• No results found

Reformene som en ny brikke i samarbeidsinstitusjonen

A Psicologia do trabalho vem, através de vários estudos, mostrando que o fenômeno “Sofrimento no Trabalho” contribui de forma significativa no aumento do absenteísmo. O trabalho, além de fonte de sustento, pode tornar-se propulsor de saúde e desencadeante de doenças, dependendo da influência que exerce sobre o trabalhador. Segundo Dejours (1992), o trabalho passa a ser visto como algo adverso, fonte de sofrimento humano, a partir da Revolução Industrial. Nessa época, as jornadas extenuantes de trabalho, o início precoce às atividades laborais, as péssimas condições higiênicas e ambientais e as condições precárias de segurança resultavam em elevada morbimortalidade e baixa expectativa de vida. O final do século XVIII, até meados do século XIX, caracterizou-se, portanto, pela luta pela sobrevivência do trabalhador.

No final do século XIX, com a segunda Revolução Industrial, surgiram novos conceitos de organização do trabalho, como o proposto por Fayol (Dejours, 1992). Segundo ele, para melhor planejamento e controle do trabalho, este deveria ser dividido e cadeias de comando estabelecidas. Esse modelo mecanicista de trabalho, proposto por Fayol, ajudava a promover a desumanização tanto psicológica quanto social na organização. Pelo fato de o trabalhador não conseguir pensar sua atividade, era imposta a ele a aceleração de seu ritmo de trabalho, aumentando ainda mais sua capacidade de não pensar. Esta situação resultaria na paralisação do seu funcionamento psíquico e em um estado de semiembotamento, o que poderia influenciar não só no trabalho, mas todas as esferas de sua vida.

Outro modelo mecanicista foi o proposto por Frederick Taylor (Dejours, 1992) que, dentre outros preceitos, defendia a escolha da melhor pessoa para o trabalho, o treinamento desta pessoa e o monitoramento do seu desempenho. Esse modelo proposto por Taylor aumentou o lucro das empresas, resultando, por outro lado, na maior alienação do trabalhador, na repressão de sua capacidade criativa, na necessidade de adaptação deste às condições de trabalho impostas e, consequentemente, no maior sofrimento no trabalho.

A busca por melhores condições de trabalho e pela manutenção da saúde do corpo se iniciou após a Primeira Guerra Mundial. Foi nesse contexto, de aumento da demanda para as necessidades da guerra e de desfalque de trabalhadores, que surgiu o movimento operário, em busca de melhores condições de trabalho. O conceito de saúde, no entanto, se restringia a saúde física. Segundo Foucault (2008), a sociedade capitalista investiu, antes de tudo, no biológico, no somático, no corporal.

O surgimento do modelo fordista, nessa época, fomentou, ainda mais, o processo de produção, ao mesmo tempo em que aumentava o sofrimento psíquico dos trabalhadores. Esse modelo passou a ser utilizado pelas demais nações capitalistas do mundo, sendo adotado, inclusive, na Europa, durante a implantação do Plano Marshall.

Posteriormente, o desenvolvimento tecnológico trouxe consigo o conceito de psicopatologia do trabalho, através do qual se estabelecia que as pressões do trabalho colocariam em xeque o equilíbrio psíquico e a saúde mental. Barcaui (2010) afirma que novos tipos de controles surgiram, em que a rigidez, o cronometro e a produção em série deram lugar a termos mais elaborados, como flexibilização da produção, especialização, produção enxuta, que, na prática, representavam apenas “requintes de controle”. Para Dejours (1992), o equilíbrio psíquico entre constrangimento do trabalho estabilizante ou patogênico e defesas psíquicas definiria a normalidade. E, assim sendo, quando o trabalhador conquista essa normalidade por meio da força, suas ações são permeadas pelo sofrimento. Segundo Codo (2006), o bem-estar está relacionado à ideia de ambiente gratificante, levando os trabalhadores a gostarem do trabalho. Já a ideia de sofrimento estaria relacionada à subjugação do trabalho e é isso o que ocorreria na maioria das vezes.

O modelo atual de organização do trabalho, apesar de mais humano, quando comparado àquele em vigor nos séculos XVIII e XIX, apresenta elementos que, também, geram sofrimento aos trabalhares. A partir da década de 80, ficou comprovado que os transtornos psíquicos e a saúde mental são desencadeados pela organização do trabalho (condições físicas, químicas e biológicas e divisão de tarefas), sendo que esta última diz respeito não só ao envolvimento do trabalhador com suas atividades, como também às relações que se constroem entre os próprios trabalhadores.

O sofrimento, segundo Dejours (1992), é discriminado como: sofrimento singular (dimensão diacrônica), que é herdado da história psíquica de cada indivíduo; o sofrimento atual (dimensão sincrônica), que ocorre quando há o reencontro do sujeito com o trabalho; e o sofrimento criativo, ou seja, quando o indivíduo produz soluções desfavoráveis para sua vida e que estão relacionados à saúde.

Com o passar do tempo, foram surgindo novos fatores responsáveis pelo sofrimento dos trabalhadores, como os trabalhos temporários, a ameaça de desemprego, as constantes pressões, o elevado nível de exigência, a necessidade de mão de obra cada vez mais especializada, bem como de formação contínua, alto rendimento, colaboração em tempo real, maior autonomia e responsabilidade. Essa nova demanda de trabalho requer a existência de uma aliança entre o trabalhador e a empresa, que é a confiança na organização. Uma vez rompida essa aliança, isso pode resultar em resultados negativos para o bem-estar psicológico dos indivíduos envolvidos.

O advento da informática trouxe enormes benefícios e facilidades nas mais diferentes áreas do conhecimento humano. Por outro lado, aumentou o ritmo de trabalho, levando a maior incidência de doenças ocupacionais como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER/DORTs), distúrbios do sono, depressão, síndrome do pânico, fadiga, entre outras. Vale ressaltar que o trabalho não é o único responsável pelo surgimento de psicopatologias. Estas dependem, também, das características individuais e suas interrelações fora do ambiente de trabalho.

O modelo capitalista, que pregava o consumo desenfreado como forma de satisfação pessoal, passou a ser contestado pelos trabalhadores, que perceberam que o acesso aos bens materiais não era tão fácil quanto se propagandeava, e que esses bens não eram necessariamente fonte de felicidade. Segundo Dejours (1992), quando o trabalhador não consegue se adaptar às

pressões do cotidiano de trabalho, ficam evidentes outros pontos, como a alta rotatividade de funcionários, o grande número de faltas, e a maior procura por atendimento médico, uma vez que o sofrimento mental e a fadiga são proibidos de se manifestarem numa fábrica. Assim, somente a doença é admitida. A consulta médica seria, portanto, uma forma de disfarçar o sofrimento mental que só seria percebido em seu último estágio de evolução: a doença mental em si. Para a empresa, a saúde do trabalhador só se tornaria uma preocupação quando houvesse uma interferência em sua eficácia e produtividade.

Para Barcaui (2010), as formas de sofrimento vêm acompanhando as novas formas de trabalho. O que tem mudado é que, com o decorrer dos anos, a sociedade cada vez mais começa a enxergar as consequências disso. Tendo em vista que as pessoas passam uma grande parcela de suas vidas no ambiente de trabalho, é inevitável que as condições vigentes, nesse ambiente, influenciem diretamente a qualidade de vida das pessoas: portanto, ele deveria o mais prazeroso possível.

Para Tenório (2000), uma possível solução para evitar o sofrimento no trabalho seria uma maior democratização do processo de trabalho, com maior abertura para que os trabalhadores pudessem se expressar. Isso levaria à diminuição das diferenças hierárquicas, à maior autonomia dos indivíduos, à variabilidade dos trabalhos realizados e, consequentemente, à maior satisfação do trabalhador e ao fomento da produtividade.

O médico do trabalho tem um papel fundamental no que diz respeito ao implemento de medidas que melhorem as condições de trabalho. No próprio processo seletivo de muitas empresas, há uma triagem de indivíduos que se adequem às condições de trabalhos necessárias para determinados serviços, se o contrário não puder ser feito, de modo a evitar o surgimento de patologias futuras. Dicas de ergonomia, como posição correta de se sentar ou agachar, também devem ser constantemente lembradas no ambiente de trabalho, na tentativa de se prevenir problemas ortopédicos e neurológicos. É dever do médico também denunciar condições e ambientes de trabalho inadequados ou que ofereçam riscos à saúde do trabalhador.

Atentas à prevenção do sofrimento no trabalho, muitas empresas oferecem, aos seus funcionários, horários flexíveis e espaços de lazer dentro das próprias empresas, como academias ou áreas de repouso. Segundo elas, os funcionários se sentem menos pressionados

e, ao voltarem para seus cargos após um período de lazer, produzem mais do que se tivessem cumprido todo seu expediente, ancorados em suas posições na empresa.

A participação nos resultados, parcela do lucro dividida entre todos os funcionários, e que depende do cumprimento de metas, cria o sentimento, no trabalhador, de que este não é apenas um empregado. O fato de receber uma parcela nos lucros da empresa desperta nele o sentimento de cooperativismo, de que aquela empresa é, em parte, sua, motivando-o, diminuindo seu sofrimento e, além de tudo, aumentando o lucro das empresas com o cumprimento das metas.

O trabalhador só pode ser excelente naquilo que faz se estiver realmente satisfeito com seu trabalho. E essa, parece, é uma tarefa que deve ser compartilhada entre o próprio trabalhador, na escolha de uma função em que se identifique; do médico, no dever de zelar pela integridade física e psíquica do trabalhador; e da empresa, em oferecer aos seus trabalhadores as melhores condições de trabalho possíveis dentro da sua realidade.

A cultura organizacional, os valores e os hábitos da equipe são, também, variáveis importantes a serem observadas, pois o trabalhador influencia-se prontamente pelas disfunções do trâmite de licenças médicas ou atestados desnecessários.