Apesar de não ser um fenômeno recente, somente nas últimas décadas do século XX, o estresse passou a ser reconhecido como um problema da administração, tornando-se objeto de vários estudos focados na investigação e solução dos problemas organizacionais ligados a ele (COOPER, SLOAN & WILLIAMS, 1988). Os indicadores mais frequentes e mais óbvios do estresse ocupacional em nível organizacional são, dentre outras, a alta rotatividade de pessoal, o alto absenteísmo, o aumento de doenças e taxas de acidentes, atrasos constantes, perdas de
compromissos e aumento de erros por descuido, o que já justifica a sua investigação e seus problemas entre os profissionais de educação física.
De acordo com Cooper, Sloan & Williams (1988) o estresse ocupacional é percebido como uma qualidade negativa, sua percepção varia de acordo com cada indivíduo e que resulta de um mecanismo inadequado de superação das fontes de pressão, trazendo como consequências transtornos físicos e mentais. Embora seus efeitos inicialmente fossem descritos apenas entre executivos, inúmeros estudos demonstram que atingem inúmeras profissões, ocupações e empregos, em todos os níveis hierárquicos.
O Occupational Stress Indicator é um importante instrumento para a abordagem inicial do estresse ocupacional (COOPER, SLOAN & WLLIAMS, 1988). Ele é um modelo dinâmico que aborda o trabalho de uma forma biopsicossocial, permitindo descrever, analisar e diagnosticar o processo de estresse na organização, possibilitando propor soluções a serem adotadas. Uma de suas vantagens é que não existe pré-requisito de conhecimento ou qualificação para o seu uso. O modelo de estresse que sustenta o OSI, representado na FIG. 1, é composto de cinco elementos chave: as fontes de estresse, as características individuais do indivíduo que experimenta o estresse, as estratégias de superação e os efeitos individuais e organizacionais do estresse. Ele foi criado com recursos estatísticos e dados de entrevista de um número significativo de participantes. Para operacionalizar o modelo foi criado o instrumento citado (OSI).
Dificilmente o indivíduo está sujeito a uma única fonte de pressão, sendo mais comum um conjunto de vários fatores, eventualmente não sendo possível identificar uma fonte mais importante do que outra. Embora os fatores intrínsecos ao trabalho possam determinar um papel importante no estresse ocupacional, aspectos da vida pessoal a da carreira, por exemplo, poderão ser extremamente significativos na gênese do processo (COOPER, SLOAN, WILLIAMS, 1988).
Figura 1 – Modelo de Occupacional Stress Indicator
FONTE: traduzido e adaptado de COOPER, SLOAN & WILLIANS (1988).
Os fatores de pressão e estresse no trabalho, ilustrados na FIG. 1, são divididos em seis grandes grupos:
Fatores intrínsecos ao trabalho; O papel do indivíduo na organização; O inter-relacionamento;
Fatores ligados ao desenvolvimento e ao progresso do trabalhador em sua carreira; Clima e estrutura da organização;
Interface entre casa e trabalho.
De acordo com o conceito de estresse adotado pelos autores do OSI, o estresse é subjetivo e influenciado pela personalidade de cada indivíduo. Assim, no caso específico dos educadores
físicos, uma determinada carteira de clientes e/ou variadas modalidades de aulas ministradas de atividades físicas pode representar uma fonte de pressão para alguns, enquanto para outros uma possibilidade de crescimento e reconhecimento profissional e pessoal. A susceptibilidade individual ao estresse é influenciada pelo tipo de personalidade e pelo locus de controle18.
De acordo com o modelo de Cooper, Sloan & Williams (1988), ilustrado na FIG.1, além das várias fontes de estresse particularmente do indivíduo, o surgimento dos efeitos do estresse dependerá do uso efetivo ou não das estratégias de coping pelo indivíduo. Essas estratégias variam desde o suporte psicológico encontrado em outras pessoas até o modo como se administra a vida em casa e no trabalho.
Como resultado da interação dos fatores acima, surgem consequências do estresse para o indivíduo e para a organização, descritas posteriormente neste trabalho.
2.4.1 Fatores de pressão e estresse no trabalho
Para os animais selvagens o estresse é fundamental para sua sobrevivência em situações de perigo frente a outros animais e a intempéries da natureza, assim como era para o homem primitivo. No homem civilizado, essa função de preservação da vida frente a tais tipos de perigos não é tão proeminente, entretanto surgem outras situações que lhe demandam grande capacidade adaptativa: no contexto macro ambiental pode-se citar a violência crescente nos centros urbanos e a instabilidade sócio-política mundial, enquanto na esfera individual, cita-se o número e velocidade cada vez maiores de informações que devem ser processadas, as tecnologias que se renovam incessantemente, a competitividade no trabalho, o consumismo e as pressões familiares. Dessa forma, esses fatores despontam como importantes fatores de pressão que são potenciais
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Define-se como locus de controle o grau em que um indivíduo crê que sua vida se encontra sob seu próprio controle ou sob o controle dos outros. A pessoa que acredita ser responsável por seu destino, possui locus de controle interno, enquanto que a pessoa que crê que o que lhe acontece é determinado pelo acaso, sorte ou poder dos demais, possui um locus de controle externo.
geradores de estresse, que pode ser considerado como a pandemia da sociedade pós-moderna (OLIVEIRA, 2005).
Como já visto anteriormente nesse estudo, o trabalho exerce um papel importante em nossa sociedade, não só econômico mais também sociocultural, pois é no trabalho que se formam ciclos de amizade com mais probabilidade que outros lugares.
Nesse contexto, o trabalho atua de forma decisiva na dinâmica afetiva das pessoas, o que se reflete em suas atividades laborais e na própria saúde.
A FIG. 2 ilustra a interação das várias dimensões do trabalho, que podem tanto ser fatores de qualidade de vida no trabalho como podem atuar como potenciais agentes agressores, o que consequentemente pode afetar a saúde do indivíduo.
Esses aspectos dão a dimensão da importância do estudo dos fatores de pressão no trabalho sendo, entretanto, necessária uma metodologia que permita o diagnóstico destes fatores.
Figura – Dimensões de conteúdo de trabalho e potenciais fatores de pressão.