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Behavioural observations

3. Materials and Methods

3.3 Behavioural observations

Há uma percepção comum dos estudantes da Licenciatura em Ciências da UFPR Litoral com relação à falta de adaptação entre o que prevê a universidade a partir da visão de Ciências e de conhecimento por áreas e o que entende a Secretaria Estadual de Educação do Paraná e os concursos disponibilizados no Paraná.

Segundo os estudantes, as poucas oportunidades de atuação que surgem no litoral do Paraná para contratação de professores de Ciências para as séries finais do Ensino Fundamental, normalmente são preenchidas por licenciados das áreas específicas de Física, Química e Biologia. “Na escola que eu dou aula pelo PSS, eles falam que área de ciências é muito difícil de abrir concurso, abre mais para Biologia. Aí o professor que é concursado em Biologia, vai dar aula de Ciências, mas para Ciências específico não.” (EE3.2013, 2014)

Conforme contam os alunos, tanto no concurso, quanto no Processo Seletivo Simplificado (PSS), o Estado entende que podem concorrer à vaga de Ciências os profissionais licenciados em Ciências, mas também aquelas das áreas específicas.

O curso de Ciências para a legislação é um pouco mais restrito. A pessoa formada em Biologia pode dar aula de Ciências, mas o professor de Ciências não pode dar aula de Biologia, não pode dar aula de Física e não pode dar aula de Química. Então o meu campo fica bem mais restrito, mas isso é ruim porque a gente perde, a área perde. (EE6.2013, 2014)

Além disso, os estudantes apontam como um problema o modelo de avaliação das provas elaboradas pela Secretaria Estadual de Educação do Paraná, que se remetem ao modelo de educação conteudista, o que segundo eles os impossibilita de serem aprovados.

“Nos moldes que o curso está [...] não me vejo preparado para passar em um concurso para ser professor”. (E2.2012, 2014)

Com relação ao PSS da Rede Estadual de Educação do Paraná todos os estudantes entrevistados apontam esse processo como uma das poucas oportunidades de trabalho como docentes de Ciências no Litoral paranaense. “Não abre muito concurso, o que eles ofertam mais é o PSS, mas no PSS você só fica com serviço garantido por um ano e quem fica numa classificação boa. Quem não fica, pode dar dez, 12 aulas, pode ser por dois, três meses.” (E4.2011, 2012)

A EE2.2012 (2014) apresenta a mesma situação de falta de oportunidades de postos de trabalho na região e da necessidade de se deslocar para outros lugares em busca de emprego. “Porque cidade pequena é difícil você conseguir alguma coisa. Ou você é servidor público ou é de uma rede particular. Você tem que correr pra outros municípios pra conseguir preencher a sua carga horária. Mas possibilidades tem. É só você ir atrás buscar, tentar e conseguir.” Essa fala retoma a contradição já exposta na análise da representação dos docentes com relação à demanda por criação do curso na região e à dificuldade de conseguir uma vaga como professor de Ciências.

Para os que não pretendem sair da região, o PSS aparece como parte dos planos de carreira e como oportunidade de exercer na Educação Básica a sua formação.

O diploma vai me possibilitar a exercer esse dom que eu acho que eu tenho de ser professor. E eu acredito que da universidade eu não saio mais. Eu vou tentar ficar nela até depois de velho, só aprendendo. Espero que as portas estejam abertas. Não mude a política de inclusão social. Porque mesmo com a política de inclusão social, já é difícil você permanecer dentro, imagine se mudar essa política. Então pretendo fazer um PSS, dar aula e desenvolver um sistema de ensino que seja significativo mesmo que é a proposta do PPP e das diretrizes de bases também. Quero diversificar o ensino e buscar realmente as nossas raízes. (E2.2013)

Entretanto, ainda que o PSS possibilite que alunos do curso de Ciências e/ou egressos do curso possam estar em sala atuando como professores, trata-se de uma situação de grande instabilidade.

A questão do PSS é sempre uma incerteza. Você não sabe se você vai ter vaga, se você vai atingir o número de pontos para conseguir entrar, etc. [...] Uma grande parte dos alunos que se formaram aqui [na UFPR Litoral], atuam na área, mas como PSS. Eu acho que tem um ou dois concursados que conseguiram para a Prefeitura, na área de Ciências. (EE1.2012, 2014)

Além disso, as condições de oferta de vaga do Processo Seletivo Simplificado segundo a EE1.2011, são em escolas longínquas, em horários ruins, entre outros aspectos.

Vaga de PSS tem, mas é na sexta-feira que nenhum professor quer dar aula. Na última escola que eu trabalhava,a gente tinha que sair daqui às 10 da manhã, para poder dar aula a uma hora, e sair as cinco de lá e chegar às oito aqui, porque a gente tinha que pegar dois ônibus para chegar. [...] Então o que falta são escolas. (E1.2011, 2014)

Para o EE1.2012 (2014), o problema do Processo Seletivo Simplificado do Estado do Paraná não é somente a incerteza de abertura de vagas ou a dificuldade de deslocamento até uma escola com vaga, mas sim o modo como está estruturado o programa de preenchimento temporário de vagas para docentes e o impacto disso nas escolas da região.

Eu sou totalmente contra o (PSS), porque você está colocando um profissional que não está preparado, para assumir um cargo de importância, que é o papel do professor. Daí acaba piorando a situação, porque você está colocando alguém não preparado, que não sabe como lidar com aquela situação, por um período muito curto. (EE1.2012)

O relato do aluno EE1.2012 revela um descompromisso com a educação pública paranaense, não somente com a qualidade da educação dos estudantes da Educação Básica, mas também com o entendimento que se tem de formação docente e ensino. O processo de contratação temporária de professores na Rede Pública de Ensino do Paraná por um curto espaço de tempo não possibilita que se trabalhe em uma perspectiva de formação continuada de professores, o que implica diretamente no processo formativo de crianças e adolescentes que estudam nesse escolas.

O processo de transformação da realidade das escolas do estado do Paraná através de professores inseridos e envolvidos no cotidiano escolar das escolas públicas é almejado pelos futuros docentes de Ciências formados pela UFPR Litoral. A aluna EE4.2012 revela, entretanto, que em razão deles serem formados em uma perspectiva diferenciada de ensino – por áreas do conhecimento e a partir de uma metodologia de projetos, terão como desafio transformar o ensino tradicional.

Eu acho que é uma missão muito complicada. Eu acho que é bem difícil. É uma luta que a gente vai ter diariamente, quando a gente começar a lecionar dentro de uma escola tradicional. Acho que a gente vai ter que se obrigar a ser professores revolucionários do ensino, porque para você ter um ensino como esse, queira ou não queira, você vai ter que bater de frente com diretoria, vai ter que bater de frente com outras universidades. Porém, talvez bater de frente de uma forma que você mostre para eles que aquilo é bom, que você atraia eles para aquilo, não que você imponha. (EE4.2012, 2014)

Porém, assim como os estudantes do curso de Licenciatura em Ciências da UFPR Litoral afirmaram, a transformação da perspectiva tradicional de educação em uma perspectiva inovadora deve se dar de modo consciente, a partir da constatação crítica das necessidades da realidade, e não de modo imposto. O processo de amadurecimento teórico da perspectiva integrada do conhecimento por áreas do saber ocorrerá na medida que a escola for se transformando e captando novos atores envolvidos nesse processo de mudança.