Potensialet for markedsutviklingen på Gjøvikbanen
6. Beregning av etterspørselseffekter og trafikantnytte
É bem provável que nenhum ser humano, neste exato momento, esteja apto a fornecer respostas conclusivas a quaisquer das perguntas abaixo:
(1) De quanta água Pôncio Pilatos precisou para lavar suas mãos antes de dar a condenação de Jesus?
6A proposição K
S(Q ∧ ¬KSQ) é lida do seguinte modo: “S sabe que a seguinte proposição é verda-
deira: Q é verdadeira mas ele, S, não sabe que Q é verdadeira”.
7Além das hipóteses céticas, as proposições heavyweight também podem ganhar a mesma carac-
terização, a saber, de proposições contingentemente incognoscíveis. Em concordância com McBride (2009), essa ideia também ajuda a corroborar a tese de que o chamado “desafio de Dretske” encontra- se, até o presente momento, em aberto. Entretanto, este é não um comprometimento obrigatório. Nem as proposições céticas nem as proposições heavyweight precisam ser consideradas proposições contingentemente incognoscíveis; porém, num contexto filosófico, em que os padrões para a aquisi- ção e manutenção do conhecimento são muito altos, a possibilidade de tal caracterização não deixa de ser útil. A noção de incognoscibilidade contingente é apropriada para ser aplicada a situações em que tais padrões são muito exigentes. Em outras palavras, a noção de incognoscibilidade contin- gente tem grande utilidade na determinação do status epistêmico de uma proposição em situações em que os padrões para a aquisição e manutenção do conhecimento são altos.
(2) Qual a quantidade exata de cicuta que Sócrates ingeriu antes de morrer? (3) Quantos seres humanos estavam vivos na época da crucificação de Jesus? (4) Qual é o número exato de estrelas no universo?
(5) Nosso universo está contido dentro de uma casca de noz?
Muitos não oferecerão resistência à tese de que essas perguntas são, por assim dizer, irrespondíveis – pelo menos, boa partes delas. De fato. Suponha, por exemplo, que escavações recentes na cidade de Jerusalém nos tenham revelado a existência de um novo documento que descreve, com detalhes, todos os aspectos do julgamento de Jesus. Assim, entre as informações contidas, está a de que Pôn- cio Pilatos utilizou o equivalente a 500ml de água para lavar suas mãos antes de condenar Jesus à morte. Ora, mesmo que tal documento existisse, ainda assim te- ríamos a controversa questão de saber se o que ele conteria seria fidedigno. Além disso, considerando que, hoje em dia, existem métodos mais precisos para medir as quantidades de água em potes, e que tais métodos não nos estão disponíveis para tratar da questão de Pôncio Pilatos, chegamos à conclusão de que há somente três alternativas para lidar com tal problema: (1) acreditar no testemunho do do- cumento, (2) desconsiderar o testemunho do documento ou (3) suspender tempo- rariamente o juízo, enquanto se procura por mais evidências. Entretanto, observe que a opção (3) não parece muito promissora; mesmo que haja mais evidências, elas sempre compartilharão da mesma característica da primeira evidência: a de que o julgamento de Jesus se passou há muito tempo atrás, e de que as supostas “evidências” são muito antigas e, além disso, passíveis de inúmeras interpretações – algumas até mesmo excludentes. Ou seja, tal questão se perde num emaranhado de inúmeras outras, igualmente relevantes para a determinação de uma resposta conclusiva para a primeira. Assim, é natural que, quando deparados com questões como (1), simplesmente aceitemos que sua resposta encontra-se distante demais de nós, talvez até de modo inalcançável – coisa que, igualmente, não podemos afirmar de modo conclusivo.
Note-se que as demais questões – isto é, (2)-(5) – comportam-se de modo similar. Todavia, observe-se também que não podemos negar que suas respectivas respostas existam. Pôncio Pilatos precisou de uma quantia finita de água para lavar suas mãos antes de dar a Jesus a sentença de morte – quantia que poderia ser determinada naquele momento histórico, e que poderia ser expressa através de uma proposição. Similarmente, Sócrates bebeu uma quantia finita e definida de cicuta antes de morrer. Além disso, até onde sabemos, existia uma quantia fi-
nita de seres humanos vivos, tanto na época de Jesus quanto na de Sócrates. O número de estrelas no universo é finito ou infinito. Nós não sabemos a resposta. Supondo que ele fosse finito, haveria um número determinado que poderia ser uti- lizado para responder corretamente a pergunta “Qual é o número exato de estrelas no universo?”. Sobre esta última questão, diríamos apenas que não fomos espertos o suficiente para descobrir a resposta!
A essa altura, já podemos perceber que certas questões, apesar do fato de possuírem suas respectivas respostas, são irrespondíveis para nós no momento exato em que as colocamos – isto é, no momento exato em que as estamos pen- sando. A elas darei o nome de “perguntas contingentemente irrespondíveis”; já suas respostas, por sua vez, recebem o nome de “proposições contingentemente incognoscíveis”. Mas quando é que uma pergunta deve ser considerada contingen- temente irrespondível? Primeiramente, uma pergunta pode ser irrespondível para um agente qualquer S, por exemplo, simplesmente porque:
• O agente S não é esperto o suficiente para descobrir a resposta.
• O agente S possui, digamos, um conjunto incompleto de regras de inferência que o auxiliariam a derivar a referida resposta.
• As evidências de que S precisa para derivar a resposta requerida não estão disponíveis8.
Com base nisso, fica fácil perceber porque uma determinada pergunta pode ser considerada “contingentemente irrespondível” para um agente qualquer, S. As questões (1)-(5) são contingentemente irrespondíveis para um agente S exatamente quando as razões que as tornam irrespondíveis são contingentes; mas não apenas isso: além de contingentes, a indisponibilidade de evidências necessárias para sua resposta deve ser garantida, isto é, consensualmente aceita pelos agentes que com- partilham tais questões, num contexto conversacional determinado. Em outras palavras, dentro de um contexto determinado, os agentes que colocam questões como essas uns aos outros devem estar em consenso sobre a indisponibilidade de evidências necessárias para a resolução desses problemas, bem como da baixa pro- babilidade de adquiri-las. Na tentativa de captar essa ideia, a seguinte definição para o termo “pergunta contingentemente irrespondível” pode ser proposta:
8Rescher (2009, p. 2) aplica o mesmo raciocínio a fatos. Na verdade, observa-se que a mesma
Definição: pergunta contingentemente irrespondível. Seja P uma pergunta qualquer, S um agente qualquer e E um conjunto não-vazio de evidências (proposi- ções) cujo conhecimento é necessário para uma resposta correta à pergunta P. Dize- mos que P é contingentemente irrespondível para S, num momento qualquer t (em que a referida questão é colocada), se, e somente se:
1. Existe pelo menos uma proposição Q do conjunto E que é consensualmente considerada, no contexto conversacional em uso, uma proposição contingente- mente incognoscível para S, no momento t. Ou
2. a resposta para P é uma proposição contingentemente incognoscível.
Agora, à luz desta definição, voltemos à questão (1). Segundo nossa defi- nição, (1) é contingentemente irrespondível para nós, neste exato momento, por- que todos concordamos que não existe qualquer informação disponível acerca da quantidade exata de água que Pôncio Pilatos utilizou para lavar as mãos antes de condenar Jesus; não existe qualquer relato preciso sobre o fato, qualquer texto com credibilidade histórica que tenha chegado até nós e que afirme, com todos os de- talhes necessários, qual foi a quantidade exata de água utilizada por Pilatos. Ou seja, concordamos que, neste exato momento, existe uma proposição que responde à pergunta (1) e que, para nós, é contingentemente incognoscível.
A definição acima explicaria o por quê de (1) ser considerada contingente- mente irrespondível, não fosse por um detalhe: cometer a falácia de circularidade – na medida em que utiliza, em sua ação definidora, o termo “proposição contingen- temente incognoscível”, um conceito evidentemente muito próximo. De fato, ao ob- servar melhor a questão, não será difícil perceber que “questões contingentemente irrespondíveis” e “proposições contingentemente incognoscíveis” são conceitos que complementam um ao outro. Apesar disso, é perfeitamente possível oferecer de- finições de ambos sem que incorramos em petição de princípio. Para isso, basta definir, primeiro, o conceito de “proposição contingentemente cognoscível”, e fazer do termo “pergunta contingentemente incognoscível” um conceito derivado. Siga- mos, portanto, essa estratégia.