoner (sider 152-179)

16 Kvernstad Kraft

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O Estudo 1 possibilitou ilustrar o que a literatura nos apresenta sobre o rural, especialmente sobre as dificuldades desse meio. O censo apresentado nesse estudo nos permitiu conhecer de que rural estamos falando, uma vez que acreditamos na importância da identificação das especificidades de cada rural. Além disso, permitiu identificar a cidade de São Brás do Suaçuí como sendo a cidade referência das comunidades e propiciou contato suficiente com a comunidade para perceber suas práticas, comportamentos, vinculações e opiniões, o contato íntimo entre os grupos rurais e com a cidade de referência, compreendendo o contexto de onde surgem as representações de rural e urbano. Tal construção de relação de referência se dá ainda que o município de São Brás do Suaçuí também goze de características que podem ser vistas como rurais, tais como, o número de habitantes.

Como afirma Jodelet (2009), o sujeito é ativo na elaboração das representações e conhecer seu contexto se torna fundamental para perceber de onde este sujeito articula suas opiniões e ações. Assim, identificar de onde ‘fala’ a comunidade, ou seja, saber que as vilas em estudo têm uma constituição rural, uma vez que ali predomina o êxodo urbano-rural, que a maioria da população que veio de fora, veio de centros urbanos, que muitos saíram das comunidades para trabalhar e retornaram após a aposentadoria e que atualmente a população é constituída por pessoas que nunca moraram na cidade e nem pretendem, dá um sentido especial para a interpretação de suas representações. Tudo isso auxilia na compreensão das estratégias de enfrentamento da hegemonia urbana, mostrando que de fato as comunidades se constituem como um grupo social com forte vínculo de pertencimento ao meio rural. Além disso, puderam ser observadas nesse estudo, as representações que explicitam as formas de relação entre as comunidades, compreendendo seu papel de proteção identitária.

O Estudo 2, em complementação à análise das relações entre rural e urbano, discutiu os dados de dois grupos focais que permitiram exemplificar como essas

dinâmicas relacionais acontecem entre grupos jovens rurais e urbanos. A teoria da Identidade Social contribuiu também na compreensão da necessidade de confirmação, pelo outro, da própria identidade, dos mecanismos de identificação e diferenciação e também para melhor entender a presença de representações hegemônicas baseadas em estereótipos e os mecanismos de defesa dos grupos alvos das discriminações.

Este trabalho favorece ainda a problematização de crenças sobre o rural, ou seja, a discussão sobre aspectos do rural que são positivos, como os vínculos de solidariedade das populações do campo, ao mesmo tempo em que reconhece seus pontos negativos não como características cristalizadas, mas como fruto do descaso de políticas públicas.

Questionar representações falsas e preconceituosas, ainda que hegemônicas, e valorizar o senso comum é uma das propostas que Jodelet (2009) defende enquanto objetivo principal das pesquisas de representações sociais, e que endossamos nesta investigação. As formas de enfrentamento das dificuldades também podem ser entendidas como formas de resistência de um grupo para continuar existindo como tal. Outras estratégias de enfrentamento e permanência no grupo rural são a não aceitação dos padrões de desigualdade, reinterpretando as características do seu grupo de forma que a adoção de representações, na maioria das vezes emancipadas, os diferenciem positivamente em relação ao grupo urbano (Tajfel, 1983a).

Da mesma forma, conhecer a identidade social de um grupo e a inserção grupal do indivíduo é crucial para o entendimento das representações sociais dos sujeitos. A análise dos processos identitários permitiu compreender uma situação intergrupo através do acesso às comunidades e possibilitou observar as oposições entre os grupos rurais e o grupo urbano, dinâmica que acontece via processos de comparação e diferenciação.

Os conflitos percebidos nas relações entre os grupos em análise são parte de um processo de constituição identitária para que os grupos se mantenham distintos e não cindidos (Bonomo & Souza, 2010; Tajfel, 1983a, 1983b). Um exemplo disso foram as formas de diferenciação positiva já descritas e caracterizadas pelo

aumento das diferenças frente aos grupos externos e a promoção das semelhanças internas.

Pudemos apreender o funcionamento de estereótipos, como mecanismo de diferenciação e ao mesmo tempo de constituição identitária, resultando em atitudes preconceituosas ou discriminativas, por exemplo, do grupo urbano para com o grupo rural (Deschamps e Moliner, 2009;Tajfel, 1983b)

Em contrapartida, o estereótipo também surge como recurso de proteção ao propiciar a elevação de características positivas do grupo de pertença. Tal fenômeno pôde ser visto nos grupos focais e durante a realização do censo, quando, por exemplo, a comunidade da Vila Domingos fez uso do recurso da comparação social, diferenciando-se positivamente das demais comunidades e da cidade e colocando os grupos de comparação em desvantagem. Ao mesmo tempo, os respondentes de tal comunidade foram os que mais declararam ser alvo de processos discriminativos e de exclusão social. A comunidade de Vila Domingos parece assumir o papel de gueto, conceito de Tajfel (1983b), por tratar-se de uma população alvo de discriminações e que se fecha internamente com o objetivo de se proteger e se manter segura.

Os Estudos 1 e 2 se complementam ainda uma vez que os diferentes grupos de respondentes, sejam eles representantes das famílias ou adolescentes e jovens em idade escolar, nos forneceram elementos complementares relativos aos aspectos positivos e negativos da realidade estudada, bem como, sobre a percepção das características dos exogrupos, e assim pudemos por meio de fontes diversas ampliar a compreensão do cenário.

Desta complementaridade surgiram duas questões temáticas que descreveremos a seguir de forma a articulá-las nos dois estudos.

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